Recent Posts

27.4.10

Os melhores filmes vencedores do Óscar

A Liga dos Blogs Cinematográficos vai eleger os melhores filmes entre os vencedores do ‘Óscar para melhor filme’. Para isso cada membro vota (nota um 1a 10) nos filmes vencedores, desde 1927 a 2006 (a partir daí os filmes já foram votados nos rankings mensais da Liga).

Ao contrário da maioria dos meus confrades, eu acabei por só conseguir votar em cerca de um terço dos filmes. Por um lado, como nunca liguei muito aos Óscares, há uma grande quantidade de fitas que não vi, nomeadamente vencedores recentes ('Titanic', 'Chicago', 'Uma mente brilhante', 'Shakespeare in Love'…); por outro lado, há mais de uma dúzia de que não me lembro suficientemente bem para dar uma nota honesta e conscientemente (desde clássicos como 'Ben Hur' ou 'E tudo o vento levou', a filmes mais recentes como 'Amadeus' ou 'Laços de ternura').

No magnífico ensaio ‘Como falar dos livros que não lemos’, Pierre Bayard classifica os livros em várias categorias, sendo uma delas 'Livro Esquecido' (LO), sendo que estes são ainda classificados  pelo autor, quando se refere a um deles, com a seguinte simbologia: LO ++ (opinião muito positiva), LO+ (opinião positiva), LO- (opinião negativa) e LO-- (opinião muito negativa).

Estendendo esta categorização aos filmes, aos ‘filmes esquecidos’ não atribui nota, mesmo que tenha uma opinião (de muito negativa a muito positiva) da maior parte deles.


Posto isto, cá vão então aqueles em que votei (títulos brasileiros! nos casos mais enigmáticos acrescentei o título original ou o de Portugal):

NADA DE NOVO NO FRONT, Lewis Milestone (8)

ACONTECEU NAQUELA NOITE, Frank Capra (9,5)

COMO ERA VERDE O MEU VALE , John Ford (8)

CASABLANCA, Michael Curtiz (9,5)

A LUZ É PARA TODOS, Elia Kazan (8)

A GRANDE ILUSÃO (All the King's Men), Robert Rossen (8,5)

A MALVADA (All About Eve) , Joseph L. Mankiewicz (9)

A UM PASSO DA ETERNIDADE, Fred Zinnemann (9)

SINDICATO DE LADRÕES (Há lodo no cais), Elia Kazan (10)

SE MEU APARTAMENTO FALASSE (O apartamento), Billy Wilder (10)

LAWRENCE DA ARÁBIA, David Lean (10)

A NOVIÇA REBELDE (Música no coração), Robert Wise (6)

PERDIDOS NA NOITE (Midnight Cowboy), John Schlesinger (9)

CONEXÃO FRANÇA, William Friedkin (8)

O PODEROSO CHEFÃO (O Padrinho), Francis Ford Coppola (10)

O PODEROSO CHEFÃO II, Francis Ford Coppola (10)

ROCKY, UM LUTADOR, John G. Avildsen (4)

NOIVO NEURÓTICO, NOIVA NERVOSA (Annie Hall), Woody Allen (9)

O FRANCO-AITRADOR (O Caçador), Michael Cimino (10)

ENTRE DOIS AMORES (África minha), Sydney Pollack (7,5)

O ÚLTIMO IMPERADOR, Bernardo Bertolucci (7)

RAIN MAN, Barry Levinson (5)

O SILÊNCIO DOS INOCENTES, Jonathan Demme (9)

OS IMPERDOÁVEIS, Clint Eastwood (10)

A LISTA DE SCHINDLER, Steven Spielberg (8,5)

O PACIENTE INGLÊS, Anthony Minghella (7,5)

BELEZA AMERICANA, Sam Mendes (8)

GLADIADOR, Ridley Scott (7,5)

O SENHOR DOS ANÉIS: O RETORNO DO REI, Peter Jackson (7,5)

MENINA DE OURO (Million Dollar Baby), Clint Eastwood (9)

CRASH - NO LIMITE, Paul Haggis (4)

22.4.10

Um cidadão exemplar


Este é um daqueles filmes que vive de um argumento espertinho e supostamente engenhoso. Como é que o vilão consegue, estando encarcerado na solitária de uma prisão, aterrorizar uma cidade com uma série de crimes espectaculares?

O pior é que -como acontece em tantos filmes de 'argumento espertinho' - quando o espectador a meio se cansa da coisa por manifesto desinteresse da mesma, não tem praticamente mais nada a que se agarrar.

Jamie Foxx, a star de serviço, tem carisma suficiente para manter a fita minimamente suportável, mas tudo o resto luta denodadamente para não se distinguir do restante lixo que é despejado semanalmente nas salas: o vilão, um insosso Gerard Butler, é um chato Professor Pardal no género revoltado contra o sistema, a milhas dum elegantemente pérfido Hannibal Lecter, por exemplo; a realização é bocejante e banal (quando começa a mostrar grandes planos insistentes de uma personagem, já sabemos que é a próxima a quinar); e o tal argumento vai perdendo o gás rapidamente, com soluções dignas dum livro dos Cinco e um final tão surpreendente como o de uma telenovela Brasileira.

Resumindo: cinco euros deitados ao lixo - e cinco euros são mil escudos na moeda antiga, como diria o inefável Rui Oliveira e Costa.

Law Abiding Citizen, E.U.A., 2009. Realização: F. Gary Gray. Com: Jamie Foxx, Gerard Butler, Colm Meaney, Bruce McGill, Leslie Bibb, Michael Irby, Regina Hall, Viola Davis, Gregory Itzin, Annie Corley.

21.4.10

52


Andie MacDowell  faz hoje 52 anos. Cinquenta e dois. 'Quatro casamentos e um funeral' foi há 16 anos, 'Short Cuts' e 'O Feitiço do tempo' há 17, 'Sexo, mentiras e vídeo' há 21. Estou a ficar velho.

17.4.10

Thirst — Este é o Meu Sangue...


Um padre submete-se a uma nova vacina e, ao contrário dos anteriores cinquenta pacientes, sobrevive-lhe, o que leva os crentes a tomá-lo por um Santo. Mas algo correu mal e, na realidade, ele transformou-se num vampiro. Entretanto envolve-se com uma mulher (casada, cansada), a quem pretende salvar, e o filme trata desse romance atribulado.

'Thirst — Este é o Meu Sangue...' (por uma vez, o tradutor português nem se saiu mal com o titulo...) é, como todos os filmes do coreano Park Chan-wook, um objecto estranho. Este pega num argumento tipo 'série B' e filma-o como um 'filme de autor'. É como se tivessem dado a Wong Kar Wai um argumento destinado a Takeshi Miike. Não exagero: Park filma mesmo muito bem.

Escusado será dizer que, sendo um filme de vampiros, não tem nada a ver com 'Crepúsculos' nem sequer com sanguinolências à Fantasporto (embora haja muito sangue e tenha passado no Fantasporto). É uma história de amor - ou o que queiramos chamar àquela relação - filmada em tom melancólico, com um erotismo culpado e uma violência interiorizada que explode de vez em quando. E que termina  de uma forma espantosa - entre o risível e o dementemente romântico.

Bakjwi / 박쥐 (Thirst), Coreia do Sul/E.U.A, 2009. Realização: Park Chan-wook. Com: Song Kang-ho, Kim Ok-bin, Shin Ha-kyun, Kim Hae-sook, Eriq Ebouaney.

16.4.10

Os filmes mais rentáveis de todos os tempos (e os outros)


Descobri este interessante site onde se trata de ma$$a, com li$ta$ para todos os gostos.

Eis os filmes mais rentáveis de sempre (Most Profitable Movies, Based on Absolute Profit on Worldwide Gross):

 Movie Gross Profit

1 Avatar $1,119,426,956
2 Titanic $721,439,978
3 The Lord of the Rings: The Return of the King $472,513,663
4 Jurassic Park $398,533,974
5 Shrek 2 $389,919,379
6  Star Wars Ep. IV: A New Hope $387,950,000
7 ET: The Extra-Terrestrial $385,955,277
8 The Lord of the Rings: The Two Towers $369,142,189
9 Harry Potter and the Sorcerer's Stone $363,228,946
10 Ice Age: Dawn of the Dinosaurs $352,264,184
11 Star Wars Ep. I: The Phantom Menace $347,144,149
12 Harry Potter and the Chamber of Secrets $339,493,940
13Finding Nemo $339,296,489
14 Independence Day $333,700,439
15 The Dark Knight $326,172,679
16  The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring $325,310,843
17 Harry Potter and the Order of the Phoenix $319,234,432
18 The Lost World: Jurassic Park $318,343,340
19 The Lion King $312,619,753
20 Star Wars Ep. III: Revenge of the Sith $309,499,439

A minha opinião sobre eles? Bom, desde já confessar que vi metade! E gostei da trilogia 'Senhor dos Anéis' (por ordem decrescente). E acho que, enfim,  vale a pena ver o best seller dos best sellers 'Avatar' (o argumento é um bocado infantil, esqueçamos o argumento). Quanto à bonecada, o 'Shreck 2' é bem pior que o 1 e o 'Idade do Gelo 3' é muitíssimo pior que os dois primeiros (excelentes). Do 'Dia da Independência' e deste 'Batman' não gostei mesmo nada. E dos de Mr.Spielberg? Bom, o primeiro  'Jurassic Park' deixa-se ver entre bocejos e quanto ao E.T., bom, quanto ao E.T., já não me lembro lá muito bem dele. Mas se não me impressionou em miudo...

Gosto bem mais das listas Movies With Lowest Budgets to Earn $1 Million at US Box Office e Most Profitable Movies, Based on Return on Investment , cada uma com vários clássicos (e nem estou a falar em 'O Nascimento de uma nação', presente em ambas!).

Uma nota final para as listas dos Biggest Money Losers, onde há a destacar a presença dessa verdadeira pérola camp classic que é 'Alexandre', de Mr.Oliver Stone. Afinal há (alguma) justiça nas coisas.

15.4.10

Tokyo-Ga


[Yuuharu Atsuta]

13.4.10

Sobre a pirataria cibernautica


Por mero acaso fui ter ao blog Novo Cinema Português (1949-80), e mais concretamente a este post, que tem uma interessante troca de comentários entre Jorge Leitão Ramos (JLR) e Paulo Cunha (PC), um dos responsáveis do blog

Paulo Cunha disponibilizou um link para o download de 'Fragmentos de um filme-esmola' e JLR pergunta-lhe se "um investigador do cinema português deve dar caminhos para a pirataria do cinema português?" PC responde que pretendeu "facilitar o acesso dos leitores deste espaço a ficheiros que estão alojados na internet e que são de manifesto interesse para o objecto deste espaço' e acrescenta que 'Pessoalmente, só recorro a estes ficheiros que estão alojados um pouco por toda a rede quando os filmes em questão não se encontram editados ou acessíveis ao público".

É uma questão interessante, agora que os downloads de filmes são uma realidade a que é impossível fechar os olhos.

Parece-me que um bom inicio de discussão está neste excelente post em que Milton do Prado critica quer quem acha que "tem todo o direito de fazer o que quiser com um arquivo eletrônico que chega em suas mãos. Não importa que algumas pessoas possam estar sendo prejudicadas, esse grupo não vai levar isso em consideração", quer quem "é contra cegamente, porque é crime. É o tipo de pessoa que acha que seguir a lei (qualquer tipo de lei) é a solução para todos os problemas da humanidade. " (será mais ao menos a posição de JLR).

E dá a sua opinião: "Pouca gente usa o verdadeiro potencial da rede: a possibilidade de garimpar pepitas, encontrar tesouros antigos escondidos, revelar algumas jóias raras até um tempo atrás. Não criemos ilusões: o percentual de gente que quer ver um filme do Pedro Costa no lugar de um filme do Spielberg é o mesmo antes e depois da internet. O que muda agora é que um cara que mora em Santo Antônio das Grotas, com uma conexão razoável e alguma paciência, pode baixar o que quiser e não se submeter a um cardápio totalmente restrito." (posição que será semelhante à de PC).
 
E eu? Bom, eu tenho umas centenas de dvds (só um é pirata - foi comprado na China, mais pela curiosidade de seguir um vendedor que me abordou com ar conspirativo e me levou por uma série de quelhos esconsos até ao lugar de venda; aí acabei por lhe comprar, por um euro, ou coisa que o valha, um suposto exemplar de 'Grindhouse' com 'Planet Terror' e 'Death Proof' - mas que fatalmente se verificou - já em Portugal - só ter o segundo; a propósito, acabei por comprar por lá  2 ou 3 dvds perfeitamente legais praticamente pelo mesmo preço...). Eu gosto de comprar dvds, de ter dvds, de ver dvds no leitor de dvd, mas também já saquei uma série de filmes, muitos dos quais dificilmente teria oportunidade de ver de outro modo (e já me aconteceu, como ao Milton, comprar depois o dvd quando é editado).
 
Sinceramente nunca pensei a sério no assunto, mas a minha posição tende para a do católico não praticante: concordo totalmente com quem defende os direitos de autor e tal, mas não resisto a ir sacando umas coisitas...

12.4.10

De Paris com amor


Depois do excelente thriller 'sério' (dentro do género 'suspensão da descrença em alerta máximo') 'Busca implacável', Pierre Morel dá-nos agora um thriller dum subgénero a que poderemos chamar técnicamente 'palhaçada'.

Jonathan Rhys Meyers, um cérebro atinadinho da embaixada americana em Paris, cumpre o seu sonho de passar para os Serviços Especiais ao ser-lhe atribuída a missão de acompanhar um agente que chega à capital francesa em missão secreta. Esse agente, John Travolta, que é uma espécie de mistura entre Bruce Willis e Jackie Chan com um piscar de olho a Vincent Vega, tem como principal característica disparar em tudo o que mexe e, como diz modestamente às tantas, mata aí uma pessoa por hora durante o expediente - o que significa aproximadamente uma por minuto de filme.

Morel, como já havia provado, tem dedo para as cenas de acção e orquestra uma mortandade em tom de paródia como já não se via desde 'Shoot`em Up'. Rhys Meyers, na minha opinião, é um actor algo limitado, mas Travolta está como peixe na água e carrega facilmente o filme às costas. A bela Kasia Smutniak dá o toque de sensualidade que se espera de um filme passado à Paris.

Há quem aproveite estas tardes soalheiras de Domingo para ler o jornal numa esplanada à beira mar; eu enfio-me no cinema a ver filmes destes. E nem sempre me arrependo. Ontem, por exemplo.

From Paris with Love, França, 2010. Realização: Pierre Morel. Com: John Travolta, Jonathan Rhys Meyers, Kasia Smutniak, Richard Durden, Yin Bing.

11.4.10

As ervas daninhas


Há um aspecto desconcertante neste novo filme de Resnais: onde o encaixar. Inicialmente pareceu-me que teria algo de 'Corações', porventura o seu filme mais caloroso; mas rapidamente me apercebi que os 'jogos' cerebrais, tão ao gosto de Resnais, lá estavam, para nos baralhar um pouco; entretanto, ri-me francamente numa mão cheia de cenas (nem sempre acompanhado pela sala); e, quando o filme passou mais abertamente para um registo de absurdo, que estivera sempre a pairar, desisti de vez de o tentar classificar.

Resnais (tal como Godard, tão diferente) tem um lado cerebral muito vincado que me impede de aderir totalmente aos seus filmes. Este não foi excepção, mas a sua inteligência, o seu modo engenhosamente divertido de apresentar as situações (aquele falso 'Fim' ao som da música da 20th Century Fox...), o domínio que o realizador tem de todos os elementos (mais uma vez os cenários merecem um destaque especial), os actores, magníficos como sempre, seduziram-me e por vezes até me encantaram.

Aos 87 anos - só será batido neste campo por Manoel de Oliveira - o realizador francês mantém-se em excelente forma.

Les Herbes Folles, França/Itália, 2009. Realização: Alain Resnais. Com: André Dussollier, Sabine Azéma, Emmanuelle Devos, Mathieu Amalric, Anne Consigny.

8.4.10

44