Recent Posts

17.8.10

Os Mercenários


Estava com um bom feeling para este filme e a boa notícia é que não me enganei: ‘Os Mercenários’ é muito, muito divertido. Principalmente quem via "filmes de porrada” nos anos 80, em que Mr. Stallone era o principal expoente, não poderá deixar de se rir com vontade durante esta paródia anacrónica.

Stallone convocou a malta toda (só faltará Van Damme) e todos cumprem o seu papel (a sua caricatura) na perfeição: Bruce Willis e Arnold Schwarzenegger têm um cameo fantástico (em que as ambições politicas do ultimo são devidamente gozadas), Jet Li é permanentemente ridicularizado como o ‘pequenino’ que só não é esmagado pelos grandalhões porque estes nem se dão ao trabalho, etc., etc. O único discurso ‘sério’ é deixado – e muito bem - para Mickey Rourke, ainda de visual à Wrestler.

Já o próprio Stallone – actor limitado – divide sensatamente o protagonismo com Jason Statham, que talvez saque aqui o seu melhor papel (está no registo habitual, mas como aqui encaramos a coisa como uma paródia…).

E quanto ao resto? Está à altura. O argumento é deliciosamente old fashion, sobre um bando de mercenários que se infiltra num ilhota sul-americana para depor o ditador corrupto (David Zayas, o agente Garcia de 'Dexter'), devidamente controlado por um ex-agente da CIA, e cuja oposição se resume à sua filha jeitosa (do caudilho). E, claro, tem inúmeras cenas de pancadaria espectacularmente inverosímeis, dignas do tempo em que Stallone sozinho enviava meio exército Afegão desta para melhor (no 'Rambo III', se não me falha a memória).

Stallone gosta de voltar ao passado. O pior é que quando o faz puxando à lágrima ('Rocky Balboa') se espalha ao comprido – tem a subtileza de elefante em loja de porcelanas. Mas a boa noticia, então, é que descobriu o modo certo de o fazer: recorrendo à (auto) paródia inteligente e com muito humor de primeira. Well done!

The Expendables, E.U.A., 2010. Realização: Sylvester Stallone. Com: Sylvester Stallone, Jason Statham, Jet Li, Dolph Lundgren, Eric Roberts, Randy Couture, Steve Austin, David Zayas, Giselle Itié, Mickey Rourke.

12.8.10

?


Estava aqui um bocado baralhado com os horários de 'Os Mercenários', até que percebi que o filme só estreia amanhã, sexta-feira... (Se fosse um filme de terror tinha piada que se adiasse um dia para estrear numa sexta-feira 13, não sendo o caso deve ser mais uma idiossincrasia da distribuição cinematográfica lusa!)

9.8.10

Shirin


Já vi há uns tempos 'Shirin', de que gostei bastante, mas sobre o qual tenho alguma dificuldade em escrever. Talvez por concordar com aqueles que o consideram mais uma instalação que um filme.

Por dois motivos: à semelhança de muita ‘arte moderna’ exige alguma contextualização: é difícil, para quem o vê ‘virgem’, não tentar saber algo mais a seguir. E não é indiferente, penso, saber que aqueles rostos tão intensos que desfilam perante nós, são de actrizes a quem Kiarostami pediu que pensassem em algo pessoal, sendo a história que se ouve em pano de fundo (um poema persa do século XII, sabemos com a tal contextualização)  apenas uma espécie de banda sonora. Em segundo lugar, porque tendo visto o filme em casa não me pareceu ter tido uma experiência inferior à que teria numa sala de cinema. Pelo contrário: soube-me bem acompanhá-lo com um bom tinto, enquanto me deixava embalar pelo seu ritmo encantatório…

Shirin, Irão, 2008. Realização: Abbas Kiarostami. Com: Juliette Binoche, Pegah Ahangarani, Taraneh Alidoosti, Mahnaz Afshar, Golshifteh Farahani, Soraya Ghasemi.

7.8.10

A Mente dos famosos


Depois de ter passado quase despercebido pelas salas, chega agora ao dvd este 'Shrink'. O psiquiatra do título (Kevin Spacey, muito bem como sempre) é uma celebridade, autor de bestsellers com títulos como 'Felicidade' ou 'Como evitar o suicídio', mas que se encontra em profunda crise existencial devido ao suicídio da sua própria mulher.

O filme segue a famigerada estrutura 'em mosaico', que os mais ignorantes pensam que foi inventada em 'Magnolia', girando à volta dos clientes de Spacey, alguns dos quais são os tais 'famosos' do muito palerma título português: um actor narcisista e a mulher, um famoso agente de artistas com fobia a tudo que mexe, a sua secretária e um aspirante a escritor que se apaixona por ela, uma miúda desadaptada (que Spacey trata pro bono), etc., etc.

Não trazendo o argumento nada de novo - é mais uma variante sobre a vida 'Sex & Drugs & Rock & Roll' de Hollywood- vale ainda assim a pena ver esta fita. O elenco é impecável (e, tirando o cabeça de cartaz Spacey, os papeis principais estão quase todos entregues a gente pouco conhecida; só temos uma pequena participação de Robin Williams e um cameo do grande Gore Vidal - nota máxima para quem o convidou) e o realizador Jonas Pate (vindo da televisão) encontrou o tom certo para a coisa - sereno, melancólico, com um ou outro toque de humor.

Em suma: um bom filme para adultos. Actualmente não se pode pedir muito mais a Hollywood.

Shrink, E.U.A., 2009. Realização: Jonas Pate. Com: Kevin Spacey, Saffron Burrows, Mark Webber, Keke Palmer, Dallas Roberts, Robert Loggia.

5.8.10

No comments



(o "autor" Stalone)

Canino


No pouco que fui lendo sobre ‘Canino’ pela net (aqui, por exemplo), vi referências a Haneke, a Wes Anderson, a ‘The Village’, de Shyamalan. E estes nomes fazem sentido – principalmente Haneke, que me parce uma referência incontornável (embora 'Canino' possua um erotismo alheio aos universos citados).

Será esse o ponto fraco deste elegante e sorumbático filme sobre uma família grega em que os filhos – já quase adultos - nunca saíram de casa e não conhecem o mundo exterior: faz sempre lembrar qualquer coisa. Recordo-me especialmente de, aquando de um plano fixo em que duas personagens, vestidas imaculadamente de branco, olham para nós, ter pensado “já vi isto em qualquer lado!” . E essa foi uma sensação recorrente. Paradoxalmente, parece-nos que, apesar da sua estranheza, quase estamos perante uma súmula de muito do cinema indy dos últimos anos.

Mas  uma súmula inteligente, bem feita e que acaba por ter uma personalidade própria - e apesar de tudo, mais violenta que o habitual.

Kynodontas, Grécia, 2009. Realização: Giorgos Lanthimos. Com: Christos Stergioglou, Michelle Valley, Aggeliki Papoulia, Mary Tsoni, Hristos Passalis, Anna Kalaitzidou.

3.8.10


Fiquei algo estupefacto com um texto de João Lopes no Cinema 2000, em que a propósito do inócuo 'A Origem' declarava, nem mais, que "o futuro já começou"! Por isso li com prazer este texto de Luís Miguel Oliveira. Parece-me que é cada vez mais necessário reafirmar certas coisas 'básicas', como: Que o cinema tem certamente uma história tecnológica mas não se reduz a ela nem a uma sucessão de “marcos” progressivamente “superados”, e que, antes pelo contrário, o que interessa nele são os objectos únicos, que por o serem resistem à camisa de forças da “evolução” e excluem a necessidade, ou a possibilidade, de serem “superados”? Como explicar, em suma, que qualquer random Griffith dos anos dez permanece… “insuperado”?

2.8.10

A Origem


Durante uma hora e um quarto ou uma hora e meia segui este 'Inception' com interesse, não obstante a presença, sempre irritante, de vários diálogos ‘explicativos’ – género ‘agora vou fazer isto para que aquilo aconteça’. Mas depois comecei a aborrecer-me.

O argumento começa a enrolar-se sobre si próprio, à volta de sonhos, sonhos dentro de sonhos, confusões sobre o que é sonho e realidade, e não sai dali. E o filme não tem muito mais para dar. Nolan é um bom realizador, não é um qualquer Michael Bay, mas aqui está muito longe de primar pela originalidade, andando algures entre a FC e a acção, entre um ‘Matrix’ e um ‘Bourne’, filmando com competência mas sem rasgo. Resta DiCaprio, que depois da sua pareceria com Scorsese está um grande actor e se destaca facilmente num elenco em piloto automático (as prestações femininas são especialmente anémicas).

Parece que Nolan está possuído daquele toque de Midas que transforma em êxito de bilheteira tudo o que faz, mas eu tenho saudades dos tempos de ‘Memento’ e ‘Insónia’, em que jamais me entediava durante um filme seu.

Inception, E.U.A./Grã-Bretanha, 2010. Realização: Christopher Nolan. Com: Leonardo DiCaprio, Joseph Gordon-Levitt, Marion Cotillard, Ellen Page, Tom Hardy, Ken Watanabe, Dileep Rao, Cillian Murphy, Tom Berenger, Michael Caine, Pete Postlethwaite

16.7.10

O Escritor fantasma


'O escritor fantasma' é um thriller que, embora esteja colado à actualidade - um ex-primeiro ministro britânico é acusado de crimes de guerra pelo TPI por ter entregue suspeitos de terrorismo à CIA para serem torturados - tem a marca dos clássicos. Mantendo um tom impecavelmente sóbrio, agarra o espectador - mesmo o mais batido neste tipo de enredos - do início ao fim duma maneira que vai sendo rara hoje em dia.

Ewan McGregor está irrepreensível como o escritor fantasma que vai escrever as memórias do dito ex-PM e se vê envolvido numa história mais que nublosa, e Olivia Williams, com muito charme e distinção, saca discretamente um papelaço (como mulher do PM). Um regresso em grande forma de Polanski - que bem que o homem continua a filmar!

The Ghost Writer, França/Alemanha/Grã-Bretanha, 2010. Realização: Roman Polanski. Com: Ewan McGregor, Kim Cattrall, Olivia Williams, Pierce Brosnan, Timothy Hutton, Tom Wilkinson, Robert Pugh, James Belushi.

6.7.10

Partir


Suzanne é uma fisioterapeuta inglesa que veio para França trabalhar como au pair, casa com um médico local e assim ascende à burguesia bem instalada. Até que um dia se apaixona por um operário que vem fazer obras a sua casa e larga tudo por ele. Mas depressa descobre que a força do dinheiro (do marido) é muito poderosa…

‘Partir’ apoia-se numa grande actriz – Kristin Scott Thomas – e na câmara elegante de Catherine Corsini para ir prendendo o interesse do espectador mas, apesar de na última meia hora os acontecimentos se telenovelamexicanizarem, não deixa de lhe faltar sal, algo que o torne precisamente mais que uma história que vai prendendo a atenção do espectador.

2010 é o ano dos filmes bem cozinhados mas insossos.

Partir, França, 2009.  Realização: Catherine Corsini. Com: Kristin Scott Thomas, Sergi López, Yvan Attal, Bernard Blancan, Aladin Reibel, Alexandre Vidal.