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15.9.10

Gigante


Um calmeirão metaleiro mas tranquilo, que à noite faz uma perninha como segurança numa disco e é guarda num supermercado de dia, apaixona-se por uma empregada de limpeza deste, que observa pelas câmaras de vigilância.

‘Gigante’ é um filme melancólico, compacto, bem filmado, com uma grande interpretação minimal de Horacio Camandule, e que parece saber sempre muito bem para onde vai. É um filme muito simpático (e não se veja aqui aquela carga caritativa por vezes associada a esta expressão) e um belo cartão de visita de uma cinematografia rara por cá (a uruguaia).

Gigante, Uruguai/Argentina/Alemanha/Espanha, 2009. Realização: Adrián Biniez. Com: Horacio Camandule, Leonor Svarcas, Federico García, Fernando Alonso, Diego Artucio.

14.9.10

Sondagem encerrada: Qual é o melhor filme de Scorsese?


Sem surpresa, o mais que icónico 'Taxi Driver' (1976) merceu a larga preferência dos leitores deste blog, com 43% dos votos. 'Tudo bom rapazes' teve 12% dos votos, 'Casino' e o 'Touro enraivecido' obtiveram 10%.

'O Rei da Comédia' (5%), 'The Departed' e 'Mean Streets' (2% cada) também foram votados, ao contrário de 'A idade da inocência' que ficou em branco. Destacar ainda que 12% dos votantes preferiram a opção 'outro'. Esta foi a sondagem mais participada de sempre.

13.9.10

Claude Chabrol (24/06/1930-12/09/2010)


A fazer grandes filmes até ao fim.

10.9.10

Vencer


Ida Dalser apaixonou-se pelo jovem e bem parecido revolucionário Benito Mussolini (Filippo Timi). Envolveu-se com ele (e talvez tenham casado) e tiveram um filho; só tarde demais ela soube não era a única mulher da sua vida.

Ela está obcecada por ele, vende tudo o que tem para o apoiar na fundação de um jornal que difundisse as suas ideias socialistas da altura, mas ele é frio, distante, e quando ela lhe ‘exige’ que lhe declare que a ama, ele fá-lo…em alemão.

Quanto mais o Duce avança na 'carreira política', mais Ida se torna incómoda. Ela nunca aceita que ele a deixe para trás e insiste que é a sua legitima mulher (quando ele oficialmente está casado com outra), caminho que a levará ao internamento num hospital psiquiátrico.

Bellocchio filma sumptuosamente a história verídica de Ida Dalser, alternando aos tons operáticos com que nos dá o drama pessoal, imagens da época que registam o intrincado momento histórico porque passava Itália (e a Europa). Uma combinação feliz, que resulta num filme impecável.

O único pecado que lhe poderemos apontar é um excesso de 'formalismo', que se o torna um regalo para a vista (e os ouvidos), também lhe retira - como diria Jorge Leitão Ramos! -  alguma capacidade de nos emocionar.

Vincere, Itália/França, 2009. Realização: Marco Bellocchio. Com: Giovanna Mezzogiorno, Filippo Timi, Corrado Invernizzi, Fausto Russo Alesi, Michela Cescon, Pier Giorgio Bellocchio, Paolo Pierobon.

8.9.10

Qual é o melhor filme de Scorsese?

Qual é o seu filme preferido de Martin Scorsese? Deixe a sua opinião aqui ao lado! Começo eu: voto em Casino.

(Obs.: Como se pode constatar, 'Mean Streets' está mal escrito. Mas depois de iniciada a votação, o blogger não permite alterações. My apologies...)

6.9.10

Um homem singular


Pouco a pouco continuo a pôr em dia a agenda cinematográfica, vendo uma série de filmes que me escaparam na estreia. Deste, basicamente, tinha ouvido dois tipos de opinião de amigos: dos que o acharam uma obra-prima e dos que o acharam um spot publicitário de duas horas. Eu, munido de um saudável preconceito, inclinava-me a priori para a segunda, pelo simples facto de a realização ser de um estilista (ou costureiro, ou lá como é que se diz).

E, de início, o guarda-roupa imaculado, a fotografia estilizada, e dois ou três grandes planos ao ralenti até pareciam confirmar esta estética a la anúncio publicitário ou à vídeoclip (águas perigosas: o único realizador de cinema que conheço que se move bem nelas é Wong-Kar Wai).

Mas os meus piores medos não se confirmaram. Não só Tom Ford não se excede, como tem, de facto, um controlo rigoroso da mise-en-scène. E, factor decisivo, uma grande interpretação de Colin Firth faz efectivamente a sua personagem ser mais do que um excelente corte de cabelo e uns irrepreensíveis fato e gravata. O seu alheamento do mundo depois da morte do seu amado, o seu sentimento irreparável de perda, transpira para o espectador na proporção inversa da sua contenção (da personagem e do actor).

Talvez o contexto em que a história decorre não seja suficientemente explicitado (temos só a visão da personagem de Julianne Moore para isso), talvez o filme seja sempre demasiado “bonitinho”, ou “limpinho” (essa sensação nunca me largou totalmente), não atingindo – para o bem ou para o mal – a carga de um Tod Haynes, por exemplo, mas é indubitavelmente uma estreia marcante e Ford um nome a reter também por razões cinematográficas.

A Single Man, E.U.A., 2009. Realização: Tom Ford. Com: Colin Firth, Julianne Moore, Nicholas Hoult, Matthew Goode, Jon Kortajarena.

1.9.10

Grande Cartaz


COMPETIÇÃO

Black Swan, Darren Aronofsky (US)
Somewhere, Sofia Coppola (US)
Promises Written in Water, Vincent Gallo (US)
13 Assassins, Takashi Miike (Japan, UK)
Potiche, François Ozon (France)
Road to Nowhere, Monte Hellman (US)
Venus Noir, Abdellatif Kechiche (France)
Norwegian Wood, Tran Anh Hung (Japan)

30.8.10

O Segredo dos seus olhos


Um polícia reformado (Ricardo Darin, sempre com olhos de carneiro mal morto), entretém-se a revolver um caso de 25 anos atrás, que nunca conseguiu esquecer. Um pretexto para regressar ao seu próprio passado mal resolvido.

'O Segredo dos Seus Olhos' é um thriller, vá lá, competente, mas bocejante (tem um ritmo pífio e enreda-se numa série interminável de flash-backs) e banal (apesar das pretensões), que misteriosamente arrecadou o Óscar de melhor filme estrangeiro num ano em que também estavam à compita Audiard e Heneke.

El Secreto de sus Ojos, Argentina/Espanha, 2009. Realização: Juan José Campanella. Com: Ricardo Darín, Soledad Villamil, Guillermo Francella, Pablo Rago, Javier Godino, José Luis Gioia, Carla Quevedo.

27.8.10

Presente de Morte


Um casal (Cameron Diaz, inexcedível, e James Marsden, discreto) recebe uma misteriosa caixa, acompanhada duma não menos misteriosa proposta: se carregarem num botão da caixa recebem um milhão de dólares, mas alguém morrerá instantâneamente. Ao espectador português isto fará soar imediatamente  um alarme, claro: remete-nos para aquele Teodoro, que para ficar com a imensa fortuna de um longínquo Mandarim, apenas teria que tocar uma campainha que provocaria a morte do dito cujo.

Richard Kelly não se baseou directamente no fantástico 'O Mandarim', mas no conto 'Button, Button' do argumentista e escritor de Ficção Científica Richard Matheson (conto que também já foi adaptado num episódio de 'The Twilight Zone') - e este foi garantidamente beber a Eça.

Por estes ínvios caminhos temos então o regresso de Richard Kelly, autor de um dos mais extraordinários primeiros filmes dos últimos largos anos ('Donnie Darko', de 2001), mas que tem andado perdido desde aí: 'Southland Tales', o seu filme seguinte, teve péssimas críticas no festival de Cannes de 2006 e acabou por ser remontado para estrear em poucas dezenas de salas nos States (cá nem chegou a estrear) com parcos resultados financeiros e de estima; e este 'The Box' (esqueçamos o título português), do ano passado, não teve muito melhor sorte.

Mas voltemos à fita: depois da premissa inicial, o argumento vai-se tornando confuso e exotérico, apenas clareando o seu sentido lá mais para o final, antes da FC dar lugar a um registo cláustrofobico, mais perto do filme de terror. O ambiente é algo místico - para o que contribui a banda sonora de Win Butler, Régine Chassagne (ambos dos Arcade Fire) e Owen Pallett (também habitual colaborador da banda)  - com matizes 'existenciais' (é citado Sartre e tudo), mas paradoxalmente mantendo um tom anacrónico, à bom velho filme de FC dos anos 50.

E foi este lado 'revivalista' o que mais me prendeu - pareceu-me, apesar das bizarrias, estar a ver um bom 'filme de género', daqueles que já não existem há muitos anos (tive o mesmo sentimento com 'O acontecimento', de Shyamalan).

Felizmente Richard Kelly mantém a mão, é um cineasta de primeira, e mesmo não alcançando o nível de 'DD' (um ovni irrepetível), não se 'normalizou' e dá-nos um bom filme que não se confunde com nada do que para aí anda.

The Box, E.U.A., 2009. Realização: Richard Kelly. Com: Cameron Diaz, James Marsden, Frank Langella, James Rebhorn, Holmes Osborne.