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23.9.10

22.9.10

The Killer Inside Me


'The Killer Inside Me' provocou polémica na última Berlinale devido às cenas de violência que contém. E a ausência das suas principais estrelas (Casey Affleck, Jessica Alba e Kate Hudson) para o apresentar, supostamente por estarem desagradadas com essas tais cenas, apenas deitou mais gasolina na fogueira.

Parece absurdo num mundo repleto de (imagens de) violência ainda alguém se chocar com um filme, e de facto não penso que este seja mais violento do que muita coisa que para aí anda. Talvez o choque causado provenha do facto de a violência mais gráfica do filme ser exercida sobre mulheres e num filme que não é propriamente um slasher movie.

'The Killer Inside Me' é baseado num romance do argumentista (de Kubrick, por exemplo) e autor de pulp fiction Jim Thompson (que Stephen Frears também levou à tela no magnífico ‘The Grifters’), e segue o trajecto alucinado de Lou Ford (excelente Casey Affleck), aparentemente um pacato agente da lei, mas na verdade um psicopata com traumas de infância.

O filme pode ser descrito como uma espécie de cruzamento entre ‘Este país não é para velhos’ e ‘9 canções’ (substituindo o sexo explicito por violência explicita). Filma bem a América profunda dos anos 50 (bela fotografia límpida de Marcel Zyskind), com a sua violência por trás da aparente normalidade, que vai alternando com flash backs etéreos saídos das recordações de Affleck, tudo em tons estilizados.

Quanto a mim, no entanto, o filme padece de dois defeitos: a banda sonora musical é omnipresente, e se funciona bem em meia dúzia de cenas, é no geral demasiado intrusiva, ocupa ‘espaço’ de mais (sem ter a óbvia função que tinha em ‘9 canções’). E o argumento parece que está cheio de buracos. Certamente que adaptar pulp fiction é sempre complicado, e não são poucos os argumentos deste género que são pouco mais do que ininteligíveis, mas neste caso parece que houve a preocupação de escrever um argumento ‘direitinho’ - mas de que depois na hora de filmar se perderam algumas páginas.

Estes dois pecados, a que podemos acrescentar um lamento por realização e montagem não serem um pouco mais secas (a cena final, por exemplo, merecia um realizador muito mais discreto), impedem que o filme seja o que a espaços mostra que poderia ser: se não uma obra-prima, um modern classic como ‘Este país não é para velhos’.

Ainda assim proporciona-nos um elenco de luxo, incluindo um actor raro -  Casey Affleck - e é mais arriscado e tem mais cinema do que praticamente tudo o que está em exibição nas salas portuguesas. Merecia que fosse por cá estreado.

The Killer Inside Me, E.U.A., Suécia, Reino Unido, Canada, 2010. Realização: Michael Winterbottom. Com: Casey Affleck, Kate Hudson, Jessica Alba, Ned Beatty, Tom Bower, Elias Koteas, Simon Baker, Bill Pullman, Brent Briscoe.

17.9.10

Bem me parecia

Afinal o Joaquin não está maluco.

Até ao inferno


A premissa deste filme não podia ser mais actual: Christine (Alison Lohman) é uma bancária que recusa o prolongamento de um empréstimo a uma cigana e assim o banco hipoteca-lhe a casa. Christine até é boa rapariga e quer ajudar a velhinha, mas o “sistema” só olha para números (e ela está pressionada para obter um lugar de vice-directora) e não lhe deixa outra opção. Quem não gosta nada da decisão é a cigana, que amaldiçoa a pobre rapariga.

A partir daqui Sam Raimi maneja, se não com muita originalidade, com eficácia q.b., todos os códigos do filme de terror espírito série B, dando-nos duas mãos cheias de cenas aterrorizadoras, uma mão, digamos que ainda com os dedos quase todos, de cenas verdadeiramente nojentas, e não esquece ainda uma pitada de humor (negro).

Um regresso correcto de Raimi aos velhos tempos de ‘The Evil Dead’, depois ter andado a ganhar a vida com o franshising ‘Homem Aranha’.

Drag Me to Hell, E.U.A., 2010. Realização: Sam Raimi. Com: Alison Lohman, Justin Long, Lorna Raver, Dileep Rao, David Paymer.

15.9.10

Gigante


Um calmeirão metaleiro mas tranquilo, que à noite faz uma perninha como segurança numa disco e é guarda num supermercado de dia, apaixona-se por uma empregada de limpeza deste, que observa pelas câmaras de vigilância.

‘Gigante’ é um filme melancólico, compacto, bem filmado, com uma grande interpretação minimal de Horacio Camandule, e que parece saber sempre muito bem para onde vai. É um filme muito simpático (e não se veja aqui aquela carga caritativa por vezes associada a esta expressão) e um belo cartão de visita de uma cinematografia rara por cá (a uruguaia).

Gigante, Uruguai/Argentina/Alemanha/Espanha, 2009. Realização: Adrián Biniez. Com: Horacio Camandule, Leonor Svarcas, Federico García, Fernando Alonso, Diego Artucio.

14.9.10

Sondagem encerrada: Qual é o melhor filme de Scorsese?


Sem surpresa, o mais que icónico 'Taxi Driver' (1976) merceu a larga preferência dos leitores deste blog, com 43% dos votos. 'Tudo bom rapazes' teve 12% dos votos, 'Casino' e o 'Touro enraivecido' obtiveram 10%.

'O Rei da Comédia' (5%), 'The Departed' e 'Mean Streets' (2% cada) também foram votados, ao contrário de 'A idade da inocência' que ficou em branco. Destacar ainda que 12% dos votantes preferiram a opção 'outro'. Esta foi a sondagem mais participada de sempre.

13.9.10

Claude Chabrol (24/06/1930-12/09/2010)


A fazer grandes filmes até ao fim.

10.9.10

Vencer


Ida Dalser apaixonou-se pelo jovem e bem parecido revolucionário Benito Mussolini (Filippo Timi). Envolveu-se com ele (e talvez tenham casado) e tiveram um filho; só tarde demais ela soube não era a única mulher da sua vida.

Ela está obcecada por ele, vende tudo o que tem para o apoiar na fundação de um jornal que difundisse as suas ideias socialistas da altura, mas ele é frio, distante, e quando ela lhe ‘exige’ que lhe declare que a ama, ele fá-lo…em alemão.

Quanto mais o Duce avança na 'carreira política', mais Ida se torna incómoda. Ela nunca aceita que ele a deixe para trás e insiste que é a sua legitima mulher (quando ele oficialmente está casado com outra), caminho que a levará ao internamento num hospital psiquiátrico.

Bellocchio filma sumptuosamente a história verídica de Ida Dalser, alternando aos tons operáticos com que nos dá o drama pessoal, imagens da época que registam o intrincado momento histórico porque passava Itália (e a Europa). Uma combinação feliz, que resulta num filme impecável.

O único pecado que lhe poderemos apontar é um excesso de 'formalismo', que se o torna um regalo para a vista (e os ouvidos), também lhe retira - como diria Jorge Leitão Ramos! -  alguma capacidade de nos emocionar.

Vincere, Itália/França, 2009. Realização: Marco Bellocchio. Com: Giovanna Mezzogiorno, Filippo Timi, Corrado Invernizzi, Fausto Russo Alesi, Michela Cescon, Pier Giorgio Bellocchio, Paolo Pierobon.

8.9.10

Qual é o melhor filme de Scorsese?

Qual é o seu filme preferido de Martin Scorsese? Deixe a sua opinião aqui ao lado! Começo eu: voto em Casino.

(Obs.: Como se pode constatar, 'Mean Streets' está mal escrito. Mas depois de iniciada a votação, o blogger não permite alterações. My apologies...)