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16.10.10
15.10.10
'Buried' venceu o Méliès d’Or
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'Buried', do realizador espanhol Rodrigo Cortés, venceu o Méliès d’Or para melhor filme.
Este prémio, recorde-se, é atribuido pela European Fantastic Film Festival Federation (EFFFF). Nove Festivais de Cinema Fantástico de toda a Europa atribuem um Méliès d’Argent ao melhor filme presente em cada competição ('Buried' foi o vencedor do Festival de Estrasburgo) e destes sai o vencedor do Méliès d’Or para melhor filme (fantástico) do ano.
Os outros nomeados eram: 'The Door' (Anno Saul), 'Heartless' (Philip Ridley, vencedor do Fantasporto), 'Transmission' (Roland Vranik), 'Strigoi' (Faye Jackson), 'The Eclipse' (Conor McPherson), 'Amer' (Héléne Cattet & Bruno Forzani), 'The Children' (Tom Shankland) e 'Red White & Blue' (Simon Rumley).
Ó prémio será entregue a Cortés no Festival de Sitges que se encontra a decorrer até Domingo.
14.10.10
O Pai das Minhas Filhas
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Grégoire Canvel é um produtor de cinema independente assolado por dividas, com um catálogo de prestigio mas sem valor comercial, cujo último projecto, realizado por um realizador sueco megalómano e intratável, mas que ele considera um artista, o está a afundar de vez.
A realizadora (mulher de Olivier Assayas, já agora) filma com melancolia e elegância, mas falta convicção ao filme. Nunca conhecemos o homem charmoso e forte que uma personagem recorda, que teimou em produzir cinema independente durante 20 anos, o que nos leva a não sentirmos ou compreendermos a sua fase final - só vemos o homem já derrotado.
Inspirando-se no caso real do produtor francês Humbert Balsan (um dos últimos filmes que produziu foi 'Manderlay', o que torna impossível não associarmos o tal realizador sueco do filme a Von Trier...), Mia Hansen-Løve dá-nos o retrato de um homem triste e acossado, que às tantas desiste.
A realizadora (mulher de Olivier Assayas, já agora) filma com melancolia e elegância, mas falta convicção ao filme. Nunca conhecemos o homem charmoso e forte que uma personagem recorda, que teimou em produzir cinema independente durante 20 anos, o que nos leva a não sentirmos ou compreendermos a sua fase final - só vemos o homem já derrotado.
Além disso, o filme perde-se ao querer enquadrar o homem na sua vida pessoal, além da profissional: a segunda metade gira à volta da mulher que tenta salvar o seu legado e da filha adolescente que vai descobrindo um pai desconhecido, mas não se chega verdadeiramente a lado nenhum. O retato de Canvel permanece superficial, a sua mulher não ganha nunca consistência e apenas Alice Gautier, a brava adolescente a quem estão a acontecer muitas coisas, permanece na nossa memória.
Le Père de Mes Enfants, E.U.A./Canadá, 2010. Realização: Mia Hansen-Løve. Com: Louis-Do de Lencquesaing, Chiara Caselli, Alice de Lencquesaing, Alice Gautier, Manelle Driss, Eric Elmosnino.
12.10.10
Recuso-me a ir ver (I)
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O remake americano de 'Deixa-me entrar'. Esta mania hollywoodiana de, em vez de legendar filmes estrangeiros, fazer remakes deles, é uma coisa...
8.10.10
Daybreakers — O Último Vampiro
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Estamos em 2019, os vampiros são a maioria da população da terra e deparam-se com um problema vital: a escassez de sangue. Os humanos, a principal fonte de sangue, estão reduzidos a uns milhares de pessoas que se escondem como podem dos exércitos de vampiros caçadores. Há racionalização de sangue (só 5% numa chávena de café, por exemplo), nas ruas as pessoas (perdão, os vampiros, que agora são os 'normais') começam a amotinar-se e há vampiros que não resistem a alimentar-se do sangue de outros vampiros, o que os torna numa espécie de morcegos zombies que atacam tudo e todos semeando o pânico nas populações. Entretanto, as grandes corporações fornecedoras de sangue – mormente a Bromley Marks chefiada por Sam Neil - tentam sintetizar um sangue substituto que resolva o problema…
Este argumento – que parte de uma grande ideia, mesmo sem forçarmos analogias do género sangue/petróleo – prova que é possível fazer filmes de vampiros que vão para lá de amores adolescentes ao crepúsculo (tal como ‘30 dias de escuridão’ era outro bom exemplo de uma grande ideia).
Mas, infelizmente, não é bem desenvolvido. Não obstante uma bela fotografia estilizada, a fazer lembrar uma graphic novel, um sólido naipe de actores principais (Ethan Hawke, Willem Dafoe, Sam Neil; os secundários australianos, sinceramente, pareceram-me pouco convincentes), e um par de bons pormenores (os carros com modo de condução diurna; os vampiros sempre a fumar - afinal são imortais...), o filme rapidamente se torna previsível e as personagens não ganham espessura, raramente ultrapassando o cliché. Se Ethan Hawke ainda defende bem o seu hematologista com problemas de consciência, a personagem do seu irmão (Michael Dorman), um soldado caçador de humanos, pouco mais é que papelão reciclado e nunca a (pretensamente) complexa relação entre os dois é convincente. Tal como não o é a relação de Sam Neil com a sua filha foragida (ainda humana). Ou a de Hawke com a líder rebelde dos humanos (Claudia Karvan). Tudo fica pela rama e é pena.
Por várias vezes os frios tons metálicos e azuis com que é filmada a Bromley Marks me fez lembrar os ambientes de 'Gattaca', com o mesmo Ethan Hawke, que era aquilo que este 'Daybreakers' poderia facilmente ser mas não consegue: um bom sci-fi de culto. Assim permanece apenas um filme com um certo interesse para fãs de fantástico, que apesar de tudo ficarão com um olho nos irmãos Michael e Peter Spierig, os australianos que o escreveram e realizaram.
Daybreakers, Austrália/E.U.A., 2009. Realização: The Spierig Brothers. Com: Ethan Hawke, Willem Dafoe, Sam Neill, Claudia Karvan, Michael Dorman, Isabel Lucas.
7.10.10
Meu filho, olha o que fizeste!
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'Meu filho, olha o que fizeste!' (que na ‘tradução’ portuguesa parece o titulo de uma comédia foleira) foi o segundo filme de Werner Herzog a estrear nas salas portuguesas este ano, depois de ‘O polícia sem lei’ (são ambos de 2009). Embora nem sempre estreiem por cá, entre documentários e obras de ficção (e o alemão é um dos realizadores em que estes dois géneros mais se interligam e comunicam) Herzog mantém um ritmo imbatível de praticamente um ou dois filmes por ano há quase 4 décadas.
Ao contrário de ‘Polícia sem lei’, este filme (tal como ‘Rescue Dawn’ há uns anos) passou por cá praticamente despercebido. Numa das raras coisas que me lembro de ler sobre ele, dizia-se que seria uma espécie de Lynch em segunda mão (provavelmente por David Lynch ser produtor do filme e por haver uma cena com um anão). Mas não é. 'Meu filho, olha o que fizeste!' é Herzog até à medula.
Os planos são de Herzog; a utilização da banda sonora é de Herzog (atente-se numas cenas em que as imagens se suspendem, dando o primeiro plano à banda sonora – uma canção de Chavela Vargas, por exemplo – que parecem directamente saídas de um ‘Fata Morgana’); e, claro, Brad McCullum (Michael Shannon), o lunático possuído por uma ‘voz interior’, faz parte de uma longa galeria herzoguiana que inclui Aguirre, Fitzcarraldo, Cobra Verde ou Timothy Treadwell.
É certo que Michael Shannon, apesar de excelente actor e ter certa tendência para personagens alucinadas (lembremo-nos de 'Bug', por exemplo), não é Klaus Kinski (Christian Bale, outro grande actor, também se ressentia desse fantasma), e falta à sua personagem aquele tom épico de louco visionário que Kinski tinha nos genes – talvez, também, por haver um excessivo enfase ‘freudiano’ no facto de a sua progressiva loucura emergir da possessiva relação que tem com a mãe, e que o leva a viver intensamente as tragédias gregas, nomeadamente a 'Oresteia'.
Mas, ainda assim, mesmo que o filme possa ser acusado de ser uma variação em tom menor dos grandes Herzogs (e todos os grandes realizadores - pelo menos em vida - acabam por ser acusados de andarem sempre a fazer o mesmo), aquele fascínio que quase todos os filmes do realizador alemão – um dos grandes realizadores em actividade, insistamos– nos incutem, está sem dúvida presente. O que por si só é mais do que suficiente para incluir ‘Meu filho, olha o que fizeste!‘ entre as mais interessantes estreias do ano.
My Son, My Son, What Have Ye Done, E.U.A./Alemanha, 2009. Realização: Werner Herzog. Com: Willem Dafoe, Chloe Sevigny, Michael Shannon, Brad Dourif, Anthony Mackie, Michael Peña.
My Son, My Son, What Have Ye Done, E.U.A./Alemanha, 2009. Realização: Werner Herzog. Com: Willem Dafoe, Chloe Sevigny, Michael Shannon, Brad Dourif, Anthony Mackie, Michael Peña.
6.10.10
30.9.10
29.9.10
28.9.10
A Dança — Le Ballet de l´Ópera de Paris
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Não há aqui depoimentos, entrevistas, legendas de imagens, ou algo no género. O método de Wiseman é deixar a câmara falar. A câmara anda por lá, por toda a parte, e depois a montagem faz o resto (130 horas de filmagem reduzidas na mesa de montagem a 2h30).
Durante a fase inicial o filme centra-se essencialmente nos ensaios de vários ballets do reportório da companhia. Aí vemos o rigor e trabalho exigidos, mesmo estando a falar de bailarinos créme de la crème. Vemos indicações de coreógrafos, diálogos (num deles coreógrafo e bailarino falam em ‘X-Man’ e ‘Eduardo mãos de tesoura’ para precisar o que pretendem), comentários, muitas vezes humorísticos (componente intrínseca a Wiseman) de quem assiste. Mais para o fim a câmara detém-se principalmente no resultado final, dando-nos belíssimas sequências de espectáculos da companhia, parecendo-nos estar quase a ver um musical.
Pelo meio, em breves apontamentos, vamos vendo o que é necessário para o funcionamento do Ballet, o que está por trás da dança. A directora artística Brigitte Lefèvre explica a um coreógrafo a forte hierarquia existente entre bailarinas; numa reunião da administração discute-se uma recepção aos mecenas americanos (incluindo representantes do recém falido Lehman Brothers… já falámos do humor de Wiseman); assistimos a parte de uma sessão de esclarecimento sobre as novas leis laborais da função pública francesa; é-nos dado um plano duma costureira; ou dum caiador; ou da cantina; ou de um apicultor que cria abelhas no telhado do imponente Palais Garnier, sede da companhia; ou das catacumbas do palácio.
Sabiamente, com um ritmo e fluidez impecáveis, Wiseman vai-nos integrando no Ballet, fazendo-nos perceber a sua estrutura laboral, as suas dificuldades, o seu modo de funcionamento, tudo o que é necessário para o espectáculo funcionar, mostrando-nos simultaneamente o espectáculo, deslumbrando mesmo o espectador mais distante do meio (como eu).
Wiseman só estreou em Portugal com mais de 30 anos de atraso? Pois nunca é tarde de mais para ter uma lição de cinema deste calibre.
La Danse – Le Ballet de l`Opéra de Paris, França/E.U.A., 2009. Realização: Frederick Wiseman. Documentário.



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