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6.11.10

It's no coincidence that this film is masterpiece


Ozu not only drunk more than perhaps any other major film director, he saw in this habit the source of his artistic strenght.

Usually Ozu's comments in the diary that he and [his co-writer] Noda (and anyone else who happened to be there) kept were confined to poetical remarks about the weather (in the most arcane of kanji) and an accounting of how much of which kind of alcoohol he had drunk that day (he preferred scotch, but he also drank sake and relatively inexpensive Japanese whiskeys). In an entry of July 7, 1959, however, written in elegant imitation of classical forms, he observed, "If the number of cups you drink be small, there can be no masterpiece; the masterpiece arises from the number of brimming cups you quaff." He descends from these heights in the following line: "It's no coincidence that this film [Floating Weeds] is masterpiece - just look in the kitchen at the row of empty bottles".

Ozu, Donald Richie

3.11.10

[Rec] 2


Mais do mesmo. Ou melhor: menos do mesmo, que a frescura inicial já se foi. Não havia necessidade.

[Rec] 2, Espanha, 2009. Realização: Jaume Balagueró e Paco Plaza. Com: Jonathan Mellor, Óscar Sánchez Zafra, Ariel Casas, Alejandro Casaseca, Pablo Rosso, Manuela Velasco.

29.10.10

Pearl Harbor you could find!


INTERVIEWER
I see Federico Fellini on your wall of photos.

WILDER
He also was a writer who became a director. I like La Strada, the first one with his wife, a lot. And I loved La Dolce Vita.

Up above that picture is a photo of myself, Mr. Akira Kurosawa, and Mr. John Huston. Like Mr. Fellini and me, they too were writers who became directors. That picture was taken at the presentation of the Academy Award for best picture some years back.

The plan for the presentation was for three writer-directors to hand out the award—John Huston, Akira Kurosawa, and myself. Huston was in a wheelchair and on oxygen for his emphysema. He had terrible breathing problems. But we were going to make him get up to join us on stage. They had the presentation carefully orchestrated so they could have Huston at the podium first, and then he would have forty-five seconds before he would have to get back to his wheelchair and put the oxygen mask on.

Jane Fonda arrived with the envelope and handed it to Mr. Huston. Huston was to open the envelope and give it to Kurosawa. Kurosawa was to fish the piece of paper with the name of the winner out of the envelope and hand it to me, then I was to read the winner’s name. Kurosawa was not very agile, it turned out, and when he reached his fingers into the envelope, he fumbled and couldn’t grab hold of the piece of paper with the winner’s name on it. All the while I was sweating it out; three hundred million people around the world were watching and waiting. Mr. Huston only had about ten seconds before he’d need more oxygen.

While Mr. Kurosawa was fumbling with the piece of paper, I almost said something that would have finished me. I almost said to him, Pearl Harbor you could find! Fortunately, he produced the slip of paper, and I didn’t say it. I read the name of the winner aloud. I forget now which picture won—Gandhi or Out of Africa. Mr. Huston moved immediately toward the wings, and backstage to the oxygen.

Mr. Huston made a wonderful picture that year, Prizzi’s Honor, that was also up for the Best Picture Award. If he had won, we would have had to give him more oxygen to recover before he could come back and accept. I voted for Prizzi’s Honor. I voted for Mr. Huston.

Entrevista completa com Billy Wilder aqui.

28.10.10

Top 10 - François Ozon

Os últimos filmes de François Ozon têm-me desiludido, mas continuo a incluí-lo naquele grupo de cineastas que vale a pena seguir. Tem dois filmes excelentes ('Sob a areia', quanto a mim a sua obra-prima, e '5x2') e mais um punhado deles que vale bem a pena ver, incluindo várias curtas-metragens.

Aqui vai o meu top 10:

1. Sob a areia (2000)

2. 5x2 (2004)

3. Swimming Pool (2003)

4. La petite mort (c.m.,1995)

5. Une robe d'été (c.m.,1996)

6. Un lever de rideau (c.m.,2006)

7. Gouttes d'eau sur pierres brûlantes (2000)

8. O tempo que resta (2005)

9. Sitcom (1998)

10. 8 Mulheres (2002)

26.10.10

O refúgio


Mais do que nunca chegar a lado nenhum, parece-me que este filme nunca chega a arrancar.

Mousse descobre que está grávida no hospital onde recupera de uma overdose. E resolve levar a gravidez avante, contra a opinião da família (rica, snob) de Louis, seu namorado e pai da criança, que ao contrário dela não sobreviveu a uma overdose de heroína.

Mousse refugia-se numa casa de campo (dum ex-amante?), onde aparece entretanto o irmão mais novo de Louis - apesar de, tal como a restante família, só a ter conhecido no funeral.

C’est tout. Até ao final, previsível, a rapariga alheada e indomável e o rapaz algo perdido tornam-se amigos.

‘O refúgio’ tem 1h20, dois belos actores, e um realizador que sabe filmar – por isso nunca nos aborrece. Mas é inegavelmente um Ozon menor e provavelmente o filme mais indistinto do realizador francês.

Le Refuge, E.U.A, 2009. Realização: François Ozon. Com: Isabelle Carré, Louis-Ronan Choisy, Pierre Louis-Calixte, Melvil Poupaud, Claire Vernet.

22.10.10

Recuso-me a ver (II)

Actividade Paranormal 2. Estava mesmo a fazer falta mais um franshising de filmes de terror...

19.10.10

A Cidade


Nesta sua segunda longa-metragem atrás das câmaras, Ben Aflleck volta aos arredores de Boston onde cresceu. Affleck adapta agora uma novela de Chuck Hogan, depois de no seu filme inaugural ter adaptado Dennis Lehane, de quem Clint Eastwood filmou 'Mystic River'.

E também aqui há algo de eastwoodiano. Não que Affleck tenha unhas para poder ser comparado - nem como actor nem como realizador - com Eastwood, mas no sentido em que este é o tipo de argumento que imaginamos Clint a filmar.

Doug MacRay/Affleck é um assaltante de bancos e de carrinhas de tranporte de dinheiro, que segue as pisadas do seu pai que se encontra preso há longos anos. Doug teve a hipótese de ter uma vida diferente - chegou aos drafts de hóquei em gelo - mas o seu feitio violento, a tradição, o trauma provocado por uma mãe que o abandonou em miúdo, tudo contribuiu para que seguisse o destino espectável de quem nasceu num bairro de gangsters. O pai, a antiga namorada, o gang, o bairro, a cidade, tudo faz parte de uma grande teia familiar da qual Doug não consegue escapar ileso.

'A Cidade' é um thriller que se move algures entre o heist movie (com vários golpes e violência e mortandade em doses fartas) e o melodrama. O realizador Affleck tem olho para as cenas de acção e é capaz de manter o espectador sob tensão, mas tem mão pesada para o lado mais íntimo. A cena em que o actor Affleck descreve - com o olhar enviesado - à mulher por quem se apaixonou (a triste mas luminosa Rebecca Hall) o dia em que a mãe o deixou, demonstra uma subtileza e capacidade interpretativa dignas de um Stallone nos seus piores momentos.

Apesar de tudo, mesmo o filme ficando aquém do que podia e prometia, é ainda um thriller competente e acima da actual média hollywoodiana, e Affleck mantém os seus créditos como realizador. A ver vamos como os gastará no futuro.

The Town, E.U.A., 2010. Realização: Ben Affleck. Com: Ben Affleck, Rebecca Hall, Jon Hamm, Jeremy Renner, Blake Lively, Slaine, Owen Burke, Titus Welliver, Pete Postlethwaite, Chris Cooper.

16.10.10

E o prémio para o melhor filme de Sitges foi para a Finlândia


15.10.10

'Buried' venceu o Méliès d’Or


'Buried', do realizador espanhol Rodrigo Cortés, venceu o Méliès d’Or para melhor filme.

Este prémio, recorde-se, é atribuido pela European Fantastic Film Festival Federation (EFFFF). Nove Festivais de Cinema Fantástico de toda a Europa atribuem um Méliès d’Argent ao melhor filme presente em cada competição ('Buried' foi o vencedor do Festival de Estrasburgo) e destes sai o vencedor do Méliès d’Or para melhor filme (fantástico) do ano.

Os outros nomeados eram: 'The Door' (Anno Saul), 'Heartless' (Philip Ridley, vencedor do Fantasporto), 'Transmission' (Roland Vranik), 'Strigoi' (Faye Jackson), 'The Eclipse' (Conor McPherson), 'Amer' (Héléne Cattet & Bruno Forzani), 'The Children' (Tom Shankland) e 'Red White & Blue' (Simon Rumley).

Ó prémio será entregue a Cortés no Festival de Sitges que se encontra a decorrer até Domingo.

14.10.10

O Pai das Minhas Filhas


Grégoire Canvel é um produtor de cinema independente assolado por dividas, com um catálogo de prestigio mas sem valor comercial, cujo último projecto, realizado por um realizador sueco megalómano e intratável, mas que ele considera um artista, o está a afundar de vez.

Inspirando-se no caso real do produtor francês Humbert Balsan (um dos últimos filmes que produziu foi 'Manderlay', o que torna impossível não associarmos o tal realizador sueco do filme a Von Trier...), Mia Hansen-Løve dá-nos o retrato de um homem triste e acossado, que às tantas desiste.

A realizadora (mulher de Olivier Assayas, já agora) filma com melancolia e elegância, mas falta convicção ao filme. Nunca conhecemos o homem charmoso e forte que uma personagem recorda, que teimou em produzir cinema independente durante 20 anos, o que nos leva a não sentirmos ou compreendermos a sua fase final - só vemos o homem já derrotado.

Além disso, o filme perde-se ao querer enquadrar o homem na sua vida pessoal, além da profissional: a segunda metade gira à volta da mulher que tenta salvar o seu legado e da filha adolescente que vai descobrindo um pai desconhecido, mas não se chega verdadeiramente a lado nenhum. O retato de Canvel permanece superficial, a sua mulher não ganha nunca consistência e apenas Alice Gautier, a brava adolescente a quem estão a acontecer muitas coisas, permanece na nossa memória.

Le Père de Mes Enfants, E.U.A./Canadá, 2010. Realização: Mia Hansen-Løve. Com: Louis-Do de Lencquesaing, Chiara Caselli, Alice de Lencquesaing, Alice Gautier, Manelle Driss, Eric Elmosnino.