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17.11.10

Sondagem encerrada: Qual é o maior realizador Italiano?


Na votação mais renhida das já aqui levadas a cabo, Federico Fellini foi eleito o realizador italiano preferido dos leitores, batendo Luchino Visconti por apenas 1 votinho (46% dos votos contra 43%). A fechar o pódio houve mesmo um empate: Michelangelo Antonioni e Sergio Leone (36% cada).

Depois, outro empate, entre Roberto Rossellini e Valerio Zurlini (20% cada), seguidos de Vittorio de Sica (16%), Nanni Moretti (13%) e Bernardo Bertoluci e Pier Paolo Pasolini (6% cada). A opção 'outros' também teve 6% dos votos e Roberto Begnini não mereceu a preferência de ninguém.

15.11.10

Arrependimentos


Mathieu (interpretado pelo actor e realizador Yvan Attal) é um arquitecto que vive em Paris, casado, bem instalado, que regressa à terrinha devido a doença da mãe, e encontra a namorada que abandonara 15 anos antes.

'Arrependimentos' é um filme sobre duas pessoas que não podem viver uma com a outra nem uma sem a outra - é um filme sobre obsessões.

Cédric Kahn já andou por estes terrenos - e com mais pertinência - em 'O tédio', mas é sempre um prazer voltar a este seu cinema elegantemente filmado, a estas suas personagens tão burguesas e tão francesas. E, claro, rever Valeria Bruni Tedeschi, actriz que combina como nenhuma outra sensualidade com um certo ar desamparado - vale sempre a pena sair de casa para a ver.

Les Regrets, França, 2009. Realização: Cédric Kahn. Com: Yvan Attal, Valeria Bruni Tedeschi, Arly Jover, Philippe Katerine, François Négret.

12.11.10

Qual é o maior realizador Italiano?

Vote na sondagem aqui ao lado! Desta vez, para facilitar a vida aos estimados leitores, é permitido votar em (até) 3 opções. Começo eu: voto em Fellini, Zurlini e Antonioni.

11.11.10

Paris I'll Kill You


(roubado daqui)

10.11.10

A rede social


Diga-se desde já que a 'A rede social' é uma competente, bem filmada e melhor interpretada biografia de Mark Zuckerberg (o - será preciso dize-lo? - quase-adolescente criador do Facebook).

Ao contrário das biografias escritas, com nobre tradição no mundo anglo-saxónico, os biopic fazem qualquer cinéfilo torcer o nariz de desconfiança. Mas neste caso havia à partida dois chamarizes: Fincher (não que eu seja um big fan, mas a verdade é que nunca fez um mau filme) e, claro, para os milhões de utilizadores do Facebook, potencial matéria-prima inflamável. Especificando: aquela explosiva combinação tipicamente americana do nerd que se revela também um ás imparável dos negócios -  capaz de se rodear dos melhores (cf. Sean Parker, o inventor do Napster, outro pequeno génio a que faltou de todo o quase ascetismo de Zuckerberg para ter o sucesso deste, mas que lhe deu uma valente ajuda - não por acaso é a única pessoa que vemos Mark admirar), mas também de se livrar sem escrúpulos de quem já não faz falta (cf. Eduardo Saverin, o brasileiro que entrou com o capital inicial mas que faz figura de corno o tempo todo na fita; ou, fica nas entrelinhas, o próprio Sean quando se torna um embaraço).

A cena inicial de 'A rede social' limitou, no entanto, desde o principio, a minha adesão ao filme.  É que resume desde logo o programa do que vamos ver, numa única conversa: o nerd-géniozinho-que-vai-inventar-a-rede-social-de-maior-sucesso-porque-tem-dificuldade-em-socializar-e-alguns-complexos-de-classe. Não era necessário munirem-nos logo ali com a chave freudiana adequada para descodificar a coisa. E a última cena do filme volta a bater no ceguinho do simbolismo berrante.

Mas reconheço que a adesão a qualquer biografia também passa em boa dose pelo nosso interesse no biografado, e uma pessoa que nem conta tem no Facebook, como eu, não será a que se sentirá mais fascinada por Mr.Zuckerberg. Perguntar-me-ão: mas o filme não é mais do que isso? Não transcende a tal biografia competente de Zuckerberg? Não me parece. Não estamos perante um novo Citizen Kane. Nem nada que se pareça.

The Social Network, E.U.A., 2010. Realização: David Fincher. Com: Jesse Eisenberg, Andrew Garfield, Justin Timberlake, Joseph Mazzello, Armie Hammer, Max Minghella, Rooney Mara, Brenda Song.

8.11.10

Manuel Cintra Ferreira (1942-2010)


"Uma autêntica enciclopédia da história do cinema",  o critico que "gostava de gostar e de se entusiasmar com os filmes que via". "Cintra Ferreira ia ver um filme sempre com uma grande abertura de espírito, e com "cinco estrelas" disponíveis".

Estas 3 frases proferidas por colegas seus, retiradas da excelente nota do Público , resumem bem a ideia que eu tinha de Manuel Cintra Ferreira: além de se contar entre os mais cinéfilos, era o crítico de cinema mais simpático e despreconceituoso a escrever nos nossos jornais. Quando eu ainda lia jornais, era o primeiro que consultava.

6.11.10

It's no coincidence that this film is masterpiece


Ozu not only drunk more than perhaps any other major film director, he saw in this habit the source of his artistic strenght.

Usually Ozu's comments in the diary that he and [his co-writer] Noda (and anyone else who happened to be there) kept were confined to poetical remarks about the weather (in the most arcane of kanji) and an accounting of how much of which kind of alcoohol he had drunk that day (he preferred scotch, but he also drank sake and relatively inexpensive Japanese whiskeys). In an entry of July 7, 1959, however, written in elegant imitation of classical forms, he observed, "If the number of cups you drink be small, there can be no masterpiece; the masterpiece arises from the number of brimming cups you quaff." He descends from these heights in the following line: "It's no coincidence that this film [Floating Weeds] is masterpiece - just look in the kitchen at the row of empty bottles".

Ozu, Donald Richie

3.11.10

[Rec] 2


Mais do mesmo. Ou melhor: menos do mesmo, que a frescura inicial já se foi. Não havia necessidade.

[Rec] 2, Espanha, 2009. Realização: Jaume Balagueró e Paco Plaza. Com: Jonathan Mellor, Óscar Sánchez Zafra, Ariel Casas, Alejandro Casaseca, Pablo Rosso, Manuela Velasco.

29.10.10

Pearl Harbor you could find!


INTERVIEWER
I see Federico Fellini on your wall of photos.

WILDER
He also was a writer who became a director. I like La Strada, the first one with his wife, a lot. And I loved La Dolce Vita.

Up above that picture is a photo of myself, Mr. Akira Kurosawa, and Mr. John Huston. Like Mr. Fellini and me, they too were writers who became directors. That picture was taken at the presentation of the Academy Award for best picture some years back.

The plan for the presentation was for three writer-directors to hand out the award—John Huston, Akira Kurosawa, and myself. Huston was in a wheelchair and on oxygen for his emphysema. He had terrible breathing problems. But we were going to make him get up to join us on stage. They had the presentation carefully orchestrated so they could have Huston at the podium first, and then he would have forty-five seconds before he would have to get back to his wheelchair and put the oxygen mask on.

Jane Fonda arrived with the envelope and handed it to Mr. Huston. Huston was to open the envelope and give it to Kurosawa. Kurosawa was to fish the piece of paper with the name of the winner out of the envelope and hand it to me, then I was to read the winner’s name. Kurosawa was not very agile, it turned out, and when he reached his fingers into the envelope, he fumbled and couldn’t grab hold of the piece of paper with the winner’s name on it. All the while I was sweating it out; three hundred million people around the world were watching and waiting. Mr. Huston only had about ten seconds before he’d need more oxygen.

While Mr. Kurosawa was fumbling with the piece of paper, I almost said something that would have finished me. I almost said to him, Pearl Harbor you could find! Fortunately, he produced the slip of paper, and I didn’t say it. I read the name of the winner aloud. I forget now which picture won—Gandhi or Out of Africa. Mr. Huston moved immediately toward the wings, and backstage to the oxygen.

Mr. Huston made a wonderful picture that year, Prizzi’s Honor, that was also up for the Best Picture Award. If he had won, we would have had to give him more oxygen to recover before he could come back and accept. I voted for Prizzi’s Honor. I voted for Mr. Huston.

Entrevista completa com Billy Wilder aqui.

28.10.10

Top 10 - François Ozon

Os últimos filmes de François Ozon têm-me desiludido, mas continuo a incluí-lo naquele grupo de cineastas que vale a pena seguir. Tem dois filmes excelentes ('Sob a areia', quanto a mim a sua obra-prima, e '5x2') e mais um punhado deles que vale bem a pena ver, incluindo várias curtas-metragens.

Aqui vai o meu top 10:

1. Sob a areia (2000)

2. 5x2 (2004)

3. Swimming Pool (2003)

4. La petite mort (c.m.,1995)

5. Une robe d'été (c.m.,1996)

6. Un lever de rideau (c.m.,2006)

7. Gouttes d'eau sur pierres brûlantes (2000)

8. O tempo que resta (2005)

9. Sitcom (1998)

10. 8 Mulheres (2002)