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20.12.10

O melhor filme que vi em 2010


(mas que a distribuidora portuguesa perspicazmente chutou directamente para dvd)

15.12.10

Top 10 - 2010


1.
A dança – Le Ballet de l`Opéra de Paris, Frederick Wiseman

2.
 Cópia certificada, Abbas Kiarostami

3.
 Polícia sem lei, Werner Herzog

4.
 O escritor fantasma, Roman Polanski

5.
 As ervas daninhas, Alain Resnais

6.
 Eu sou o amor, Luca Guadagnino

7.
 Meu filho, olha o que fizeste!, Werner Herzog

8.
Presente de morte, Richard Kelly

9.
 Shirin, Abbas Kiarostami

10.
Shutter Island, Martin Scorsese

9.12.10

Cela 211


Um dia antes de entrar ao serviço, Juan vai até à prisão onde iria ser guarda prisional, para começar a conhecer os cantos à casa. E eis que rebenta um motim e devido a uma série de azares Juan fica do lado de dentro das grades, tendo que se fazer passar por um vulgar prisioneiro para se safar.

'Cela 211' é uma curiosa variação do 'filme de prisão': mantendo as coordenadas do género (denunciar as más condições dos detidos, jogar com as tensões entre detidos e guardas, mas também entre detidos, explorando este microcosmos violento e com regras próprias) tem também uma discreta mas forte componente politica. É que os reféns que os detidos usam para negociar com as autoridades são outros detidos, mas com uma peculiaridade: são membros da ETA - e é impressionante ver o trabalho a que se dá o governo, envolvendo-se directamente nas negociações, para que nada aconteça aos etarras, o que poderia criar embaraços políticos, nomeadamente com as autoridades bascas. Em duas pinceladas é-nos dado um excelente retrato do peso que a questão basca tem na sociedade espanhola.

Até ao minuto 78 'Cela 211' é um filme magnífico, que mantém o espectador sob tensão como há muito não se via. Uma realização ágil e imaginativa (mas não exibicionista) e dois grandes actores, criam um ambiente permanente de claustrofobia e alta voltagem. Mas, nesse minuto, que despoleta a revolta de Juan e determina definitivamente a sua transformação (e talvez seja este o principal tema do filme: como circunstâncias extremas podem alterar a natureza humana), há na minha opinião uma incongruência grave do argumento [atenção, spoiler: se quiser passe ao parágrafo seguinte]: é quando comunicam a Juan que a sua mulher morreu, sendo que o guarda que provocou a sua morte está dentro do recinto dos revoltosos. Parece-me muito pouco crível que isto fosse possível, mesmo nas circunstâncias apresentadas no filme (Juan está a pressionar fortemente os negociadores para falar com a mulher).

Talvez por a 'suspensão da descrença' estar algo abalada, nos momentos seguintes pareceu-me que o filme tremeu um pouco: o discurso de Juan perante o enviado do governo parece algo inflamado e demagógico de mais, mas ainda assim pode-se justificar com o estado alterado em que ele se encontra.

Felizmente após este desequilíbrio momentâneo Daniel Monzón rapidamente retoma as rédeas e o filme acaba como merecia: sem concessões. Tudo ponderado, é uma muito boa surpresa.

Celda 211, Espanha/França, 2010. Realização: Daniel Monzón. Com: Luis Tosar, Alberto Ammann, Antonio Resines, Manuel Morón, Carlos Bardem, Marta Etura, Luis Zahera.

6.12.10

O Americano


Pode um filme passado numa terrinha italiana bela como só as terrinhas italianas o podem ser, com o actor mais cool da actualidade, com uma actriz com a sensualidade de Violante Placido e um argumento que se insere na nobre linhagem do 'assassino contratado solitário e lacónico, com pinta para dar e vender' ser tão aborrecido quanto previsível? Pode. Amaldiçoemos Mr.Corbjin pelo facto.

The American, E.U.A., 2010. Realização: Anton Corbjin. Com: George Clooney, Violante Placido, Thekla Reuten, Paolo Bonacelli, Johan Leysen, Filippo Timi, Irina Björklund.

30.11.10

Wish List


(e descobri que o título português de La Jetée é... 'O Pontão'!!!)

26.11.10

Machete


'Machete' é um belo divertimento desmiolado, mas... faltam-lhe os diálogos de Tarantino. Assim, o sabor a déjà vu é inevitável.

Machete, E.U.A., 2010. Realização: Robert Rodriguez e Ethan Maniquis. Com: Danny Trejo, Robert De Niro, Jessica Alba, Steven Seagal, Michelle Rodriguez, Jeff Fahey, Cheech Marin, Don Johnson, Lindsay Lohan.

25.11.10

José e Pilar


Exceptuando o facto ridículo de se legendar tudo o que é dito neste filme, o que inclui o muito que é dito em português, de um modo geral pode-se dizer que o principal mérito de Miguel Gonçalves Mendes é também a sua maior fraqueza: não inventa. Através de uma montagem inteligente mas 'neutra', acompanhamos o dia a dia de Saramago  (o Saramago pós-Pilar, como é dito, daí a justeza do título), as inúmeras solicitações a que tem que corresponder, as viagens, as feiras, a vida de estrela em que o Nobel o tornou, em suma.

E o que vemos é uma pessoa inteligente, pessimista, com um sentido de humor inesperado, ora feroz ora terna, mas sempre interessante.

É suficiente? Eu diria que depende do espectador. Eu gostaria de algo mais. Não digo que estejamos ao nível do 'telefilme de qualidade', mas não estamos muitos degraus acima.

José e Pilar, Portugal/Espanha/Brasil, 2010. Realização: Miguel Gonçalves Mendes. Documentário.

23.11.10

Lola


Há filmes que nos agarram desde o início. E há outros em que se passa o contrário. Não obstante as minhas elevadas expectativas, ao fim de 5 minutos eu já sentira que este não seria um dos 'meus' filmes. E não foi, e nem sei bem porquê. Tem duas fantásticas actrizes (as avozinhas, ou 'lolas') e atrás da câmara está um verdadeiro cineasta, com um olhar próprio, que nos dá um retrato impressivo de uma Manila pobre, alagada, injusta, em que cada um faz o que pode para se safar. Mas se admirei tudo isto, a verdade é que a maior parte do tempo não criei empatia com o filme. Talvez porque o cineasta force a nota em duas ou três cenas (estou-me a lembrar daquela em que uma das avós não consegue encontrar uma casa de banho); talvez porque o final me pareça mal explicado; ou talvez seja de mim. Há filmes assim: uma pessoa gostava de gostar mais deles. 

Lola, França/Filipinas, 2009. Realização: Brillante Mendoza. Com: Anita Linda, Rustica Carpio, Tanya Gomez, Jhong Hilario, Ketchup Eusebio.

22.11.10

Scarlett Johansson - Top 10

Os leitores mais atentos já terão reparado que a única actriz (ou actor, já agora) que tem direito a uma 'label' própria aqui no tasco é a menina Escarleta. Pois a menina faz hoje 26 aninhos, boa ocasião para fazer aqui um top 10 dos meus filmes preferidos em que ela estrela, como dizem os brasileiros.
Os 4 primeiros são obras-primas, os 4 a seguir são muito bons, e os 2 últimos não envergonham ninguém. Nada mau.

1.
Lost in Translation, Sofia Coppola (2003)


2.
 Match Point, Woody Allen (2005)


3.
Vicky Cristina Barcelona, Woody Allen (2008)


4.
Ghost World, Terry Zwigoff (2001)


5.
O Barbeiro, Irmãos Coen (2001)


6.
A Dália Negra, Brian De Palma (2006)


7.
Scoop, Woody Allen (2006)


8.
Uma boa companhia, Paul Weitz (2004)


9.
Rapariga com brinco de pérola, Peter Webber (2003)

  
10.
Uma canção de amor, Shainee Gabel (2004)


18.11.10

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