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27.1.11

E vão 5 sempre em grande


(5 temporadas sem jamais baixar o nível é obra)

25.1.11

Hereafter — Outra Vida


George Lonegan (Matt Damon) é um americano que tem um dom: consegue contactar com pessoas mortas. Não é um charlatão, entenda-se: consegue mesmo. Mas ele considera-o uma maldição, que o impede de ter uma vida normal. Marie LeLay (a belísssima Cécile de France) é uma famosa jornalista francesa, que tem um contacto com a morte ao ser apanhada num tsunami (extraordinariamente filmado, na sequência inicial do filme) e a partir daí começa-se a interessar pelo tema da 'vida depois da morte'; e Jason (George McLaren ) é um rapazinho inglês, saído directamente de um filme de Mike Leigh (ou de um livro de Dickens, o herói de Lonegan) que só deseja contactar com o seu gémeo que morreu e o deixou sozinho no mundo com uma mãe toxicodependente.

Desta matéria prima - que não obstante sair da pena de Peter Morgan tinha alto grau potencial de ser transformada numa daquelas xaropadas hollywoodianas de lágrima fácil - sai, nas mãos sensíveis, sóbrias e sábias (para nos ficarmos pela letra s) de Eastwood, um filme tocante e contemplativo, sobre o destino, sobre a solidão, sobre a incompreensão pelo diferente, sobre o que há para lá da vidinha.

Como já foi dito, Eastwood filma com o máximo realismo esta 'história metafísica', não tomando qualquer partido, não nos querendo impingir nada, jamais entrando em misticismos da treta, centrando-se isso sim, e como sempre, no 'factor humano'. E com a tal sensibilidade e sobriedade que são marca dos clássicos.

Hereafter, E.U.A., 2010. Realização: Clint Eastwood. Com: Matt Damon, Cécile de France, Frankie McLaren, George McLaren, Jay Mohr, Bryce Dallas Howard, Marthe Keller e Thierry Neuv

24.1.11

Globos de Ouro



(ou como um génio pode tornar brilhante uma entrega de prémios sem interesse nenhum)

20.1.11

Vais Conhecer o Homem dos Teus Sonhos


Afinal sempre estreou. Ainda bem.

19.1.11

Encontro



Concordando com cada uma destas palavras, há que acrescentar que miraculosamente o filme sobrevive a isto e ao canastrão Lambert Wilson (que melhorou bastante com a idade: está muito bem em 'Corações'), não tendo eu tido vontade de fugir a sete pés ao fim de 10 minutos, como no caso do horrendo 'Anticristo', oportunamente citado pelo Capitão. Pelo contrário, mantive-me religiosamente colado ao ecrã.

E a razão é só uma: uma incrivelmente novinha (21 primaveras) Juliette Binoche, a mostrar logo ali porque se iria tornar uma das mais luminosas actrizes do actual panorama cinematográfico (também eu tenho direito aos meus clichés). É assim o cinema. Um rosto pode salvar um filme.

Rendez-Vous, França, 1985. Realização: André Téchiné. Com: Juliette Binoche, Lambert Wilson, Wadeck Stanczak, Jean-Louis Trintignant, Dominique Lavanant, Anne Wiasemsky, Jean-Louis Vitrac.

18.1.11

Dia e Noite


Eu sei que no actual mundo facebookiano e supersónico, falar de um filme que estreou há já meio ano é um crime. Mas eu sou um bocado bota de elástico e ainda ando a pôr em dia as estreias do ano passado (mais vale tarde do que nunca, etc. ).

E agora, com a devida licença dos leitores mais culturetas, vou passar a dizer bem deste ‘Knigth and Day’: é totalmente inverosímil e compraz-se com isso; é muito divertido, pilhando e parodiando tudo quanto é filme de acção/espionagem e, já agora, comédia romântica; tem duas grandes prestações, de Mr.Cruise e Mrs.Diaz (dois actores que habitualmente estão longe de ser dos meus favoritos); e, last but not the least,  tem um realizador que, pese embora a sua irregularidade, tem uma competência acima da média.

Tem a fita zero de originalidade? É verdade. Mas sabe baralhar e tornar a dar com muita classe e ironia. É - perdoem-me o termo técnico - o melhor filme de Domingo à tarde do ano que passou.

Knight and Day, E.U.A., 2010. Realização: James Mangold. Com: Tom Cruise, Cameron Diaz, Peter Sarsgaard, Jordi Mollà, Viola Davis, Paul Dano.

17.1.11

Ao encontro de Romain Gary



(*) Vida essa que se cruzou com outra vida mirabolante: a de Jean Seberg.

16.1.11

Falar do programador João Bénard da Costa

O que é que o João nos deixou escrito? Deixou-nos filmes escritos. Chamem-lhes se quiserem filmes-textos ou textos-filmes.

13.1.11

O turista


Depois de Anton Corbjin, em 'O Americano', ter desperdiçado o combinado vilazinha italiana+Violante Placido+George Clooney, Florian Henckel von Donnersmarck eleva o nível e esbanja completamente o triunvirato Veneza+Angelina Jolie+Johnny Depp. É obra! Mas é a triste realidade. 'O turista' é uma coisa sem jeito nenhum: sem classe, sem ritmo, sem suspense, sem pinta, em que Veneza é filmada como se fosse outra cidade qualquer e em que as duas pessoas mais fotogénicas do planeta são transformadas em bonecos de plasticina. Porra.

The Tourist, E.U.A./França, 2010. Realização: Florian Henckel von Donnersmarck. Com: Johnny Depp, Angelina Jolie, Paul Bettany, Timothy Dalton, Steven Berkoff.

12.1.11

Enter The Void


Deste filme disse Tarantino, com o habitual entusiasmo tarantiniano, "Hands down best credit scene of the year … Maybe best credit scene of the decade. One of the greatest in cinema history". Basicamente o dito genérico passa em fast forward, com uma música tecno-videogame, e não apanhamos nada... Mas depois tudo acalma. E de que maneira.

Supostamente vemos 'Enter The Void' inteiramente do ponto de vista de uma das personagens, Oscar, um adolescente que é dealer em Tóquio. O procedimento não é inteiramente original: 'A Dama do lago', um noir de Robert Montegomery, de 1947, é inteiramente filmado através dos olhos de uma personagem. A diferença aqui é que durante meio filme Oscar está completamente mocado e no restante está morto. Mas continua a vigiar o que se passa cá em baixo, nomeadamente com a sua amada irmã (Paz de la Huerta), que é dançarina num clube de strip também em Tóquio.

E o que vemos é uma Tóquio fluorescente, psicadélica, desfocada, ao som de uma banda sonora abafada, etérea, filmada com imagens lentas, intercaladas com devaneios visuais hipnotizantes, a um ritmo vagaroso, onde não se passa quase nada . Ou seja, o mais próximo possível de estarmos a ver tudo, também nós, ligeiramente mocados, numa trip sem efeitos secundários proporcionada pelo realizador Gaspar Noé. Que, uma vez mais, depois de 'Irreversível', nos dá um filme para dividir as águas, muito 'ame ou odeie'.

Eu achei-o excessivamente longo (poderia facilmente ter menos uma hora), com vaivéns escusados e cenas desnecessárias, ora fastidiosas ora irritantes,  mas não há que negar a Noé a ousadia, nem o risco, nem o talento. Kubrick disse que “A film is – or should be – more like music than fiction. It should be a progression of moods and feelings. The theme, what’s behind the emotion, the meaning, all that comes later.” Noé, neste filme, tentou seguir esta máxima. Se o conseguiu ou não decida o leitor.

Enter The Void, França, Alemanha, Itália, 2010. Realização:  Gaspar Noé. Com: Nathaniel Brown, Paz de la Huerta, Cyril Roy, Olly Alexander, Masato Tanno.