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3.2.11
Maria Schneider (27/3/1952-3/2/2011)
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Entrou em filmes como Profissão: Reporter de Antonioni (1973), Merry Go-Round de Rivette (1977), Voyage au jardin des morts de Philippe Garrel (1976) ou les Nuits fauves de Cyril Collard (1992), mas ficou para sempre ligada a um único papel.
2.2.11
Kazan
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1.2.11
Um ano mais
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Ao ver este novo filme de Mike Leigh lembrei-me de Woody Allen. Claro que os seus universos são praticamente opostos, mas ambos têm universos muito próprios e reconhecíveis. Uma pessoa vai ver um filme seu e sabe com o que conta. E - isso é que é importante - há um nível de qualidade que ambos são absolutamente incapazes de baixar.
Se esquecermos o detalhe, as semelhanças estão lá: a magnifica direcção de actores (Leigh sempre sem grandes estrelas - mais uma vez, aqui o elenco é perfeito); os argumentos (escritos pelos próprios, são ambos óptimos argumentistas) nunca menos que bons, à volta de temáticas recorrentes (a upper class e as partidas aleatórias do destino, no caso de Allen; a working class e os destinos desde cedo traçados, no caso de Leigh); a câmara próxima, discreta, sempre focada nos actores. E até o facto de nos surpreenderem quando já não se espera mais do que a tal qualidade média. De repente Allen dá-nos um magnífico 'Match Point' e Leigh sai-se com um estupendo 'Happy-Go-Lucky'; Allen rebusca o tom com 'Vicky Cristina Barcelona' e Leigh refina o olhar com 'Um dia de cada vez'.
Porque este é um filme magnífico. Tirando uma personagem (bastante) secundária que me pareceu forçada em demasia (Carl, o filho de Ronnie), tudo o resto me pareceu admirável. Leigh encontrou há muito aquele tom único que lhe permite retratar alguns dos solitários mais desesperados que o cinema nos deu (o Scott de 'Happy-Go-Lucky', a Mary deste filme, só para ficarmos pelos mais recentes) sem nunca perder o sentido de humor, e ao mesmo tempo mostrar-nos pessoas impossivelmente optimistas (a inesquecível Poppy do filme anterior) ou incuravelmente bem com a vida (Tom e Gerri deste filme) sem ser lamechas nem nos provocar um sorriso cínico. É, por assim dizer, um realismo ferozmente terno e afiado, ao mesmo tempo.
E eu gosto de realizadores que andam sempre a fazer o mesmo filme. Por isso Leigh, tal com Allen, é um realizador muito cá da casa.
Another Year, Grã-Bretanha, 2010. Realização: Mike Leigh. Com: Jim Broadbent, Lesley Manville, Ruth Sheen, Oliver Maltman, Peter Wight, David Bradley, Imelda Staunton.
Se esquecermos o detalhe, as semelhanças estão lá: a magnifica direcção de actores (Leigh sempre sem grandes estrelas - mais uma vez, aqui o elenco é perfeito); os argumentos (escritos pelos próprios, são ambos óptimos argumentistas) nunca menos que bons, à volta de temáticas recorrentes (a upper class e as partidas aleatórias do destino, no caso de Allen; a working class e os destinos desde cedo traçados, no caso de Leigh); a câmara próxima, discreta, sempre focada nos actores. E até o facto de nos surpreenderem quando já não se espera mais do que a tal qualidade média. De repente Allen dá-nos um magnífico 'Match Point' e Leigh sai-se com um estupendo 'Happy-Go-Lucky'; Allen rebusca o tom com 'Vicky Cristina Barcelona' e Leigh refina o olhar com 'Um dia de cada vez'.
Porque este é um filme magnífico. Tirando uma personagem (bastante) secundária que me pareceu forçada em demasia (Carl, o filho de Ronnie), tudo o resto me pareceu admirável. Leigh encontrou há muito aquele tom único que lhe permite retratar alguns dos solitários mais desesperados que o cinema nos deu (o Scott de 'Happy-Go-Lucky', a Mary deste filme, só para ficarmos pelos mais recentes) sem nunca perder o sentido de humor, e ao mesmo tempo mostrar-nos pessoas impossivelmente optimistas (a inesquecível Poppy do filme anterior) ou incuravelmente bem com a vida (Tom e Gerri deste filme) sem ser lamechas nem nos provocar um sorriso cínico. É, por assim dizer, um realismo ferozmente terno e afiado, ao mesmo tempo.
E eu gosto de realizadores que andam sempre a fazer o mesmo filme. Por isso Leigh, tal com Allen, é um realizador muito cá da casa.
Another Year, Grã-Bretanha, 2010. Realização: Mike Leigh. Com: Jim Broadbent, Lesley Manville, Ruth Sheen, Oliver Maltman, Peter Wight, David Bradley, Imelda Staunton.
27.1.11
25.1.11
Hereafter — Outra Vida
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Desta matéria prima - que não obstante sair da pena de Peter Morgan tinha alto grau potencial de ser transformada numa daquelas xaropadas hollywoodianas de lágrima fácil - sai, nas mãos sensíveis, sóbrias e sábias (para nos ficarmos pela letra s) de Eastwood, um filme tocante e contemplativo, sobre o destino, sobre a solidão, sobre a incompreensão pelo diferente, sobre o que há para lá da vidinha.
Como já foi dito, Eastwood filma com o máximo realismo esta 'história metafísica', não tomando qualquer partido, não nos querendo impingir nada, jamais entrando em misticismos da treta, centrando-se isso sim, e como sempre, no 'factor humano'. E com a tal sensibilidade e sobriedade que são marca dos clássicos.
Hereafter, E.U.A., 2010. Realização: Clint Eastwood. Com: Matt Damon, Cécile de France, Frankie McLaren, George McLaren, Jay Mohr, Bryce Dallas Howard, Marthe Keller e Thierry Neuv
24.1.11
Globos de Ouro
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(ou como um génio pode tornar brilhante uma entrega de prémios sem interesse nenhum)
20.1.11
19.1.11
Encontro
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Estava eu a pensar em como abordar o inenarrável argumento de 'Rendez-Vous' (co-escrito por André Téchiné e Olivier Assayas), quando reparei que o Capitão Napalm já o fez com bastante eloquência: há toda uma narrativa de amour-fou empilhado de clichés até à estratosfera, desde o poetinha inconstante e "torturado" (Lambert Wilson- o único sujeito que, para meu conhecimento, trabalhou sob as ordens de Resnais e dos coisos Wachowski) até a episódios regulares de histerismo muito "perturbador", sem esquecer os planos da floresta negra à meia-noite repleta de ursos pretos * da Juliette.
Concordando com cada uma destas palavras, há que acrescentar que miraculosamente o filme sobrevive a isto e ao canastrão Lambert Wilson (que melhorou bastante com a idade: está muito bem em 'Corações'), não tendo eu tido vontade de fugir a sete pés ao fim de 10 minutos, como no caso do horrendo 'Anticristo', oportunamente citado pelo Capitão. Pelo contrário, mantive-me religiosamente colado ao ecrã.
E a razão é só uma: uma incrivelmente novinha (21 primaveras) Juliette Binoche, a mostrar logo ali porque se iria tornar uma das mais luminosas actrizes do actual panorama cinematográfico (também eu tenho direito aos meus clichés). É assim o cinema. Um rosto pode salvar um filme.
E a razão é só uma: uma incrivelmente novinha (21 primaveras) Juliette Binoche, a mostrar logo ali porque se iria tornar uma das mais luminosas actrizes do actual panorama cinematográfico (também eu tenho direito aos meus clichés). É assim o cinema. Um rosto pode salvar um filme.
Rendez-Vous, França, 1985. Realização: André Téchiné. Com: Juliette Binoche, Lambert Wilson, Wadeck Stanczak, Jean-Louis Trintignant, Dominique Lavanant, Anne Wiasemsky, Jean-Louis Vitrac.
18.1.11
Dia e Noite
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E agora, com a devida licença dos leitores mais culturetas, vou passar a dizer bem deste ‘Knigth and Day’: é totalmente inverosímil e compraz-se com isso; é muito divertido, pilhando e parodiando tudo quanto é filme de acção/espionagem e, já agora, comédia romântica; tem duas grandes prestações, de Mr.Cruise e Mrs.Diaz (dois actores que habitualmente estão longe de ser dos meus favoritos); e, last but not the least, tem um realizador que, pese embora a sua irregularidade, tem uma competência acima da média.
Tem a fita zero de originalidade? É verdade. Mas sabe baralhar e tornar a dar com muita classe e ironia. É - perdoem-me o termo técnico - o melhor filme de Domingo à tarde do ano que passou.
Knight and Day, E.U.A., 2010. Realização: James Mangold. Com: Tom Cruise, Cameron Diaz, Peter Sarsgaard, Jordi Mollà, Viola Davis, Paul Dano.
17.1.11
Ao encontro de Romain Gary
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