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14.2.11

O discurso do Rei


O Dr.Freud só se exilou em Londres em 1938, por isso o futuro Rei Eduardo VI, possuidor de traumas vários, cujo sintoma mais embaraçoso era a gaguez,  teve que recorrer aos serviços de um terapeuta da fala australiano, Lionel Logue, que nem médico era, para lhe servir de confidente e psicanalista. 'Lionel' trata o snobe monarca por 'Bertie' e, após o devido choque e reticências iniciais deste, obviamente cura-o, e nasce uma grande amizade, e blá, blá, blá.

'O discurso do rei' é, garantidamente, o filme mais aborrecido e previsível que vi em anos.  E previsivelmente vai proporcionar um Oscar a Colin Firth por emular  um gago na perfeição, engordando ainda mais o rol de galardoados por papeis de deficientes. E uma vez que se segundo dizem os entendidos, está também na linha da frente para levar a estatueta de "melhor filme", está encontrado o 'Rain Man' deste ano.

The King`s Speech, Grã-Bretanha/Austrália/E.U.A., 2010. Realização: Tom Hooper. Com: Colin Firth, Geoffrey Rush, Helena Bonham Carter, Guy Pearce, Jennifer Ehle, Eve Best, Derek Jacobi, Timothy Spall, Anthony Andrews, Claire Bloom.

10.2.11

TOY STORY 3 é o filme do ano para a Liga dos Blogues Cinematográficos


Sendo um filme de que gostei, o meu voto foi no entanto para 'À prova de morte' de Tarantino (que só estreou o ano passado no Brasil, sendo por isso elegível), que ficou em segundo lugar ex aequo com 'Vencer' de Marco Bellochio. 'O laço branco' de Haneke e 'Bad Lieutenant' de Herzog (o meu segundo preferido) fecharam a classificação, por esta ordem. (AQUI)

8.2.11

Cisne Negro


A bela, inocente, perfeccionista, mas frígida e reprimida Nina Sayers é a bailarina perfeita para encarnar o delicado Cisne Branco na nova versão de ‘O Lago dos Cisnes’, com que o ambicioso coreógrafo Thomas Leroy (Vicent Cassel) quer pôr o nome da sua companhia de novo na ribalta. Mas será ela a pessoa certa para interpretar o sedutor e perverso Cisne Negro?

Uma interpretação portentosa de Natalie Portman, a quem uma câmara à mão não larga, uma montagem cortante e uma banda sonora incansável, põem o espectador sob tensão permanente, assistindo com angustia e pavor a uma transformação como não se via desde ‘Carrie’.

Mais do que a obra-prima de Aronofsky, o ‘Cisne Negro’ é o grande filme de terror que o novo milénio tardava a dar-nos.

Black Swan, E.U.A., 2011. Realização: Darren Aronofsky. Com: Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Barbara Hershey, Winona Ryder.

7.2.11

Just how many days does Phil Connors spend trapped in the perpetual loop of GROUNDHOG DAY ?


12403! A fantasticamente detalhada e fundamentada justificação aqui.

(descoberto via o imparável Buchinsky)

4.2.11

Noites Bravas


A morte de Maria Schneider trouxe-me à memória 'Noites Bravas' ('Les Nuits Feuves'), filme realizado e interpretado por Cyril Collard, em 1992. Em 1993 Collard morreria de SIDA, depois de o filme ter gerado uma enorme polémica... pelo modo como o 'tema SIDA' era tratado.

Em 1993 era também lançado 'Filadélfia', realizado por um Jonathan Demme vindo do enorme sucesso 'O Silêncio dos inocentes', e a SIDA deixava de ser tabu em Hollywood e entrava, por assim dizer, no mainstream.

Na altura gostei muito de 'Noites Bravas', vi-o duas ou três vezes algures nos anos 90, e nunca mais o revi. Ao contrário de 'Filadélfia' (de que também gosto muito, e que muito por culpa da prestação de Denzel Washington entrou rapidamente no imaginário popular), parece-me ser um filme bastante esquecido hoje em dia.

Se o arranjar, será o filme que verei em homenagem a Maria Schneider.

3.2.11

Maria Schneider (27/3/1952-3/2/2011)


Entrou em filmes como Profissão: Reporter de Antonioni (1973), Merry Go-Round de Rivette (1977),  Voyage au jardin des morts de Philippe Garrel (1976) ou les Nuits fauves de Cyril Collard (1992), mas ficou para sempre ligada a um único papel.

2.2.11

Kazan


O 27º livro da colecção "As Folhas da Cinemateca" acaba de sair. É dedicado à obra de Elia Kazan. Os textos são assinados por Joana Ascensão, João Bénard da Costa, Luís Miguel Oliveira e Manuel Cintra Ferreira. Como é norma da colecção, para além de textos sobre cada um dos filmes do realizador, o livro inclui uma biografia e uma filmografia, fichas técnicas completas, sinopses e fotografias.

1.2.11

Um ano mais


Ao ver este novo filme de Mike Leigh lembrei-me de Woody Allen. Claro que os seus universos são praticamente opostos, mas ambos têm universos muito próprios e reconhecíveis. Uma pessoa vai ver um filme seu e sabe com o que conta. E - isso é que é importante - há um nível de qualidade que ambos são absolutamente incapazes de baixar.

Se esquecermos o detalhe, as semelhanças estão lá: a magnifica direcção de actores (Leigh sempre sem grandes estrelas - mais uma vez, aqui o elenco é perfeito); os argumentos (escritos pelos próprios, são ambos óptimos argumentistas) nunca menos que bons, à volta de temáticas recorrentes (a upper class e as partidas aleatórias do destino, no caso de Allen; a working class e os destinos desde cedo traçados, no caso de Leigh); a câmara próxima, discreta, sempre focada nos actores. E até o facto de nos surpreenderem quando já não se espera mais do que a tal qualidade média. De repente Allen dá-nos um magnífico 'Match Point' e Leigh sai-se com um estupendo 'Happy-Go-Lucky'; Allen rebusca o tom com 'Vicky Cristina Barcelona' e Leigh refina o olhar com 'Um dia de cada vez'.

Porque este é um filme magnífico. Tirando uma personagem (bastante) secundária que me pareceu forçada em demasia (Carl, o filho de Ronnie), tudo o resto me pareceu admirável. Leigh encontrou há muito aquele tom único que lhe permite retratar alguns dos solitários mais desesperados que o cinema nos deu (o Scott de 'Happy-Go-Lucky', a Mary deste filme, só para ficarmos pelos mais recentes) sem nunca perder o sentido de humor, e ao mesmo tempo mostrar-nos pessoas impossivelmente optimistas (a inesquecível Poppy do filme anterior) ou incuravelmente bem com a vida (Tom e Gerri deste filme) sem ser lamechas nem nos provocar um sorriso cínico. É, por assim dizer, um realismo ferozmente terno e afiado, ao mesmo tempo.

E eu gosto de realizadores que andam sempre a fazer o mesmo filme. Por isso Leigh, tal com Allen, é um realizador muito cá da casa.

Another Year, Grã-Bretanha, 2010. Realização: Mike Leigh. Com: Jim Broadbent, Lesley Manville, Ruth Sheen, Oliver Maltman, Peter Wight, David Bradley, Imelda Staunton.

27.1.11

E vão 5 sempre em grande


(5 temporadas sem jamais baixar o nível é obra)

25.1.11

Hereafter — Outra Vida


George Lonegan (Matt Damon) é um americano que tem um dom: consegue contactar com pessoas mortas. Não é um charlatão, entenda-se: consegue mesmo. Mas ele considera-o uma maldição, que o impede de ter uma vida normal. Marie LeLay (a belísssima Cécile de France) é uma famosa jornalista francesa, que tem um contacto com a morte ao ser apanhada num tsunami (extraordinariamente filmado, na sequência inicial do filme) e a partir daí começa-se a interessar pelo tema da 'vida depois da morte'; e Jason (George McLaren ) é um rapazinho inglês, saído directamente de um filme de Mike Leigh (ou de um livro de Dickens, o herói de Lonegan) que só deseja contactar com o seu gémeo que morreu e o deixou sozinho no mundo com uma mãe toxicodependente.

Desta matéria prima - que não obstante sair da pena de Peter Morgan tinha alto grau potencial de ser transformada numa daquelas xaropadas hollywoodianas de lágrima fácil - sai, nas mãos sensíveis, sóbrias e sábias (para nos ficarmos pela letra s) de Eastwood, um filme tocante e contemplativo, sobre o destino, sobre a solidão, sobre a incompreensão pelo diferente, sobre o que há para lá da vidinha.

Como já foi dito, Eastwood filma com o máximo realismo esta 'história metafísica', não tomando qualquer partido, não nos querendo impingir nada, jamais entrando em misticismos da treta, centrando-se isso sim, e como sempre, no 'factor humano'. E com a tal sensibilidade e sobriedade que são marca dos clássicos.

Hereafter, E.U.A., 2010. Realização: Clint Eastwood. Com: Matt Damon, Cécile de France, Frankie McLaren, George McLaren, Jay Mohr, Bryce Dallas Howard, Marthe Keller e Thierry Neuv