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17.2.11

Indomável


‘True Grit’ balança entre dois universos: um grave, violento, com ressonâncias do antigo testamento; e um paródico, ridículo, divertido.

Os Coen já mostraram que têm unhas para ambos (veja-se de um lado ‘Este país não é para velhos’ e do outro todas as suas comédias), mas aqui inclinam-se mais para o segundo.

‘True Grit’ é muito divertido (e bem filmado e bem interpretado e etc.) e  brinca com classe com toda a tradição do Western, mas falta-lhe alguma gravidade: sentimos a determinação obstinada e infantil de Mattie (Hailee Steinfeld), mas nem tanto a sua moralidade implacável; rimo-nos amiúde com a descontracção de Rooster (o grande Jeff Bridges, que eclipsa completamente Matt Damon), mas não sentimos totalmente a sua violência sanguinolenta.

E assim, em vez de uma obra-prima como 'Este país...', temos apenas um (muito) bom filme.

True Grit, E.U.A., 2010. Realização: Joel e Ethan Coen. Com: Jeff Bridges, Hailee Steinfeld, Matt Damon, Josh Brolin, Barry Pepper, Ed Corbin, Paul Rae

16.2.11

Vincent

15.2.11

O 'Bafta' mais bem entregue

(...)

14.2.11

O discurso do Rei


O Dr.Freud só se exilou em Londres em 1938, por isso o futuro Rei Eduardo VI, possuidor de traumas vários, cujo sintoma mais embaraçoso era a gaguez,  teve que recorrer aos serviços de um terapeuta da fala australiano, Lionel Logue, que nem médico era, para lhe servir de confidente e psicanalista. 'Lionel' trata o snobe monarca por 'Bertie' e, após o devido choque e reticências iniciais deste, obviamente cura-o, e nasce uma grande amizade, e blá, blá, blá.

'O discurso do rei' é, garantidamente, o filme mais aborrecido e previsível que vi em anos.  E previsivelmente vai proporcionar um Oscar a Colin Firth por emular  um gago na perfeição, engordando ainda mais o rol de galardoados por papeis de deficientes. E uma vez que se segundo dizem os entendidos, está também na linha da frente para levar a estatueta de "melhor filme", está encontrado o 'Rain Man' deste ano.

The King`s Speech, Grã-Bretanha/Austrália/E.U.A., 2010. Realização: Tom Hooper. Com: Colin Firth, Geoffrey Rush, Helena Bonham Carter, Guy Pearce, Jennifer Ehle, Eve Best, Derek Jacobi, Timothy Spall, Anthony Andrews, Claire Bloom.

10.2.11

TOY STORY 3 é o filme do ano para a Liga dos Blogues Cinematográficos


Sendo um filme de que gostei, o meu voto foi no entanto para 'À prova de morte' de Tarantino (que só estreou o ano passado no Brasil, sendo por isso elegível), que ficou em segundo lugar ex aequo com 'Vencer' de Marco Bellochio. 'O laço branco' de Haneke e 'Bad Lieutenant' de Herzog (o meu segundo preferido) fecharam a classificação, por esta ordem. (AQUI)

8.2.11

Cisne Negro


A bela, inocente, perfeccionista, mas frígida e reprimida Nina Sayers é a bailarina perfeita para encarnar o delicado Cisne Branco na nova versão de ‘O Lago dos Cisnes’, com que o ambicioso coreógrafo Thomas Leroy (Vicent Cassel) quer pôr o nome da sua companhia de novo na ribalta. Mas será ela a pessoa certa para interpretar o sedutor e perverso Cisne Negro?

Uma interpretação portentosa de Natalie Portman, a quem uma câmara à mão não larga, uma montagem cortante e uma banda sonora incansável, põem o espectador sob tensão permanente, assistindo com angustia e pavor a uma transformação como não se via desde ‘Carrie’.

Mais do que a obra-prima de Aronofsky, o ‘Cisne Negro’ é o grande filme de terror que o novo milénio tardava a dar-nos.

Black Swan, E.U.A., 2011. Realização: Darren Aronofsky. Com: Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Barbara Hershey, Winona Ryder.

7.2.11

Just how many days does Phil Connors spend trapped in the perpetual loop of GROUNDHOG DAY ?


12403! A fantasticamente detalhada e fundamentada justificação aqui.

(descoberto via o imparável Buchinsky)

4.2.11

Noites Bravas


A morte de Maria Schneider trouxe-me à memória 'Noites Bravas' ('Les Nuits Feuves'), filme realizado e interpretado por Cyril Collard, em 1992. Em 1993 Collard morreria de SIDA, depois de o filme ter gerado uma enorme polémica... pelo modo como o 'tema SIDA' era tratado.

Em 1993 era também lançado 'Filadélfia', realizado por um Jonathan Demme vindo do enorme sucesso 'O Silêncio dos inocentes', e a SIDA deixava de ser tabu em Hollywood e entrava, por assim dizer, no mainstream.

Na altura gostei muito de 'Noites Bravas', vi-o duas ou três vezes algures nos anos 90, e nunca mais o revi. Ao contrário de 'Filadélfia' (de que também gosto muito, e que muito por culpa da prestação de Denzel Washington entrou rapidamente no imaginário popular), parece-me ser um filme bastante esquecido hoje em dia.

Se o arranjar, será o filme que verei em homenagem a Maria Schneider.

3.2.11

Maria Schneider (27/3/1952-3/2/2011)


Entrou em filmes como Profissão: Reporter de Antonioni (1973), Merry Go-Round de Rivette (1977),  Voyage au jardin des morts de Philippe Garrel (1976) ou les Nuits fauves de Cyril Collard (1992), mas ficou para sempre ligada a um único papel.

2.2.11

Kazan


O 27º livro da colecção "As Folhas da Cinemateca" acaba de sair. É dedicado à obra de Elia Kazan. Os textos são assinados por Joana Ascensão, João Bénard da Costa, Luís Miguel Oliveira e Manuel Cintra Ferreira. Como é norma da colecção, para além de textos sobre cada um dos filmes do realizador, o livro inclui uma biografia e uma filmografia, fichas técnicas completas, sinopses e fotografias.