Na sinopse fornecida pelo site do Fantasporto, fala-se de Hitchcock e David Lynch a propósito deste filme holandês, vencedor do ‘Grande Prémio da 31ª edição do Festival Internacional de Cinema do Porto’ e também do ‘Prémio de Melhor Argumento’. Não imagino porquê.
‘Two Eyes Staring’ é um filme não incompetente mas banal, sobre uma miúda que “vê” um fantasma, supostamente uma irmã gémea da sua mãe, que esta assassinara em criança. O filme encaixa-se no subgénero ‘sobrenatural’, departamento ‘com crianças’, e poder-nos-á fazer lembrar, quanto muito, clássicos como 'The Innocents' de Jack Clayton (que vi à venda na 'banca' do Fantas), mas jamais atingindo o seu nível.
Falta quer ao argumento (incompreensível o prémio que arrebatou) quer à realização de Elbert van Strien (muito à base de abusar da banda sonora para ‘assustar’ o espectador) um mínimo de originalidade, parecendo-nos assistir a um condensado de vários filmes do género. Mesmo o aspecto mais interessante do argumento – a ambígua relação mãe-filha, em que a primeira chega a negar a existência da segunda numa entrevista de emprego – não é suficientemente explorado, sendo que a personagem da mãe (a muito boa Hadewych Minis) é estranhamente desleixada pelo realizador durante longos períodos.
Este ano não tive oportunidade de assistir a muitos mais filmes no Fantas, mas é difícil acreditar que não havia melhor obra para premiar…
Zwart Water, Holanda, 2010. Realização: Elbert van Strien. Com: Hadewych Minis, Barry Atsma, Isabelle Stokkel.







