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30.3.11
Farley Granger (01/07-1925-27/03/2011)
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harry madox
23.3.11
15.3.11
Os agentes do destino
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harry madox
Philip K.Dick morreu em Março de 1982, três meses antes de estrear 'Blade Runner', como é sabido adaptado ao grande ecrã por Riddley Scott a partir do seu romance 'Do Androids Dream of Electric Sheep?', e que abriu em grande estilo as portas de Hollywood para a sua obra.
'Total Recall' (Paul Verhoeven, 1990) e 'Minority Report' (Steven Spielberg, 2002) são outras boas adaptações da sua obra - e ter três obras bem tratadas por Hollywood é obra! 'Os agentes do destino' tem em comum com estes dois filmes ser baseado num conto de K.Dick (adapta livremente 'Adjustment Team'), mas infelizmente aqui não saímos do convencional.
George Nolfi (o argumentista de 'The Bourne Ultimatum' e de 'Ocean's Twelve', que se estreia aqui na realização) hesita entre o thriller (algures entre 'Bourne', 'Matrix' e 'Inception') e a história de amor ,e falha em ambos. Ao primeiro falta ritmo, ao segundo química entre Matt Damon e Emily Blunt. Eu gosto de Matt Damon, um improvável mas óptimo actor de filmes de acção, mas nunca se me encaixou como amante desesperado. E como eu sempre que penso em amantes desesperados penso em 'Two Lovers', pus-me logo a imaginar como seria este filme com Joaquin Phoenix no seu lugar... Quanto a Emily Blunt tem a vantagem de não ter uma beleza formatada, mas sinceramente não podia fazer muito mais com o que lhe deram. E que mulher será capaz de se apaixonar perdidamente por Matt Damon?
No final fica ainda assim a história de K.Dick, sobre a luta de Damon contra os tais 'agentes do destino', uma espécie de 'anjos', que vão dando uns empurrões de quando em vez para que as vidas dos homens não fujam ao programado por uma entidade superior, que não chegamos a conhecer, mas a quem os ditos anjos preferem tratar por Chairman em vez de Deus....
O talento de Philip K.Dick merecia um realizador mais arrojado.
O talento de Philip K.Dick merecia um realizador mais arrojado.
The Adjustment Bureau, E.U.A., 2011. Realização: George Nolfi. Com: Matt Damon, Emily Blunt, Anthony Mackie, Shohreh Aghdashloo, John Slattery, Michael Kelly.
14.3.11
Um Plano
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harry madox
Quando recebi o amável convite do Cine Resort para escolher um plano, pensei logo neste (de ‘O homem que matou Liberty Valance’, John Ford, 1962): John Wayne na soleira da porta, a olhar para Vera Miles e James Stewart; ela chora e acaricia este último, aliviada por ele ter sobrevivido ao confronto com Liberty Valance. E Wayne mentaliza-se aí, definitivamente, que perdeu para sempre a mulher que ama. (...)
11.3.11
Os 2 da (Nova) Vaga
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harry madox
A primeira hora de 'Os dois da Nova Vaga' relata os primeiros tempos destes dois críticos e cineastas, a sua amizade, a sua admiração mutua, a sua colaboração, os seus sucessos iniciais ('Os 400 golpes' e 'O acossado'), não trazendo nada de especialmente novo. Já a última meia hora me pareceu bastante mais interessante. Aí relata-se o inevitavel afastamento dos dois cineastas, a partir do Maio de 68 (que, como aqui se diz, foi antecipado em 3 meses pelos protestos da geração dos Cahiers contra o afastamento de Langlois da Cinématheque por André Malraux, o então ministro da cultura do general De Gaulle - Malraux, acrescente-se, que tinha defendido 'Os 400 golpes' como representante da França em Cannes, onde viria a ganhar a Palma de Ouro).
Há então como que uma ruptura no cinema francês. Godard opta pela via radical (o seu período 'revolucionário'), enquanto Truffaut se mantém fiel à arte 'pela beleza, pelas pessoas, pelo consolo'. Quando Godard lhe escreve manifestando a sua repulsa por 'A noite Americana', Truffaut responde-lhe furiosamente lembrando Matisse, que atravessou olimpicamente 3 guerras, enquanto pintava os seus peixes e as suas paisagens, jamais os seus quadros reflectindo os horrores à sua volta. Nunca mais os dois cineastas falariam um com o outro.
Não é por acaso, digo eu, que em a 'Noite Americana', Alphonse, interpretado por Jean-Pierre Léaud (apresentado neste filme como o símbolo da dicotomia Trufaut - o seu 'pai '/Godard - o cineasta que lhe deu os papeis onde podia escapar da personagem Doinel) advoga que os filmes 'são mais harmoniosos do que a vida': era essa a visão de Truffaut (e, abro parêntesis, a minha. Não por acaso sempre preferi Trufaut - principalmente o do 'ciclo Doinel' -ao hiper-cerebral e ideológico Godard).
Resumindo, o realizador Emmanuel Laurent e o argumentista Antoine de Baecque (autor de uma recente biografia de Godard) não trazem aqui propriamente nada de novo, mas dão-nos um bom resumo da matéria, bem documentado com arquivos da época, permitindo-nos conhecer um pouco melhor dois dos mais importantes críticos e cineastas da história do cinema. Um filme indispensável, portanto, para qualquer cinéfilo que se preze.
Deux de la Vague, França, 2010. Realização: Emmanuel Laurent. Documentário.
7.3.11
Two Eyes Staring
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harry madox
Na sinopse fornecida pelo site do Fantasporto, fala-se de Hitchcock e David Lynch a propósito deste filme holandês, vencedor do ‘Grande Prémio da 31ª edição do Festival Internacional de Cinema do Porto’ e também do ‘Prémio de Melhor Argumento’. Não imagino porquê.
‘Two Eyes Staring’ é um filme não incompetente mas banal, sobre uma miúda que “vê” um fantasma, supostamente uma irmã gémea da sua mãe, que esta assassinara em criança. O filme encaixa-se no subgénero ‘sobrenatural’, departamento ‘com crianças’, e poder-nos-á fazer lembrar, quanto muito, clássicos como 'The Innocents' de Jack Clayton (que vi à venda na 'banca' do Fantas), mas jamais atingindo o seu nível.
Falta quer ao argumento (incompreensível o prémio que arrebatou) quer à realização de Elbert van Strien (muito à base de abusar da banda sonora para ‘assustar’ o espectador) um mínimo de originalidade, parecendo-nos assistir a um condensado de vários filmes do género. Mesmo o aspecto mais interessante do argumento – a ambígua relação mãe-filha, em que a primeira chega a negar a existência da segunda numa entrevista de emprego – não é suficientemente explorado, sendo que a personagem da mãe (a muito boa Hadewych Minis) é estranhamente desleixada pelo realizador durante longos períodos.
Este ano não tive oportunidade de assistir a muitos mais filmes no Fantas, mas é difícil acreditar que não havia melhor obra para premiar…
Zwart Water, Holanda, 2010. Realização: Elbert van Strien. Com: Hadewych Minis, Barry Atsma, Isabelle Stokkel.
3.3.11
Rabbit Hole
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harry madox
Passaram 8 meses desde que Becca e Howie perderam o filho de 4 anos, atropelado, e ainda não conseguem lidar com o facto. Ele persiste em ver vídeos do filho no telemóvel, quer permanecer numa associação de apoio, quer tentar outro filho. Ela tem mais dificuldade em exteriorizar a dor e está como que bloqueada. Escusado será dizer que o casamento não vai bem.
John Cameron Michell, agora num registo ('formal', que não temático) totalmente antagónico de Shortbus, filma com sensibilidade e talento esta história, excelentemente adaptada por David Lindsay-Abaire da sua peça vencedora de um Pulitzer, e luminosamente fotografada por Frank G. Demarco. Mas o que verdadeiramente eleva o filme é a magnífica interpretação de Nicole Kidman, a mãe severamente magoada por uma perda irreparável e inexprimivel, mas que ainda assim vai mantendo o sentido de humor e a força, e nos transmite uma personalidade dorida mas cativante.
Kidman, à beira dos 44 anos, continua belíssima, e não obstante ter perdido o Óscar para a inevitável Natalie Portman, mostra uma vez mais porque é uma das grandes actrizes da sua geração. Eis um filme que valia a pena estrear por cá.
Rabbit Hole, E.U.A., 2010. Realização:John Cameron Mitchell. Com: Nicole Kidman, Aaron Eckhart, Dianne Wiest, Tammy Blanchard, Sandra Oh, Sandra Oh, Miles Teller.
2.3.11
Somewhere - Algures
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harry madox
Johnny é uma estrela de filmes de acção. Acabou as filmagens de mais um filme, tem um braço facturado, e na verdade não tem muito para fazer. Vai-se deixando estar pelo seu quarto no célebre hotel 'Chateau Marmont', onde se entretém a ver duas gémeas pole dancers, vai flirtando com mulheres que se atiram a ele, vai sonolentamente a um ou outro compromisso profissional, e ao fim de semana recebe a doce filha de 11 anos, a única altura em que ainda lhe vemos um raio de ternura, de vida.
A sequência inicial de ‘Somewhere’ (o Ferrari preto de Johnny às voltas) fez-me lembrar ‘Brown Bunny’. A partir daí tudo me fez lembrar…’Lost in Translation’. A personagem principal que é um actor, tão ou mais 'lost' que Bill Murray, e que por momentos também se encontra ‘lost in translation’, aqui em Itália (e a TV local é devidamente gozada numa cena quase idêntica à da TV em Tóquio), as roupitas cor de rosa das performers, a rimarem com as calcinhas cor de rosa de Scarlett Johansson, etc., etc.
Pode-se dizer que Sofia fez mais do mesmo, que este filme não acrescenta nada à sua obra, que é uma variação em tom menor do neste género insuperável ‘Lost in Translation’. É verdade. Mas quem diz que ela não arriscou, basta pensar no pastelão que este ano limpou os principais Óscares, e em quanto este filme minimal e lacónico está nos antípodas da ‘história bem contada’ oscarizavel ou das ‘sequelas-remakes-a 3D-com efeitos-digitais-de-última-tecnologia’ que 'vencem' nas bilheteiras.
Eu acho que enquanto vierem somewheres de Hollywood nem tudo está perdido.
Somewhere, E.U.A., 2011. Realização: Sofia Coppola. Com: Stephen Dorff, Elle Fanning, Chris Pontius, Michelle Monaghan, Lala Sloatman.
21.2.11
Tóquio!
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harry madox
M.Merde!
Parece que os filmes em segmentos voltaram a estar na moda, nomeadamente os que levam uma cidade por título e pretexto.
'Tóquio!' é sem dúvida um dos mais interessantes, desde logo por ter 3 segmentos muito equilibrados, não havendo qualquer elo fraco.
Começamos com o de Michel Gondry, baseado numa graphic novel de Gabrielle Bell, que começa em tons realistas (um jovem casal procura casa e emprego em Tóquio) e acaba em tons surreais. Muito interessante.
A seguir entra Leos Carax, que não deixa os seus créditos por mãos alheias e nos dá o episódio mais bizarro do trio: um lunático que fala uma linguagem esquisita, emerge dos esgotos para aterrorizar a população de Tóquio. O seu nome é, nem mais nem menos que Merde, e diz que obedece ao seu Deus, que o envia para os países que mais detesta. No final é-nos prometida uma sequela em Nova Iorque ("Merde in USA")...
Para o final fica o melhor segmento deste filme em crescendo. É realizado pelo coreano Joon-ho Bong (o realizador de 'The Host/A criatura') e o seu protagonista é um hikikomori, termo que se refere uma daquelas especificidades japonesas, neste caso a pessoas que se recusam a sair de casa e se isolam totalmente da sociedade. É todo um retrato do Japão que nos é dado através de um melancólico homem que se aventura a sair de casa pela primeira vez em 10 anos, depois de se ter apaixonado por uma entregadora de pizza que desmaia à porta de sua casa aquando de um terramoto...
No final, ficamos surpreendidos com dois aspectos raros neste tipo de filmes: a curiosa unidade formal dos três segmentos, e o papel efectivo que o 'elemento Japonês' tem em todos eles, não se limitando nenhum a tomar Tóquio como mera paisagem.
(publicado originalmente em 01.01.2010)
(publicado originalmente em 01.01.2010)
Tokyo!, França, Japão, Alemanha, Coreia do Sul, 2008. Realização: Michel Gondry ('Interior Design'), Leos Carax ('Merde'), Joon-ho-Bong ('Shaking Tokyo').
18.2.11
Despojos de Inverno
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harry madox
Um mergulho na América profunda tão cru e realista quanto é possível a um filme de Hollywood. E Jennifer Lawrence, não obstante ser improvavelmente bonita para uma redneck, saca um papelaço.
Winter's Bone, E.U.A., 2010. Realização: Debra Granik. Com: Jennifer Lawrence, Isaiah Stone, Ashlee Thompson, John Hawkes.











