De cima para baixo: Marie-France Pisier como Collete em 'Antoine e Collete' (1962), Beijos Roubados (1968) e 'Amor em fuga' (1979, o filme que fecha o 'ciclo Doinel' ), sempre acompanhada por Jean-Pierre Léaud.
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26.4.11
London Boulevard - Crime e Redenção
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Apeteceu-me ver este filme por causa dos actores: Colin Farrell (sempre o achei um grande actor), Keira Knightley (ver posta abaixo) e David Thewlis ('Naked').
Infelizmente a coisa não passa de um amontoado de lugares comuns, misturando sem originalidade uma trama de gangsters numa Londres de Guy Ritchie com um enredo, se possível ainda mais dejá vu, do fascinante género 'celebridade acossada pelos papparazzi', tendo Keira Knightley (que pouco aparece) e David Thewlis (que se safa com dignidade) pouco mais do que estereótipos para defender.
A Farrell é dada uma personagem com mais substância e ele mostra que é homem para aguentar um filme sózinho. Mas quando um realizador não está ao nível do seu director de casting não há nada a fazer.
London Boulevard, E.U.A./Grã-Bretanha, 2010. Realização: William Monahan. Com: Colin Farrell, Keira Knightley, Ray Winstone, David Thewlis, Anna Friel, Ben Chaplin, Eddie Marsan, Stephen Graham.
24.4.11
A Última noite
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Joanna suspeita que Michael tem um affair com uma nova colega (ou que pelo menos está interessado nela) e talvez por isso se mostre mais disponível quando Alex, um antigo 'caso', aparece em Nova Iorque, numa altura em que Michael está fora em trabalho (com Laura, a tal colega).
Joanna e Michael são jovens, bem-parecidos, vivem num elegante apartamento, e talvez só um certo tédio perturbe o seu casamento de 3 anos. Tivessem mais sentido de humor e fossem um pouco mais intelectuais e poderiam ter saído de um filme de Woody Allen.
‘A última noite’ aborda dois flirts de uma noite: de Joanna (Keira Knightley) com Alex (Guillaume Canet ) e de Michael (Sam Worthington) com Laura (Eva Mendes), em montagem alternada. O primeiro tem direito a mais tempo e ainda bem: Keira Knightley, não obstante um certo ar plebeu, pode ser incrivelmente bonita, Guillaume Canet dá o inevitável toque de charme francês e Griffin Dunne (lembram-se dele em ‘Nova Iorque fora de horas’?) apimenta um pouco a coisa. Não há aqui nada de novo, mas há elegância, classe, até amor. Já no outro episódio não há nada disto: Sam Worthington tem o carisma de um tijolo, Eva Mendes está estranhamente desenxabida e realmente não se passa nada de interessante. (dúvida: seria mesmo intenção da realizadora dar este ar desconsolado à coisa?)
No final fica um filme mediano, levemente bocejante até, mas de que retemos algumas belas imagens de Keira Knightley. Confesso que nunca me tinha parecido tão interessante como aqui.
Last Night, E.U.A./França, 2010. Realização: Massy Tadjedin. Com: Keira Knightley, Sam Worthington, Eva Mendes, Guillaume Canet, Griffin Dunne, Anson Mount, Stephanie Romanov.
11.4.11
6.4.11
Essential Killing
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Um barbudo (Vincent Gallo) é apanhado pelo exército americano num qualquer deserto (Afeganistão?), após ter assassinado 3 soldados, e é levado como prisioneiro de guerra para um país da Europa de leste (daqueles que fecham os olhos aos direitos humanos). Devido a um acaso consegue fugir e o filme é isso: a fuga de um homem por uma paisagem cheia de neve, impiedosa, inóspita, quase desabitada (Gallo encontra mais cães e outros animais que seres humanos). Além do frio e do exército que o persegue, o fugitivo, permanentemente acossado, tem que lutar contra a fome e contra quem se lhe atravessa, não hesitando em ir deixando um rasto de sangue pelo caminho.
Não obstante a premissa politica, ‘Essential Killing’ é muito mais um filme de ‘ambiente’, até de suspense, do que de argumento. E muito menos de ‘diálogos’: Gallo não tem uma única fala durante todo o filme, o que não impediu que trouxesse o prémio para o melhor actor do Festival de Veneza do ano passado. E Skolimowski trouxe o prémio especial do júri (presidido por Tarantino) para este filme minimal, mas impressivo e visualmente marcante.
A imagem de Gallo avançando penosamente por uma natureza gelada e hostil fica como uma das mais fortes do ano. Assim o filme estreie por cá.
A imagem de Gallo avançando penosamente por uma natureza gelada e hostil fica como uma das mais fortes do ano. Assim o filme estreie por cá.
Essential Killing, Polónia, Noruega, Irlanda, Hungria, 2010. Realização: Jerzy Skolimowski. Com: Vincent Gallo, Emmanuelle Seigner, Klaudia Kaca.
30.3.11
Farley Granger (01/07-1925-27/03/2011)
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23.3.11
15.3.11
Os agentes do destino
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Philip K.Dick morreu em Março de 1982, três meses antes de estrear 'Blade Runner', como é sabido adaptado ao grande ecrã por Riddley Scott a partir do seu romance 'Do Androids Dream of Electric Sheep?', e que abriu em grande estilo as portas de Hollywood para a sua obra.
'Total Recall' (Paul Verhoeven, 1990) e 'Minority Report' (Steven Spielberg, 2002) são outras boas adaptações da sua obra - e ter três obras bem tratadas por Hollywood é obra! 'Os agentes do destino' tem em comum com estes dois filmes ser baseado num conto de K.Dick (adapta livremente 'Adjustment Team'), mas infelizmente aqui não saímos do convencional.
George Nolfi (o argumentista de 'The Bourne Ultimatum' e de 'Ocean's Twelve', que se estreia aqui na realização) hesita entre o thriller (algures entre 'Bourne', 'Matrix' e 'Inception') e a história de amor ,e falha em ambos. Ao primeiro falta ritmo, ao segundo química entre Matt Damon e Emily Blunt. Eu gosto de Matt Damon, um improvável mas óptimo actor de filmes de acção, mas nunca se me encaixou como amante desesperado. E como eu sempre que penso em amantes desesperados penso em 'Two Lovers', pus-me logo a imaginar como seria este filme com Joaquin Phoenix no seu lugar... Quanto a Emily Blunt tem a vantagem de não ter uma beleza formatada, mas sinceramente não podia fazer muito mais com o que lhe deram. E que mulher será capaz de se apaixonar perdidamente por Matt Damon?
No final fica ainda assim a história de K.Dick, sobre a luta de Damon contra os tais 'agentes do destino', uma espécie de 'anjos', que vão dando uns empurrões de quando em vez para que as vidas dos homens não fujam ao programado por uma entidade superior, que não chegamos a conhecer, mas a quem os ditos anjos preferem tratar por Chairman em vez de Deus....
O talento de Philip K.Dick merecia um realizador mais arrojado.
O talento de Philip K.Dick merecia um realizador mais arrojado.
The Adjustment Bureau, E.U.A., 2011. Realização: George Nolfi. Com: Matt Damon, Emily Blunt, Anthony Mackie, Shohreh Aghdashloo, John Slattery, Michael Kelly.
14.3.11
Um Plano
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Quando recebi o amável convite do Cine Resort para escolher um plano, pensei logo neste (de ‘O homem que matou Liberty Valance’, John Ford, 1962): John Wayne na soleira da porta, a olhar para Vera Miles e James Stewart; ela chora e acaricia este último, aliviada por ele ter sobrevivido ao confronto com Liberty Valance. E Wayne mentaliza-se aí, definitivamente, que perdeu para sempre a mulher que ama. (...)
11.3.11
Os 2 da (Nova) Vaga
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A primeira hora de 'Os dois da Nova Vaga' relata os primeiros tempos destes dois críticos e cineastas, a sua amizade, a sua admiração mutua, a sua colaboração, os seus sucessos iniciais ('Os 400 golpes' e 'O acossado'), não trazendo nada de especialmente novo. Já a última meia hora me pareceu bastante mais interessante. Aí relata-se o inevitavel afastamento dos dois cineastas, a partir do Maio de 68 (que, como aqui se diz, foi antecipado em 3 meses pelos protestos da geração dos Cahiers contra o afastamento de Langlois da Cinématheque por André Malraux, o então ministro da cultura do general De Gaulle - Malraux, acrescente-se, que tinha defendido 'Os 400 golpes' como representante da França em Cannes, onde viria a ganhar a Palma de Ouro).
Há então como que uma ruptura no cinema francês. Godard opta pela via radical (o seu período 'revolucionário'), enquanto Truffaut se mantém fiel à arte 'pela beleza, pelas pessoas, pelo consolo'. Quando Godard lhe escreve manifestando a sua repulsa por 'A noite Americana', Truffaut responde-lhe furiosamente lembrando Matisse, que atravessou olimpicamente 3 guerras, enquanto pintava os seus peixes e as suas paisagens, jamais os seus quadros reflectindo os horrores à sua volta. Nunca mais os dois cineastas falariam um com o outro.
Não é por acaso, digo eu, que em a 'Noite Americana', Alphonse, interpretado por Jean-Pierre Léaud (apresentado neste filme como o símbolo da dicotomia Trufaut - o seu 'pai '/Godard - o cineasta que lhe deu os papeis onde podia escapar da personagem Doinel) advoga que os filmes 'são mais harmoniosos do que a vida': era essa a visão de Truffaut (e, abro parêntesis, a minha. Não por acaso sempre preferi Trufaut - principalmente o do 'ciclo Doinel' -ao hiper-cerebral e ideológico Godard).
Resumindo, o realizador Emmanuel Laurent e o argumentista Antoine de Baecque (autor de uma recente biografia de Godard) não trazem aqui propriamente nada de novo, mas dão-nos um bom resumo da matéria, bem documentado com arquivos da época, permitindo-nos conhecer um pouco melhor dois dos mais importantes críticos e cineastas da história do cinema. Um filme indispensável, portanto, para qualquer cinéfilo que se preze.
Deux de la Vague, França, 2010. Realização: Emmanuel Laurent. Documentário.


















