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24.5.11

Alucinação


'Kaboom' é uma espécie de mistura entre 'Shortbus' (há bastante sexo, homo e heterossexual), 'Donnie Darko' (profecias de fim de mundo, visões) e 'Scream' (adolescentes, mascarados), embrulhada num argumento inverosímil sobre seitas e o holocausto nuclear, com piscadelas de olho várias (há uma Lorelei, mas também umas misteriosas gémeas Rebecca e Madeleine...Novak),  e em que a fronteira entre sonho e realidade está sempre esbatida (o tradutor português resolveu mesmo chamar ao filme 'Alucinação'!) .

'Kaboom' ora é terno, ora é angustiante, ora é intrigante, ora é desconexo, mas Gregg Araki (realizador do muito bom Mysterious Skin) nunca o deixa descambar e mantém sempre um reconfortante ar de 'ovni indie', para o que também contribuem a bela banda sonora (que inclui o habitual colaborador Robin 'Cocteau Twins' Guthrie) e a simpática duração de 86 minutos.

Kaboom, França, 2010. Realização: Gregg Araki. Com: Thomas Dekker, Haley Bennett, Chris Zylka, Roxane Mesquida, Juno Temple, Andy Fischer-Price, Kelly Lynch

22.5.11

Cannes 2011



Malick ganhou, mas os filmes que eu mais quero ver são estes.

20.5.11

Romance arriscado



É possível gostar (muito) de um filme meramente por razões pessoais? É. E mais não digo, que este não é um blog diarístico.

[1,99€ com o Público de hoje]

18.5.11

Provocador? Não, apenas imbecil...


Além de ser autor de algumas das maiores bostas da história do cinema - de 'Dancer in The Dark' a 'Anticristo' - o homem é ainda um verdadeiro imbecil.

16.5.11

Pina


"Teria abandonado tudo o que estivesse a fazer para fazer este filme. Era algo que eu queria mais do que qualquer outro projecto desde meados dos anos 80. Mas não sabia como. Havia algo de tão mágico no trabalho de Pina que eu sabia que as câmaras não seriam capazes de o capturar. Havia algo que acontecia em cada representação... algo que sentíamos no nosso próprio corpo e que dificilmente se podia traduzir em filme. Eu não podia dizer que iria filmá-la melhor do que qualquer normalíssimo registo filmado de uma peça. Não era suficiente".

Wim Wenders assume nesta entrevista ao ipsilon que queria fazer mais do que um"registo filmado" das peças de Pina Bausch, mas não sabia como. Até que achou que a solução estava nas novas tecnologias 3D e foi para a fente, apesar de Pina ter falecido em 2009.

Filmou então (quer em palco, quer em ruas ou jardins) 4 peças escolhidas pela coreógrafa, "Café Müller" (1978), "Vollmond" (2006), "Kontakthof" (1978) e "Le Sacre du Printemps" (1975) e acrescentou pouco mais: "aguns dos bailarinos dizem coisas e partilham algumas memórias, mas", segundo Wenders, "podemos ver o filme sem elas": "Não trazem explicação, apenas textura".

Conseguiu Wenders mais do que o tal "registo filmado" das peças? Eu acho que nem por isso. Mas acho que vale a pena ver o filme na mesma. Na impossibilidade de assistir ao vivo a uma peça do Tanztheater, isto é o mais perto possível que podemos estar dessa experiência, e há momentos de grande intensidade - e, acrescente-se, é um dos raros filmes em que o 3D é efectivamente uma mais valia. Não me parece que seja um grande filme (compare-se com o filme de Wiseman sobre o Ballet de l'Ópera de Paris e veja-se como se pode ir mais longe), mas é uma maneira honesta e delicada para descobrir ou rever o trabalho de Pina Bausch.

Pina, Alemanha/França/Grã-Bretanha, 2011. Realização: Wim Wenders. Documentário.

9.5.11

A Cidade dos mortos


A ‘Cidade dos mortos’ é o conjunto de cemitérios do Cairo, que ocupam qualquer coisa como um quarto desta gigantesca metrópole. Mas o que verdadeiramente os distingue é que são também cidades dos vivos: aí vivem milhares e milhares de pessoas. Quer nos próprios túmulos (os túmulos muçulmanos têm geralmente uma sala para os familiares irem orar, e as pessoas foram-nas ocupando ou alugando para viver…), quer no que se foi construindo à volta deles. E as pessoas fazem lá a sua vida: convivendo com os funerais há mercados, há casamentos (um deles ocupa exclusivamente a curta 'Waiting for Paradise' que se segue ao filme), há rapazes a enviar piropos às raparigas, há crianças a jogar futebol, etc., etc., etc.

O maior mérito de Sérgio Trefaut está precisamente na ideia que originou o filme: dar-nos a conhecer este mundo insólito e certamente desconhecido para a maioria dos espectadores ocidentais. Quanto à sua concretização a mim pareceu-me sempre que lhe faltava qualquer coisa. Trefaut é um bom realizador e não nos dá uma reportagem televisiva, mas também não consegue escapar completamente ao estereótipo deste tipo de documentários, mesmo tendo o engenho de entregar a voz off a um coveiro local em vez de ter o habitual narrador ‘neutro’. Faltou-lhe um pouco de imaginação na montagem, talvez.

Seja como for, vale a pena ver, nem que seja para verificarmos, uma vez mais - mas sempre com algum espanto - que o ser humano se adapta rigorosamente a tudo.

(PS.: No genérico final, aquando da indicação dos financiamentos, listados por países, surge depois de Portugal (RTP, etc) e da Espanha (Junta da Andaluzia, salvo erro)… a Finlândia, o que provou uma gargalhada bem disposta de parte da sala!)

A Cidade dos mortos+Waiting for Paradise, Portugal/Espanha/Egipto, 2009. Realização: Sérgio Trefaut. Documentário.

4.5.11

Bola preta para a CdM



Estava curioso em saber como seria a "projecção de dois filmes [Wild Blue Yonder" e "The White Diamond"], acompanhados ao vivo por um ensemble que une sonoridades do mundo". Filmes mudos com banda sonora ao vivo é normal (embora geralmente estas sejam totalmente desadequadas, mas isso é outra história), agora filmes sonoros...

Mas dado que se tratava de dois filmes de Herzog, ainda por cima (pelo que pude averiguar) de dois dos seus filmes 'insólitos', achei que a coisa não seria impossível. Longas sequências de 'Fata Morgana' , por exemplo, são acompanhadas por canções (de Leonard Cohen, entre outros) completas ou quase, e totalmente descontextualizadas.

Mas o que se passou na Casa da Música foi isto: um (muito bom) concerto de Ernst Reijseger, Mola Sylla e o grupo vocal da Sardenha Cuncordu e Tenore de Orosei acompanhado por meia dúzia de sequências (se tanto), aqui e ali,  dos ditos filmes. Ou seja, rigorosamente nada do que estava anunciado. Quem foi pelos filmes, foi completamente em vão. Acho incrível a Casa da Música promover de forma tão desplicente e enganadora um espectáculo.

29.4.11

Requiem For a Dying Planet


Evolução de um projecto que reuniu o violoncelista holandês Ernst Reijseger e o cineasta alemão Werner Herzog, Requiem for a Dying Planet compreende a projecção de dois filmes acompanhados ao vivo por um ensemble que une sonoridades do mundo: Reijseger, a senegalesa Mola Sylla (voz, percussões, calimba e xalam) e o grupo vocal da Sardenha Cuncordu e Tenore de Orosei. Quando, em 2004, Werner Herzog procurava alguém que criasse uma banda sonora muito pessoal para dois filmes, "The Wild Blue Yonder" e "The White Diamond", foi-lhe indicado Reijseger. Começava uma parceria que respondeu ao desejo de Herzog: "Usar a imagem e o som de uma forma nunca antes experimentada".

A união inusitada de sons do Norte e do Sul, do jazz de vanguarda e de raízes musicais profundas e ancestrais, dilui-se num cinema que exige singularidade: "The Wild Blue Yonder" é uma obra de ficção científica sobre um planeta excepcional e "The White Diamond" um documentário sobre o engenheiro aeronáutico Graham Dorrington no Guiana.


28.4.11

Caminhar no gelo


"No final de Novembro de 1974, um amigo ligou-me de Paris a dizer-me que Lotte Eisner estava gravemente doente e que provavelmente morreria. Eu disse que não podia ser, não agora, o cinema alemão ainda não a podia dispensar, não podíamos permitir que ela morresse. Peguei num casaco, numa bússola e num saco de desporto contendo o estritamente necessário. As minhas botas eram novas e robustas, confiava nelas. Segui pelo caminho mais directo até Paris, com a firme convicção de que ela viveria se eu fosse ter com ela a pé."

(a chegar às livrarias, descoberto via)

26.4.11

Marie France Pisier (1944-2011)


De cima para baixo: Marie-France Pisier como Collete em 'Antoine e Collete' (1962), Beijos Roubados (1968) e 'Amor em fuga' (1979, o filme que fecha o 'ciclo Doinel' ), sempre acompanhada por Jean-Pierre Léaud.