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13.6.11

Pauline Kael


Pauline Kael - Reviews A-Z: AQUI.

7.6.11

A árvore da vida


O início de 'A árvore da vida' pareceu-me um '2001' de 2ª categoria. Depois, bom, depois pareceu-me que o filme não tinha personagens de carne e osso. E nem é só Sean Penn , que de facto não existe, são todas as outras, pouco mais que lugares comuns: o pai autoritário que persegue e falha o sonho americano (Brad Pitt sempre com ar de pacóvio), o filho revoltado (e o miúdo é fantástico), a mãe aluada (a muito bela Jessica Chastain). E não é a insistência em pôr banalidades a serem - sempre - sussurradas, com música clássica em fundo, e sobre grandes planos, que dá profundidade à coisa.

'A árvore da vida' pareceu-me alternadamente fastidioso, pedante e irritante. E a parte final, estilo New Age, a que só faltam as pan pipes, pareceu-me mesmo pavorosa (Aronofsky foi crucificado por menos aquando de 'The Fountain', mas Malick tem outro estatuto perante a generalidade da crítica). Definitivamente, este cinema não é para mim.

The Tree of Life, E.U.A., 2011. Realização: Terence Malick. Com: Brad Pitt, Jessica Chastain, Sean Penn, Dalip Singh, Joanna Going, Tye Sheridan.

2.6.11

Os filmes de Cannes


A árvore da vida já está aí, mas há mais:

Gamin au Vélo, dos irmãos Dardenne e Once Upon a Time in Anatolia, de Nuri Bilge Ceylan (Grande Prémio do Juri ex-aequo), Melancholia, de Lars Von Trier ( prémio de Melhor Actriz para Kirsten Dunst), Elena, de Andrei Zvyagintsev (Prémio Especial do Júri Un Certain Regard ), L’Apollonide: souvenirs de la maison close, de Bertrand Bonello e Pater, realizado por Alain Cavalier  têm estreia assegurada através da Clap Filmes.

Habemus Papam de Nanni Moretti, Poliss, de Maïwenn (Prémio do Júri) e Le Havre, de Aki Kaurismäki, (Prémio Fipresci – Prémio da Crítica Internacional) estrearão através da Midas Filmes.

Faço figas para que estreiem também Drive de Nicolas Winding Refn (Prémio de melhor realização) e, claro, o último Woody.

31.5.11

81

24.5.11

Alucinação


'Kaboom' é uma espécie de mistura entre 'Shortbus' (há bastante sexo, homo e heterossexual), 'Donnie Darko' (profecias de fim de mundo, visões) e 'Scream' (adolescentes, mascarados), embrulhada num argumento inverosímil sobre seitas e o holocausto nuclear, com piscadelas de olho várias (há uma Lorelei, mas também umas misteriosas gémeas Rebecca e Madeleine...Novak),  e em que a fronteira entre sonho e realidade está sempre esbatida (o tradutor português resolveu mesmo chamar ao filme 'Alucinação'!) .

'Kaboom' ora é terno, ora é angustiante, ora é intrigante, ora é desconexo, mas Gregg Araki (realizador do muito bom Mysterious Skin) nunca o deixa descambar e mantém sempre um reconfortante ar de 'ovni indie', para o que também contribuem a bela banda sonora (que inclui o habitual colaborador Robin 'Cocteau Twins' Guthrie) e a simpática duração de 86 minutos.

Kaboom, França, 2010. Realização: Gregg Araki. Com: Thomas Dekker, Haley Bennett, Chris Zylka, Roxane Mesquida, Juno Temple, Andy Fischer-Price, Kelly Lynch

22.5.11

Cannes 2011



Malick ganhou, mas os filmes que eu mais quero ver são estes.

20.5.11

Romance arriscado



É possível gostar (muito) de um filme meramente por razões pessoais? É. E mais não digo, que este não é um blog diarístico.

[1,99€ com o Público de hoje]

18.5.11

Provocador? Não, apenas imbecil...


Além de ser autor de algumas das maiores bostas da história do cinema - de 'Dancer in The Dark' a 'Anticristo' - o homem é ainda um verdadeiro imbecil.

16.5.11

Pina


"Teria abandonado tudo o que estivesse a fazer para fazer este filme. Era algo que eu queria mais do que qualquer outro projecto desde meados dos anos 80. Mas não sabia como. Havia algo de tão mágico no trabalho de Pina que eu sabia que as câmaras não seriam capazes de o capturar. Havia algo que acontecia em cada representação... algo que sentíamos no nosso próprio corpo e que dificilmente se podia traduzir em filme. Eu não podia dizer que iria filmá-la melhor do que qualquer normalíssimo registo filmado de uma peça. Não era suficiente".

Wim Wenders assume nesta entrevista ao ipsilon que queria fazer mais do que um"registo filmado" das peças de Pina Bausch, mas não sabia como. Até que achou que a solução estava nas novas tecnologias 3D e foi para a fente, apesar de Pina ter falecido em 2009.

Filmou então (quer em palco, quer em ruas ou jardins) 4 peças escolhidas pela coreógrafa, "Café Müller" (1978), "Vollmond" (2006), "Kontakthof" (1978) e "Le Sacre du Printemps" (1975) e acrescentou pouco mais: "aguns dos bailarinos dizem coisas e partilham algumas memórias, mas", segundo Wenders, "podemos ver o filme sem elas": "Não trazem explicação, apenas textura".

Conseguiu Wenders mais do que o tal "registo filmado" das peças? Eu acho que nem por isso. Mas acho que vale a pena ver o filme na mesma. Na impossibilidade de assistir ao vivo a uma peça do Tanztheater, isto é o mais perto possível que podemos estar dessa experiência, e há momentos de grande intensidade - e, acrescente-se, é um dos raros filmes em que o 3D é efectivamente uma mais valia. Não me parece que seja um grande filme (compare-se com o filme de Wiseman sobre o Ballet de l'Ópera de Paris e veja-se como se pode ir mais longe), mas é uma maneira honesta e delicada para descobrir ou rever o trabalho de Pina Bausch.

Pina, Alemanha/França/Grã-Bretanha, 2011. Realização: Wim Wenders. Documentário.

9.5.11

A Cidade dos mortos


A ‘Cidade dos mortos’ é o conjunto de cemitérios do Cairo, que ocupam qualquer coisa como um quarto desta gigantesca metrópole. Mas o que verdadeiramente os distingue é que são também cidades dos vivos: aí vivem milhares e milhares de pessoas. Quer nos próprios túmulos (os túmulos muçulmanos têm geralmente uma sala para os familiares irem orar, e as pessoas foram-nas ocupando ou alugando para viver…), quer no que se foi construindo à volta deles. E as pessoas fazem lá a sua vida: convivendo com os funerais há mercados, há casamentos (um deles ocupa exclusivamente a curta 'Waiting for Paradise' que se segue ao filme), há rapazes a enviar piropos às raparigas, há crianças a jogar futebol, etc., etc., etc.

O maior mérito de Sérgio Trefaut está precisamente na ideia que originou o filme: dar-nos a conhecer este mundo insólito e certamente desconhecido para a maioria dos espectadores ocidentais. Quanto à sua concretização a mim pareceu-me sempre que lhe faltava qualquer coisa. Trefaut é um bom realizador e não nos dá uma reportagem televisiva, mas também não consegue escapar completamente ao estereótipo deste tipo de documentários, mesmo tendo o engenho de entregar a voz off a um coveiro local em vez de ter o habitual narrador ‘neutro’. Faltou-lhe um pouco de imaginação na montagem, talvez.

Seja como for, vale a pena ver, nem que seja para verificarmos, uma vez mais - mas sempre com algum espanto - que o ser humano se adapta rigorosamente a tudo.

(PS.: No genérico final, aquando da indicação dos financiamentos, listados por países, surge depois de Portugal (RTP, etc) e da Espanha (Junta da Andaluzia, salvo erro)… a Finlândia, o que provou uma gargalhada bem disposta de parte da sala!)

A Cidade dos mortos+Waiting for Paradise, Portugal/Espanha/Egipto, 2009. Realização: Sérgio Trefaut. Documentário.