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14.7.11

Mas alguém dá uma tampa ao Polanski?

Nunca se sentiu deprimida?


Li que frequentou o Festival de Cannes durante 17 anos.

Conheci imensa gente, tu é que provavelmente não sabes quem são, a Romy Schneider, o Omar Sharif... Dizia-lhes "hello, I''m your fan". Um dia encontrei o Polanski no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. Eu tinha acabado de ver o "Rosemarys Baby", e ainda por cima era muito parecida com a mulher dele, que era a Sharon Tate, que depois foi assassinada. Ele estava sentado nas minhas costas, tinha eu 23 ou 24 anos. Virei-me e disse-lhe olá. Ele, ao ver uma loira toda gira e muito lolita, que sabia os filmes todos dele, ficou passado e convidou-me para dançar. Mas o meu marido não deixou: "Não vais dançar com esse pervertido." Mas alguém dá uma tampa ao Polanski? Eu dei, mas quando cheguei à casa de banho ele estava à minha espera e pregou-me um beijo na boca. "At least I kissed you."

12.7.11

2011 - 1º semestre - II (depois do muito bom, o muito mau)

11.7.11

2011 - 1º Semestre

6.7.11

100 filmes para acabar de ver filmes (97)


“Have you no shame?” - foi a frase proferida pelo advogado Joseph Welch a Joseph McCarthy que acabou com a carreira deste senador americano , um dos responsáveis máximos pela caça às bruxas do pós guerra. Joseph Welch era também actor e interpretou o juiz bonacheirão deste “filme de tribunal”. Este género de filmes assenta em três premissas singulares do sistema judicial americano: a influência dos advogados de defesa e acusação sobre um grupo de jurados representantes do “povo”, a dinâmica de grupo e a pressão dos pares que obriga a que estes jurados produzam uma opinião consensual e o precedente judicial estabelecido por uma decisão de um juiz que estabelece uma nova lei com uma decisão arbitrária. Esse contexto permite a este tipo de filmes transformarem-se em westerns em que a palavra substitui a pistola e em que o desfecho depende quase exclusivamente da habilidade dos intervenientes em esgrimirem os seus argumentos e transformam o veredicto final quase numa lotaria. O caso recente do julgamento de O. J. Simpson salta à memória.

O filme centra-se no duelo entre os advogados – James Setwart e George C. Scott e mostra quase exclusivamente as cenas de tribunal, nunca são mostradas quaisquer cenas em flashback que possam ajudar o espectador a tirar as suas conclusões. É um dos melhores filmes do género. Na variante deste género dedicada à influência que um homem de personalidade forte pode ter na decisão de um grupo de jurados recomendo o 12 Angry Man (Doze homens em fúria) de Sidney Lumet. Destaques ainda para o cartaz intemporal de promoção deste filme e para a banda sonora de Duke Ellington.

Anatomy of a murder E.U.A., 1959. Realização: Otto Preminger. Com: James Stewart, Lee Remick, Ben Gazzara, George C. Scott, Joseph Welch

29.6.11

100 filmes para acabar de ver filmes (98)


Mais um filme com a palavra “About” no título. "Eva" tem a particularidade de ter tido duas nomeações para o Oscar de melhor actriz principal e duas para o de melhor actriz secundária, num total de 14 nomeações que foram apenas igualadas por "Titanic" em 1997. Mistura uma pitada de novela mexicana de upper class - mas com diálogos afiados e muito bem escritos - com mais uma variação do tema da criatura que supera o seu criador – aliás a cara de acidente e fuga de Bette Davis remete imediatamente para Frankenstein, embora seja mais arrepiante - quem nunca a viu em "What Ever Happened to Baby Jane" que atire a primeira pedra.
Para a história fica um pequeno papel secundário de uma loira de inteligência limitada que tenta usar os seus encantos naturais para conseguir um lugar ao sol no mundo do Teatro. Chamava-se Marylin Monroe.

All About Eve, E.U.A., 1950. Realização: Joseph L. Mankiewicz. Com: Bette Davis, Anne Baxter, George Sanders .

24.6.11

O Castor


Um homem, dono de uma companhia de brinquedos, casado e pai de dois filhos, está com uma depressão profunda, e resolve começar a comunicar exclusivamente através de um castor de peluche, que não larga.

Assim à partida é de temer o pior de um argumento destes, mas a coisa é levada a bom porto por dois motivos. O primeiro é o savoir faire da realizadora Jodie Foster, que encena com sobriedade esta história e ainda resolve bem os subplots, mais ou menos desenvolvidos (o filho pequeno com dificuldades de relacionamento; o mais velho que é um pequeno génio à deriva e se envolve com a rapariga mais gira - mas também mais complicada - do liceu). O segundo motivo chama-se Mel Gibson, que tem aqui um verdadeiro papelaço e dá credibilidade e dignidade a uma personagem quase impossível (uma pessoa arrepia-se só de pensar no que um Tom Hanks, digamos, faria com um papel destes).

Temos assim um actor em estado de graça, um tema dificílimo (a depressão) tratado da maneira menos óbvia mas com uma sensibilidade à prova de qualquer ridículo, e uma actriz que se torna uma senhora realizadora. Em suma, um filme que tem tudo para se tornar um pequeno clássico. 

The Beaver, E.U.A., 2011. Realização: Jodie Foster. Com: Mel Gibson, Jodie Foster, Anton Yelchin, Jennifer Lawrence, Cherry Jones.

22.6.11

Matar para viver


Num ano cinematográfico muito fraquinho até à data, estreia amanhã um dos raros filmes que vale a pena ver.

20.6.11

Pedro Hestnes (1962 - 2011)


14.6.11

100 filmes para acabar de ver filmes (99)

Largar o vício do cinema mas sem ressaca, com a ajuda do especialista do Duelo ao Sol que patrocina amavelmente esta reabilitação, e que corre o risco mais do que certo de uma quebra do rigor e da qualidade habitual deste blog, é o que esta série de críticas a 100 filmes se propõe. 100 filmes que não são os filmes da vida, principalmente porque ainda não os vi, mas como o livro "Como falar dos filmes que não viu" ainda não foi escrito, vou ter que os espreitar antes de voltar a ser a pessoa normal que aplaudiu de pé no cine-teatro da Régua a cena do Rocky IV, em que Sylvester Stallone enfia duas galhetas no Russo. Começo com um filme que passou no crivo apertado do critério: "Vai-se lá saber porquê que seleccionei isto":

"Era uma Vez um Rapaz", é um romance de sucesso de Nick Hornby (o mesmo que escreveu Alta Fidelidade, Uma outra educação, 31 Canções - que comprei numa feira do livro por 2 euros e que descreve canções que o marcaram, mas que nunca li porque para ficarem com uma ideia, tem lá músicas como "Samba Pa Ti" do Santana, "Mamma you been On My Mind" do Rod Stewart ou "I'm Like a Bird" da Nelly Furtado, está certo que também tem lá músicas do Bob Dylan ou do Rufus Wainwright e é por isso que ainda o guardo na estante para impressionar alguma neo hippie jeitosa que um dia destes aterre aqui em casa. Também escreveu um outro livro sobre os jogos do Arsenal a que assistia com o pai - este deve ser bom.

O filme é com Hugh Grant a fazer mais uma vez o papel de Hugh Grant: olhos tristes, egocêntricoo, imaturo e desligado, que se cruza com um miúdo, filho desajustado de uma neo hippie jeitosa (Tony Collette - aí está a razão pela qual convém ter o 31 Canções na estante). O miúdo vítima de bullying e da mãe carinhosa mas destrambelhada encontra no personagem de Hugh Grant uma figura paternal desajeitada mas com um bom coração lá no fundo (bem lá no fundo). O personagem de Hugh Grant encontra no miúdo um meio para se fazer passar por pai solteiro e conhecer mães solteiras que ainda joguem com o baralho completo (para desgosto do miúdo). No final, o personagem de Hugh Grant é libertado de uma vida vazia, de ócio, prazer e sexo furtuito para se entregar a uma vida de compromisso, partilha e consciência social. Este twist final desloca o filme da prateleira das comédias competentes com happy endings e coloca-o ao nível do Shining.

About A Boy, U.K., 2002. Realização: Chris Weitz, Paul Weitz. Com: Hugh Grant, Nicholas Hoult, Toni Collette.

100 filmes para acabar de ver filmes


É a nova rubrica de Allen Douglas, que assim regressa ao Duelo depois de uma ausência de uns anitos. Começa já hoje.