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21.7.11

Confissões de uma Namorada de Serviço


Desde a sua estreia com o marcante 'Sex, Lies and Videotape' que Soderbergh tem deambulado entre o mainstream com grande vedetas, e os filmes experimentais de pequeno orçamento. E em ambos os casos tem sido capaz do melhor e do pior.

'The Girlfriend Experience' (de 2009 mas que só agora por cá estreia), insere-se nos tais filmes de pequeno orçamento e, se não tem uma grande estrela de Hollywood, tem uma (ex-) estrela...porno: Sasha Grey (uma actriz sofrível, sempre com aquele ar narcotizado que as porn stars têm, mas ainda assim não desinteressante; já os restantes actores são todos péssimos).

O filme vai acompanhando uma escort girl, e os relatos distantes e profissionais dos seus encontros (e muitas vezes os clientes só querem conversar) são o mais interessante que o filme tem para dar. O resto, a relação com o seu namorado (que tem um emprego 'normal' num ginásio), os 'desafios' do seu negócio (a net, os árabes, as concorrentes, etc, etc) é assim para o bocejante (mas percebe-se que uma das intenções do filme será mostrar esta mulher como uma 'vulgar' mulher de negócios).

Para dar um toque mais 'filme experimental' há ainda umas cenas paralelas, relacionadas com o tal namorado, que contextualizam o filme nos tempos da campanha de Obama e do crash financeiro, montadas mais ou menos aleatóriamente, e que me fizeram lembrar o pior Soderbergh (o do muito pretencioso e  intelectual-chic 'Full Frontal'). Tudo somado, fica uma fita francamente esquecível.

The Girlfriend Experience, E.U.A., 2009. Realização: Steven Soderbergh. Com: Sasha Grey, Chris Santos, Philip Eytan, T. Colby Trane, Peter Zizzo.

16.7.11

A Minha Versão do Amor


A escritora Esi Edugyan justifica a inclusão de 'Barney's Version' no seu Top 10 de 'melhores histórias de americanos na Europa' por, apesar de a maior parte do livro se passar em Montreal, as 'passagens mais engraçadas decorrerem em Paris', onde o jovem Barney leva uma vida de boémia com os seus amigos artistas.

No filme não se passa nada disto: esta primeira parte 'europeia' (que se passa em Roma) é apenas um leve divertimento. Só quando Barney já está bem instalado na vida, como produtor de TV no seu Canadá natal, e especificamente quando se apaixona pela que será a sua 3ª mulher (o que acontece durante a cerimónia do seu 2º casamento!) é que o filme ganha alguma profundidade. Só aí sentimos a espessura desta personagem, que não consegue largar o álcool nem quando tem um casamento feliz, uma mulher que ama, e uma vida boa. Só aí entrevemos o homem com sentido de humor, excessivo, impulsivo, mas auto-destrutivo, que irá abaixo quando a mulher o deixa e a doença (Alzheimer) o ataca, conseguindo aqui, ser mesmo comovente.

Mas nem esta progressão à medida que o filme avança, nem um casting perfeito (com natural destaque para Giamatti, cujo processo de envelhecimento é perfeito, mas também para a luminosa Rosamund Pike e para o delicioso secundário Dustin Hoffman), nos consegue livrar da sensação de estarmos apenas a assistir a uma 'adaptação de qualidade'. Falta ao filme alma, ou se quisermos ser mais prosaicos, um Alexander Payne atrás das câmaras.

Barney`s Version, Canadá/Itália, 2010. Realização: Richard J. Lewis. Com: Paul Giamatti, Dustin Hoffman, Minnie Driver, Rosamund Pike, Rachelle Lefevre, Scott Speedman.

14.7.11

Mas alguém dá uma tampa ao Polanski?

Nunca se sentiu deprimida?


Li que frequentou o Festival de Cannes durante 17 anos.

Conheci imensa gente, tu é que provavelmente não sabes quem são, a Romy Schneider, o Omar Sharif... Dizia-lhes "hello, I''m your fan". Um dia encontrei o Polanski no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. Eu tinha acabado de ver o "Rosemarys Baby", e ainda por cima era muito parecida com a mulher dele, que era a Sharon Tate, que depois foi assassinada. Ele estava sentado nas minhas costas, tinha eu 23 ou 24 anos. Virei-me e disse-lhe olá. Ele, ao ver uma loira toda gira e muito lolita, que sabia os filmes todos dele, ficou passado e convidou-me para dançar. Mas o meu marido não deixou: "Não vais dançar com esse pervertido." Mas alguém dá uma tampa ao Polanski? Eu dei, mas quando cheguei à casa de banho ele estava à minha espera e pregou-me um beijo na boca. "At least I kissed you."

12.7.11

2011 - 1º semestre - II (depois do muito bom, o muito mau)

11.7.11

2011 - 1º Semestre

6.7.11

100 filmes para acabar de ver filmes (97)


“Have you no shame?” - foi a frase proferida pelo advogado Joseph Welch a Joseph McCarthy que acabou com a carreira deste senador americano , um dos responsáveis máximos pela caça às bruxas do pós guerra. Joseph Welch era também actor e interpretou o juiz bonacheirão deste “filme de tribunal”. Este género de filmes assenta em três premissas singulares do sistema judicial americano: a influência dos advogados de defesa e acusação sobre um grupo de jurados representantes do “povo”, a dinâmica de grupo e a pressão dos pares que obriga a que estes jurados produzam uma opinião consensual e o precedente judicial estabelecido por uma decisão de um juiz que estabelece uma nova lei com uma decisão arbitrária. Esse contexto permite a este tipo de filmes transformarem-se em westerns em que a palavra substitui a pistola e em que o desfecho depende quase exclusivamente da habilidade dos intervenientes em esgrimirem os seus argumentos e transformam o veredicto final quase numa lotaria. O caso recente do julgamento de O. J. Simpson salta à memória.

O filme centra-se no duelo entre os advogados – James Setwart e George C. Scott e mostra quase exclusivamente as cenas de tribunal, nunca são mostradas quaisquer cenas em flashback que possam ajudar o espectador a tirar as suas conclusões. É um dos melhores filmes do género. Na variante deste género dedicada à influência que um homem de personalidade forte pode ter na decisão de um grupo de jurados recomendo o 12 Angry Man (Doze homens em fúria) de Sidney Lumet. Destaques ainda para o cartaz intemporal de promoção deste filme e para a banda sonora de Duke Ellington.

Anatomy of a murder E.U.A., 1959. Realização: Otto Preminger. Com: James Stewart, Lee Remick, Ben Gazzara, George C. Scott, Joseph Welch

29.6.11

100 filmes para acabar de ver filmes (98)


Mais um filme com a palavra “About” no título. "Eva" tem a particularidade de ter tido duas nomeações para o Oscar de melhor actriz principal e duas para o de melhor actriz secundária, num total de 14 nomeações que foram apenas igualadas por "Titanic" em 1997. Mistura uma pitada de novela mexicana de upper class - mas com diálogos afiados e muito bem escritos - com mais uma variação do tema da criatura que supera o seu criador – aliás a cara de acidente e fuga de Bette Davis remete imediatamente para Frankenstein, embora seja mais arrepiante - quem nunca a viu em "What Ever Happened to Baby Jane" que atire a primeira pedra.
Para a história fica um pequeno papel secundário de uma loira de inteligência limitada que tenta usar os seus encantos naturais para conseguir um lugar ao sol no mundo do Teatro. Chamava-se Marylin Monroe.

All About Eve, E.U.A., 1950. Realização: Joseph L. Mankiewicz. Com: Bette Davis, Anne Baxter, George Sanders .

24.6.11

O Castor


Um homem, dono de uma companhia de brinquedos, casado e pai de dois filhos, está com uma depressão profunda, e resolve começar a comunicar exclusivamente através de um castor de peluche, que não larga.

Assim à partida é de temer o pior de um argumento destes, mas a coisa é levada a bom porto por dois motivos. O primeiro é o savoir faire da realizadora Jodie Foster, que encena com sobriedade esta história e ainda resolve bem os subplots, mais ou menos desenvolvidos (o filho pequeno com dificuldades de relacionamento; o mais velho que é um pequeno génio à deriva e se envolve com a rapariga mais gira - mas também mais complicada - do liceu). O segundo motivo chama-se Mel Gibson, que tem aqui um verdadeiro papelaço e dá credibilidade e dignidade a uma personagem quase impossível (uma pessoa arrepia-se só de pensar no que um Tom Hanks, digamos, faria com um papel destes).

Temos assim um actor em estado de graça, um tema dificílimo (a depressão) tratado da maneira menos óbvia mas com uma sensibilidade à prova de qualquer ridículo, e uma actriz que se torna uma senhora realizadora. Em suma, um filme que tem tudo para se tornar um pequeno clássico. 

The Beaver, E.U.A., 2011. Realização: Jodie Foster. Com: Mel Gibson, Jodie Foster, Anton Yelchin, Jennifer Lawrence, Cherry Jones.

22.6.11

Matar para viver


Num ano cinematográfico muito fraquinho até à data, estreia amanhã um dos raros filmes que vale a pena ver.

20.6.11

Pedro Hestnes (1962 - 2011)