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1.8.11

Férias


A propósito de uma recente votação ("Ranking Especial de Alfred Hitchcock") da Liga dos Blogs Cinematográficos, verifiquei que estava apto a votar em 36 filmes do mestre. A maior parte deles foi por mim descoberta numa colecção que saiu em VHS, nos quiosques,  há uns bons anos, e que me levou bastante tempo a repor (parcialmente) em DVD.

Pus-me a pensar que Hitch é inegavelmente o realizador de que vi mais filmes - o que não será de admirar tendo em conta que: 1) Realizou uma catrefada deles (cinquenta e poucos, incluindo os mudos) ; 2) Grande parte deles estão acessíveis em DVD; 3) É o meu realizador preferido.

E o caro leitor, qual é o realizador de quem viu mais filmes?

25.7.11

Gianni e as mulheres


‘Gianni e as mulheres’ vê-se como uma continuação de ‘Almoço de 15 de Agosto’, não obstante Gianni, a persona que o realizador criou no filme anterior, nos aparecer casado e com uma filha.

Mas agora, além de continuar a ser atormentado pela sua formidável mãe, Gianni tem outra inquietação: para lá dos omnipresentes velhos com que se cruza, está também rodeado de belas e jovens mulheres por todo o lado (a vizinha de baixo, a enfermeira que cuida da mãe, umas gémeas clientes do seu amigo advogado, etc., etc.), mas elas vêm-no apenas como um avozinho, não como um homem desejável. Gianni está em plena crise dos 60: é invisível para as mulheres, não compreende os mais novos (a começar pela sua filha e o palerma do namorado), nem os novos tempos (uma ex quer que ele cozinhe sem azeite nem cebola).

À semelhança de Gianni também este filme é, de certa forma, um filme fora de moda. É um filme caloroso, de um realizador que filma o seu bairro, a sua família, as suas peripécias mais ou menos cómicas, mais ou menos patéticas. Que nos faz lembrar que este tipo de cinema quase desapareceu: um cinema despretensioso, simples, popular - e inteligente, cómico, pertinente, próximo. É o tipo de filme que me reconforta: por muito que me digam que é 'coisa do passado', a sua simples existência dá-me alguma esperança para o futuro.

Gianni e le Donne, Itália, 2011. Realização: Gianni Di Gregorio. Com: Gianni Di Gregorio, Valeria De Franciscis, Alfonso Santagata, Elisabetta Piccolomini, Valeria Cavalli.

23.7.11

100 filmes para acabar de ver filmes (96)










22.7.11

A Melhor Despedida de Solteira


A minha ideia, quase no final de uma semana de muito trabalho, era por uma vez escapulir-me a horas decentes e meter-me numa sessão de fim de tarde (a melhor hora para ver um filme em sossego) e escolher uma coisa palerma e divertida. Devo dizer que não achei 'A melhor despedida de solteira' assim tão divertido. Mas a boa notícia é que está longe de ser palerma. Pelo contrário, achei-o de uma maturidade assinalável (claro que no actual estado infantilizado de Hollywood as expectativas são sempre baixas, mas ainda assim).

Desde logo tem uma actriz imensa - Kristen Wiig - de quem eu nunca tinha ouvido falar, mas que mete todos os Seth Rogen deste mundo num bolso. Depois, tem uma realização sóbria, o que nestes casos é um elogio e não um chavão (há duas ou três cenas que eu teria dispensado, mas até aí a escatologia é contida e são mesmo só duas ou três). Finalmente, e aqui está o espanto maior, tem um belo argumento, que dá vida às suas personagens (Annie/Wiig na primeiríssima linha) e que, como quem não quer a coisa, à sua maneira, simples e directa, critica muito mais implacavelmente um certo tipo de vida americano, de aparências & dinheiro, do que qualquer 'Girlfriend Experience', para ficarmos por outra estreia recente.

É verdade que não me ri às gargalhadas. Mas estive sempre com um sorriso na boca e tive o prazer, cada vez mais raro numa sala de cinema, de ser agradavelmente surpreendido.

Bridesmaids, E.U.A., 2011. Realização: Paul Feig. Com: Kristen Wiig, Rose Byrne, Maya Rudolph, Melissa McCarthy, Chris O`Dowd, Ellie Kemper, Wendi McLendon-Covey, Jon Hamm.

21.7.11

Confissões de uma Namorada de Serviço


Desde a sua estreia com o marcante 'Sex, Lies and Videotape' que Soderbergh tem deambulado entre o mainstream com grande vedetas, e os filmes experimentais de pequeno orçamento. E em ambos os casos tem sido capaz do melhor e do pior.

'The Girlfriend Experience' (de 2009 mas que só agora por cá estreia), insere-se nos tais filmes de pequeno orçamento e, se não tem uma grande estrela de Hollywood, tem uma (ex-) estrela...porno: Sasha Grey (uma actriz sofrível, sempre com aquele ar narcotizado que as porn stars têm, mas ainda assim não desinteressante; já os restantes actores são todos péssimos).

O filme vai acompanhando uma escort girl, e os relatos distantes e profissionais dos seus encontros (e muitas vezes os clientes só querem conversar) são o mais interessante que o filme tem para dar. O resto, a relação com o seu namorado (que tem um emprego 'normal' num ginásio), os 'desafios' do seu negócio (a net, os árabes, as concorrentes, etc, etc) é assim para o bocejante (mas percebe-se que uma das intenções do filme será mostrar esta mulher como uma 'vulgar' mulher de negócios).

Para dar um toque mais 'filme experimental' há ainda umas cenas paralelas, relacionadas com o tal namorado, que contextualizam o filme nos tempos da campanha de Obama e do crash financeiro, montadas mais ou menos aleatóriamente, e que me fizeram lembrar o pior Soderbergh (o do muito pretencioso e  intelectual-chic 'Full Frontal'). Tudo somado, fica uma fita francamente esquecível.

The Girlfriend Experience, E.U.A., 2009. Realização: Steven Soderbergh. Com: Sasha Grey, Chris Santos, Philip Eytan, T. Colby Trane, Peter Zizzo.

16.7.11

A Minha Versão do Amor


A escritora Esi Edugyan justifica a inclusão de 'Barney's Version' no seu Top 10 de 'melhores histórias de americanos na Europa' por, apesar de a maior parte do livro se passar em Montreal, as 'passagens mais engraçadas decorrerem em Paris', onde o jovem Barney leva uma vida de boémia com os seus amigos artistas.

No filme não se passa nada disto: esta primeira parte 'europeia' (que se passa em Roma) é apenas um leve divertimento. Só quando Barney já está bem instalado na vida, como produtor de TV no seu Canadá natal, e especificamente quando se apaixona pela que será a sua 3ª mulher (o que acontece durante a cerimónia do seu 2º casamento!) é que o filme ganha alguma profundidade. Só aí sentimos a espessura desta personagem, que não consegue largar o álcool nem quando tem um casamento feliz, uma mulher que ama, e uma vida boa. Só aí entrevemos o homem com sentido de humor, excessivo, impulsivo, mas auto-destrutivo, que irá abaixo quando a mulher o deixa e a doença (Alzheimer) o ataca, conseguindo aqui, ser mesmo comovente.

Mas nem esta progressão à medida que o filme avança, nem um casting perfeito (com natural destaque para Giamatti, cujo processo de envelhecimento é perfeito, mas também para a luminosa Rosamund Pike e para o delicioso secundário Dustin Hoffman), nos consegue livrar da sensação de estarmos apenas a assistir a uma 'adaptação de qualidade'. Falta ao filme alma, ou se quisermos ser mais prosaicos, um Alexander Payne atrás das câmaras.

Barney`s Version, Canadá/Itália, 2010. Realização: Richard J. Lewis. Com: Paul Giamatti, Dustin Hoffman, Minnie Driver, Rosamund Pike, Rachelle Lefevre, Scott Speedman.

14.7.11

Mas alguém dá uma tampa ao Polanski?

Nunca se sentiu deprimida?


Li que frequentou o Festival de Cannes durante 17 anos.

Conheci imensa gente, tu é que provavelmente não sabes quem são, a Romy Schneider, o Omar Sharif... Dizia-lhes "hello, I''m your fan". Um dia encontrei o Polanski no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. Eu tinha acabado de ver o "Rosemarys Baby", e ainda por cima era muito parecida com a mulher dele, que era a Sharon Tate, que depois foi assassinada. Ele estava sentado nas minhas costas, tinha eu 23 ou 24 anos. Virei-me e disse-lhe olá. Ele, ao ver uma loira toda gira e muito lolita, que sabia os filmes todos dele, ficou passado e convidou-me para dançar. Mas o meu marido não deixou: "Não vais dançar com esse pervertido." Mas alguém dá uma tampa ao Polanski? Eu dei, mas quando cheguei à casa de banho ele estava à minha espera e pregou-me um beijo na boca. "At least I kissed you."

12.7.11

2011 - 1º semestre - II (depois do muito bom, o muito mau)

11.7.11

2011 - 1º Semestre

6.7.11

100 filmes para acabar de ver filmes (97)


“Have you no shame?” - foi a frase proferida pelo advogado Joseph Welch a Joseph McCarthy que acabou com a carreira deste senador americano , um dos responsáveis máximos pela caça às bruxas do pós guerra. Joseph Welch era também actor e interpretou o juiz bonacheirão deste “filme de tribunal”. Este género de filmes assenta em três premissas singulares do sistema judicial americano: a influência dos advogados de defesa e acusação sobre um grupo de jurados representantes do “povo”, a dinâmica de grupo e a pressão dos pares que obriga a que estes jurados produzam uma opinião consensual e o precedente judicial estabelecido por uma decisão de um juiz que estabelece uma nova lei com uma decisão arbitrária. Esse contexto permite a este tipo de filmes transformarem-se em westerns em que a palavra substitui a pistola e em que o desfecho depende quase exclusivamente da habilidade dos intervenientes em esgrimirem os seus argumentos e transformam o veredicto final quase numa lotaria. O caso recente do julgamento de O. J. Simpson salta à memória.

O filme centra-se no duelo entre os advogados – James Setwart e George C. Scott e mostra quase exclusivamente as cenas de tribunal, nunca são mostradas quaisquer cenas em flashback que possam ajudar o espectador a tirar as suas conclusões. É um dos melhores filmes do género. Na variante deste género dedicada à influência que um homem de personalidade forte pode ter na decisão de um grupo de jurados recomendo o 12 Angry Man (Doze homens em fúria) de Sidney Lumet. Destaques ainda para o cartaz intemporal de promoção deste filme e para a banda sonora de Duke Ellington.

Anatomy of a murder E.U.A., 1959. Realização: Otto Preminger. Com: James Stewart, Lee Remick, Ben Gazzara, George C. Scott, Joseph Welch