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25.8.11

Cowboys & Aliens


Eis a última ideia genial que saiu dos crânios de Hollywood: juntar cowboys e aliens. Dito de outra maneira: fazer um filme de cóbóis em que os inimigos não são peles-vermelhas mas sim E.T.s (peles-cinzentas, no caso); ou, se o caro leitor preferir, um filme de ficção cientifica em que os malévolos extra-terrestres aterram no velho Oeste.

O resultado, previsivelmente, é desastroso. Como sci-fi fica infinitamente aquém de qualquer série Z de há 40 anos; como western está tão, mas tão afogado em clichés desde os primeiros minutos, que não há Daniel Craig (que poderia ser um digno sucessor de Eastwood à frente da câmara), nem plano das belas paisagens de Plaza Blanca (mas que falta me fez um ecrã maior que o dos shoppings) que o salve da ruína.

E assim vai Hollywood: infantilizada, sem memória, sem aprender nada, sem respeitar os seus géneros clássicos. Patética. Triste. Deprimente.

Cowboys & Aliens, E.U.A., 2011. Realização: Jon Favreau. Com: Daniel Craig, Harrison Ford, Olivia Wilde, Sam Rockwell, Clancy Brown, Adam Beach, Paul Dano, Keith Carradine.

24.8.11

Submarino


A primeira e óbvia referência que nos vem à cabeça, ainda 'Submarine' vai no início, é Wes Anderson, principalmente pelo estilo das personagens, que poderemos sintetizar como 'cromos com pinta'. Podemos inclusive ser mais picuinhas: o pai de Oliver, o jovem protagonista, é um biólogo marinho ('Zissou'...) e é possível descortinar algo de Max Fischer ('Rushmore') no próprio Oliver.

Mas, de resto, diga-se que o filme é mais convencional do que um filme de Anderson, desde logo no argumento, que mantém sempre o nosso interesse, mas não foge muito às habituais histórias 'Coming of age' - o primeiro amor, a descoberta do sexo, as crises familiares: em suma, é bastante mais terra-a-terra do que algo saído da cabeça de Mr.Anderson (e definitivamente quem a fez deitou a receita fora).

Quanto à realização também tem algo de andersoniano, mas peca por, de tanto querer procurar o melhor plano, o enquadramento mais bonito, o tom mais elegante, por vezes não evitar cair nalguma estética 'videoclip', de dar demasiadamente nas vistas.

Mas talvez sejam pecadilhos de primeira obra, até porque Richard Ayoade consegue, quando quer, emocionar-nos, e o filme tem meia dúzia de planos que ficam, nomeadamente o final, que cita enviesada mas explicitamente 'Os 400 golpes'. E como não gostar de um filme que começa a homenagear Wes Anderson e acaba a lembrar-se (e a lembrar-nos) assim deTruffaut?

Submarine, Reino Unido, E.U.A., 2010. Realização: Richard Ayoade. Com: Noah Taylor, Paddy Considine, Craig Roberts, Yasmin Paige, Sally Hawkins. [A estreia de Submarino por cá já esteve agendada para dia 1 de Setembro; entretanto passou para dia 29. A ver vamos...]

23.8.11

Promete...!


(VIA)

17.8.11

Super 8


É verdade que os miúdos são estupendos e que há aqui vontade de "contar uma história com pessoas", mais do que exibir efeitos especiais e milhões, o que vai sendo raro hoje em dia em Hollywood, mas também é verdade que o argumento é um bocado esquemático, as personagens são assim para o estereotipado (aqueles pais!), a realização é spielbergiana de mais (até nalguma lamechice) e é preciso uma boa dose de 'suspension of disbelief' para engolir todas as façanhas do nosso jovem herói.

Mas talvez tenha sido essa vontade de Abrams de fazer um filme 'à moda antiga' em tempos de Super-heróis em 3D, ainda por cima pondo como protagonistas uns jovenzinhos que estão eles próprios a rodar um filme (de zombies!), que levou tanto crítico parcimonioso a pôr esta fita nos píncaros. A mim não me aborreceu excessivamente, mas daí a ser um 'Conta comigo' vai uma distância daqui a Marte.

Super 8, E.U.A., 2011. Realização: J.J. Abrams. Com: Joel Courtney, Elle Fanning, Kyle Chandler, Riley Griffiths, Ryan Lee, Gabriel Basso, Zach Mills, Ron Eldard.

1.8.11

Férias


A propósito de uma recente votação ("Ranking Especial de Alfred Hitchcock") da Liga dos Blogs Cinematográficos, verifiquei que estava apto a votar em 36 filmes do mestre. A maior parte deles foi por mim descoberta numa colecção que saiu em VHS, nos quiosques,  há uns bons anos, e que me levou bastante tempo a repor (parcialmente) em DVD.

Pus-me a pensar que Hitch é inegavelmente o realizador de que vi mais filmes - o que não será de admirar tendo em conta que: 1) Realizou uma catrefada deles (cinquenta e poucos, incluindo os mudos) ; 2) Grande parte deles estão acessíveis em DVD; 3) É o meu realizador preferido.

E o caro leitor, qual é o realizador de quem viu mais filmes?

25.7.11

Gianni e as mulheres


‘Gianni e as mulheres’ vê-se como uma continuação de ‘Almoço de 15 de Agosto’, não obstante Gianni, a persona que o realizador criou no filme anterior, nos aparecer casado e com uma filha.

Mas agora, além de continuar a ser atormentado pela sua formidável mãe, Gianni tem outra inquietação: para lá dos omnipresentes velhos com que se cruza, está também rodeado de belas e jovens mulheres por todo o lado (a vizinha de baixo, a enfermeira que cuida da mãe, umas gémeas clientes do seu amigo advogado, etc., etc.), mas elas vêm-no apenas como um avozinho, não como um homem desejável. Gianni está em plena crise dos 60: é invisível para as mulheres, não compreende os mais novos (a começar pela sua filha e o palerma do namorado), nem os novos tempos (uma ex quer que ele cozinhe sem azeite nem cebola).

À semelhança de Gianni também este filme é, de certa forma, um filme fora de moda. É um filme caloroso, de um realizador que filma o seu bairro, a sua família, as suas peripécias mais ou menos cómicas, mais ou menos patéticas. Que nos faz lembrar que este tipo de cinema quase desapareceu: um cinema despretensioso, simples, popular - e inteligente, cómico, pertinente, próximo. É o tipo de filme que me reconforta: por muito que me digam que é 'coisa do passado', a sua simples existência dá-me alguma esperança para o futuro.

Gianni e le Donne, Itália, 2011. Realização: Gianni Di Gregorio. Com: Gianni Di Gregorio, Valeria De Franciscis, Alfonso Santagata, Elisabetta Piccolomini, Valeria Cavalli.

23.7.11

100 filmes para acabar de ver filmes (96)










22.7.11

A Melhor Despedida de Solteira


A minha ideia, quase no final de uma semana de muito trabalho, era por uma vez escapulir-me a horas decentes e meter-me numa sessão de fim de tarde (a melhor hora para ver um filme em sossego) e escolher uma coisa palerma e divertida. Devo dizer que não achei 'A melhor despedida de solteira' assim tão divertido. Mas a boa notícia é que está longe de ser palerma. Pelo contrário, achei-o de uma maturidade assinalável (claro que no actual estado infantilizado de Hollywood as expectativas são sempre baixas, mas ainda assim).

Desde logo tem uma actriz imensa - Kristen Wiig - de quem eu nunca tinha ouvido falar, mas que mete todos os Seth Rogen deste mundo num bolso. Depois, tem uma realização sóbria, o que nestes casos é um elogio e não um chavão (há duas ou três cenas que eu teria dispensado, mas até aí a escatologia é contida e são mesmo só duas ou três). Finalmente, e aqui está o espanto maior, tem um belo argumento, que dá vida às suas personagens (Annie/Wiig na primeiríssima linha) e que, como quem não quer a coisa, à sua maneira, simples e directa, critica muito mais implacavelmente um certo tipo de vida americano, de aparências & dinheiro, do que qualquer 'Girlfriend Experience', para ficarmos por outra estreia recente.

É verdade que não me ri às gargalhadas. Mas estive sempre com um sorriso na boca e tive o prazer, cada vez mais raro numa sala de cinema, de ser agradavelmente surpreendido.

Bridesmaids, E.U.A., 2011. Realização: Paul Feig. Com: Kristen Wiig, Rose Byrne, Maya Rudolph, Melissa McCarthy, Chris O`Dowd, Ellie Kemper, Wendi McLendon-Covey, Jon Hamm.

21.7.11

Confissões de uma Namorada de Serviço


Desde a sua estreia com o marcante 'Sex, Lies and Videotape' que Soderbergh tem deambulado entre o mainstream com grande vedetas, e os filmes experimentais de pequeno orçamento. E em ambos os casos tem sido capaz do melhor e do pior.

'The Girlfriend Experience' (de 2009 mas que só agora por cá estreia), insere-se nos tais filmes de pequeno orçamento e, se não tem uma grande estrela de Hollywood, tem uma (ex-) estrela...porno: Sasha Grey (uma actriz sofrível, sempre com aquele ar narcotizado que as porn stars têm, mas ainda assim não desinteressante; já os restantes actores são todos péssimos).

O filme vai acompanhando uma escort girl, e os relatos distantes e profissionais dos seus encontros (e muitas vezes os clientes só querem conversar) são o mais interessante que o filme tem para dar. O resto, a relação com o seu namorado (que tem um emprego 'normal' num ginásio), os 'desafios' do seu negócio (a net, os árabes, as concorrentes, etc, etc) é assim para o bocejante (mas percebe-se que uma das intenções do filme será mostrar esta mulher como uma 'vulgar' mulher de negócios).

Para dar um toque mais 'filme experimental' há ainda umas cenas paralelas, relacionadas com o tal namorado, que contextualizam o filme nos tempos da campanha de Obama e do crash financeiro, montadas mais ou menos aleatóriamente, e que me fizeram lembrar o pior Soderbergh (o do muito pretencioso e  intelectual-chic 'Full Frontal'). Tudo somado, fica uma fita francamente esquecível.

The Girlfriend Experience, E.U.A., 2009. Realização: Steven Soderbergh. Com: Sasha Grey, Chris Santos, Philip Eytan, T. Colby Trane, Peter Zizzo.

16.7.11

A Minha Versão do Amor


A escritora Esi Edugyan justifica a inclusão de 'Barney's Version' no seu Top 10 de 'melhores histórias de americanos na Europa' por, apesar de a maior parte do livro se passar em Montreal, as 'passagens mais engraçadas decorrerem em Paris', onde o jovem Barney leva uma vida de boémia com os seus amigos artistas.

No filme não se passa nada disto: esta primeira parte 'europeia' (que se passa em Roma) é apenas um leve divertimento. Só quando Barney já está bem instalado na vida, como produtor de TV no seu Canadá natal, e especificamente quando se apaixona pela que será a sua 3ª mulher (o que acontece durante a cerimónia do seu 2º casamento!) é que o filme ganha alguma profundidade. Só aí sentimos a espessura desta personagem, que não consegue largar o álcool nem quando tem um casamento feliz, uma mulher que ama, e uma vida boa. Só aí entrevemos o homem com sentido de humor, excessivo, impulsivo, mas auto-destrutivo, que irá abaixo quando a mulher o deixa e a doença (Alzheimer) o ataca, conseguindo aqui, ser mesmo comovente.

Mas nem esta progressão à medida que o filme avança, nem um casting perfeito (com natural destaque para Giamatti, cujo processo de envelhecimento é perfeito, mas também para a luminosa Rosamund Pike e para o delicioso secundário Dustin Hoffman), nos consegue livrar da sensação de estarmos apenas a assistir a uma 'adaptação de qualidade'. Falta ao filme alma, ou se quisermos ser mais prosaicos, um Alexander Payne atrás das câmaras.

Barney`s Version, Canadá/Itália, 2010. Realização: Richard J. Lewis. Com: Paul Giamatti, Dustin Hoffman, Minnie Driver, Rosamund Pike, Rachelle Lefevre, Scott Speedman.