Eu sei que a ideia de Woody Allen era mesmo simplificar: mostrar uma Paris de postal, idealizada, de sonho, o mais contrastante possível com os States. Mas o problema é que nada neste filme de fantasia ganha espessura, e não há uma única personagem de carne e osso, nem nas ‘actuais’, nem nas ‘históricas’ (Hemingway é mesmo caricaturizado até ao ridículo). E, embora Allen não saiba escrever maus diálogos, a verdade é que aqui são menos memoráveis do que o habitual, e mais do que uma sensação de ‘leveza’ deliberada que sentimos em alguns dos seus filmes, aqui pareceu-me que faltava mesmo alguma coisa.
Se é certo que o Allen touch não se perdeu de todo e estão presentes em ‘Meia-noite em Paris’ algumas das suas imagens de marca (uma das características perenes dos seus filmes que mais me encanta é a capacidade dos seus idiossincráticos avatares – aqui Owen Wilson – arranjarem belas mulheres), não posso deixar de pensar que não obstante este ser um dos filmes de maior sucesso comercial nos 45 anos de carreira do realizador, é também um filme menoríssimo na sua (grandiosa) obra.
Midnight in Paris, Espanha/E.U.A., 2011. Realização: Woody Allen. Com: Owen Wilson, Rachel McAdams, Marion Cotillard, Carla Bruni, Kathy Bates, Léa Seydoux.








