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7.11.11

Crazy Horse


‘Crazy Horse’ pode ser visto como um filme gémeo de 'Dança - Le Ballet de L´Opera de Paris'. Depois de deambular por uma das companhias de ballet mais prestigiadas do mundo, Wiseman vira-se agora para o auto-intitulado melhor espectáculo de dança de nus do mundo.

E o mínimo que se pode dizer é que no Crazy Horse se levam tão a sério como no Ballet de l’Opera. O coreógrafo queixa-se da pressão dos accionistas sobre datas de estreia, mas ele responde que não acorda genial todos os dias, e que não se podem impor prazos a artistas. E o director artístico fala mesmo em Fassbinder e Michael Powell para explicar as suas criações. E todos têm teorias próprias sobre a mulher, a feminilidade, o desejo.

Este filme tem sido criticado, no entanto, por Wiseman se deter mais no espectáculo, mostrando-nos inúmeros ‘números’, do que naquilo que se passa à volta, ou no que está por trás. E penso que as críticas têm alguma razão de ser, não obstante alguns momentos magníficos de humor e subtileza (como quando o realizador nos mostra as bailarinas num momento de descontracção a verem um vídeo de ‘apanhados’ de dançarinas famosas, do Bolshoi, etc., a caírem, ou em situações cómicas provocadas por falhas; ou quando nos dá uma panorâmica do público da casa meramente mostrando-nos a impressão das fotografias que os espectadores tiram para recordação).

Mas de facto (a montagem de) Wiseman centrou-se essencialmente nos números do Crazy Horse, o que às tantas, paradoxalmente, torna o filme um pouco aborrecido. Mas talvez Wiseman tenha tentado captar assim o que desde à décadas tanto atrai milhares e milhares de pessoas (uma boa fatia das quais mulheres, é-nos dito por uma responsável) para este espectáculo.

Seja como for, se não é um Wiseman de 5 estrelas, é um Wiseman de 4 estrelas. A não perder, portanto.

Crazy Horse, Estados Unidos/França, 2011. Realização: Frederick Wiseman. Documentário.

23.10.11

Buddy Buddy - Os amigos da onça


Nos anos 60, findaram as carreiras de Frank Capra, Charles Chaplin, Michael Curtiz, John Ford, Howard Hawks, Fritz Lang, Mervin LeRoy, Leo McCarey, George Stevens, Jacques Tourneur, Raoul Walsh, King Vidor, William Wyler, entre outros. Nos anos 70, terminaram as de Alfred Hitchcock, Elia Kazan, Joseph L.Mankiewicz, Vincent Minelli, Otto Preminger, Nicholas Ray, Douglas Sirk, Orson Welles, etc., etc. O ano de 1981 ficou a assinalar o fim das obras de George Cukor e Billy Wilder. Dos grandes clássicos, só John Huston prosseguiu mais algum tempo, até à morte. Nessas três décadas - aparte a persistência de um ou outro veterano - todo o cinema americano da grande época desapareceu. Buddy Buddy é um dos marcos históricos desses fins. Veremos - se Deus nos der vida e saúde - muita coisa. Nunca mais veremos um Billy Wilder. Com este filme, como com Rich and Famous de Cukor, dissemos adeus a uma época. É sempre triste.

João Bénard da Costa, 'Folhas da Cinemateca - Billy Wilder'

19.10.11

Ciclo Giallo



Obs.: Quem for contra o 'sacanço' pode sempre servir-se do blog apenas como guia. Não dará o seu tempo por mal empregue. (mas claro que terá imensas dificuldades em encontar à venda em dvd muitos dos filmes)

15.10.11

Play it Again, Sam


Foi o próprio Woody Allen quem disse, numa entrevista, que em 1975 resolveu "acabar com as palhaçadas" (leia-se  o período que vai de 'O inimigo público' a 'Nem guerra nem paz') e dar "um primeiro passo rumo à maturidade" (leia-se começar a escrever 'Annie Hall').  E, de facto, há na sua obra um antes e depois de 'Annie Hall' (lançado em 1977). Mas, na minha opinião, há um elo perdido entre estas duas 'fases': 'Play it Again, Sam' (de 1972, o mesmo ano de 'O ABC do amor'), interpretado e adaptado pelo próprio Woody da sua peça homónima (onde conheceu Diane Keaton), mas realizado por Herbert Ross.

'Play it Again, Sam' (penso que por cá se chamou 'O grande conquistador'...) é um filme muito, muito divertido, quer ao nível do argumento (Allen era já imbatível a escrever piadas memoráveis - e a cena recorrente do workaholic que, numa época pré-telemóveis, telefona para o escritório donde quer que esteja a dar o número de telefone desse local, é brilhante), quer da interpretação de Allen (que teria sido um grande actor do mudo) no papel de um desastrado crítico de cinema, que tem conversas imaginárias com Humprey Bogart sobre como conquistar uma mulher, agora que a sua o deixou (e o filme está sempre a citar 'Casablanca'). Mas tem também muitas marcas do que virá a ser a sua obra futura, sobre pessoas inseguras, que não sabem qual o melhor caminho para a sua vida, com aquele toque de angústia existencial que nunca mais deixámos de associar a Allen.

Como disse, o filme não foi realizado por Allen mas, sem desmerecer Herbert Ross, é como se fosse. E eu, não hesito em colocá-lo entre os seus melhores.

Play it Again, Sam, E.U.A., 1972. Realização: Herbert Ross. Com: Woody Allen, Diane Keaton, Tony Roberts, Jerry Lacy.

13.10.11

Submarino


Sempre estreou. Escrevi sobre ele aqui.

26.9.11

Meia-Noite em Paris


Eu sei que a ideia de Woody Allen era mesmo simplificar: mostrar uma Paris de postal, idealizada, de sonho, o mais contrastante possível com os States. Mas o problema é que nada neste filme de fantasia ganha espessura, e não há uma única personagem de carne e osso, nem nas ‘actuais’, nem nas ‘históricas’ (Hemingway é mesmo caricaturizado até ao ridículo). E, embora Allen não saiba escrever maus diálogos, a verdade é que aqui são menos memoráveis do que o habitual, e mais do que uma sensação de ‘leveza’ deliberada que sentimos em alguns dos seus filmes, aqui pareceu-me que faltava mesmo alguma coisa.

Se é certo que o Allen touch não se perdeu de todo e estão presentes em ‘Meia-noite em Paris’ algumas das suas imagens de marca (uma das características perenes dos seus filmes que mais me encanta é a capacidade dos seus idiossincráticos avatares – aqui Owen Wilson – arranjarem belas mulheres), não posso deixar de pensar que não obstante este ser um dos filmes de maior sucesso comercial nos 45 anos de carreira do realizador, é também um filme menoríssimo na sua (grandiosa) obra.

Midnight in Paris, Espanha/E.U.A., 2011. Realização: Woody Allen. Com: Owen Wilson, Rachel McAdams, Marion Cotillard, Carla Bruni, Kathy Bates, Léa Seydoux.



12.9.11

Colombiana


Fosse o assassino 'justiceiro' deste filme protagonizado por um qualquer Jason Statham e o filme não valeria um chavo. Sendo-o por Zoe Saldana, enfim, como o dizer, continua a não valer um chavo, mas... percebem onde eu quero chegar.

Colombiana, E.U.A./França, 2011. Realização: Olivier Megaton. Com: Zoe Saldana.

25.8.11

Cowboys & Aliens


Eis a última ideia genial que saiu dos crânios de Hollywood: juntar cowboys e aliens. Dito de outra maneira: fazer um filme de cóbóis em que os inimigos não são peles-vermelhas mas sim E.T.s (peles-cinzentas, no caso); ou, se o caro leitor preferir, um filme de ficção cientifica em que os malévolos extra-terrestres aterram no velho Oeste.

O resultado, previsivelmente, é desastroso. Como sci-fi fica infinitamente aquém de qualquer série Z de há 40 anos; como western está tão, mas tão afogado em clichés desde os primeiros minutos, que não há Daniel Craig (que poderia ser um digno sucessor de Eastwood à frente da câmara), nem plano das belas paisagens de Plaza Blanca (mas que falta me fez um ecrã maior que o dos shoppings) que o salve da ruína.

E assim vai Hollywood: infantilizada, sem memória, sem aprender nada, sem respeitar os seus géneros clássicos. Patética. Triste. Deprimente.

Cowboys & Aliens, E.U.A., 2011. Realização: Jon Favreau. Com: Daniel Craig, Harrison Ford, Olivia Wilde, Sam Rockwell, Clancy Brown, Adam Beach, Paul Dano, Keith Carradine.

24.8.11

Submarino


A primeira e óbvia referência que nos vem à cabeça, ainda 'Submarine' vai no início, é Wes Anderson, principalmente pelo estilo das personagens, que poderemos sintetizar como 'cromos com pinta'. Podemos inclusive ser mais picuinhas: o pai de Oliver, o jovem protagonista, é um biólogo marinho ('Zissou'...) e é possível descortinar algo de Max Fischer ('Rushmore') no próprio Oliver.

Mas, de resto, diga-se que o filme é mais convencional do que um filme de Anderson, desde logo no argumento, que mantém sempre o nosso interesse, mas não foge muito às habituais histórias 'Coming of age' - o primeiro amor, a descoberta do sexo, as crises familiares: em suma, é bastante mais terra-a-terra do que algo saído da cabeça de Mr.Anderson (e definitivamente quem a fez deitou a receita fora).

Quanto à realização também tem algo de andersoniano, mas peca por, de tanto querer procurar o melhor plano, o enquadramento mais bonito, o tom mais elegante, por vezes não evitar cair nalguma estética 'videoclip', de dar demasiadamente nas vistas.

Mas talvez sejam pecadilhos de primeira obra, até porque Richard Ayoade consegue, quando quer, emocionar-nos, e o filme tem meia dúzia de planos que ficam, nomeadamente o final, que cita enviesada mas explicitamente 'Os 400 golpes'. E como não gostar de um filme que começa a homenagear Wes Anderson e acaba a lembrar-se (e a lembrar-nos) assim deTruffaut?

Submarine, Reino Unido, E.U.A., 2010. Realização: Richard Ayoade. Com: Noah Taylor, Paddy Considine, Craig Roberts, Yasmin Paige, Sally Hawkins. [A estreia de Submarino por cá já esteve agendada para dia 1 de Setembro; entretanto passou para dia 29. A ver vamos...]

23.8.11

Promete...!


(VIA)