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24.1.12

Sondagem encerrada: Qual é o melhor filme de Kubrick?


'2001 - Odisseia no espaço', com cerca de 23% dos votos (arredondei as percentagens), foi a escolha dos leitores (e a minha, já agora).

Seguiram-se 'Lolita', 'Laranja mecânica' e 'Shining' (13% cada); 'Barry Lyndon', 'De olhos bem fechados' e a opção 'outro' (vários leitores se referiram a 'Full Metal Jacket') recolheram 10% das preferências cada. 'Doutor Estranhoamor' fechou a contagem com 6% dos votos.

20.1.12

Qual é o melhor filme de Kubrick?

Deixe a sua opinião na sondagem aqui ao lado! Começo eu: voto em '2001', após muita hesitação entre este e 'Lolita'.

19.1.12

Cultural prestige


In the second part of the video documentary A Personal Journey With Martin Scorsese Through American Movies (1995) is a nine-minute stretch devoted to Tourneur that focuses on the first two horror films he directed for producer Val Lewton, the 1942 Cat People (made for only $134,000) and the 1943 I Walked With a Zombie. “In its own way,” Scorsese says, “Cat People was as important as Citizen Kane in the development of a more mature American cinema.” It seems an extreme statement, but it’s actually reasonable, because Tourneur and Lewton brought subtlety and poetic suggestion to B movies, while Welles brought a kind of intelligent bombast to A pictures. Both movies startled audiences–-Cat People ran longer at some venues than Citizen Kane–-but only Citizen Kane gained cultural prestige.

Jonathan Rosenbaum

18.1.12

Dario Argento - Top 9

Inspirado por Enrique Vila-Matas, que se revoltou contra o 'absurdo prestígio' dos 'números redondos', resolvi desta vez fugir ao habitual e redondo número 10.
Cá vai então o meu top 9 do mestre do giallo:

1.
 O pássaro com plumas de cristal (1970)

Logo no seu primeiro filme Argento (re)inventa um género. Citando-me a mim próprio, se quiser ver um giallo veja este, que já está aqui tudo.

2.
 Profondo rosso- O mistério da casa assombrada (1975)

Argento refina a sua arte, e dá-nos aquele que é talvez o seu 'policial' mais perfeito. David Hastings é o protagonista, e não é só por ele que nos lembramos do 'Blow-Up' de Antonioni.

3.
 Ópera (1987)

Uma cantora substituta torna-se uma estrela ao substituir a diva que é atropelada na véspera da estreia de 'Macbeth' de Verdi. Mas um psicopata não a larga... 
'Ópera' é o meu preferido dos filmes de 'terror' de Argento e, para muitos fãs mais radicais, o último grande filme do mestre. A cena em que o assassino é desmascarado é puro surrealismo.

4.
 Suspiria (1977)

Depois da famosa 'trilogia dos animais' e de 'Profondo Rosso', Argento deu uma guinada e virou-se para o terror e para o sobrenatural, iniciando uma nova trilogia, conhecida por 'Três Mães'.
'Suspiria' tornar-se-ia (com 'Profondo Rosso') o seu filme mais famoso. É um festival de cor, som e mortes espectaculares. E provavelmente o filme de Argento em que o espectador mais perde em não o ver num grande ecrã (como infelizmente foi o meu caso).

5.
Tenebrae (1982)

Um escritor americano de visita a Roma descobre que um misterioso serial killer anda a usar o seu último livro como inspiração. O mistério tem uma solução muito engenhosa, que Argento usou mais que uma vez com variações.

6.
 O gato das sete vidas (1971)


Uma dupla improvável - um jornalista e um cego (Karl Malden) - investiga uma série de crimes ocorridos num instituto onde se fazem experiências genéticas. O argumento deste segundo filme de Argento é um bocado estrambólico, mas o grande Karl Malden e um realizador em grande forma fazem com que seja um
dos grandes 'policiais' do mestre.

7. 
A síndrome de Stendhal (1996)

Cena de abertura com Asia na Galeria Uffizi: Argento teve uma autorização única para lá filmar.

Uma jovem comissária da polícia investiga os crimes cometidos por um violador assassino e acaba ela própria por cair nas garras do psicopata. Ser violada por ele repetidas vezes é apenas parte do que lhe acontece no filme. Se pensarmos que para este papel Argento escolheu nem mais nem menos que a sua filha Asia...

8.
 Phenomena (1985)

Uma teenager americana (Jennifer Connelly, com 14 anos), é enviada pelo seu pai, um actor famoso, para um selecto colégio interno suiço. Mas, adivinhe o leitor, anda por lá um psicopata à solta. E acontece que Jenniffer não é uma rapariga normal: tem o poder de 'comunicar' com os insectos.
Eu ia escrever que este é o filme mais bizarro de Argento, mas talvez seja 'Inferno' que mereça esse título. Fica para 'Phenomena' o de mais macabro. Nada aconselhável a almas impressionáveis.

9.
Giallo (2009)

O último filme de Argento (até à data) foi um fracasso de crítica e de bilheteira, e o próprio realizador se queixou da forte interferência dos produtores, demarcando-se do resultado final. Mas é, ainda assim, um belo thriller com sabor démodé. E Adrien Brody, em claro overacting,  deve ter-se divertido bastante a compor quer o polícia, quer o assassino (aqui irreconhecível e creditado com o anagramático pseudónimo de Byron Deidra).


 
P.S.:  Poucas obras darão tanto sentido à afirmação que postula que os grandes realizadores fazem sempre o mesmo filme, como a de Argento. Filme após filme repetem-se situações, motivos, obsessões.
Basicamente eu dividiria a sua filmografia em dois subgrupos: aqueles a que chamarei os gialli mais 'policiais' (em que o protagonista - quase sempre um homem - investiga os crimes cometidos por um serial killer) e os gialli mais de 'terror' (em que o protagonista - quase sempre uma jovem - sofre os desmandos do serial killer). Isto para avisar que eu tenho uma especial predilecção pelos primeiros; mas há exemplares magníficos em ambos os lados e, claro, nem sempre a distinção é clara.

16.1.12

E vão 6 sempre em grande


(6 temporadas sem jamais baixar o nível é obra)

11.1.12

O que aí vem

Expectativas altas para:

6.1.12

A gruta dos sonhos perdidos


Em 1994 um grupo de cientistas franceses descobriu as agora chamadas Grutas Chauvet, cheias de ossadas de animais e com dezenas de pinturas rupestres datando de há mais de 30 mil anos – quase o dobro de outra qualquer descoberta do género. O facto de um desabamento de rochas há milhares de anos ter tapado e escondido completamente as entradas permitiu que esta verdadeira cápsula do tempo tenha sobrevivido incólume até hoje. O local foi selado e só um grupo restrito de cientistas tinha acesso a ele, até que Herzog conseguiu uma inédita autorização para lá filmar durante uns dias (em condições limitadas).

O que poderia ser um interessante documentário 'à National Geographic' torna-se nas mãos de um dos criadores mais insólitos do cinema actual em algo um bocado diferente disso. Herzog está fascinado com os artistas (como lhes chama repetidamente) de há 30.000 anos, vê mesmo nas pinturas um proto-cinema (pois tentam emular o movimento dos animais), e divaga a partir daí sobre outras formas de arte que existiriam, como a música - foram  descobertas flautas da mesma época umas centenas de quilómetros ao lado, na Alemanha.

E, claro, Herzog interessa-se como sempre pelas pessoas com quem contacta, principalmente os 'cromos', como um arqueólogo do grupo que estuda as grutas, que antes de o ser trabalhava como malabarista num circo, ou um mestre perfumista que procura grutas escondidas através do olfacto...

Não se afastando nunca do seu objecto principal, a beleza das grutas, os cristais que as cobrem, as pinturas, os rastos animais e humanos, que filma longamente, Herzog não foge ainda assim ao seu estilo muito próprio: em alguns planos fixos, em que retrata os cientistas enquadrados como num quadro a olharem para a câmara, com banda sonora em fundo, lembrei-me de filmes como 'Fata Morgana', por exemplo.

E a ironia cortante de Herzog revela-se em todo o seu esplendor num post scriptum, em que nos mostra como uma central nuclear construída ali mesmo ao lado criou, com os seus vapores, um surreal ambiente tropical, com crocodilos e tudo, numa zona completamente gelada há apenas uns milhares de anos...

Cave of Forgotten Dreams, EUA/Canadá/França/Alemanha/Grã-Bretanha, 2010. Realização: Werner Herzog. Documentário.

5.1.12

Top 10 - 2011 (III)

Como é habitual, pedi aos colaboradores (em sabática) aqui do tasco para me enviarem os tops do ano decorrido. A seguir indico a do homem conhecido por Allen Douglas, que obviamente incluiu um filme do Woody Allen:


1. Pequenas mentiras entre amigos
2. A pele onde eu vivo
3. Vais conhecer o homem dos teus sonhos
4. Amor Estúpido e Louco
5. A minha versão do amor
6. Um dia
7. Super 8
8. Temos Papa
9. Somewhere
10. A Árvore da Vida

[Allen Douglas]

4.1.12

Top 10 - 2011 [II]

Como é habitual, pedi aos colaboradores (em sabática) aqui do tasco para me enviarem os tops do ano decorrido. Começamos com o do Puto:



1 - Um Ano Mais (Another Year), de Mike Leigh
2 - Melancolia (Melancholia), de Lars von Trier
3 - Poesia (Shi), de Chang-Dong Lee
4 - 50/50 (50/50), de Jonathan Levine
5 - Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris), de Woody Allen
6 - Cisne Negro (Black Swan), de Darren Aronofsky
7 - O Deus da Carnificina (Carnage), de Roman Polanski
8 - Eu Vi o Diabo (Akmareul Boatda), de Ji-Woon Kim
9 - O Preço da Traição (Chloe), de Atom Egoyan
10 - Um Método Perigoso (A Dangerous Method), de David Cronenberg

[O Puto]

Enterrado


Um americano, motorista de uma empresa privada a trabalhar na 'reconstrução' do Iraque, descobre ao acordar que está enterrado num caixão, em parte incerta. Só tem consigo um isqueiro, uma caneta, um pouco de álcool e, descobrimos depois porquê, um telemóvel. Claro que desata a telefonar para toda a parte, mas passa o tempo a falar com atendedores de mensagens (incluindo alguns com aquelas mensagens engraçadinhas), a ser posto em espera (inclui ter que ouvir aquelas ocas mensagens institucionais gravadas), a aturar telefonistas indiferentes ou rudes, a desesperar com burocratas obtusos que querem saber o seu número da segurança social e, cereja no topo do bolo, a ter uma conversa surreal com o director de pessoal da sua empresa (que se quer descartar dele a todo o custo). Isto enquanto está a ser chantageado, ameaçado de morte de várias maneiras, a ficar sem ar, sem carga, sem rede, etc., etc.

'Enterrado', enxutamente realizado pelo espanhol Rodrigo Cortés e interpretado sem sombra de overacting por Ryan Reynolds, tem sido gabado pelo verdadeiro ambiente de claustrofobia que cria, sufocando o espectador em 95 minutos 'reais' de tensão e incerteza, mas eu gostaria de o elogiar acima de tudo por ser um pequeno tratado certeiro e implacável sobre o absurdo do mundo em que vivemos.

Buried, E.U.A./Espanha/França, 2010. Realização: Rodrigo Cortés. Com: Ryan Reynolds.