Ben Gazzara no estupendo The Killing of a Chinese Bookie
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4.2.12
1.2.12
Os Descendentes
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'Os Descendentes' é comovente, e divertido, e outra vez comovente, e de novo divertido. E alterna - e por vezes faz coincidir - os dois estados com uma facilidade desconcertante.
Todo o elenco é óptimo, com natural destaque para George Clooney que merece todos os encómios e mais um, mas o maior mérito tem que ser atribuído a Alexander Payne, que consegue o impossível: manter o nível do esplêndido 'Sideways'.
Todo o elenco é óptimo, com natural destaque para George Clooney que merece todos os encómios e mais um, mas o maior mérito tem que ser atribuído a Alexander Payne, que consegue o impossível: manter o nível do esplêndido 'Sideways'.
The Descendants, E.U.A., 2011. Realização: Alexander Payne. Com: George Clooney, Shailene Woodley, Amara Miller, Nick Krause, Robert Forster, Matthew Lillard, Judy Greer, Beau Bridges.
31.1.12
J.Edgar
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Eastwood usa de forma inovadora a montagem paralela, alternando quase cena a cena a juventude e a velhice de Hoover, interligando os dois tempos através de um poderoso uso da voz off (de Di Caprio, no seu grande papel até à data), impondo um grande ritmo à narrativa. Também a fotografia é magnífica, e tem um papel importante neste vaivém contínuo.
Durante boa parte do filme Eastwood deixa-nos acreditar que simpatiza com Hoover, até que nos lembra subitamente que é o próprio biografado quem está a contar a sua história. Ou seja, que está a criar o seu mito. Eastwood deixa-o chegar aos últimos dias de vida para desconstruir esse mito: vemos então um homem essencialmente de gabinete, não de acção como quis imprimir na lenda, que reprimido por uma mãe severa e conservadora e pelos (seus próprios e da sociedade da época) valores reaccionários não foi nunca capaz de assumir a paixão pelo homem da sua vida (Clyde Tolson, que fez seu braço direito), e transferiu esse recalcamento para uma dedicação obsessiva a perseguir os 'inimigos da América' (muitas vezes usando métodos ilegais). O homem ultrapassado pelo tempo, cujo ódio irracional a Luther King não o deixa ver o verdadeiro vilão, Nixon, ao pé do qual ele próprio parece um mero aprendiz de feiticeiro (magnífica a cena em que, enquanto Hoover vitupera King, Eastwood nos mostra imagens de Nixon, de quem aliás consegue dar uma imagem devastadora aí em 5 minutos de filme).
Ainda assim, o retrato final é lisonjeiro para Hoover, ou seja, Eastwood 'deixa-o' criar um pouco o seu mito, o que certamente poderá causar incómodo em alguns espectadores. Seja como for, se o biopic (como é minha convicção) é um género do qual raramente se pode esperar algo de bom, este de Hoover, por Eastwood, é o mais próximo que pode estar de uma obra-prima.
J.Edgar, E.U.A., 2011. Realização: Clint Eastwood. Com: Leonardo DiCaprio, Armie Hammer, Naomi Watts, Judi Dench, Jeffrey Donovan, Dermot Mulroney, Josh Lucas, Zach Grenier, Stephen Root.
30.1.12
Attenberg
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'Attenberg' é um bom filme. O argumento, minimal, que segue a relutante entrada na idade adulta de uma rapariga grega nos vinte e poucos, é servido por uma realização que é simultaneamente contemplativa e precisa, e nos dá uma série de planos visualmente marcantes. A actriz principal, Ariane Labed, é excelente, a banda sonora, Suicide, Françoise Hardy, é impecável.
Só há um detalhe que refreou o meu entusiasmo por ele: no final fiquei com a sensação de que tinha visto o 'bom indie' do ano. Que o ano passado, por exemplo, foi 'Submarino', de Richard Ayoade, e há dois anos já nem me lembro. Ou seja, é um filme que merece a nossa atenção, desde logo por navegar em águas bem diferentes da maré hollywodiana que nos invade, mas que acaba por não se distinguir assim tanto de outros (bons) filmes indie que (felizmente) vão estreando nas salas.
Attenberg, Grécia, 2010. Realização: Athina Rachel Tsangari. Com: Ariane Labed, Giorgos Lanthimos, Vangelis Mourikis, Evangelia Randou.
24.1.12
Sondagem encerrada: Qual é o melhor filme de Kubrick?
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'2001 - Odisseia no espaço', com cerca de 23% dos votos (arredondei as percentagens), foi a escolha dos leitores (e a minha, já agora).
Seguiram-se 'Lolita', 'Laranja mecânica' e 'Shining' (13% cada); 'Barry Lyndon', 'De olhos bem fechados' e a opção 'outro' (vários leitores se referiram a 'Full Metal Jacket') recolheram 10% das preferências cada. 'Doutor Estranhoamor' fechou a contagem com 6% dos votos.
20.1.12
Qual é o melhor filme de Kubrick?
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Deixe a sua opinião na sondagem aqui ao lado! Começo eu: voto em '2001', após muita hesitação entre este e 'Lolita'.
19.1.12
Cultural prestige
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In the second part of the video documentary A Personal Journey With Martin Scorsese Through American Movies (1995) is a nine-minute stretch devoted to Tourneur that focuses on the first two horror films he directed for producer Val Lewton, the 1942 Cat People (made for only $134,000) and the 1943 I Walked With a Zombie. “In its own way,” Scorsese says, “Cat People was as important as Citizen Kane in the development of a more mature American cinema.” It seems an extreme statement, but it’s actually reasonable, because Tourneur and Lewton brought subtlety and poetic suggestion to B movies, while Welles brought a kind of intelligent bombast to A pictures. Both movies startled audiences–-Cat People ran longer at some venues than Citizen Kane–-but only Citizen Kane gained cultural prestige.Jonathan Rosenbaum
18.1.12
Dario Argento - Top 9
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Inspirado por Enrique Vila-Matas, que se revoltou contra o 'absurdo prestígio' dos 'números redondos', resolvi desta vez fugir ao habitual e redondo número 10.
Cá vai então o meu top 9 do mestre do giallo:
1.
O pássaro com plumas de cristal (1970)
Logo no seu primeiro filme Argento (re)inventa um género. Citando-me a mim próprio, se quiser ver um giallo veja este, que já está aqui tudo.
2.
Profondo rosso- O mistério da casa assombrada (1975)
Profondo rosso- O mistério da casa assombrada (1975)
Argento refina a sua arte, e dá-nos aquele que é talvez o seu 'policial' mais perfeito. David Hastings é o protagonista, e não é só por ele que nos lembramos do 'Blow-Up' de Antonioni.
3.
Ópera (1987)
Ópera (1987)
Uma cantora substituta torna-se uma estrela ao substituir a diva que é atropelada na véspera da estreia de 'Macbeth' de Verdi. Mas um psicopata não a larga...
'Ópera' é o meu preferido dos filmes de 'terror' de Argento e, para muitos fãs mais radicais, o último grande filme do mestre. A cena em que o assassino é desmascarado é puro surrealismo.
4.
Suspiria (1977)
Suspiria (1977)
Depois da famosa 'trilogia dos animais' e de 'Profondo Rosso', Argento deu uma guinada e virou-se para o terror e para o sobrenatural, iniciando uma nova trilogia, conhecida por 'Três Mães'.
'Suspiria' tornar-se-ia (com 'Profondo Rosso') o seu filme mais famoso. É um festival de cor, som e mortes espectaculares. E provavelmente o filme de Argento em que o espectador mais perde em não o ver num grande ecrã (como infelizmente foi o meu caso).
'Suspiria' tornar-se-ia (com 'Profondo Rosso') o seu filme mais famoso. É um festival de cor, som e mortes espectaculares. E provavelmente o filme de Argento em que o espectador mais perde em não o ver num grande ecrã (como infelizmente foi o meu caso).
5.
Tenebrae (1982)
Tenebrae (1982)
Um escritor americano de visita a Roma descobre que um misterioso serial killer anda a usar o seu último livro como inspiração. O mistério tem uma solução muito engenhosa, que Argento usou mais que uma vez com variações.
6.
O gato das sete vidas (1971)
dos grandes 'policiais' do mestre.
7.
A síndrome de Stendhal (1996)
Cena de abertura com Asia na Galeria Uffizi: Argento teve uma autorização única para lá filmar.
Uma jovem comissária da polícia investiga os crimes cometidos por um violador assassino e acaba ela própria por cair nas garras do psicopata. Ser violada por ele repetidas vezes é apenas parte do que lhe acontece no filme. Se pensarmos que para este papel Argento escolheu nem mais nem menos que a sua filha Asia...
8.
Phenomena (1985)
Uma teenager americana (Jennifer Connelly, com 14 anos), é enviada pelo seu pai, um actor famoso, para um selecto colégio interno suiço. Mas, adivinhe o leitor, anda por lá um psicopata à solta. E acontece que Jenniffer não é uma rapariga normal: tem o poder de 'comunicar' com os insectos.
Eu ia escrever que este é o filme mais bizarro de Argento, mas talvez seja 'Inferno' que mereça esse título. Fica para 'Phenomena' o de mais macabro. Nada aconselhável a almas impressionáveis.
O último filme de Argento (até à data) foi um fracasso de crítica e de bilheteira, e o próprio realizador se queixou da forte interferência dos produtores, demarcando-se do resultado final. Mas é, ainda assim, um belo thriller com sabor démodé. E Adrien Brody, em claro overacting, deve ter-se divertido bastante a compor quer o polícia, quer o assassino (aqui irreconhecível e creditado com o anagramático pseudónimo de Byron Deidra).
P.S.: Poucas obras darão tanto sentido à afirmação que postula que os grandes realizadores fazem sempre o mesmo filme, como a de Argento. Filme após filme repetem-se situações, motivos, obsessões.
Basicamente eu dividiria a sua filmografia em dois subgrupos: aqueles a que chamarei os gialli mais 'policiais' (em que o protagonista - quase sempre um homem - investiga os crimes cometidos por um serial killer) e os gialli mais de 'terror' (em que o protagonista - quase sempre uma jovem - sofre os desmandos do serial killer). Isto para avisar que eu tenho uma especial predilecção pelos primeiros; mas há exemplares magníficos em ambos os lados e, claro, nem sempre a distinção é clara.
























