No ípsilon de há umas semanas o crítico David Kehr escrevia que os filmes feitos em 1927 eram incrivelmente mais sofisticados do que os de hoje, e acrescentava que o forçado happy end de 'O Artista' mostra-o bem. Quem já tenha visto alguns dos clássicos do mudo não pode deixar de concordar.
O argumento de 'O Artista', sobre a decadência de uma vedeta do mudo e a ascensão de uma estrela surgida com o sonoro, mais o consequente romance entre ambos, é muito batido e a realização, não obstante algumas brincadeiras com o som (o filme não tem diálogos mas está cheio de música e sons) e com os intertítulos (o 'bang!') não sai da mediania e jamais surpreende. É um filme simpático, mas não mais do que isso.
Mas, claro, não há que deixar de elogiar a coragem de Michel Hazanavicius em fazer um filme quase-mudo e a preto e branco nos dias que correm, e a sua vontade de homenagear uma grande arte desaparecida há 80 anos. Ou seja, é o gesto cinéfilo que merece acima de tudo a nossa simpatia.
The Artist, França, 2011. Realização: Michel Hazanavicius. Com: Jean Dujardin, Bérénice Bejo, John Goodman, James Cromwell, Penelope Ann Miller.

















