Ainda vai o filme no início quando, depois de uma 'perigosa' escapadela à mercearia da esquina, iludindo os seus guardas, a idosa, já desmemoriada e vagamente demente Margaret Thatcher é repreendida pela filha. Thatcher olha para ela e diz-lhe algo como 'o que estás aqui a fazer, com a tua idade eu queria tudo menos estar agarrada às saias da minha mãe'. A dureza com que trata a filha, que está preocupada com ela, a sua incompreensão por a filha estar ali e não a 'viver a sua vida', resumem a sua personalidade dura, individualista, resoluta.
E eu achei logo aí que este filme valia a pena. Aliás todas as cenas da Thatcher idosa, às voltas com o fantasma do seu marido, com os seus fantasmas, são muito boas e Meryl Streep é nada menos que brilhante. As cenas quando o filme anda para trás também não são nada más, rápidas, sem grandes pormenores, perdendo-se apenas um pouco mais de tempo com a questão das ilhas Falkland , mas dando não obstante um bom retrato de Thatcher e da sua época. Mesmo se, tal como sucede em 'Edgar', também aqui o retrato seja mais lisonjeiro do que talvez pudéssemos supor.
Resumindo: segundo bom biopic deste (início de) ano. Quem diria.
The Iron Lady, Grã-Bretanha, 2011. Realização: Phyllida Lloyd. Com: Meryl Streep, Jim Broadbent, Iain Glen, Harry Lloyd, Anthony Head, Olivia Colman, Richard E. Grant.

















