Morreu Erland Josephson. Como é dito na nota do Público teve o seu primeiro encontro com Ingmar Bergman nos anos 40, nos palcos, entrando depois em vários dos seus filmes, incluindo dois que estão entre os filmes da minha vida, para usar uma expressão cara a João Bénard da Costa: 'Cenas da vida conjugal' (1973) e 'Saraband' (2003).
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26.2.12
O que eu tenho a dizer sobre os Óscares
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É coisa pouca: não vi 'A Invenção de Hugo', nem 'Cavalo de Guerra', nem 'As Serviçais', nem 'Extremamente Alto, Incrivelmente Perto', nem 'Moneyball - Jogada de Risco', mas dava a estatueta de melhor filme, de caras, a 'Os Descendentes'. E mesmo sem ter visto a performance de três das suas concorrentes, afirmo desde já que acho um escândalo se o respectivo Óscar não for para Meryl Streep, mas nomear Meryl Streep - a maior actriz de Hollywood - e depois dar o Óscar a outra nomeada qualquer é um dos desportos favoritos da Academia (já o fez 14 vezes).
De resto nunca vi uma cerimónia dos Óscares até hoje, e não é este ano que vou começar. Amanhã de manhã ouvirei os resultados da coisa na rádio.
25.2.12
As imagens bastam
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Nascido para o cinema no tempo do mudo (tinha cerca de 15 anos quando o som se instalou), Langlois era de opinião que as informações são dadas pelas imagens e que o deleite diante de um filme não depende da percepção dos diálogos. Os futuros cineastas da Nouvelle Vague que quase nada sabiam de inglês viram dezenas de filmes americanos sem legendas na cinemateca de Langlois e deram testemunho que isso os obrigava a prestar mais atenção aos elementos da mise en scène, à iluminação, à montagem.in Magníficas obsessões: João Bénard da Costa, um programador de cinema, de António Rodrigues
[...] Bénard conta uma experiência pessoal que teve neste domínio, quando Langlois de passagem por Lisboa, lhe pediu para ver 'O Passado e o presente', de Oliveira. Como a cópia não tinha legendas, Bénard sentou-se ao lado dele e foi traduzindo, mas Langlois mandou-o calar: "Se o filme for bom não preciso para nada que me conte a história. As imagens bastam-me". Riu-se e acrecentou: "Le cinéma muet".
24.2.12
A Dama de ferro
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Ainda vai o filme no início quando, depois de uma 'perigosa' escapadela à mercearia da esquina, iludindo os seus guardas, a idosa, já desmemoriada e vagamente demente Margaret Thatcher é repreendida pela filha. Thatcher olha para ela e diz-lhe algo como 'o que estás aqui a fazer, com a tua idade eu queria tudo menos estar agarrada às saias da minha mãe'. A dureza com que trata a filha, que está preocupada com ela, a sua incompreensão por a filha estar ali e não a 'viver a sua vida', resumem a sua personalidade dura, individualista, resoluta.
E eu achei logo aí que este filme valia a pena. Aliás todas as cenas da Thatcher idosa, às voltas com o fantasma do seu marido, com os seus fantasmas, são muito boas e Meryl Streep é nada menos que brilhante. As cenas quando o filme anda para trás também não são nada más, rápidas, sem grandes pormenores, perdendo-se apenas um pouco mais de tempo com a questão das ilhas Falkland , mas dando não obstante um bom retrato de Thatcher e da sua época. Mesmo se, tal como sucede em 'Edgar', também aqui o retrato seja mais lisonjeiro do que talvez pudéssemos supor.
Resumindo: segundo bom biopic deste (início de) ano. Quem diria.
The Iron Lady, Grã-Bretanha, 2011. Realização: Phyllida Lloyd. Com: Meryl Streep, Jim Broadbent, Iain Glen, Harry Lloyd, Anthony Head, Olivia Colman, Richard E. Grant.
21.2.12
O Artista
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No ípsilon de há umas semanas o crítico David Kehr escrevia que os filmes feitos em 1927 eram incrivelmente mais sofisticados do que os de hoje, e acrescentava que o forçado happy end de 'O Artista' mostra-o bem. Quem já tenha visto alguns dos clássicos do mudo não pode deixar de concordar.
O argumento de 'O Artista', sobre a decadência de uma vedeta do mudo e a ascensão de uma estrela surgida com o sonoro, mais o consequente romance entre ambos, é muito batido e a realização, não obstante algumas brincadeiras com o som (o filme não tem diálogos mas está cheio de música e sons) e com os intertítulos (o 'bang!') não sai da mediania e jamais surpreende. É um filme simpático, mas não mais do que isso.
Mas, claro, não há que deixar de elogiar a coragem de Michel Hazanavicius em fazer um filme quase-mudo e a preto e branco nos dias que correm, e a sua vontade de homenagear uma grande arte desaparecida há 80 anos. Ou seja, é o gesto cinéfilo que merece acima de tudo a nossa simpatia.
The Artist, França, 2011. Realização: Michel Hazanavicius. Com: Jean Dujardin, Bérénice Bejo, John Goodman, James Cromwell, Penelope Ann Miller.
20.2.12
Mimando cada vez mais a crítica de cinema
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TP. O jornalismo cultural está na sua maioria enfeudado a uma ideia «anedótica» do literário. Ou seja: resume a anedota do romance e dá estrelas (mimando cada vez mais a crítica de cinema, historicamente de constituição tardia e problemática).
[de uma pergunta de autor desconhecido no blog tantas páginas]
17.2.12
'Cópia certificada' é o filme do ano para a Liga dos Blogs Cinematográficos
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... por 1 voto (lembro que votei nele)!
Eis a muito renhida votação final:
1. Cópia Certificada, Abbas Kiarostami [14 votos]
2. A Árvore da Vida, Terrence Malick [13]
2. Tio Boonmee Que Que Se Lembra das suas Vidas Anteriores, Apichatpong Weerasethakul [13]
4. Melancolia, Lars Von Trier [7]
5. A Pele Onde eu Vivo, Pedro Almodóvar [5]
15.2.12
François Truffaut - Top 10
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1.
O início de uma aventura sem paralelo na história do cinema: a vida em cinco 'episódios' de Antoine Doinel (Jean-Pierre Leaud, o alter ego de Truffaut). Um filme de começos, que encerra com o plano fixo mais famoso de sempre.
2.
Uma obra-prima pouco citada, que tem aquela que é talvez a maior personagem feminina de Truffaut, Muriel, 'a puritana enamorada' como se auto-define.
3.
Um magnífico drama negro, que tem a curiosidade de se passar parcialmente em Lisboa.
4.
A maior declaração de amor ao cinema jamais filmada, perfeita antítese das cáusticas visões de Hollywood sobre si própria (de que é paradigma 'Crepúsculo dos Deuses' de outro grande, Billy Wilder).
5.
A terceira aventura de Doinel (a segunda é a curta-metragem 'Antoine e Colette'). Um filme de uma leveza bela como nunca mais ninguém (nem eventualmente Truffaut) filmou.
6.
Talvez o único filme de Truffaut que toda a gente é capaz de nomear para além de 'Os 400 golpes'. Tem outra das grandes personagens femininas do realizador, Catherine (Jeanne Moreau), indubitavelmente mais intensa e perturbante do que Jules e do que Jim, o que levaria por si só a uma longa discussão acerca do título do filme.
7.
O segundo filme de Truffaut adapta- e subverte- um pulp thriller americano, proporcionando ao popularíssimo cantor Charles Aznavour um papelaço. 'Disparem...' é provavelmente o filme mais atípico e experimental de Truffaut. Foi também um fracasso de bilheteira, e não falta quem pense, justa ou injustamente, que nunca mais Truffaut (que queria genuinamente fazer um cinema que comunicasse com o público) arriscou tanto.
8.
Quarto episódio do 'ciclo Doinel'. As cores começam a ser mais sombrias.
9.
O fecho do ciclo Doinel é um filme estranho, original, e que deixa no espectador um rasto de melancolia e até tristeza. Curiosamente foi um êxito de bilheteira, o que mostra a profunda ligação do público da época com Antoine Doinel. Se 'A noite americana' é um filme para cinéfilos, este, tão auto-referencial, é um filme para amantes de Truffaut.
10.
O homem que amava as mulheres
L'Homme qui amait les femmes, 1977

Bertrand Morane, um mulherengo inveterado - com um fetiche pelas pernas delas - escreve as suas mémórias. Truffaut, várias vezes acusado de chauvinismo, disse que este era "um filme feminista, ao estilo de Truffaut". Na enésima prova de que a vida imita a arte, no funeral do realizador, à semelhança do de Morane, estiveram presentes muitas das mulheres da sua vida.
L'Homme qui amait les femmes, 1977

Bertrand Morane, um mulherengo inveterado - com um fetiche pelas pernas delas - escreve as suas mémórias. Truffaut, várias vezes acusado de chauvinismo, disse que este era "um filme feminista, ao estilo de Truffaut". Na enésima prova de que a vida imita a arte, no funeral do realizador, à semelhança do de Morane, estiveram presentes muitas das mulheres da sua vida.
12.2.12
Alfred 2011
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Já foram definidos os finalistas do Alfred, prémio anual da Liga dos Blogues Cinematográficos, depois de uma primeira fase em que os membros da Liga indicaram os seus nomeados, entre os filmes estreados no Brasil em 2011.
A seguir indico os finalistas nas quatro principais categorias, com o meu voto a bold. Os vencedores do Alfred serão revelados na próxima quinta-feira, dia 16 de fevereiro.
filme
A Árvore da Vida,Terrence Malick
Cópia Certificada, Abbas Kiarostami
Melancolia, Lars Von Trier
A Pele Onde Eu Vivo, Pedro Almodóvar
Tio Boonmee Que Que Se Lembra das suas Vidas Anteriores, Apicahtpong Weerasethakul
realização
Abbas Kiarostami, Cópia Certificada
Apichatpong Weerasethakul, Tio Boonmee Que Se Lembra das suas Vidas Anteriores
Lars Von Trier, Melancolia
Pedro Almodóvar, A Pele Onde Eu Vivo
Terrence Malick´, A Árvore da Vida
actor
Colin Firth,O Discurso do Rei
Jeff Bridges, Indomável
Ryan Gosling, Blue Valentine - Só Tu e Eu
Ryan Gosling, Nos Idos de Março
William Shimell, Cópia Certificada
atriz
Hailee Steinfeld, Indomável
Julliette Binoche, Cópia Certificada
Kirsten Dunst, Melancolia
Michelle Williams, Blue Valentine - Só Tu e Eu
Natalie Portman, Cisne Negro
6.2.12
Millennium 1 - Os Homens que Odeiam as Mulheres
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Os suecos Niels Arden Oplev e Daniel Alfredson já haviam adaptado competentemente os três capitulos da besta célere do seu conterrâneo Stieg Larsson, mas claro que Hollywood também quis meter a mão na massa, e a empreitada saiu na rifa a David Fincher.
Não sei qual seria a minha reacção à fita fosse eu virgem na matéria, mas tendo já visto o original sueco posso dizer que o plot não aguentou uma revisão, e me aconteceu algo que nunca me tinha acontecido num filme de Fincher: aborreci-me.
Na minha opinião este remake não acrescenta nada, nem ao original, nem à obra de Fincher. É um filme perfeitamente desnecessário.
The Girl with the Dragon Tattoo, E.U.A./Suécia/Grã-Bretanha/Alemanha, 2011. Realização: David Fincher. Com: Daniel Craig, Rooney Mara, Robin Wright, Stellan Skarsgård, Christopher Plummer, Joely Richardson.

















