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25.3.12

Cosmopolis

15.3.12

Enter The Void – Viagem Alucinante



Sempre estreou por cá. Escrevi sobre ele aqui.

12.3.12

Westerns - Top 10

Quem me lê sabe que eu sou viciado em listas - e faze-las é uma mania comum a quase todos os cinéfilos. Assim sendo, não podia faltar aqui uma lista de um género que nasceu praticamente com o próprio cinema e é o meu preferido.

1.
O homem que matou Liberty Valance
The man who shot Liberty Valance,  John Ford (1962)
O  rude cowboy Tom Doniphon (John Wayne) perde a cidade e  a mulher que ama para o idealista advogado Ramsom Stoddard (James Stewart). O nostálgico adeus ao Velho Oeste de John Ford é um dos meus dois ou três filmes favoritos em qualquer género.

2.
Rio Bravo
Rio Bravo, Howard Hawks (1959)
Um xerife (John Wayne) tem que defender a prisão de um grupo de bandidos a soldo do senhor da cidade, contando apenas com a ajuda de um bêbado (Dean Martin), um velho (Walter Brennan) e um rapaz (Ricky Nelson).  Western clássico entre os clássicos, cujo tema daria origem a inúmeras variantes (como o excelente 'Assalto à 13ª esquadra', de Carpenter) também pode ser visto como um filme sobre a redenção de um homem (Martin, só aparentemente uma personagem secundária).
O crítico Robin Wood disse que se tivesse que escolher um filme que justificasse  a existência da Hollywood clássica, esse filme seria Rio Bravo.

3.
A desaparecida
The Searchers, John Ford (1956)
John Wayne persegue durante anos um bando de índios que massacrou a família do irmão e raptou a sua sobrinha (Natalie Wood). Quando finalmente a encontra, ela já é uma squaw, e ele hesita entre matá-la ou levá-la de volta.
Nunca Monument Valley foi tão belo e nunca Wayne foi tão violento como nesta obra-prima do cinema, que Godard não hesitou em comparar a Homero.

4.
Imperdoável
Unforgiven, Clint Eastwood (1992)
Ao 16º filme atrás da câmara, Clint Eastwood recebe a consagração dos seus pares (Óscar para melhor filme e melhor realizador), ao desconstruir o seu próprio mito. A vaga dos westerns 'revisionistas' começou ainda nos anos 50, mas é aqui que atinge o seu ponto mais alto.

5.
Duelo ao Sol
Duel in the Sun, King Vidor (1946)
Scorsese começa o magnífico 'Uma viagem pelo cinema americano' a falar deste filme, que viu com a sua mãe quando tinha 4 anos e que o fascinou até hoje. Foi assinado por um dos grandes pioneiros de Hollywood, King Vidor, mas era um projecto pessoal do produtor, David O. Selznick, que se fartou de interferir até ao ponto de Vidor bater com a porta (e o filme passou, em maior ou menor grau,  pelas mãos de cinco outros realizadores, incluindo William Dieterle e Joseph Von Sternberg).
Melodramático, de forte pendor erótico e filmado em exuberante Technicolor, foi a tentativa de Selznick repetir o êxito de 'E tudo o vento levou' agora com Jennifer Jones, isto é, a futura Mrs.Selznick.

6.
Johnny Guitar
Johnny Guitar, Nicholas Ray (1954)
Não há cinéfilo português que não conheça a lenda de João Bénard da Costa à volta deste filme, o filme da sua vida, que segundo o próprio viu 68 vezes entre 1957 e 1988. (e, se não me falham as contas, um dos 3 westerns que programou para o ciclo 'Como o cinema era belo', 50 filmes para comemorar 50 anos da Gulbenkian). Quem já o viu, não esquece um dos diálogos mais memoráveis da história do cinema.

7.
Emboscada Fatal
Comanche Station, Budd Boeticher (1960)
Sétimo e último western protagonizado por Randolph Scott sob direcção de Budd Boeticher, um antigo toureiro convertido em grande realizador de westerns série B.
Aqui Scott é um antigo oficial, um solitário que passa a vida em território Comanche resgatando mulheres raptadas pelos índios, em troca de bens. A sua persona lacónica e desencantada esconde a esperança de encontrar a sua própria mulher, raptada 10 anos antes.
Um belíssimo filme, enésima prova que em cinema os orçamentos têm pouco a ver com o resultado final.

 8.
Os abutres têm fome
Two mules for sister Sarah, Don Siegel (1970)

Sem dúvida o filme mais divertido desta lista, juntando uma dupla mais que improvável: Shirley MacLaine e Clint Eastwood. O argumento é de Budd Boeticher, muito longe do ambiente dos seus próprios  filmes, e está também nos antípodas do que se esperaria de um filme de Don Siegel. Eu  quando o vi lembrei-me de... Billy Wilder (que nunca filmou um western)!

9.
O mercenário
A Bullet for the General /El Chucho, quién sabe?, Damiano Damiani (1966)
Obviamente a ausência mais notória deste top é Sergio Leone, mas o pai do western spaghetti é um realizador que eu admiro mas não amo. Devo ser caso único à face da terra, mas a verdade é que prefiro os western zapata, em que bandos de revolucionários/salteadores espalham o terror pela paisagem Mexicana. Este, assinado por Damiano Damiani, com Gian Maria Volonté, Klaus Kinski e Lou Castel, é uma verdadeira pérola desse subgénero de subgénero.

10.
Esporas de aço
The Naked Spur, Anthony Mann (1953)
James Stewart persegue um conterrâneo, procurado por assassinato (grande papel de Robert Ryan), para com o dinheiro da recompensa recuperar o rancho que perdeu por causa de uma mulher. Mas vai ter que escolher entre recomeçar com dinheiro ou com recomeçar com outra mulher (Janet Leigh).
Todo filmado em exteriores, sendo a paisagem uma personagem por direito próprio, Esporas de Aço é  o meu preferido dos famosos westerns que Super Mann filmou com Jimmy Stewart nos anos 50.

5.3.12

Vergonha


O que me veio primeiro à mente ao ver 'Vergonha' foi 'Psicopata Americano', o de Bret Easton Ellis, bem adaptado por Mary Harron à tela há uma dúzia de anos. Aqui temos um sex addict e não um assassino, mas o vazio existencial é o mesmo, a fria Nova Iorque dos endinheirados a mesma. Neste aspecto, pareceu-me que 'Vergonha' conta a mesma história de sempre.

Posto  isto, Steve McQueen é realizador (já toda a gente falou de Carey Mulligan a cantar 'New York, New York' com todo o vagar do mundo, do dificílimo diálogo do jantar a dois, do exasperado jogging nocturno de Brandon Sullivan) e - mérito que também lhe deve ser atribuído - encontrou um actor do caraças para os seus filmes. Michael Fassbender, melancólico, de sorriso triste, senhor de um desespero tranquilo, quase prestes a desabar, é mais, muito mais de meio filme. Na minha opinião, bate aos pontos o Ryan Gosling de 'Drive', e eu gostei muito de 'Drive'. É mais sofisticado, tem mais pinta e menos pose. Consegue mais com menos. O filme é impensável com outro actor.

Shame, Grã-Bretanha, 2012. Realização: Steve McQueen. Com: Michael Fassbender, Carey Mulligan, Nicole Beharie, James Badge Dale e Hannah Ware.

26.2.12

Erland Josephson (1923-2012)


Morreu Erland Josephson. Como é dito na nota do Público teve o seu primeiro encontro com Ingmar Bergman nos anos 40, nos palcos, entrando depois em vários dos seus filmes, incluindo dois que estão entre os filmes da minha vida, para usar uma expressão cara a João Bénard da Costa: 'Cenas da vida conjugal' (1973) e 'Saraband' (2003).

O que eu tenho a dizer sobre os Óscares


É coisa pouca: não vi 'A Invenção de Hugo', nem 'Cavalo de Guerra', nem 'As Serviçais', nem 'Extremamente Alto, Incrivelmente Perto', nem 'Moneyball - Jogada de Risco', mas dava a estatueta de melhor filme, de caras, a 'Os Descendentes'. E mesmo sem ter visto a performance de três das suas concorrentes, afirmo desde já que acho um escândalo se o respectivo Óscar não for para Meryl Streep, mas nomear Meryl Streep - a maior actriz de Hollywood - e depois dar o Óscar a outra nomeada qualquer é um dos desportos favoritos da Academia (já o fez 14 vezes).

De resto nunca vi uma cerimónia dos Óscares até hoje, e não é este ano que vou começar. Amanhã de manhã ouvirei os resultados da coisa na rádio.

25.2.12

As imagens bastam


Nascido para o cinema no tempo do mudo (tinha cerca de 15 anos quando o som se instalou), Langlois era de opinião que as informações são dadas pelas imagens e que o deleite diante de um filme não depende da percepção dos diálogos. Os futuros cineastas da Nouvelle Vague que quase nada sabiam de inglês viram dezenas de filmes americanos sem legendas  na cinemateca de Langlois e deram testemunho que isso os obrigava a prestar mais atenção aos elementos da mise en scène, à iluminação, à montagem.

[...] Bénard conta uma experiência pessoal que teve neste domínio, quando Langlois de passagem por Lisboa, lhe pediu para ver 'O Passado e o presente', de Oliveira. Como a cópia não tinha legendas, Bénard sentou-se ao lado dele e foi traduzindo, mas Langlois mandou-o calar: "Se o filme for bom não preciso para nada que me conte a história. As imagens bastam-me". Riu-se e acrecentou: "Le cinéma muet".
in Magníficas obsessões: João Bénard da Costa, um programador de cinema, de António Rodrigues

24.2.12

A Dama de ferro


Ainda vai o filme no início quando, depois de uma 'perigosa' escapadela à mercearia da esquina, iludindo os seus guardas, a idosa, já desmemoriada e vagamente demente Margaret Thatcher é repreendida pela filha. Thatcher olha para ela e diz-lhe algo como 'o que estás aqui a fazer, com a tua idade eu queria tudo menos estar agarrada às saias da minha mãe'. A dureza com que trata a filha, que está preocupada com ela, a sua incompreensão por a filha estar ali e não a 'viver a sua vida', resumem a sua personalidade dura, individualista, resoluta.

E eu achei logo aí que este filme valia a pena. Aliás todas as cenas da Thatcher idosa, às voltas com o fantasma do seu marido, com os seus fantasmas, são muito boas e Meryl Streep é nada menos que brilhante. As cenas quando o filme anda para trás também não são nada más, rápidas, sem grandes pormenores, perdendo-se apenas um pouco mais de tempo com a questão das ilhas Falkland , mas dando não obstante um bom retrato de Thatcher e da sua época. Mesmo se, tal como sucede em 'Edgar', também aqui o retrato seja mais lisonjeiro do que talvez pudéssemos supor.

Resumindo: segundo bom biopic deste (início de) ano. Quem diria.

The Iron Lady, Grã-Bretanha, 2011. Realização: Phyllida Lloyd. Com: Meryl Streep, Jim Broadbent, Iain Glen, Harry Lloyd, Anthony Head, Olivia Colman, Richard E. Grant.

21.2.12

O Artista


No ípsilon de há umas semanas o crítico David Kehr escrevia que os filmes feitos em 1927 eram incrivelmente mais sofisticados do que os de hoje, e acrescentava que o forçado happy end de 'O Artista' mostra-o bem. Quem já tenha visto alguns dos clássicos do mudo não pode deixar de concordar.

O argumento de 'O Artista', sobre a decadência de uma vedeta do mudo e a ascensão de uma estrela surgida com o sonoro, mais o consequente romance entre ambos, é muito batido e a realização, não obstante algumas brincadeiras com o som (o filme não tem diálogos mas está cheio de música e sons) e com os intertítulos (o 'bang!') não sai da mediania e jamais surpreende. É um filme simpático, mas não mais do que isso.

Mas, claro, não há que deixar de elogiar a coragem de Michel Hazanavicius em fazer um filme quase-mudo e a preto e branco nos dias que correm, e a sua vontade de homenagear uma grande arte desaparecida há 80 anos. Ou seja, é o gesto cinéfilo que merece acima de tudo a nossa simpatia.

The Artist, França, 2011. Realização: Michel Hazanavicius. Com: Jean Dujardin, Bérénice Bejo, John Goodman, James Cromwell, Penelope Ann Miller.

20.2.12

Mimando cada vez mais a crítica de cinema


TP. O jornalismo cultural está na sua maioria enfeudado a uma ideia «anedótica» do literário. Ou seja: resume a anedota do romance e dá estrelas (mimando cada vez mais a crítica de cinema, historicamente de constituição tardia e problemática).

[de uma pergunta de autor desconhecido no blog tantas páginas]