Nagisa Oshima, Bertrand Bonello, Michael Winterbottom, Jean-Claude Brisseau, Olivier Assayas, Andrzej Zulawski, Anne Fontaine, Pascale Ferran e Lone Scherfig num quiosque perto de si, pela simpática quantia de 2,99€.
Nova colecção de cinema independente do Público? Nãaaa... é a colecção 'Filmes eróticos' do Correio da Manhã...
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14.5.12
9.5.12
Margin Call — O Dia Antes do Fim
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Devido a coisas que não vêm ao caso tenho andado completamente dessincronizado com o que tem estreado. Espero sintonizar-me a curto prazo, mas entretanto aproveito para elogiar vivamente este filme estreado há um par de meses, que nos dá um belo insight sobre o actual mundo da finança, em que um chefe intermédio de uma correctora daquelas que levaram o mundo ao estado em que está ganha uns míseros 2,5 milhões /ano (que voam ‘rapidamente: do que sobra dos impostos vão 150.000 para um carro, 75.000 para restaurantes, 50.000 para roupas e o resto fica para um dia chuvoso’) e um chefão amealha, huumm, 86 milhões. Jeremy Irons e Kevin Spacey comandam um elenco luxuoso e o estreante J.C.Chandor merece ficar debaixo de olho: a realização é mesmo muito boa.
Margin Call, E.U.A., 2012. Realização: J.C. Chandor. Com: Zachary Quinto, Kevin Spacey, Paul Bettany, Jeremy Irons, Penn Badgley, Simon Baker, Demi Moore, Stanley Tucci.
3.5.12
2.5.12
Fernando Lopes (1935-2012)
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Unknown
Morreu Fernando Lopes. Escrevi há cerca de 2 anos: Fernando Lopes é o autor de um dos grandes filmes do cinema português: 'Belarmino'. Além disso, é uma personalidade que vale muito a pena conhecer (...)
11.4.12
Comprámos um zoo
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'Comprámos um zoo' ameaça por diversas vezes tornar-se numa lamechice pegada (a propósito: onde é que os americanos fabricam estas crianças-prodígio?), mas Cameron Crowe consegue escapar miraculosamente por entre as pingas de chuva. Não é um Alexander Payne - desde logo é bastante mais exibicionista, não resistindo a meia dúzia de postais com banda sonora a condizer - mas ainda assim é realizador suficiente para nos proporcionar uma estupenda cena com uma brutal mas tocante discussão pai-filho, corolário do modo hábil com que o realizador trata toda a difícil relação entre os dois. É o ponto alto de uma fita simpática, que de resto está longe de atingir o nível de 'Os descendentes', com que tem afinidades temáticas.
We Bought a Zoo, E.U.A., 2012. Realização: Cameron Crowe. Com: Matt Damon, Scarlett Johansson, Thomas Haden Church, Colin Ford, Maggie Elizabeth Jones, Angus Macfadyen, Elle Fanning, Patrick Fugit.
5.4.12
Jovem Adulta
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Unknown
Gostei muito de 'Juno' (2007, realização de Jason Reitman, argumento de Diablo Cody) de que quase ninguém gostou, não gostei lá muito de 'Nas nuvens' (2009, realização de Jason Reitman) de que quase toda a gente gostou, e não gostei nadinha de 'O corpo de Jennifer' (2009, argumento de Diablo Cody) de que ninguém gostou. Para não variar, agora que o par Reitman-realizador/Cody-argumentista se voltou a juntar, tornei a gostar bastante do resultado, este 'Jovem adulta' (2011), de que quase ninguém gostou.
O filme é mais uma variante desse verdadeiro tema clássico indie que já aqui referi várias vezes, o do trintão em crise existencial que volta à terrinha natal para curar as suas mágoas. Nada de muito original, à partida. Mas uma grande interpretação de Charlize Theron e a realização bastante cool de Reitman tornam-no um surpreendente feel good movie, que até acaba por dar um pouco a volta ao tema. E Charlize Theron, quase que nem vale a pena dizê-lo, continua belíssima.
Young Adult, E.U.A., 2011. Realização: Jason Reitman. Com: Charlize Theron, Elizabeth Reaser, Patrick Wilson, Patton Oswalt, J.K. Simmons.
25.3.12
15.3.12
12.3.12
Westerns - Top 10
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Unknown
Quem me lê sabe que eu sou viciado em listas - e faze-las é uma mania comum a quase todos os cinéfilos. Assim sendo, não podia faltar aqui uma lista de um género que nasceu praticamente com o próprio cinema e é o meu preferido.
1.
O homem que matou Liberty Valance
The man who shot Liberty Valance, John Ford (1962)
The man who shot Liberty Valance, John Ford (1962)
O rude cowboy Tom Doniphon (John Wayne) perde a cidade e a mulher que ama para o idealista advogado Ramsom Stoddard (James Stewart). O nostálgico adeus ao Velho Oeste de John Ford é um dos meus dois ou três filmes favoritos em qualquer género.
2.
Rio Bravo
Rio Bravo, Howard Hawks (1959)
Rio Bravo, Howard Hawks (1959)
Um xerife (John Wayne) tem que defender a prisão de um grupo de bandidos a soldo do senhor da cidade, contando apenas com a ajuda de um bêbado (Dean Martin), um velho (Walter Brennan) e um rapaz (Ricky Nelson). Western clássico entre os clássicos, cujo tema daria origem a inúmeras variantes (como o excelente 'Assalto à 13ª esquadra', de Carpenter) também pode ser visto como um filme sobre a redenção de um homem (Martin, só aparentemente uma personagem secundária).
O crítico Robin Wood disse que se tivesse que escolher um filme que justificasse a existência da Hollywood clássica, esse filme seria Rio Bravo.
3.
A desaparecida
The Searchers, John Ford (1956)
John Wayne persegue durante anos um bando de índios que massacrou a família do irmão e raptou a sua sobrinha (Natalie Wood). Quando finalmente a encontra, ela já é uma squaw, e ele hesita entre matá-la ou levá-la de volta.
The Searchers, John Ford (1956)
John Wayne persegue durante anos um bando de índios que massacrou a família do irmão e raptou a sua sobrinha (Natalie Wood). Quando finalmente a encontra, ela já é uma squaw, e ele hesita entre matá-la ou levá-la de volta.
Nunca Monument Valley foi tão belo e nunca Wayne foi tão violento como nesta obra-prima do cinema, que Godard não hesitou em comparar a Homero.
4.
4.
Imperdoável
Unforgiven, Clint Eastwood (1992)
Unforgiven, Clint Eastwood (1992)
Ao 16º filme atrás da câmara, Clint Eastwood recebe a consagração dos seus pares (Óscar para melhor filme e melhor realizador), ao desconstruir o seu próprio mito. A vaga dos westerns 'revisionistas' começou ainda nos anos 50, mas é aqui que atinge o seu ponto mais alto.
5.
Duelo ao Sol
Duel in the Sun, King Vidor (1946)
Scorsese começa o magnífico 'Uma viagem pelo cinema americano' a falar deste filme, que viu com a sua mãe quando tinha 4 anos e que o fascinou até hoje. Foi assinado por um dos grandes pioneiros de Hollywood, King Vidor, mas era um projecto pessoal do produtor, David O. Selznick, que se fartou de interferir até ao ponto de Vidor bater com a porta (e o filme passou, em maior ou menor grau, pelas mãos de cinco outros realizadores, incluindo William Dieterle e Joseph Von Sternberg).
Melodramático, de forte pendor erótico e filmado em exuberante Technicolor, foi a tentativa de Selznick repetir o êxito de 'E tudo o vento levou' agora com Jennifer Jones, isto é, a futura Mrs.Selznick.
6.
Duel in the Sun, King Vidor (1946)
Scorsese começa o magnífico 'Uma viagem pelo cinema americano' a falar deste filme, que viu com a sua mãe quando tinha 4 anos e que o fascinou até hoje. Foi assinado por um dos grandes pioneiros de Hollywood, King Vidor, mas era um projecto pessoal do produtor, David O. Selznick, que se fartou de interferir até ao ponto de Vidor bater com a porta (e o filme passou, em maior ou menor grau, pelas mãos de cinco outros realizadores, incluindo William Dieterle e Joseph Von Sternberg).
Melodramático, de forte pendor erótico e filmado em exuberante Technicolor, foi a tentativa de Selznick repetir o êxito de 'E tudo o vento levou' agora com Jennifer Jones, isto é, a futura Mrs.Selznick.
6.
Johnny Guitar
Johnny Guitar, Nicholas Ray (1954)
Não há cinéfilo português que não conheça a lenda de João Bénard da Costa à volta deste filme, o filme da sua vida, que segundo o próprio viu 68 vezes entre 1957 e 1988. (e, se não me falham as contas, um dos 3 westerns que programou para o ciclo 'Como o cinema era belo', 50 filmes para comemorar 50 anos da Gulbenkian). Quem já o viu, não esquece um dos diálogos mais memoráveis da história do cinema.
7.
Emboscada Fatal
Comanche Station, Budd Boeticher (1960)
Um belíssimo filme, enésima prova que em cinema os orçamentos têm pouco a ver com o resultado final.
8.
7.
Emboscada Fatal
Comanche Station, Budd Boeticher (1960)
Sétimo e último western protagonizado por Randolph Scott sob direcção de Budd Boeticher, um antigo toureiro convertido em grande realizador de westerns série B.
Aqui Scott é um antigo oficial, um solitário que passa a vida em território Comanche resgatando mulheres raptadas pelos índios, em troca de bens. A sua persona lacónica e desencantada esconde a esperança de encontrar a sua própria mulher, raptada 10 anos antes. Um belíssimo filme, enésima prova que em cinema os orçamentos têm pouco a ver com o resultado final.
8.
Os abutres têm fome
Two mules for sister Sarah, Don Siegel (1970)

Sem dúvida o filme mais divertido desta lista, juntando uma dupla mais que improvável: Shirley MacLaine e Clint Eastwood. O argumento é de Budd Boeticher, muito longe do ambiente dos seus próprios filmes, e está também nos antípodas do que se esperaria de um filme de Don Siegel. Eu quando o vi lembrei-me de... Billy Wilder (que nunca filmou um western)!
Two mules for sister Sarah, Don Siegel (1970)
Sem dúvida o filme mais divertido desta lista, juntando uma dupla mais que improvável: Shirley MacLaine e Clint Eastwood. O argumento é de Budd Boeticher, muito longe do ambiente dos seus próprios filmes, e está também nos antípodas do que se esperaria de um filme de Don Siegel. Eu quando o vi lembrei-me de... Billy Wilder (que nunca filmou um western)!
9.
O mercenário
A Bullet for the General /El Chucho, quién sabe?, Damiano Damiani (1966)
Obviamente a ausência mais notória deste top é Sergio Leone, mas o pai do western spaghetti é um realizador que eu admiro mas não amo. Devo ser caso único à face da terra, mas a verdade é que prefiro os western zapata, em que bandos de revolucionários/salteadores espalham o terror pela paisagem Mexicana. Este, assinado por Damiano Damiani, com Gian Maria Volonté, Klaus Kinski e Lou Castel, é uma verdadeira pérola desse subgénero de subgénero.
10.
Esporas de aço
The Naked Spur, Anthony Mann (1953)
James Stewart persegue um conterrâneo, procurado por assassinato (grande papel de Robert Ryan), para com o dinheiro da recompensa recuperar o rancho que perdeu por causa de uma mulher. Mas vai ter que escolher entre recomeçar com dinheiro ou com recomeçar com outra mulher (Janet Leigh).
Todo filmado em exteriores, sendo a paisagem uma personagem por direito próprio, Esporas de Aço é o meu preferido dos famosos westerns que Super Mann filmou com Jimmy Stewart nos anos 50.
5.3.12
Vergonha
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Unknown
O que me veio primeiro à mente ao ver 'Vergonha' foi 'Psicopata Americano', o de Bret Easton Ellis, bem adaptado por Mary Harron à tela há uma dúzia de anos. Aqui temos um sex addict e não um assassino, mas o vazio existencial é o mesmo, a fria Nova Iorque dos endinheirados a mesma. Neste aspecto, pareceu-me que 'Vergonha' conta a mesma história de sempre.
Posto isto, Steve McQueen é realizador (já toda a gente falou de Carey Mulligan a cantar 'New York, New York' com todo o vagar do mundo, do dificílimo diálogo do jantar a dois, do exasperado jogging nocturno de Brandon Sullivan) e - mérito que também lhe deve ser atribuído - encontrou um actor do caraças para os seus filmes. Michael Fassbender, melancólico, de sorriso triste, senhor de um desespero tranquilo, quase prestes a desabar, é mais, muito mais de meio filme. Na minha opinião, bate aos pontos o Ryan Gosling de 'Drive', e eu gostei muito de 'Drive'. É mais sofisticado, tem mais pinta e menos pose. Consegue mais com menos. O filme é impensável com outro actor.
Shame, Grã-Bretanha, 2012. Realização: Steve McQueen. Com: Michael Fassbender, Carey Mulligan, Nicole Beharie, James Badge Dale e Hannah Ware.















