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2.8.12

'Vertigo' eleito o melhor filme de sempre


Pela 1ª vez em 50 anos, 'Citizen Kane' não encabeça a lista do BFI dos melhores filmes de sempre. 'Vertigo' (Hitchcock, 1958) foi o mais votado pelos 846 críticos e outros profissionais convidados a votar este ano (a votação realiza-se de 10 em 10 anos).

O filme de Welles ficou desta vez em 2º lugar, sendo o top 10 completado com 'Tokyo Story' (Ozu), 'A regra do Jogo' (Renoir), 'Aurora' (Murnau), '2001' (Kubrick), 'A desaparecida' (Ford), 'O homem da câmara de filmar' (Vertov), 'A paixão de Joana D´Arc' (Dreyer) e '8 1/2' (Fellini).

Será interessante verificar quem votou em quê, quando (esperemos) à semelhança das votações anteriores for divulgada a votação individual de cada convidado.

1.8.12

Gore Vidal (1925-2012)


Costumava referir-se a qualquer filme de que tivesse escrito o argumento como 'o meu filme X', reclamando assim a autoria para si e não para o realizador. E certamente esta era uma das menores idiossincrasias de Gore Vidal, escritor, polemista, um dos grandes intelectuais do século passado, falecido ontem aos 86 anos.

Quando agora me movo, graciosamente, espero, em direcção da porta marcada Saída, ocorre-me que a única coisa que eu realmente gostava de fazer era ir ao cinema. É claro que o sexo e a arte sempre tiveram precedência sobre o cinema, mas nunca nenhum deles se mostrou tão digno de confiança como a filtragem da luz presente através daquela película de celulóide, que projecta imagens e vozes do passado num ecrã, mostrando assim a história por um processo aparentemente simples.

[Gore Vidal, Navegação Ponto por Ponto - Memórias 1964-2006]

30.7.12

Chris Marker (1921-2012)



Morreu, aos 91 anos, Chris Marker. Bastava La Jetée, filme com apenas 26 minutos, mas dos mais originais e fascinantes que já vi, para o seu nome figurar em lugar destacado na história do cinema.

27.7.12

!?

Andei para aqui a mexer e o resultado foi que isto ficou com o cabeçalho e com os posts duplicados, vá-se lá saber porquê.

Se alguém quiser dar uma ajuda...

[Adenda - Problema resolvido!]

26.7.12

Weekend


Dois homens na casa dos vinte e tal conhecem-se numa discoteca gay em Londres, e o que seria um one-night stand talvez se transforme em algo mais. 'Weekend' é uma espécie de '9 songs' sem concertos, sem sexo explícito e sem a miúda. Mas aguenta-se.

O filme vive muito dos seus actores, e se Tom Cullen é um bocado canastrão, já Chris New - uma espécie de Ryan Gosling baixote - tem carisma para dar e vender.

Não sendo uma obra-prima, devo dizer que é o meu género de filme: 'realista', sem grande história, pretendendo captar algo do zeitgeist de uma certa Londres da actualidade. Valia a pena estrear por cá.

Weekend, Reino Unido, 2011. Realização: Andrew Haigh. Com: Tom Cullen, Chris New.

19.7.12

...


Retirado daqui, descoberto via Ricardo Gross.

16.7.12

Moonrise Kingdom


Quem achava que Wes Anderson se tinha 'normalizado' um pouco após "The Life Aquatic..." (porventura o filme mais bizarro da Andersonlandia) pode tirar o cavalinho da chuva. 'Moonrise Kingdom' (que o distribuidor português se dispensou de traduzir) tem chapados todos os temas (a família, basicamente) e idiossincrasias (não vale a pena repetir mais nada sobre os uniformes das suas personagens e os cenários em que se movem) de Anderson, mas elevados ao quadrado.

Quem inicialmente achou Anderson apenas uma curiosidade, há muito que se terá cansado dele; quem ficou seu fã, de certeza que não se queixará deste novo episódio - certamente um dos mais extravagantes -  da sua obra, pessoal como poucas.

Tivesse este blog estrelinhas, eu não daria as 5 a este filme (reservadas para os Tenenbaums, para o Hotel Chevalier e para o Mr.Fox), mas levava 4. E aliás não daria nota inferior a nenhum Anderson.

Moonrise Kingdom, E.U.A., 2012. Realização: Wes Anderson. Com: Bruce Willis, Edward Norton, Bill Murray, Kara Hayward, Jason Schwartzman, Jared Gilman, Frances McDormand, Tilda Swinton, Harvey Keitel, Bob Balaban.

29.6.12

Woody Allen - Top 10

Há mais de 4 décadas que praticamente todos os anos estreia um filme de Woody Allen em sala, o que é garantidamente caso único. Em todos eles podemos encontrar alguns dos melhores diálogos de Hollywood -  e algumas das melhores piadas.
Enquanto esperamos pela colheita de 2012 (To Rome With Love),  cá vai o meu top 10, por ordem crescente:

10.
Annie Hall
(1977)
Ponto de viragem na carreira de Allen, após uma primeira fase de comédias puras e duras, este romance entre o neurótico comediante Alvyn Singer (adivinhem representado por quem) e a excêntrica Annie Hall (Diane Keaton), com muitos tons autobiográficos, dá o mote para o que viria ser a obra de Allen que hoje conhecemos.

9.
Vicky Cristina Barcelona
(2008)
Na minha opinião o último grande filme de Allen (até à data!): uma dupla de fazer suspirar, Scarlett Johansson e Rebecca Hall  e, uma vez mais, uma combinação imbatível de leveza e gravidade. Allen destila charme e faz-nos rir com um filme em que ninguém é verdadeiramente feliz e que não acaba bem para uma única personagem.

8.
Balas sobre a Broadway
Bullets over Broadway (1994)

Uma bela meditação sobre o talento artístico (há quem nasça um génio e há quem não nasça. Ponto final.), a partir duma daquelas ideias que só podiam sair da cabeça de Allen: o gorila que vigia a bimba candidata a actriz, amante-do-chefe-da-máfia-que-paga-a-peça, é infinitamente mais talentoso que o pretensioso dramaturgo e encenador que se acha um artista incompreendido (John Cusack, em grande).

7.
O agente da Broadway
Broadway Danny Rose (1984)
Danny Rose (Woody Allen) é o agente que faz tudo pelos seus artistas, do sapateador perneta ao cantor de charme italiano alcoólico, mas que é abandonado por estes mal têm algum sucesso. Danny é uma das grandes criações de Allen, que obviamente trata este looser com grande admiração e carinho, dando-lhe o merecido final feliz que a sua azarada sina ao longo do filme (um dos mais tristes de Allen, embora cheio de humor) não previa.

6.
Zelig
(1983)
Não podia faltar aqui este famoso falso documentário sobre o homem-camaleão Leonard Zelig, que se transforma de acordo com o meio que o rodeia. Um prodigio técnico e de imaginação.

5.
Maridos e mulheres
Husbands and Wives (1992)
As voltas e reviravoltas matrimoniais de dois casais amigos. Gabe (Woody Allen) tenta-se por uma aluna sobredotada (Juliette Lewis) e Jack (Sydney Polack) fica obcecado pela sua professora de aérobica. Judy, mulher de Gabe (Mia Farrow) apaixona-se por um colega (Liam Neeson) e apenas a exigente e intelectualmente brilhante Sally, mulher de Jack (magnífica Judy Davies), descobre que é mulher de um só homem.
É um filme mais sisudo que a maioria dos aqui citados (não obstante a jeitosa mas tonta professora de aeróbica ser massacrada por Allen), mas é dos mais brilhantes e eu diria mesmo 'allennianos' na análise das relações humanas. Tem ainda uma estrutura muito original - Allen é tão bom argumentista que por vezes até nos esquecemos de quão grande realizador também é.

4.
Match Point
(2005)
O único Allen consensual dos anos '00 é quase um remake de 'Crimes e escapadelas', agora ambientado numa Inglaterra dos muito ricos, que nos fascina tanto quanto a habitual Manhattan dos intelectuais endinheirados. Scarlett Johansson faz de Angelica Huston, a amante que se torna caprichosa, e Jonathan Rhys Myers de Martin Landau, o homem que vê a sua vida priviligiada em risco.

3.
Ana e as suas irmãs
Hannah and her Sisters (1986)
Um dos filmes de Allen com mais sucesso, é também dos mais optimistas - dificilmente me lembro de outro com final feliz para todas as personagens. Mais uma vez o elenco é soberbo: Michael Caine, Mia Farrow, Barbara Hershey, Dianne Wiest, Maureen O'Sullivan, Max Von Sydow. O próprio Allen tem um papel mais secundário que o habitual, mas protagoniza uma daquelas cenas que se tornaram sua marca registada: é quando a sua personagem, num momento mais negro, desiste de se suicidar após um filme dos irmãos Marx lhe trazer de novo a alegria de viver.

2.
Crimes e escapadelas
Crimes and Misdmeanours (1989)
'Crime sem castigo' poderia ser o título desta obra-prima. Não há justiça e a vida corre bem a quem não tem escrúpulos, é o que descobre o eminente cirurgião Dr.Judah Rosenthal (Martin Landau), após se desenvencilhar da sua inoportuna amante.
Allen transmite-nos uma mais que negra visão da vida, combinando gravidade com a elegância, sofisticação e humor habituais.

1.
Manhattan
(1979)
Ele anda pelos quarenta, é hiper-racional, inseguro, não sabe o que quer da vida - é Woody Allen em suma. Ela tem 16, é calma, querida, e sabe que o ama.
Sempre achei este tributo a Nova Iorque (belamente filmada a preto e branco por Gordon Willis) o mais terno dos filmes de Allen, talvez inspirado pelo belo e franco rosto de Mariel Hemingway, que não esqueci desde que pela primeira vez o vi e que nunca mais vi assim.

28.6.12

O 1º western português


Estreia hoje aquele que é supostamente o 1º western português. O pouco que conheço de Rodrigo Areias (a misteriosa curta 'Correntes', premiada em Vila do Conde há uns anos) reforça a minha curiosidade em o ver. Assim ele chegue à província...

15.6.12

Realizadores que me fazem sair de casa

Recentemente, em conversa, reparei que acabei por não ver 'Hugo'. Ao ver o trailer temi o pior e adiei a ida ao cinema, tendo acabado por me esquecer do filme. É a primeira vez que me lembro de não ir ver um Scorsese quando estreia.

A verdade é que o lote de realizadores que me levam à sala sempre que estreia um filme seu se vai estreitando. Não andará longe disto: Anderson (Wes), Tarantino, Kiarostami, Moretti, Lynch, Jarmush e, apesar de tudo, Woody Allen.