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25.9.12

Crime e Pecado


Dificilmente um fã de de 'Brighton Rock', o livro, ficará muito satisfeito com esta adaptação do estreante Rowan Joffe: o heterodoxo catolicismo de Greene (um 'homem medieval', chamou-lhe uma vez um crítico, obcecado com conceitos como o Bem, o Mal, a Graça ou a Redenção), que enforma a visão do amor que aparece nos seus romances (veja-se também 'O fim da Aventura'), é aqui amplamente mitigado, para não dizer descartado.

Mas talvez o cinéfilo que chegue aqui 'em branco' não dê o seu tempo por mal entregue, se encarar a coisa como um elegante filme de gangsters, sobriamente filmado em tons de noir, e que proporciona uma grande interpretação a Sam Riley (o Ian Curtis de 'Control'), como o psicopata Pinkie que desposa uma rapariga apenas para que esta não possa testemunhar contra ele. Mesmo com pouco Greene, o filme aguenta-se.

Brighton Rock, Grã-Bretanha, 2012. Realização: Rowan Joffe. Com: Sam Riley, Andrea Riseborough, Helen Mirren, John Hurt, Philip Davis, Andy Serkis.
 
 

23.9.12

Para Roma com amor


Este até pode ser um Woody menor, mas é um dos (muito) bons. É um filme leve, mas é um divertimento culto e inteligente, com uma ponta de melancolia, outra de absurdo, recheado de grandes actores e de mulheres belas. Saúde-se o regresso do actor Woody Allen aos ecrãs seis anos depois de 'Scoop', e com ele o regresso do realizador/argumentista Woody Allen à boa forma depois de três filmes algo desapontantes.

To Rome With Love,  E.U.A./Itália/Espanha, 2012. Realização: Woody Allen. Com: Woody Allen, Judy Davis, Roberto Benigni, Flavio Parenti, Fabio Armiliato, Penélope Cruz, Alessandra Mastronardi, Jesse Eisenberg, Ellen Page, Greta Gerwig, Alec Baldwin.


10.9.12

Os Mercenários 2


Este segundo capítulo de 'Os Mercenários' leva-se um pouco mais a sério do que o primeiro, mas ainda nada que seja preocupante. O argumento é saudavelmente desmiolado, o humor continua em grande e o elenco é alargado com reforços de luxo como Van Damme (que é o vilão - chamado Vilain - naquele que é garantidamente o seu melhor papel de sempre) ou Chuck Norris (que tem uma entrada triunfal ao som da música de 'O bom, o mau e o vilão'...).

Ao que consta está a caminho 'Os Mercenários 3', o que me parece que já é esticar um bocado a corda, mas para já este episódio continua a ser hora e meia de bom entretenimento old fashioned.

The Expendables 2, E.U.A., 2012. Realização: Simon West. Com: Sylvester Stallone, Jason Statham, Dolph Lundgren, Jean-Claude Van Damme, Nan Yu, Liam Hemsworth, Bruce Willis, Arnold Schwarzenegger, Randy Couture, Terry Crews, Scott Adkins, Jet Li, Chuck Norris.

4.9.12

Oslo, 31 de Agosto


Anders, quase a acabar um programa de reabilitação de toxicodependência na parvónia, vai um dia a Oslo para uma entrevista de emprego e reencontra os seus amigos e, por assim dizer, a vida que deixou para trás.

Há amigos que estão casados e são pais, há outros que levam uma vida boémia, há quem não queira estar com ele (a irmã, a ex-namorada), mas todos parecem (pelo menos ao olhar desencantado de Anders) levar uma vida mais ou menos infeliz e vazia. Logo ao primeiro encontro, um amigo a quem ele gaba a felicidade doméstica, diz-lhe que vai andando, nada mais.

Joachim Trier filma esta geração perdida com melancolia e frieza nórdica e encontrou em Anders Danielsen Lie um actor perfeito. Grande filme.

Oslo, 31. august, Noruega, 2012. Realização: Joachim Trier. Com: Anders Danielsen Lie, Hans Olav Brenner, Ingrid Olava.

1.9.12

360


'360' tem um argumentista de 'prestígio' (Peter Morgan), um realizador em fase de carreira internacional depois de um sucesso local (Fernando Meirelles, realizador de 'A Cidade de Deus'), um casting multinacional (incluindo algumas vedetas como Rachel Weisz, Jude Law e Anthony Hopkins), e a já tão batida estrutura em mosaico, em que situações e personagens se vão cruzando e influenciando. Embora aparentemente adapte Arthur Schnitzler, está cheio de 'actualidade': mafiosos russos, prostitutas (de leste) contratadas em sites da net, 'predadores sexuais', etc., etc., . Em suma, é o tipo de filme que a crítica adora detestar (como 'Babel', por exemplo). E está mesmo a pedi-las: não há aqui ponta de originalidade e é tudo tratado muito pela rama.

Mas, apesar de tudo Meirelles não me parece um realizador descartável (e note-se que eu não gostei nada de 'Cidade de Deus'), e o filme, dentro do género mastiga e deita fora, vê-se melhor do que seria talvez expectável. Garantidamente que daqui a um ano nem me lembrarei que o vi, mas também não posso dizer que tenha dado o tempo que gastei com ele totalmente por mal empregue (só a cena com a rapariga brasileira e Ben Foster me conseguiu irritar verdadeiramente). Seria melhor ter gasto duas horas a ver uma qualquer série de TV dessas elogiadas, mas como eu não gosto de ver televisão...

360, Grã-Bretanha, 2012. Realização: Fernando Meirelles. Com: Rachel Weisz, Jude Law, Anthony Hopkins, Ben Foster, Juliano Cazarré, Maria Flor, Danica Jurcová, Jamel Debbouze.

31.8.12

Bonsai


Gosto muito de filmes e gosto muito - se calhar ainda mais -  de livros, mas não gostei lá muito deste filme sobre livros, leitores e escritores (adaptado de uma novela do chileno Alejandro Zambra que nunca li). E tinha tudo para gostar: os livros, as leitoras, um certo tom lânguido com que é contado. 

Mas falta aqui vida. O filme, que se desenrola em dois planos, separados por oito anos mas que mal se distinguem, é demasiadamente plano, chato, igual. E isto estende-se aos actores, indistintos. E a tal languidez - no sentido de sensualidade - muda rapidamente para um outro sentido que pode ser dado à palavra - de frouxidão, de falta de energia. É pena.

Bonsái, Chile/Argentina/Portugal/França, 2012. Realização: Cristián Jiménez. Com: Diego Noguera, Nathalia Galgani, Trinidad Gonzalez, Gabriela Arancibia.

23.8.12

Os tops dos realizadores

Tem-se falado muito do top dos críticos convidados pelo BFI/Sight & Sound, principalmente por 'Vertigo' ter destronado o eterno 'Citizen Kane', mas tem-se falado menos no top paralelo eleito pelos realizadores convidados, em que o primeiro lugar coube ao também magnífico 'Tokyo Story', de Ozu.
 
Este top interessa-me mais, não tanto pelo resultado colectivo, mas por me dar a conhecer o top 10 de alguns dos meus realizadores preferidos.

Deixo aqui o top de Woody Allen como amostra, mas pode ver aqui os outros (de Scorsese, Coppola, Mike Leigh, etc., etc., incluindo -tal como no top dos críticos - vários votantes portugueses).
 

Woody Allen

Annie Hall; Manhattan
US
Voted in the directors poll

Voted for:

1959
François Truffaut
1963
Federico Fellini
1972
Federico Fellini
1948
Vittorio de Sica
1941
Orson Welles
1972
Luis Buñuel
1937
Jean Renoir
1957
Stanley Kubrick
1950
Akira Kurosawa
1957
Ingmar Bergman

20.8.12

O Futuro


Depois da excelente estreia da artista plástica Miranda July atrás das câmaras ('Eu, tu e todos os que conhecemos', 2006), não se esperaria um segundo filme tão ensimesmado e contumazmente aborrecido como este 'O Futuro'.
As personagens são bocejantemente irritantes (só apetece agarrar nelas e abaná-las!), o ritmo é pífio, e até alguns dos achados da primeira obra - como o uso da voz off da realizadora e alguma teatralidade deliberada - parecem aqui artificialismos sem sentido. Nada funciona, em suma. Para esquecer.

The Future, E.U.A./Alemanha, 2012. Realização: Miranda July. Com: Hamish Linklater, Miranda July, David Warshofsky, Isabella Acres, Joe Putterlik.

11.8.12

4:44 Último Dia na Terra


Vi com interesse algo distante este 4:44.  Ambiente é algo que nunca falta ao cinema de Ferrara, e talento para escolher actores também lhe sobra (lembremos os papelaços que proporcionou a Harvey Keitel ou a Matthew Modine). Dois actores e uma câmara bastam-lhe para fazer um filme, um bom filme até. Mas a verdade verdadinha é que desde o longínquo "Polícia sem lei" que nenhum filme seu me consegue entusiasmar. E ainda não foi desta.

4:44 Last Day on Earth, Estados Unidos/França/Suiça, 2012. Realização: Abel Ferrara. Com: Willem Dafoe, Shanyn Leigh, Natasha Lyonne.

7.8.12

O meu Top 10

Se eu fizesse agora o meu top 10 seria algo assim. Claro que ao contrário de quem vota para a poll da Sight & Sound eu não tenho a preocupação de escolher os 'melhores de sempre', apenas a de escolher os 10 de que mais gosto (neste momento pelo menos). Ficam de fora alguns dos meus realizadores preferidos (Antonioni, Lang, Ozu, Renoir, Tarantino) porque escolher apenas 10 filmes é uma barbaridade. Talvez com 20 eu conseguisse dar uma amostra do que é o meu 'cânone pessoal', mas não boicotemos a regra dos 10:


North by Northwest , Alfred Hitchcock (1959)
The Apartment, Billy Wilder (1960)
The Hustler, Robert Rossen (1961)
The Man Who Shot Liberty Valance, John Ford (1962)
2001: A Space Odyssey, Stanley Kubrick (1968)
Cet obscur objet du désir, Luis Buñuel (1977)
Manhattan, Woody Allen (1979)
Dead Ringers, David Cronenberg (1988)
Casino, Martin Scorsese (1995)
Lost in Translation, Sofia Coppola (2003)