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17.2.13

00:30 A Hora Negra

 
O que mais me surpreendeu e agradou neste filme foi o seu tom sóbrio, tendo em conta o tema que é tratado. Mesmo quando a personagem de Jessica Chastain começa a ficar mais histericamente hollyoodiana (aquela ideia irritante de escrever os dias passados no vidro do gabinete do chefe), rapidamente é relegada para um plano secundário.

Tivemos sorte em ter uma realizadora tão competente como Kathryn Bigelow a contar-nos esta história.

14.2.13

O Mentor

 
Cinco notas sobre 'The Master':

1. Joaquin Phoenix é um génio.
 
2. P.T.Anderson provavelmente também é um génio.
 
3. Achei o filme muito bom: basta a personagem de Joaquin Phoenix, a interpretação estarrecedora de Joaquin Phoenix.
 
4. Não obstante os pontos anteriores, não consegui, nem de longe, aderir completamente ao filme. Não percebi bem o que P.T.Anderson pretendia com a personagem de Seymour Hoffman (outro actor monumental. Aproveite-se o parêntesis para notar como a Academia subtilmente notou que não obstante ele ter praticamente tanto tempo de cena como Joaquin Phoenix, não é a personagem que mais interessa ao realizador - relegando-o para a disputa do Oscar para actor secundário). Tudo o que tem a ver com a 'Causa' e tudo o que tem a ver com a relação Hoffman/Phoenix me passou um bom bocado ao lado.
 
5. Resumidamente: partilho todas as perplexidades expressas por Roger Ebert na sua crítica, nomeadamente a primeira ('It has two performances of Oscar caliber, but do they connect?') e a última 'But what does it intend to communicate?'. Sim, que raio pretende P.T.Anderson transmitir-nos com este filme?
 

13.2.13

Hitchcock

 
Na minha opinião este 'Hitchcock' tem um problema inultrapassável: Anthony Hopkins não está rigorosamente nada parecido com Hitch (nem, já agora, está parecido com Anthony Hopkins).

Hitch tem uma figura conhecidíssima e portanto não é fácil o espectador engolir que aquele senhor que aparece no ecrã carregado de próteses e com uma voz esquisita é o mestre. Helen Mirren, que tem o outro papel principal, não tem essa desvantagem (pouco gente conhecerá Alma, Mrs.Hitchcock) e por isso a sua personagem é bastante mais credível. Quanto a Scarlett Johansson, que poderia sofrer do mesmo problema, tem um papel tão pequeno que a questão nem se chega a pôr (e é pena: Scarlett parece ter presença suficiente para compor uma boa Janet Leigh. Uma estrela a representar outra estrela pode funcionar). De Jessica Biel (Vera Miles) e James D`Arcy (fisicamente muito parecido com Anthony Perkins) nem vale a pena falar: os seu papéis são praticamente inexistentes.
 
Posto isto o cinéfilo hitchcockiano (passe o pleonasmo) verá sem enfado mas dificilmente com entusiasmo este quase telefilme sobre a génese e filmagem de Psycho, baseado no livro clássico do luso-descendente Stephen Rebello.

Hitchcock, E.U.A., 2013. Realização: Sacha Gervasi. Com: Anthony Hopkins, Helen Mirren, Scarlett Johansson, Toni Collette, Danny Huston, Jessica Biel, Michael Stuhlbarg, James D`Arcy

10.2.13

Mistérios de Lisboa é o filme do ano para a Liga

 
'Mistérios de Lisboa', de Raoul Ruiz, foi o vencedor do Alfred 2012, o prémio para os melhores do ano da Liga dos Blogs Cinematográficos (o filme estreou no Brasil em 2012).

Os restantes finalistas eram 'Drive', 'Holly Motors' (que teve o meu voto), 'A Separação' e 'Hugo'.

29.1.13

Django libertado

 
Que outro realizador, depois de ter feito explodir os Nazis em Paris, poderia fazer explodir ainda mais violentamente os esclavagistas no Mississipi pré-guerra civil, num filme tão sanguinolento quanto divertido, tão fantasioso quanto brutal, que consegue o feito de simultaneamente ser um campeão de bilheteiras e sacar 5 estrelinhas do Vasco Câmara? E estamos a falar de um filme que, sendo muitíssimo bom, eu nem poria no topo da obra deste realizador. O Tarantino é o maior.
 
Django Unchained, E.U.A., 2013. Realização: Quentin Tarantino. Com: Jamie Foxx, Christoph Waltz, Leonardo DiCaprio, Kerry Washington, Samuel L. Jackson.

21.1.13

...

19.1.13

Notas breves #6

 
O legado de Bourne
Tomara a equipa do Sporting ter a regularidade da saga Bourne: nem a troca de realizador (Tony Gilroy é o terceiro homem atrás das câmaras em 4 filmes), nem a ausência de ‘material de base’ (Robert Ludlum só escreveu 3 romances com Bourne… ), nem mesmo a debandada do protagonista  (Matt Damon abandonou o barco e entrou Jeremy Renner) abalaram seriamente a qualidade média da coisa.  

O ‘Legado Bourne’ não chegará ao nível dos episódios anteriores, mas é ainda um thriller bastante competente e que proporciona 2 horas de acção bastante razoável. Claro que tem um trunfo com que Godinho Lopes não pode nem sonhar (Rachel Weiz), mas ainda assim é um bom exemplo de estabilidade na mudança, que bem poderia servir de exemplo para os lados de Alvalade.

The Bourne Legacy, Tony Gilroy, 2012

Arbitrage - A fraude
Se Richard Gere está longe de ser o melhor actor do mundo, em compensação Tim Roth e Susan Sarandon estão lá perto; se o  argumento de 'Arbitrage' está longe de ser muito original (entre outras coisas, lembrei-me logo da 'Fogueira das vaidades'...), ainda assim o realizador Nicholas Jarecki defende-o com bravura. Ou seja: vale a pena ver este 'Arbitrage'. Não está ao nível do muito bom 'Margin Call', mas é mais uma bicada que Hollywood dá em Wall Street.

Arbitrage, Nicholas Jarecki, 2012

3
Ela é jornalista, opinativa, com uma personalidade forte (grande papel de Sophie Rois); ele tem uma empresa ligada às artes, é mais discreto, frágil, e combate com sucesso um cancro. Eles estão juntos à 20 anos, e resolvem casar-se. E ela arranja um amante; e ele arranja um amante. Que é a mesma pessoa, um cientista, especialista em fertilização. O muito irregular Tom Tykwer filma com vagar e frieza nórdica estas relações cruzadas numa Berlim gélida e cosmopolita, e não obstante um final algo decepcionante, proporciona-nos um filme melancólico e interessante, seguramente o seu melhor desde 'Corre, Lola corre'.

3, Tom Tykwer, 2010

15.1.13

Nagisa Oshima (1932-2013)


Obituário no Público.

13.1.13

Entre irmãs

 
O argumento deste filme é uma versão algo arrevesada do filme da loirinha redentora. Aqui o protagonista não regressa à terrinha natal mas vai para uma casa isolada numa ilhota, e há duas loirinhas ao barulho. Mas a ideia é a mesma: um fulano que está a ter um mau ano isola-se na parvónia e cai-lhe uma miúda em cima. Nada de muito original, portanto.
 
Posto isto, diga-se que a fita até se aguenta. Nem sempre é credível - qualquer pessoa que já se tenha emborrachado em companhia de alguém torcerá o nariz à clareza dos diálogos na cena da bebedeira de tequila - e tem mesmo um happy end atroz.  Mas a verdade é que a realizadora e argumentista Lynn Shelton consegue manter-nos interessados na coisa, no que certamente terá algum mérito, mas para o que conta com o contributo decisivo do seu trio de actores, especialmente das suas belas actrizes, a doce Emily Blunt e a frágil mas luminosa Rosemarie Dewitt. São elas que resgatam o filme da nossa indiferença.
 
Your Sister`s Sister, E.U.A., 2012. Realização: Lynn Shelton. Com: Emily Blunt, Mark Duplass, Rosemarie DeWitt.

5.1.13

Notas breves #5


Killer Joe
O filme que mais dificuldade tive em classificar no passado ano.  É assim uma espécie de cruzamento entre Tenessee Williams e 'The Killer Inside Me'. Mas se é muito impressivo (certamente não deixará nenhum espectador indiferente), também não me convenceu inteiramente: nem a sua composição deliberadamente teatral (adivinha-se que é baseado numa peça), nem o seu final aberto, nem mesmo a actuação de Matthew McConaughey, a que me pareceu faltar carisma para uma personagem destas.
Killer Joe, William Friedkin, 2011

Holly Motors
O Ovni do ano. Há muito tempo que não via um filme baralhar tanto as expectativas do espectador.
Holly Motors, Leo Carax, 2012

Bellamy
Não gostei tanto do último Chabrol como gostaria de ter gostado. Mas é ainda assim um bom thriller, que proporcionou um encontro in extremis entre o mestre e o agora muito nas bocas do mundo Depardieu.
Bellamy, Claude Chabrol, 2009

César deve morrer
Tinha tudo para ser um grande filme, mas falta-lhe algo. Nunca chegamos nem a principiar a conhecer aqueles presidiários que se prestaram a ser actores de Shakespeare.
Cesare deve morire, Paolo Taviani e Vittorio Taviani, 2012.

Taken - A vingança
Hora e meia de entretenimento razoável, mas a milhas do primeiro 'Taken'. Olivier Megaton, que substitui Pierre Morel atrás da câmara, não escapa à maldição das sequelas.
Taken 2, Olivier Megaton, 2012

As voltas da vida
Um filme muito, muito previsível que vale apenas por nos trazer de volta o Clint Eastwood resmungão e irascível que andava desaparecido desde 'Gran Torino'. Lamentavelmente Robert Lorenz é um realizador banal e nem de longe consegue fazer os milagres de Clint, que é capaz de pegar num argumento cheio de clichés ('Million Dollar Baby') e transformá-lo num grande filme.
Trouble With the Curve, Robert Lorenz, 2012