Recent Posts

19.2.13

A Descida - Parte 2


Comecemos pelo essencial: esta parte dois de 'A descida' era, tal como 90% das sequelas, completamente dispensável. É pior em todos os aspectos que o filme original (um pequeno clássico, na minha opinião) e não lhe acrescenta rigorosamente nada.

Posto isto, diga-se que também não é uma desgraça. Do original, o realizador Jon Harris (o responsável pela montagem do filme anterior, que que se estreia aqui na realização) retém um saudável espírito série B (talvez um pouco excessivo - até os actores me pareceram fracotes!) e, exceptuando duas ou três incursões piadéticas escusadas, mantém um nível de tensão razoável e dá-nos mesmo uma cena muito boa - em que uma das personagens, para se salvar, tem que cortar o braço de outra à machadada, o que lhe demora uma eternidade, provando a conhecida máxima hitchcockiana de que dá um trabalhão matar alguém. Consegue, ainda, um final surpreendente.

Concluindo: quem se abster de o ver, não perde nada, na verdade; mas quem o fizer, não corre grande risco de se aborrecer excessivamente.

Obs.: Este post foi aqui publicado originalmente no dia 28.02.2010, depois de ter visto o filme no Fantasporto. Só demorou 3 anos a chegar às salas... 

The Descent: Part 2, Grã-Bretanha, 2009. Realização: Jon Harris. Com: Shauna Macdonald, Natalie Jackson Mendoza, Krysten Cummings, Gavan O'Herlihy, Joshua Dallas.

17.2.13

00:30 A Hora Negra

 
O que mais me surpreendeu e agradou neste filme foi o seu tom sóbrio, tendo em conta o tema que é tratado. Mesmo quando a personagem de Jessica Chastain começa a ficar mais histericamente hollyoodiana (aquela ideia irritante de escrever os dias passados no vidro do gabinete do chefe), rapidamente é relegada para um plano secundário.

Tivemos sorte em ter uma realizadora tão competente como Kathryn Bigelow a contar-nos esta história.

14.2.13

O Mentor

 
Cinco notas sobre 'The Master':

1. Joaquin Phoenix é um génio.
 
2. P.T.Anderson provavelmente também é um génio.
 
3. Achei o filme muito bom: basta a personagem de Joaquin Phoenix, a interpretação estarrecedora de Joaquin Phoenix.
 
4. Não obstante os pontos anteriores, não consegui, nem de longe, aderir completamente ao filme. Não percebi bem o que P.T.Anderson pretendia com a personagem de Seymour Hoffman (outro actor monumental. Aproveite-se o parêntesis para notar como a Academia subtilmente notou que não obstante ele ter praticamente tanto tempo de cena como Joaquin Phoenix, não é a personagem que mais interessa ao realizador - relegando-o para a disputa do Oscar para actor secundário). Tudo o que tem a ver com a 'Causa' e tudo o que tem a ver com a relação Hoffman/Phoenix me passou um bom bocado ao lado.
 
5. Resumidamente: partilho todas as perplexidades expressas por Roger Ebert na sua crítica, nomeadamente a primeira ('It has two performances of Oscar caliber, but do they connect?') e a última 'But what does it intend to communicate?'. Sim, que raio pretende P.T.Anderson transmitir-nos com este filme?
 

13.2.13

Hitchcock

 
Na minha opinião este 'Hitchcock' tem um problema inultrapassável: Anthony Hopkins não está rigorosamente nada parecido com Hitch (nem, já agora, está parecido com Anthony Hopkins).

Hitch tem uma figura conhecidíssima e portanto não é fácil o espectador engolir que aquele senhor que aparece no ecrã carregado de próteses e com uma voz esquisita é o mestre. Helen Mirren, que tem o outro papel principal, não tem essa desvantagem (pouco gente conhecerá Alma, Mrs.Hitchcock) e por isso a sua personagem é bastante mais credível. Quanto a Scarlett Johansson, que poderia sofrer do mesmo problema, tem um papel tão pequeno que a questão nem se chega a pôr (e é pena: Scarlett parece ter presença suficiente para compor uma boa Janet Leigh. Uma estrela a representar outra estrela pode funcionar). De Jessica Biel (Vera Miles) e James D`Arcy (fisicamente muito parecido com Anthony Perkins) nem vale a pena falar: os seu papéis são praticamente inexistentes.
 
Posto isto o cinéfilo hitchcockiano (passe o pleonasmo) verá sem enfado mas dificilmente com entusiasmo este quase telefilme sobre a génese e filmagem de Psycho, baseado no livro clássico do luso-descendente Stephen Rebello.

Hitchcock, E.U.A., 2013. Realização: Sacha Gervasi. Com: Anthony Hopkins, Helen Mirren, Scarlett Johansson, Toni Collette, Danny Huston, Jessica Biel, Michael Stuhlbarg, James D`Arcy

10.2.13

Mistérios de Lisboa é o filme do ano para a Liga

 
'Mistérios de Lisboa', de Raoul Ruiz, foi o vencedor do Alfred 2012, o prémio para os melhores do ano da Liga dos Blogs Cinematográficos (o filme estreou no Brasil em 2012).

Os restantes finalistas eram 'Drive', 'Holly Motors' (que teve o meu voto), 'A Separação' e 'Hugo'.

29.1.13

Django libertado

 
Que outro realizador, depois de ter feito explodir os Nazis em Paris, poderia fazer explodir ainda mais violentamente os esclavagistas no Mississipi pré-guerra civil, num filme tão sanguinolento quanto divertido, tão fantasioso quanto brutal, que consegue o feito de simultaneamente ser um campeão de bilheteiras e sacar 5 estrelinhas do Vasco Câmara? E estamos a falar de um filme que, sendo muitíssimo bom, eu nem poria no topo da obra deste realizador. O Tarantino é o maior.
 
Django Unchained, E.U.A., 2013. Realização: Quentin Tarantino. Com: Jamie Foxx, Christoph Waltz, Leonardo DiCaprio, Kerry Washington, Samuel L. Jackson.

21.1.13

...

19.1.13

Notas breves #6

 
O legado de Bourne
Tomara a equipa do Sporting ter a regularidade da saga Bourne: nem a troca de realizador (Tony Gilroy é o terceiro homem atrás das câmaras em 4 filmes), nem a ausência de ‘material de base’ (Robert Ludlum só escreveu 3 romances com Bourne… ), nem mesmo a debandada do protagonista  (Matt Damon abandonou o barco e entrou Jeremy Renner) abalaram seriamente a qualidade média da coisa.  

O ‘Legado Bourne’ não chegará ao nível dos episódios anteriores, mas é ainda um thriller bastante competente e que proporciona 2 horas de acção bastante razoável. Claro que tem um trunfo com que Godinho Lopes não pode nem sonhar (Rachel Weiz), mas ainda assim é um bom exemplo de estabilidade na mudança, que bem poderia servir de exemplo para os lados de Alvalade.

The Bourne Legacy, Tony Gilroy, 2012

Arbitrage - A fraude
Se Richard Gere está longe de ser o melhor actor do mundo, em compensação Tim Roth e Susan Sarandon estão lá perto; se o  argumento de 'Arbitrage' está longe de ser muito original (entre outras coisas, lembrei-me logo da 'Fogueira das vaidades'...), ainda assim o realizador Nicholas Jarecki defende-o com bravura. Ou seja: vale a pena ver este 'Arbitrage'. Não está ao nível do muito bom 'Margin Call', mas é mais uma bicada que Hollywood dá em Wall Street.

Arbitrage, Nicholas Jarecki, 2012

3
Ela é jornalista, opinativa, com uma personalidade forte (grande papel de Sophie Rois); ele tem uma empresa ligada às artes, é mais discreto, frágil, e combate com sucesso um cancro. Eles estão juntos à 20 anos, e resolvem casar-se. E ela arranja um amante; e ele arranja um amante. Que é a mesma pessoa, um cientista, especialista em fertilização. O muito irregular Tom Tykwer filma com vagar e frieza nórdica estas relações cruzadas numa Berlim gélida e cosmopolita, e não obstante um final algo decepcionante, proporciona-nos um filme melancólico e interessante, seguramente o seu melhor desde 'Corre, Lola corre'.

3, Tom Tykwer, 2010

15.1.13

Nagisa Oshima (1932-2013)


Obituário no Público.

13.1.13

Entre irmãs

 
O argumento deste filme é uma versão algo arrevesada do filme da loirinha redentora. Aqui o protagonista não regressa à terrinha natal mas vai para uma casa isolada numa ilhota, e há duas loirinhas ao barulho. Mas a ideia é a mesma: um fulano que está a ter um mau ano isola-se na parvónia e cai-lhe uma miúda em cima. Nada de muito original, portanto.
 
Posto isto, diga-se que a fita até se aguenta. Nem sempre é credível - qualquer pessoa que já se tenha emborrachado em companhia de alguém torcerá o nariz à clareza dos diálogos na cena da bebedeira de tequila - e tem mesmo um happy end atroz.  Mas a verdade é que a realizadora e argumentista Lynn Shelton consegue manter-nos interessados na coisa, no que certamente terá algum mérito, mas para o que conta com o contributo decisivo do seu trio de actores, especialmente das suas belas actrizes, a doce Emily Blunt e a frágil mas luminosa Rosemarie Dewitt. São elas que resgatam o filme da nossa indiferença.
 
Your Sister`s Sister, E.U.A., 2012. Realização: Lynn Shelton. Com: Emily Blunt, Mark Duplass, Rosemarie DeWitt.