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21.3.13

Efeitos secundários

 
Tenho lido por aqui e acolá que este será o melhor filme de Soderbergh aí dos últimos 10 anos. E é bem capaz de ser verdade, mas isso não quer dizer lá muito, tendo em conta o nível dos últimos filmes que ele nos tem dado…
 
‘Efeitos secundários’ tem um bom argumento, é assim algo como um noir à moda antiga (penso que foi LMO quem nos lembrou, e bem, de ‘Gaslight’), mas actualizado às temáticas presentes (industria farmacêutica, especulações bolsistas). É ainda imaculadamente realizado e interpretado (nota máxima para o trio Jude Law/Rooney Mara/Catherine Zeta-Jones). Há uma ou duas situações que não me convenceram inteiramente, mas ainda assim nada de grave. O seu maior pecado, parece-me, é o habitual em Soderbergh: o filme é tão competentemente executado quanto frio e distante. Jamais o espectador (pelo menos este espectador) consegue criar uma empatia emocional com o filme.
 
Admirá-lo é uma coisa, amá-lo outra bem diferente.

8.3.13

Damiano Damiani (23/07/1922-07/03/2013)

Faleceu aos 90 anos o realizador do magnífico 'Mercenário'. Obituário no i.

6.3.13

A balada do homem só

No infelizmente pouco activo Noite Americana.

5.3.13

Ainda sobre os Óscares

Um Oscar como o deste ano (2012, entenda-se) não foi de filmes “feitos para o Oscar”. Eram filmes.

Ora nem mais. (Sublinhado meu)

E:

 
No Blog do Inácio Araújo, o meu blog preferido.

28.2.13

Ted

 
Depois de ver o ‘compacto’ dos Oscares fiquei em interessado em Seth MacFarlane e resolvi espreitar a sua estreia como realizador fora do mundo da animação (é o criador das séries ‘Family Guy’ e ‘American Dad’, como o caro leitor saberá melhor que eu).
 
Então é assim. Há um tema recorrente na 'nova comédia' americana, a saber, o do trintão que se recusa a crescer e a assumir as suas responsabilidades de adulto. O seu ideal é passar o dia no sofá com os seus amigalhaços a emborrachar-se e a ver desenhos animados do seu tempo de adolescente. Miraculosamente tem sempre uma namorada giraça e compreensiva, mas obviamente ele não lhe liga nada (até perto do final do filme) prezando mais o ‘companheirismo’ macho. Acho que já aqui perorei sobre quanto abomino estes filmes (a última vez que saí de uma sala de cinema a meio foi nisto).
 
‘Ted’ é uma variação inteligente e irónica deste tema, levando Seth MacFarlane a premissa ao extremo do inverosímil: o tal companheirão do protagonista, que passa os dias a emborrachar-se com ele é… o seu urso de peluche de infância, que incrivelmente ganhou vida era ele petiz e entretanto se tornou num peluche adulto, cheio de maus hábitos, e que é uma péssima influência.
 
 A boa notícia aqui é que MacFarlene nunca abandona a (auto-) ironia nem se leva muito a sério (ao contrário dos filmes acima citados) e vai disparando um número impressionante de piadas e gags mesmo muito bons. Além disso o urso Ted (voz de MacFarlane) é um verdadeiro achado cómico e tem mais vida que a maior parte das personagens de carne e osso das comédias que por aí andam. Claro que Marc Wahlberg não é o actor mais expressivo do mundo (mas só o alivio de não andar por ali Seth Rogen…) e Mila Kunis apenas cumpre os mínimos, mas o filme é mesmo do urso Ted e o restante acaba por ser secundário.
 
Uma bela surpresa.

27.2.13

...


25.2.13

Argo

 
Quando num momento de grande ansiedade (neste caso durante a invasão por manifestantes locais da embaixada americana em Teerão) uma personagem se vira para outra e declara 'I love you', sabemos: a) que estamos num filme americano; b) que não vamos ser poupados aos lugares comuns.
 
Ou seja: gostei bem mais da realização de 'Argo', que mantém o espectador sob uma tensão constante como num bom thriller (espectacularmente Affleck nem nomeado foi neste campo), do que do argumento, taão americano ou, se preferirem, taão hollywoodiano (que consequentemente levou o respectivo Oscar).
 
Resumindo: havia filmes bem melhores a concorrer ao Oscar de melhor do ano (desde logo o Django), mas também é verdade que já houve fitas bem piores a levar a estatueta para casa.

20.2.13

Bestas do sul selvagem

 
'Bestas do sul selvagem' é uma estranha mistura entre o filme da criança prodígio tão ao gosto de Hollywood e o filme independente com garra, com ganas,  que vive dos actores, da sua relação com a câmara, da vontade de filmar do realizador (lembrei-me algo arrevesadamente do 'Go Get Some Rosemary').

Que Quvenzhané Wallis seja a mais jovem protagonista de sempre a ser nomeada para os Oscares atesta bem o sucesso da sua primeira faceta (pessoalmente daria todos os prémios a Dwight Henry, que encarna uma personagem fantástica), mas tudo somado há que reconhecer que Behn Zeitlin é realizador e que este é um filme que vale a pena ver.

19.2.13

A Descida - Parte 2


Comecemos pelo essencial: esta parte dois de 'A descida' era, tal como 90% das sequelas, completamente dispensável. É pior em todos os aspectos que o filme original (um pequeno clássico, na minha opinião) e não lhe acrescenta rigorosamente nada.

Posto isto, diga-se que também não é uma desgraça. Do original, o realizador Jon Harris (o responsável pela montagem do filme anterior, que que se estreia aqui na realização) retém um saudável espírito série B (talvez um pouco excessivo - até os actores me pareceram fracotes!) e, exceptuando duas ou três incursões piadéticas escusadas, mantém um nível de tensão razoável e dá-nos mesmo uma cena muito boa - em que uma das personagens, para se salvar, tem que cortar o braço de outra à machadada, o que lhe demora uma eternidade, provando a conhecida máxima hitchcockiana de que dá um trabalhão matar alguém. Consegue, ainda, um final surpreendente.

Concluindo: quem se abster de o ver, não perde nada, na verdade; mas quem o fizer, não corre grande risco de se aborrecer excessivamente.

Obs.: Este post foi aqui publicado originalmente no dia 28.02.2010, depois de ter visto o filme no Fantasporto. Só demorou 3 anos a chegar às salas... 

The Descent: Part 2, Grã-Bretanha, 2009. Realização: Jon Harris. Com: Shauna Macdonald, Natalie Jackson Mendoza, Krysten Cummings, Gavan O'Herlihy, Joshua Dallas.

17.2.13

00:30 A Hora Negra

 
O que mais me surpreendeu e agradou neste filme foi o seu tom sóbrio, tendo em conta o tema que é tratado. Mesmo quando a personagem de Jessica Chastain começa a ficar mais histericamente hollyoodiana (aquela ideia irritante de escrever os dias passados no vidro do gabinete do chefe), rapidamente é relegada para um plano secundário.

Tivemos sorte em ter uma realizadora tão competente como Kathryn Bigelow a contar-nos esta história.