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4.6.13

(a ver)

23.5.13

Muito bom

 
(...as always)

3.5.13

...


28.4.13

Jack Reacher

 
O que impressiona até um veterano nestas andanças como eu, que já pouco espera destes thrillers a metro, é a absoluta falta de originalidade deste 'Jack Reacher', o previsível novo franchise de acção de Tom Cruise. Argumento, realização, actores principais, a respeito de tudo neste filme se poderia citar as imortais palavras de Octávio Machado sobre João Loureiro: "é uma fotocópia de má qualidade de um original já muito gasto".
 
Para quê, pois, perder tempo com tão ruim defunto? É que há por aqui duas ou três cenas que não posso deixar de referir: aquelas em que entra Werner Herzog, que com o seu inglês de sotaque carregadíssimo compõe uma grande personagem secundária, Zec, o vilão de leste disposto a tudo para sobreviver. Só é pena é Herzog não estar também atrás da câmara...

18.4.13

O Expatriado

 
'O Expatriado’ é produto do cruzamento entre a saga’ Bourne’ e a saga ‘Taken’. Tal como Bourne, Ben Logan (Aaron Eckhart) é um ex-agente da CIA que a agência quer agora eliminar, e tal como Bryan Mills ('Taken') tem uma filha adolescente, que anda atrelada a ele meio filme e a quem acaba por ter que resgatar.

À semelhança de Matt Damon e Liam Neeson, Aaron Eckhart é um improvável mas sólido herói de acção, e o realizador Philipp Stölzl, um desconhecido para mim, é competente q.b.

Conheço quem não deixe escapar uma comédia romântica, quem veja tudo quanto é filme de terror, quem seja viciado em cinematografias exóticas. A mim calharam-me em sorte estes thrillers: raramente me escapa um, raramente sou muito exigente com eles. Achei este satisfatório, mas é obrigatório fazer o alerta da praxe: só é aconselhável a fãs do género.

11.4.13

Notas breves #7

Terra Prometida
 
 
Não sendo um mau filme, nem nada que se pareça,  talvez seja o mais convencional de Gus Van Sant. Nem Rosemarie DeWitt lhe consegue acrescentar uma pitada de sal.
 
Ferrugem e osso

Já Jacques Audiard nunca me desilude. Ao ver este filme, com a excelente Marion Cottiard,  ocorreu-me logo citar um bom slogan do Indie Lisboa: Hollywood está a ficar sem ideias. Venha aqui ver algo diferente. 

26.3.13

3 Westerns Spaghetti

Graças ao grande Chico, do agora My TwoThousand Movies, tenho andado novamente metido nos western spaghetti. Depois de já ter explorado alguns dos clássicos do género, nomeadamente os realizados por Sergio Corbucci, agora aventurei-me em territórios ainda mais ignotos. E saí de lá vivo e de boa saúde. Eis 3 exemplares que merecem ser vistos:
 
God Does Not Pay on Saturday (1967)
 
Tem meia dúzia de personagens, practicamente um só cenário, e foi obviamente feito com meia dúzia de tostões, mas é um filme muito interessante e até original, principalmente devido ao ambiente fantasmático que consegue criar, parecendo durante muitas das cenas que estamos num filme de terror. É realizado por Tanio Boccia, uma figura quase lendária dos filmes série B italianos pelos poucos meios com que conseguia trabalhar, e que segundo consta fez alguns filmes muitíssimo maus. Não é, de forma alguma, o caso deste.
 
Tepepa (1969)
 
É um dos spaghetti mais famosos entre os amantes do género, em parte, sem dúvida,  por nele actuar nem mais nem menos que Orson Welles (é, por assim dizer, a principal personagem secundária).
 
A primeira parte do filme é muito politizada ("Viva a reforma agrária!" é o slogan de ordem) e por isso mesmo algo rígida, mas à medida que o filme avança vai-se tornando mais 'spaghetti' e, como é habitual nos 'westerns zapata', no final a distinção revolucionário/bandido é mais do que ténue.
Além de Welles, algo apático no papel de chefe da polícia, o filme tem mais trunfos: Giulio Petroni, um dos realizadores mais conceituados do género ao comando; Tomas Milián, uma das suas estrelas, que compõe um excelente Tepepa; e, last but not the least, uma bela banda sonora do mestre Ennio Morricone.
 
Blindman (1971)

Inspirado nos zaitochi (samurais cegos), também aqui o nosso cowboy-pistoleiro é, como o titulo indica, um cego. Realizado por Fernando Baldi, homem com vários spaghetti no currículo, 'Blindman' é sem dúvida um dos mais bizarros exemplares de um género pródigo neles. O argumento é machista que se farta (o nosso herói tenta recuperar um grupo de 50 mulheres que lhe 'pertence' - "tenho um contrato" é uma das suas deixas mais repetidas - grupo esse  que é tratado pura e simplesmente como uma manada de gado) e o filme está pejado de cenas violentas e de torturas e crueldades várias, algumas das quais no domínio do surreal, como uma sequência em que as tais 50 mulheres, semi-vestidas, fogem espavoridas pelo deserto enquanto vão sendo abatidas e maltratadas pelo grupo de bandidos.

A favor da fita podemos salientar que nunca se perde o sentido de humor no  meio desta barafunda (há tantas voltas e reviravoltas no argumento que por vezes parece que estamos num desenho animado), e a grande interpretação do também argumentista Tony Anthony (!), como o cego meio filósofo resignado, meio ingénuo tonto, obcecado até ao fim por dinheiro.

Como cereja em cimo do bolo, pasme o estimado leitor, temos num papel secundário (um psicopata chamado Candy!) o Beatle Ringo Starr...

25.3.13

Sete Psicopatas

 
Depois de uma talentosa estreia como argumentista e realizador ('Em Bruges', 2008), não era de todo previsível o estampanço monumental de Martin McDonagh com este 'Sete Psicopatas'.

Mas este argumento, que parece saído directamente da cabeça do aluno mais espertinho de um curso de metaficção, e se vai construindo e desconstruindo à nossa frente, é desconchavado, não tem ritmo, nem originalidade, nem nada que se veja. Quer ser engraçado e inteligente e apenas consegue o desconcertante feito de durante 90% do tempo parecer que estamos a assistir a um sub-sub-Tarantino. Ou seja, não tem ponta por onde se lhe pegue. E assim não há actores que se salvem: desde logo Colin Farrell, supostamente o protagonista, que passa nitidamente o filme todo às aranhas.

Conselho de amigo: caro leitor, fuja a sete pés deste 'Sete psicopatas'.

21.3.13

Efeitos secundários

 
Tenho lido por aqui e acolá que este será o melhor filme de Soderbergh aí dos últimos 10 anos. E é bem capaz de ser verdade, mas isso não quer dizer lá muito, tendo em conta o nível dos últimos filmes que ele nos tem dado…
 
‘Efeitos secundários’ tem um bom argumento, é assim algo como um noir à moda antiga (penso que foi LMO quem nos lembrou, e bem, de ‘Gaslight’), mas actualizado às temáticas presentes (industria farmacêutica, especulações bolsistas). É ainda imaculadamente realizado e interpretado (nota máxima para o trio Jude Law/Rooney Mara/Catherine Zeta-Jones). Há uma ou duas situações que não me convenceram inteiramente, mas ainda assim nada de grave. O seu maior pecado, parece-me, é o habitual em Soderbergh: o filme é tão competentemente executado quanto frio e distante. Jamais o espectador (pelo menos este espectador) consegue criar uma empatia emocional com o filme.
 
Admirá-lo é uma coisa, amá-lo outra bem diferente.

8.3.13

Damiano Damiani (23/07/1922-07/03/2013)

Faleceu aos 90 anos o realizador do magnífico 'Mercenário'. Obituário no i.