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3.3.06

Amor em fuga



'Amor em fuga', de 1979, é o último capítulo duma aventura sem paralelo na história do cinema: a aventura em cinco 'episódios' da vida de Antoine Doinel, iniciada vinte anos antes com 'Os 400 golpes'. Este último filme não é o melhor da série - talvez se possa mesmo dizer que nenhum filme do 'ciclo Doinel' é tão bom como o anterior. É, no entanto, um filme estranho e muito original - um filme para amantes de Truffaut (onde se inclui o autor destas linhas). Há aqui uma espécie de resumo da vida de Doinel, sendo intercaladas cenas do seu passado (tiradas dos outros 4 filmes com esta personagem - brilhante ideia) e reaparecendo mesmo personagens dos anteriores filmes - Colette (de 'Antoine e Colette') e um antigo amante da mãe, M.Lucien (que aparecia brevemente n´'Os 400 golpes'). Uma das cenas mais marcantes do filme tem aliás lugar quando Doinel e Lucien visitam a campa da mãe de Doinel, e Lucien lhe diz que a mãe o amava a seu modo. É impossível não vermos aqui uma reconciliação de Truffaut com a sua mãe (dois alertas, no entanto: 1 - Antoine Doinel é das personagens menos sentimentais que eu já vi; impulsivo, nunca pára para pensar!; 2 - Embora o Doinel d´'Os 400 golpes' tenha inegavelmente muito de Truffaut, o dos últimos filmes tem tanto ou mais de Jean-Pierre Léaud, o actor que o interpretou ao longo de vinte anos).
Truffaut, ao contrário do público que fez dele um sucesso, nunca ficou satisfeito com o filme e chamou-lhe mesmo 'uma fraude'. Não concordando com Truffaut (e nem sempre o autor é quem tem razão nestes casos!), penso que percebo, pelo menos parcialmente, porquê: talvez neste, mais que em qualquer outro dos seus filmes, se compreenda a frase que um dia o realizador disse: "Quando estão terminados, apercebo-me que os meus filmes são sempre mais tristes do que eu pensava".
L´Amour en fuite, França, 1979. Realização: François Truffaut; Com: Jean-Pierre Léaud, Marie-France Pisier, Barnerias Dorothee, Rosy Varte, Claude Jade, Marie Henriau, Lucien Julien Bertheau, Daniel Mesguich.

2 comments:

Hugo said...

É comum afirmar-se que é um filme mau, mas creio que que uma visão mais distante permitirá aquilatar da sua qualidade.

Acima de tudo é uma releitura/Explicação do Antoine Doinel e do seu modo de ser, valendo pelo reencontro com muitas das personagens da saga.

L'amour en fuite (bem como o restante ciclo Doinel), é um filme para ver e rever. E que melhor fecho de ciclo do que a ponte entre presente (Doinel e Sabine) e passado (a felicidade das fugas de Doinel), como que afirmando que Doinel sai de cena, mas feliz, muito feliz ?

Portalegrense said...

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