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17.3.06

Walk the line



'Walk the line' está imbuído de música do inicio ao fim. As canções de Johnny Cash (e de June Carter) impõem um ritmo contagiante ao filme, pondo o espectador a bater o pé durante as suas duas horas e um quarto. Mas não se pense que estamos perante um alinhamento de canções que têm uma história por trás como pretexto, uma sucessão de videoclips. Nada mais longe da verdade. 'Walk the line' consegue-nos guiar por alguns recantos marcantes da personalidade e da vida de Johnny Cash, dando-nos também de passagem um retrato duma certa América puritana e conservadora.
Tal como 'Capote' se concentra na meia dúzia de anos em que o escritor escreveu 'A sangue frio', este filme também se centra principalmente num período relativamente curto da vida de Cash: os anos em que conheceu, se apaixonou e tentou conquistar June Carter. Foram os anos da fama, das digressões com Jerry Lee Lewis, com Roy Orbison, com Elvis, mas também anos de desequilíbrio, de drogas e álcool, com o casamento com uma mulher que nunca esteve na mesma onda que ele a deteriorar-se e, sempre, sempre com a sombra do pai, um homem que toda a vida lhe minou a auto-estima, a pairar sobre ele. Em pólos opostos, são as duas figuras centrais da sua vida naquela época, e o realizador sublinha isso na cena final entre o cantor e o pai, depois da estabilidade que June lhe trouxe, que é discretamente genial.
Claro que é impossível falar deste filme sem falar dos seus actores: Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon. Ganham a aposta de (alto) risco de James Mangold de os pôr a eles próprios a cantar as canções de Johnny e June e, mais do que isso, transformam-se mesmo em Johnny e June. Se existe algo como um casting perfeito, está aqui um exemplar. E, na minha opinião, ficou por atribuir o Oscar a Joaquin Phoenix , indiscutivelmente um dos maiores actores da actualidade. E fala-vos o fã número um de Philip Seymour Hoffman!
Walk the line, E.U.A., 2005. Realização: James Mangold. Com: Joaquin Phoenix, Reese Witherspoon, Ginnifer Goodwin, Robert Patrick, Dallas Roberts, Dan John Miller, Larry Bagby, Shelby Lynne.

6 comments:

nuno said...

curiosamente vi o filme ontem. disfrutei dos momentos musicais e das interpretações principais, mas pareceu-me um filme demasiado certinho, sem grandes rasgos. qt ao oscar ficou perfeito nas mãos do P. S. Hoffman. cumps

Unknown said...

Pois, o lote de nomeados para melhor actor era muito bom. O próprio David Strathairn em 'Good night...' tem um desempenho extraordinário. Mas eu votaria em Joaquin Phoenix.

C. said...

Tornei-me fã (apesar de não gostar da palavra) de Cash quando ouvi o "Tenessee Stud" na OST do Jackie Brown do Tarantino. Depois arranjei alguns álbuns, que já não ouvia há uns anos, até aparecer este Walk the Line.

Geralmente não aprecio biopics, mas este cativou-me. Gostei da personalidade própria das canções, reinventadas nas vozes de Phoenix e Whiterspoon, gostei das personagens, gostei de bater o pé ao som da música...

atomo! said...

Este será de certo o biopic musical mais conseguido de sempre (ou andará lá perto)... já agora para um ter um inside look sobre algumas das sonoridades abrangidas por Walk the Line recomendo a visão (urgente) do magnífico documentário da BBC Four chamado "Searching for the Wrong-Eyed Jesus" que dá uma ideia da 'nova vaga' de músicos Southern que têm como background algumas das realidades que Cash cantava.

Sem querer estar a fazer publicidade deixei uma review deste documentário no meu blog.

abraços
A!

Unknown said...

Concordo convosco: este filme é um bicho raro, um raro 'biopic' que vale a pena, cativante de facto. Quanto ao documentário eu gostava de ver, mas por terras lusas não deve ser fácil... :)

p.canha said...

que engraçado, vi ontem o filme confesso-me ignorante do espanto que falam. gostei sinceramente acho o filme bom, honesto e verdadeiro. mas quanto a Phoenix, não consigo destinguir quando ele está pedrado ou não porque tem sempre o mesmo ar. acho que este registo é o registo normal dele, não há aqui rasgo de interpretação.