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26.9.11

Meia-Noite em Paris


Eu sei que a ideia de Woody Allen era mesmo simplificar: mostrar uma Paris de postal, idealizada, de sonho, o mais contrastante possível com os States. Mas o problema é que nada neste filme de fantasia ganha espessura, e não há uma única personagem de carne e osso, nem nas ‘actuais’, nem nas ‘históricas’ (Hemingway é mesmo caricaturizado até ao ridículo). E, embora Allen não saiba escrever maus diálogos, a verdade é que aqui são menos memoráveis do que o habitual, e mais do que uma sensação de ‘leveza’ deliberada que sentimos em alguns dos seus filmes, aqui pareceu-me que faltava mesmo alguma coisa.

Se é certo que o Allen touch não se perdeu de todo e estão presentes em ‘Meia-noite em Paris’ algumas das suas imagens de marca (uma das características perenes dos seus filmes que mais me encanta é a capacidade dos seus idiossincráticos avatares – aqui Owen Wilson – arranjarem belas mulheres), não posso deixar de pensar que não obstante este ser um dos filmes de maior sucesso comercial nos 45 anos de carreira do realizador, é também um filme menoríssimo na sua (grandiosa) obra.

Midnight in Paris, Espanha/E.U.A., 2011. Realização: Woody Allen. Com: Owen Wilson, Rachel McAdams, Marion Cotillard, Carla Bruni, Kathy Bates, Léa Seydoux.



16 comments:

Ana said...

Com muita pena minha, tenho de concordar.

pmramires said...

ainda não fui ver, mas não gosto muito de um filme do Woddy desde 1998 (o genial Deconstruction Harry) e acho que as razões por detrás do sucesso crítico e social do Match Point (um filme menor) não são muito diferentes das razões por detrás do sucesso crítico e social de Green Street Holligans entre os meus amigos (lembra-me para quinta-feira te explicar esta teoria, se ainda não te expliquei).
abraço

Harry_Madox said...

:)

O Narrador Subjectivo said...

Ainda não vi, mas tenho ouvido tantas coisas boas sobre este filme, a tua crítica põe tudo em perspectiva :/ We'll see... Estou curioso para ver Owen Wilson a fazer o típico papel de Woody Allen.

Lia Ferreira said...

Acredite(a) que modestamente, aqui deixo a minha opinião.
Passado estes dias vejo que a coisa me irritou, de facto!

http://30epicos40etal.wordpress.com/2011/09/22/malbarato/

Harry_Madox said...

100% de acordo.

Lia Ferreira said...

:)

Álvaro Martins said...

Não concordo, achei o filme muito bom (com as suas limitações é claro), mesmo o Owen Wilson, que é um actor que não aprecio, me agradou e surpreendeu. Gostei da ideia, da história (ainda que se "cole" bastante ao The Purple Rose of Cairo), revela bastante imaginação, algo que se começava já a pensar estar esgotada em Allen, acho que neste filme soube fugir aos clichés ou àquilo que vinha sendo uma repetição no seu cinema e nos seus diálogos embora, como dizes (e ainda bem), não se perdeu o Allen touch ;)

Harry_Madox said...

Pois eu compreendo sempre quem defenda um filme do WA, mesmo aqueles de que eu não tenha gostado por aí além, como é o caso deste.
Ainda me lembro quando gostei muito do 'Melinda e Melinda' de quem ninguém gostava.

abraço

Anonymous said...

O filme é simpático. E é só isso.

O Owen Wilson é bom...
Woody Allen, Jackie chan...
Owen Wilson lê os guiões.
(é, definitivamente, um tipo para se apreciar em parceria com Wes Anderson)

Woody Allen esteve em Barcelona...
Em Paris...

Eu quero muito que ele volte a Nova York.

Belmiro Oliveira said...

O woody anda com imensa pressa em filmar histórias bem construídas, com bons diálogos, que suportem uma tese central (só temos o presente, neste; whatever works, em whatever works e no último, com a Naomi Watts), e nunca deixa o filme respirar e as personagens ganharem corpo. Mais um exemplo da tendência recente, parece-me. A mecânica da intriga, muito bem oleada, não pára por um segundo depois de ser posta em movimento. Um filme recente do Woody Allen já não teria lugar para cenas como a Lista de Coisas Pelas Quais Vale a Pena Viver, de Manhattan, ainda que ele ainda as conseguisse escrever.
Às caricaturas (Hemingway, Dali, Zelda), achei muita piada.

Um abraço

Harry_Madox said...

Eu também achei piada ao 'Dali' e à 'Zelda'. Ao 'Hemingway' não, porque me parece que é ridicularizado de uma maneira fácil.

O Narrador Subjectivo said...

Agora que já o vi, concordo com o Álvaro, também pensei no The Purple Rose Of Cairo, é uma parábola muito agradável e com grande fotografia!

Harry_Madox said...

Bom, parece-me que isto está empatado em termos de opiniões.

Maffa said...

Detestei o filme... credo... que aglomerado de clichés, só suspirava para que o filme acabasse. A familia americana mal retratada nada daquilo parecia real, fica-se com uma sensacäo de vazio e nem tem piadinha nenhuma o filme. Eu costumo adorar o Woody, mas para a próxima venho aqui ler a crítica antes de ir ver.

Harry_Madox said...

:)

Eu sou incapaz de odiar um Woody, mas também achei que há aqui clichés a mais.

Curiosamente é um dos seus filmes de maior sucesso em muito tempo...