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21.12.13

13,99€

 To talk of Ophüls then was to meet ignorance or bland assertions that he was a frivolous, romantic director, concerned with decoration rather than content, a stylist for style´s sake, a chronic camera fidget. 
Well, as Richard Roud and my Belgian friend knew then, and I know now, Max Ophüls is one of the greatest of film directors. He is frivolous only if it is frivolous to be obsessed by the gap between the ideal and the reality of love.

David Thomson, The New Biographical Dictionary of Film

23.10.11

Buddy Buddy - Os amigos da onça


Nos anos 60, findaram as carreiras de Frank Capra, Charles Chaplin, Michael Curtiz, John Ford, Howard Hawks, Fritz Lang, Mervin LeRoy, Leo McCarey, George Stevens, Jacques Tourneur, Raoul Walsh, King Vidor, William Wyler, entre outros. Nos anos 70, terminaram as de Alfred Hitchcock, Elia Kazan, Joseph L.Mankiewicz, Vincent Minelli, Otto Preminger, Nicholas Ray, Douglas Sirk, Orson Welles, etc., etc. O ano de 1981 ficou a assinalar o fim das obras de George Cukor e Billy Wilder. Dos grandes clássicos, só John Huston prosseguiu mais algum tempo, até à morte. Nessas três décadas - aparte a persistência de um ou outro veterano - todo o cinema americano da grande época desapareceu. Buddy Buddy é um dos marcos históricos desses fins. Veremos - se Deus nos der vida e saúde - muita coisa. Nunca mais veremos um Billy Wilder. Com este filme, como com Rich and Famous de Cukor, dissemos adeus a uma época. É sempre triste.

João Bénard da Costa, 'Folhas da Cinemateca - Billy Wilder'

15.10.11

Play it Again, Sam


Foi o próprio Woody Allen quem disse, numa entrevista, que em 1975 resolveu "acabar com as palhaçadas" (leia-se  o período que vai de 'O inimigo público' a 'Nem guerra nem paz') e dar "um primeiro passo rumo à maturidade" (leia-se começar a escrever 'Annie Hall').  E, de facto, há na sua obra um antes e depois de 'Annie Hall' (lançado em 1977). Mas, na minha opinião, há um elo perdido entre estas duas 'fases': 'Play it Again, Sam' (de 1972, o mesmo ano de 'O ABC do amor'), interpretado e adaptado pelo próprio Woody da sua peça homónima (onde conheceu Diane Keaton), mas realizado por Herbert Ross.

'Play it Again, Sam' (penso que por cá se chamou 'O grande conquistador'...) é um filme muito, muito divertido, quer ao nível do argumento (Allen era já imbatível a escrever piadas memoráveis - e a cena recorrente do workaholic que, numa época pré-telemóveis, telefona para o escritório donde quer que esteja a dar o número de telefone desse local, é brilhante), quer da interpretação de Allen (que teria sido um grande actor do mudo) no papel de um desastrado crítico de cinema, que tem conversas imaginárias com Humprey Bogart sobre como conquistar uma mulher, agora que a sua o deixou (e o filme está sempre a citar 'Casablanca'). Mas tem também muitas marcas do que virá a ser a sua obra futura, sobre pessoas inseguras, que não sabem qual o melhor caminho para a sua vida, com aquele toque de angústia existencial que nunca mais deixámos de associar a Allen.

Como disse, o filme não foi realizado por Allen mas, sem desmerecer Herbert Ross, é como se fosse. E eu, não hesito em colocá-lo entre os seus melhores.

Play it Again, Sam, E.U.A., 1972. Realização: Herbert Ross. Com: Woody Allen, Diane Keaton, Tony Roberts, Jerry Lacy.

18.8.10

A Dança da morte


Um arquitecto (Mervyn Johns) chega a uma casa de campo onde foi chamado para executar um trabalho. Nunca lá estivera nem conhecia nenhum dos convidados, mas reconhece tudo e todos: explica aos presentes que fazem parte de um sonho seu recorrente, de que se vai lembrando aos poucos.

Um deles, um psiquiatra famoso (Frederick Valk), tenta explicar o sucedido racionalmente, mas os restantes acreditam em Johns e para corroborar a sua história contam casos ‘sobrenaturais’ ocorridos com eles próprios.

Estas histórias dentro da história são filmadas por diferentes realizadores dos Ealing Studios e têm diferentes escritores, havendo assim uma engenhosa variação do filme em sketchs. Umas entram mais pelo sobrenatural puro (como ‘The Haunted Mirror’, realizada por Robert Hamer, autor do clássico ‘Kind Hearts and Coronets’), outras no campo da comédia (como a muito divertida ‘Golfing Story’ escrita por H.G. Wells e realizada por Charles Crichton –que 43 anos mais tarde realizaria ‘Um peixe chamado Wanda’), mas mantêm todas uma coerência 'visual' e de qualidade assinalável. A própria 'história de continuidade', da qual as outras vão brotando, é excelente.


A cereja no topo do bolo é o famoso episódio ‘The Ventriloquist's Dummy’, realizado pelo brasileiro Alberto Cavalcanti - que filmou quer em Inglaterra quer em França durante muitos anos - em que um ventríloquo (Michael Redgrave) acaba possuído pelo seu boneco. Uma obra-prima por direito próprio, inserida num magnífico filme, que prova que houve vida no cinema inglês para além de Hitch e Michael Powell.

P.S: Comprei este dvd num hipermercado Jumbo por menos de 2 euros...!

Dead of Night, Inglaterra, 1945. Realização: Alberto Cavalcanti (segmentos "Christmas Party" e "The Ventriloquist's Dummy"), Charles Crichton (segmento "Golfing Story"), Basil Dearden (segmento "Hearse Driver" e "Linking Narrative"), Robert Hamer (segmento "The Haunted Mirror").

17.3.10

Desaparecida!


No IMDB o género deste filme é: Comedy Mystery Romance Thriller. No cartaz acima vemo-lo anunciado como "Greatest of Hitchcock's thrillers!" e logo a seguir como "A Brilliant Melodrama".

'The Lady Vanishes/Desaparecida!' é isto tudo e muito mais. Sendo principalmente conhecido como um thriller (desde logo por ser realizado por Hitchcock...) é, tanto ou mais, uma comédia. Das absurdas; tem um argumento tão inverosímil que faria os irmãos Marx corar de inveja. Mais: todo o filme é um completo delírio.

Nunca a famosa 'suspensão da descrença' do espectador foi tão levada ao limite por um realizador. Tinha que ser Hitch, claro, o mais provocador deles todos.

The Lady Vanishes, Grã-Bretanha, 1938. Realização: Alfred Hitchcock. Com: Margaret Lockwood, Michael Redgrave, Paul Lukas, Dame May Whitty.

23.9.09

The Innocents


Lia há dias na net alguém a defender que as histórias de ‘fantasmas’ dão melhores comédias que filmes de terror. A ser verdade (só se estiverem a falar do caça-fantasmas!), vi recentemente dois filmes que infirmam essa regra: ‘The Haunting’, obra-prima de Robert Wise, e este ‘The Innocents’.

'The Innocents' é uma adaptação do clássico de Henry James ‘The Turn of the Screw’, realizado pelo britânico Jack Clayton e com argumento de William Archibald e Truman Capote. Se Jack Clayton recria com mestria um ambiente gótico de fantasmagórico suspense que faz jus ao livro, já os argumentistas não resistiram a carregar freudianamente nas tintas do recalcamento sexual de Miss Giddens (uma surpreendente Deborah Kerr) - a ama que vê fantasmas - explicitando o que James deixou no ar. O muito politicamente incorrecto final do filme, não só faria corar o pudico escritor, como de certeza que seria impossível de 'passar' hoje em dia.


Seja como for, não é esta pequena ´traição' nada inocente dos argumentistas - e eu geralmente prefiro a sugestão à explicação - que diminui os méritos do filme. A elegante realização, a cuidada fotografia a  preto e branco de Freddie Francis, o inteligente uso do som, as actuações imaculadas e, no geral, a fidelidade ao espírito de James (e por vezes a melhor maneira de elogiar uma obra é interpretá-la e não apenas ilustrá-la) tornam este filme uma das melhores adaptações do escritor anglo-americano ao grande ecrã e, já agora,  um dos melhores filmes de 'terror' já feitos.

The Innocents, E.U.A., 1961. Realização: Jack Clayton. Com: Deborah Kerr, Peter Wyngarde, Megs Jenkins, Michael Redgrave, Martin Stephens, Pamela Franklin.

15.12.08

Notas Breves #3



Verão violento
Comecei a atacar a caixa Valerio Zurlini por aqui (e vou seguir a ordem cronológica). Não sei porquê, do que li sobre Zurlini (pouquíssimo), estava à espera de algo na onda de Antonioni, mas ‘Verão violento’ tem pouco de Antonioni.

Roberta (Eleonora Rossi Drago), a jovem viúva que descobre pela primeira vez o amor na pessoa de um rapaz dez anos mais novo (Carlo/Jean-Louis Trintignant), poderia ser a priori uma personagem de Antonioni, mas o modo como esse amor é tratado e retratado, um amor excessivo, violento, exposto, tem mais a ver, parece-me, com a tradição melodramática americana. De resto, o tempo do filme, a sua fotografia, o mostrar o Verão, a juventude, a vida fácil desta com a guerra ao lado, os ciúmes de Rosanna por Roberta e a sua antipatia por tabela por Maddalena, tudo me pareceu extraordinário, belo, original.

Pensei em ver restantes filmes da caixa de enfiada, mas depois achei que precisava de ter calma, de dar tempo - não é todos os dias que se descobre um cineasta deste tamanho.
Estate Violenta, Valério Zurlini, 1959 (9,5/10)

1.8.07

Comédias e provérbios


Sophie Renoir et François-Eric Gendron em L'ami de non amie

Andei a ver mais ou menos de enfiada todos os filmes de Rohmer da série 'Comédias e provérbios'. As personagens de Rohmer são as mais faladoras da história do cinema, mas enquanto em filmes como Ma nuit chez Maude dissertam sobre temas como a filosofia ou Deus, nesta série, talvez por serem quase todas muito novas, falam sobretudo sobre si próprias, das suas aspirações, da sua vidinha; sobre temas comezinhos em suma.

O que eu mais gosto nestes filmes é que as preocupações das suas personagens são preocupações iguais às que nós temos (ou já tivemos quando tínhamos 20 anos). Em La Femme de l'Aviateur, François encontra por acaso uma rapariga e pensa que encontrou a pessoa certa; no entanto, acaba por descobrir que ela tem um namorado. Em Le Beau Mariage, Sabine também pensa ter descoberto o seu 'amor à primeira vista', e decide imediatamente casar-se com ele; mas casar é a ultima ideia que passa pela cabeça dessa pessoa. Em Pauline à la Plage, Marion, apesar de avisada, apaixona-se por um playboy. Em Le Rayon Vert, Delphine sente-se frustrada porque não tem com quem ir de férias: a amiga com quem tinha combinado fazer uma viagem trocou-a pelo namorado; as restantes pessoas amigas têm família, namorados, a vida programada. Ela acaba por andar sozinha dum lado para o outro e aborrece-se de morte. Quando lhe perguntam, diz que sim, que tem namorado, e dá o nome do ex que ainda não esqueceu.

Finalmente os meus favoritos (seguidos de perto por Le Rayon Vert). Em Les Nuits de Pleine Lune, Louise depara-se com um outro problema comum: ela gosta muito de sair à noite, mas o namorado, com quem vive, detesta-o. Vivem nos arrabaldes, em casa dele, mas ela resolve recuperar o seu apartamento em Paris, podendo assim ficar a dormir lá depois das noitadas que gosta de fazer na capital. Geralmente sai acompanhada de um amigo noctívago, casado mas com uma atracção por ela, e que o namorado abomina. Sente-se ligada ao namorado, mas não suporta sentir-se presa, por isso não rejeita um encontro amoroso ocasional (mas não com o amigo, demasiadamente insistente). Ou seja, é uma rapariga 'moderna' e o namorado um 'bota de elástico'. Rohmer troca-lhe as voltas, e as coisas acabam por não lhe correr muito bem (de certo modo é um filme bastante reaccionário - a moral é algo do género 'ela estava mesmo a pedi-las'). L'Ami de Mon Amie é o mais difícil de resumir. O provérbio inicial é 'os amigos dos meus amigos meus amigos são' e gira à volta das relações entre casais e amigos, de alguém se interessar pelo/a namorado/a de uma amiga/o, ou de um amigo/a nosso se interessar pela mesma pessoa que nós.

O que sustenta estes filmes, com temas tão terra a terra como os que descrevemos, são então os magníficos diálogos, a maneira como Rohmer nos apresenta as suas palavrosas personagens, os seus burgueses irritantes, como já alguém, com razão, lhes chamou. É por isso que Rohmer se aguenta tão bem fora do grande ecrã, quer seja na escrita - veja-se a excelente 'versão' em livro dos Sete contos morais - quer seja em dvd. O que não quer dizer que não seja um grande realizador. E até um dos maiores.

PS: Estes filmes, em que ninguém terá mais de 30 anos e que são essencialmente sobre as preocupações de pessoas solteiras que procuram alguém, foram filmados entre 1981 e 1987; ou seja, Rohmer filmou-os entre os seus 61 e 67 anos, o que não deixa de ser admirável e surpreendente.

12.4.07

The Killers



As palavras são de Colin McArthur, no seu livro Underworld USA/O filme policial: "em The Killers, feito a partir do conto homónimo de Hemingway, estamos perante uma situação com que o crítico de cinema sonha, mas que raramente acontece: a mesma matéria-prima trabalhada por dois realizadores, ambos de forte personalidade, dando origem a dois filmes bem originais e distintos. O conto foi adaptado ao cinema por duas vezes, em 1946 por Robert Siodmak e em 1964 por Don Siegel. Cada uma das duas versões reflecte bem o mundo do seu criador: escuro, torturado e delirante no caso de Siodmak; frio, elegante e repleto de luz na visão de Siegel".

De realçar que o excelente conto de Hemingway em que ambos os filmes se baseiam não é mais do que uma sugestão de enredo: um homem espera calmamente num quarto de hotel que dois assassinos contratados o vão matar. Coube a Anthony Veiller, argumentista da primeira versão, inventar o porquê da não fuga deste homem ou, por outras palavras, inventar-lhe um passado. Sendo Siodmak um mestre do noir, não será estranho que tudo esteja relacionado com uma femme fatale (nada mais nada menos que Ava Gardner), sendo a trama deslindada por um detective dos seguros.
A versão de Siegel é uma variação desta história, centrando (naturalmente!) as atenções nos assassinos, representados pela extraordinária dupla Lee Marvin/Clu Gulager. Aliás todo o elenco desta segunda versão é magnífico, incluindo ainda Ronald Reagan (e que estranho é vê-lo num filme!) e, no papel da vítima - representada por Burt Lencaster no filme de Siodmak, e que aqui ganha muito mais relevo - temos... John Cassavetes.

Vale bem a pena ver os dois filmes de enfiada (e quem não conheça o conto de Hemingway, que o leia): não há muitas formas melhores de ter uma lição de cinema.

23.3.07

Underworld USA


É sabido que Samuel Fuller foi tudo menos um realizador consensual. O tema central da sua obra - o patriotismo, para resumirmos numa só palavra - aliado ao facto de realizar principalmente filmes de géneros associados à violência - westerns, filmes de gangsters e de guerra - levaram a que fosse apelidado de fascista para cima. Como aconteceu em tantos outros casos, foram os homens da Nouvelle Vague que procuraram reabilitar o seu nome.
Godard convidou-o para aparecer em 'Pierrot le fou' (como havia convidado Lang para aparecer em 'Le mépris') e Truffaut escreveu que revia os seus filmes para ter lições de realização.
'Underworld USA' (que tanto quanto sei, por cá se chamou 'Marcados para a morte'), de 1961, é uma excelente introdução à sua obra. É um filme de gangsters, mais especificamente do subgénero sobre os sindicatos, em que um pequeno ladrão destrói os mais poderosos criminosos da altura, movido apenas pelo desejo de vingar o seu pai (que como intuímos, nem era flor que se cheirasse). Como sintetizou Colin McArthur, 'neste filme Fuller maneja a iconografia do género com grande facilidade; no entanto, não é menos pessoal que outros dos seus trabalhos'. Uma prova apenas: como tantas vezes acontece na sua obra, o 'herói' é um marginal, que faz o trabalho sujo para defender a América limpa. Fuller pertenceu a uma estirpe de realizadores, entretanto desaparecida, que poderíamos classificar como funcionários - autores: homens que trabalhando com pequenos orçamentos, em géneros considerados menores, nunca prescindiram da sua marca autoral, imprimindo sempre a sua visão do mundo e construindo uma obra de uma coerência inatacável. Um feito notável.

17.1.07

Os abutres têm fome



Um filme de Don Siegel em que uma pessoa volta e meia pensa se não estará a ver um filme de Billy Wilder? É verdade: acontece neste primeiro encontro entre Siegel e Clint Eastwood, um ano antes de ‘Dirty Harry’. E não se pense que Eastwood não faz o habitual papel de lonely ranger. O que se passa é que anda por lá Shirley MacLaine a baralhar as coisas: na primeira cena aparece meia nua, mal se tapando com o hábito de freira e mais não digo. Nem sequer falarei das semelhanças entre esta Irmã e uma tal de Irma La Douce...
‘Os abutres têm fome', filme magnífico, é o western que Billy Wilder nunca realizou.
Two mules for sister Sara, E.U.A., 1969. Realização: Don Siegel. Com: Shirley MacLaine, Clint Eastwood, Manuel Fábregas, Alberto Morin.