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22.3.10

10 filmes da vida de...

... rf., 28 anos, médico, autor do blog Apeloeh.


dez filmes para a minha vida. o primeiro de 1954 e o último de 2003. é certo, que o gosto é discutível e as escolhas também o são. também é certo que estes são apenas alguns dos meus filmes indispensáveis uma vez que haverá tantos outros e outros mais que ainda não devem ter sido vistos e que desta lista poderiam fazer parte. em comum, terão o facto de reflectirem sobre o mal/estar humano:

johnny guitar ~ nicholas ray, 1954
não só aquele dialogo é belo como constrangedor.

vertigo ~ alfred hitchcok, 1958
por novak. pelas longas sequências, pela 'circularidade' das imagens, pela insistência do tempo.

pierrot le fou ~ godard, 1965
adoro histórias trágicas de amor. esta é perfeita, isso basta-me.

baisers volés ~ truffaut, 1968
que rest-t-il de nos amours?

barry lyndon ~ stanley kubrick, 1975
três longas e entediantes horas. o estar só. a vida frágil e incandescente.

interiors ~ woody allen, 1978
e, calmamente, tapa cada possibilidade de vida com fita-cola preta.

stalker ~ andrei tarkovsky, 1979
à procura da minha 'zona'. despejo de desejos.

blue velvet ~ david lynch, 1986
o filme sobre as coisas que estão escondidas. a banda sonora dos meus pesadelos.

punch-drunk love ~ pt anderson, 2002
a visceralidade ou simplicidade de um coração a bater.

the dreamers ~ bernardo bertolucci, 2003
os inocentes sagrados. a vida que queria. o cinema pelo cinema.

Todas as semanas (mais ou menos!) um blogger cinéfilo fala aqui de 10 filmes da sua vida. O próximo convidado estará por cá em breve..

15.3.10

10 filmes da vida de...

...Ronald Perrone, 26 anos, designer gráfico, autor do Dementia 13, o meu blog preferido de "filmes B de terror, sci-fi, fantasia, ação, kung fu, western, tralhas, etc..." .


Kill Baby, Kill (1966), de Mario Bava
O horror gótico italiano em sua potência máxima, numa explosão de cores e exercício de cinema atmosférico. Uma das várias obras primas de Mario Bava!

Il grande silenzio (1968), de Sergio Corbucci
Na escolha de um spaghetti western, por que não o mais melancólico e trágico dentre todos os exemplares desse gênero magnífico?

Thriller: A Cruel Picture (1974), de Bo Arne Vibenius
Clássico do exploitation! Provocativo, psicodélico, explícito e uma das influência máxima de Tarantino em Kill Bill.

The Streetfighter (1974), de Shigehiro Ozawa
If you've got to fight... fight dirty!!!!

Profondo Rosso (1975), de Dario Argento
O giallo em sua forma mais cinematográfica, sob a batuta do genial diretor que consolidou o gênero.

Master of the Flying Guillotine (1976), de Jimmy Wang Yu
Filme de porrada bizarro! Um boxeador sem braço e um cego que corta cabeças com a guilhotina voadora são apenas alguns exemplos do que podemos encontrar aqui.

Rolling Thunder (1977), de John Flynn
Belo filme de ação com um dos maiores diretores americanos esquecido.

Two Champions of Shaolin (1978), de Chang Cheh
Se Shakespeare fosse chinês e amante das artes marciais, o mais próximo de sua obra seria esta obra prima do Kung Fu!

Zombie 2 (1979), de Lucio Fulci
A evolução de um dos gêneros mais transgressores! A cena do zumbi x tubarão é antológica!

Escape From New York (1981), John Carpenter
Sempre fico na dúvida se prefiro este ou The Thing entre os filmes do diretor. Hoje vai este aqui, que é tão genial quanto o outro.

Todas as semanas (mais ou menos!) um blogger cinéfilo fala aqui de 10 filmes da sua vida. O próximo convidado é o rf.

25.2.10

10 filmes da vida de...

...José Bértolo, 22 anos, estudante de línguas, literaturas e culturas. É autor dos excelentes blogs Tio Vânia e Melodrama.


















Vredens dag (1943), Carl Theodor Dreyer
Bruxas somos nós todos.

Letter from an unknown woman (1948), Max Ophüls
A complexidade, o rigor e o requinte por detrás deste argumento.

Sunset Boulevard (1950), Billy Wilder
[ler aqui o mesmo que já todos disseram]

A streetcar named desire (1951), Elia Kazan
Sexualidade bruta e destrutiva; relações de poder; «I have always depended on the kindness of strangers».

Imitation of life (1959), Douglas Sirk
Histérico, belo, inteligente.

L’eclisse (1962), Michelangelo Antonioni
Monica Vitti e Alain Delon a fazer de pontinhos numa cidade que os devora. Não há filme com par romântico mais belo (exceptuando A place in the Sun).

Le mépris (1963), Jean-Luc Godard
A música do Delerue e o rabinho da Bardot.

Die bitteren Tränen der Petra von Kant (1972), Rainer Werner Fassbinder
Não é só o melhor filme sobre auto-comiseração. É mais. Deliciosamente complexo.

Todo sobre mi madre (1999), Pedro Almodóvar
A cor, as actrizes, os risos e as lágrimas.

In the mood for love (2000), Wong Kar Wai
Já o vi imensas vezes. Nele vi imensos filmes diferentes. Experimenta também!
(Também Happy together (1997), do mesmo realizador: filme singelo, sobre o voo de dois passarinhos.)

Todas as semanas (mais ou menos!) um blogger cinéfilo fala aqui de 10 filmes da sua vida. O próximo convidado será anunciado em breve.

18.2.10

10 filmes da vida de...

...José Oliveira, autor do muito cinéfilo e combativo blogue O touro enraivecido.


















City Girl, F.W. Murnau, 1930

U samogo sinego morya, Boris Barnet, 1936

She Wore a Yellow Ribbon, John Ford, 1949

Forty Guns, Samuel Fuller, 1957

Les yeux sans visage, Georges Franju, 1960

Sanshô dayû, Kenji Mizoguchi, 1965

La Maman et la Putain, Jean Eustache, 1973

Route One USA, Robert Kramer, 1989

Vale Abraão, Manoel de Oliveira, 1993

Juventude em Marcha, Pedro Costa, 2006

Já muitos disseram o ridículo que é fazer uma lista dos melhores de sempre, sejam filmes, livros, qualquer coisa. E é verdade. Se me passou pela cabeça encetar qualquer coisa do género, só o tentei (o interessante é que é sempre uma tentativa) na medida em que sirva de uma espécie de história pessoal. Jamais teria a pretensão de dizer quais os melhores filmes jamais feitos, mesmo se com a caução do “gosto”. Se escolho o Murnau em vez de um Griffith ou de um Stroheim, de um Pabst ou de Borzage ou um Lang, é só porque o lirismo e a poesia dele me fez acreditar, quando o vi, que o cinema só poderia ser aquilo, e que aquilo era a arte que mais me interessava. O mesmíssimo para o inultrapassável e comovente Nicholas Ray. Ou o russo Barnet, que pode ser menos importante historicamente do que Eisenstein ou Vertov, mas que para mim atingiu alturas e levou o cinema para o campo do onírico e do sonho como se calhar jamais alguém ousou. De Ford nada preciso justificar, todo o essencial do cinema americano (ele e Hawks, Hitchcok, Preminger) mas também todos os grandes estetas e cineastas do plano nasceram com ele. Ozu, outro dos grandes preferidos, ou os Straub, são dessa bela família. Ou Kramer e Costa, o que o cinema foi e o que pode ser. A resistência e o olhar limpo. Depuração, ascetismo e hieratismo, mas convocando qualquer coisa da ordem do sagrado e do impronunciável é o que Oliveira nos dá a cada obra. O mesmo para Mizoguchi, o qual a definição de Domarchi: “uma inexorável doçura” diz tudo; e daqui poderia convocar toda a grande arte oriental, a arte dos grandes mistérios. Mistério, temeridade, assombramento e desconhecido é o que me mostrou Franju e o seu cinema das trevas; de onde poderia derivar para todos os grandes mestres do horror, do aventureiro e do fantástico, de Browning ou Tourneur até Burton. Depois, os intempestivos, os temperamentais, os iconoclastas e estertores. Fuller, que virou ao contrário o classissimo e fez do cinema o campo de todas as guerras e logo de todas as vidas. Daí para Welles, Rossen, Peckinpah ou Siegel é um passo da medida do “eu” de cada um. Eustache e o cinema como arquivo de vida é a escolha mais pessoal, a mais afectiva, pois se jamais a palavra foi utilizada de modo tão central, tão delicada e tão “escandalosa”, é daqui que me lembro de toda a nouvelle vague, de Renoir ou Dreyer, Vigo ou Bresson, Rohmer ou Monteiro. Cinema resolutamente ligado à vida, de uma moral de ferro: a realidade ardentemente respeitada e captada, sem golpes baixos. Depois também Garrel, Wahrol, Carax, Pialat e muitos mais. E claro que muitos filmes ditos série-b ou sem dinheiro e “profissionalismo”, feitos do dia para a noite, podem ser tão fundamentais e ter tanto fogo como qualquer um dos citados e dos imensos esquecidos – Joseph H.Lewis, Ulmer, Walsh, Boeticher, Arnold, Aldrich, Rousseau, Ginsberg, Benning e muitos mais. E pronto, desta vez foi o que saiu.

Todas as semanas um blogger cinéfilo fala aqui de 10 filmes da sua vida. O próximo convidado é o José Bértolo.