Recent Posts

Showing posts with label outros filmes. Show all posts
Showing posts with label outros filmes. Show all posts

23.7.13

Bom


23.5.13

Muito bom

 
(...as always)

26.3.13

3 Westerns Spaghetti

Graças ao grande Chico, do agora My TwoThousand Movies, tenho andado novamente metido nos western spaghetti. Depois de já ter explorado alguns dos clássicos do género, nomeadamente os realizados por Sergio Corbucci, agora aventurei-me em territórios ainda mais ignotos. E saí de lá vivo e de boa saúde. Eis 3 exemplares que merecem ser vistos:
 
God Does Not Pay on Saturday (1967)
 
Tem meia dúzia de personagens, practicamente um só cenário, e foi obviamente feito com meia dúzia de tostões, mas é um filme muito interessante e até original, principalmente devido ao ambiente fantasmático que consegue criar, parecendo durante muitas das cenas que estamos num filme de terror. É realizado por Tanio Boccia, uma figura quase lendária dos filmes série B italianos pelos poucos meios com que conseguia trabalhar, e que segundo consta fez alguns filmes muitíssimo maus. Não é, de forma alguma, o caso deste.
 
Tepepa (1969)
 
É um dos spaghetti mais famosos entre os amantes do género, em parte, sem dúvida,  por nele actuar nem mais nem menos que Orson Welles (é, por assim dizer, a principal personagem secundária).
 
A primeira parte do filme é muito politizada ("Viva a reforma agrária!" é o slogan de ordem) e por isso mesmo algo rígida, mas à medida que o filme avança vai-se tornando mais 'spaghetti' e, como é habitual nos 'westerns zapata', no final a distinção revolucionário/bandido é mais do que ténue.
Além de Welles, algo apático no papel de chefe da polícia, o filme tem mais trunfos: Giulio Petroni, um dos realizadores mais conceituados do género ao comando; Tomas Milián, uma das suas estrelas, que compõe um excelente Tepepa; e, last but not the least, uma bela banda sonora do mestre Ennio Morricone.
 
Blindman (1971)

Inspirado nos zaitochi (samurais cegos), também aqui o nosso cowboy-pistoleiro é, como o titulo indica, um cego. Realizado por Fernando Baldi, homem com vários spaghetti no currículo, 'Blindman' é sem dúvida um dos mais bizarros exemplares de um género pródigo neles. O argumento é machista que se farta (o nosso herói tenta recuperar um grupo de 50 mulheres que lhe 'pertence' - "tenho um contrato" é uma das suas deixas mais repetidas - grupo esse  que é tratado pura e simplesmente como uma manada de gado) e o filme está pejado de cenas violentas e de torturas e crueldades várias, algumas das quais no domínio do surreal, como uma sequência em que as tais 50 mulheres, semi-vestidas, fogem espavoridas pelo deserto enquanto vão sendo abatidas e maltratadas pelo grupo de bandidos.

A favor da fita podemos salientar que nunca se perde o sentido de humor no  meio desta barafunda (há tantas voltas e reviravoltas no argumento que por vezes parece que estamos num desenho animado), e a grande interpretação do também argumentista Tony Anthony (!), como o cego meio filósofo resignado, meio ingénuo tonto, obcecado até ao fim por dinheiro.

Como cereja em cimo do bolo, pasme o estimado leitor, temos num papel secundário (um psicopata chamado Candy!) o Beatle Ringo Starr...

26.7.12

Weekend


Dois homens na casa dos vinte e tal conhecem-se numa discoteca gay em Londres, e o que seria um one-night stand talvez se transforme em algo mais. 'Weekend' é uma espécie de '9 songs' sem concertos, sem sexo explícito e sem a miúda. Mas aguenta-se.

O filme vive muito dos seus actores, e se Tom Cullen é um bocado canastrão, já Chris New - uma espécie de Ryan Gosling baixote - tem carisma para dar e vender.

Não sendo uma obra-prima, devo dizer que é o meu género de filme: 'realista', sem grande história, pretendendo captar algo do zeitgeist de uma certa Londres da actualidade. Valia a pena estrear por cá.

Weekend, Reino Unido, 2011. Realização: Andrew Haigh. Com: Tom Cullen, Chris New.

20.5.11

Romance arriscado



É possível gostar (muito) de um filme meramente por razões pessoais? É. E mais não digo, que este não é um blog diarístico.

[1,99€ com o Público de hoje]

6.4.11

Essential Killing


Um barbudo (Vincent Gallo) é apanhado pelo exército americano num qualquer deserto (Afeganistão?), após ter assassinado 3 soldados, e é levado como prisioneiro de guerra para um país da Europa de leste (daqueles que fecham os olhos aos direitos humanos). Devido a um acaso consegue fugir e o filme é isso: a fuga de um homem por uma paisagem cheia de neve, impiedosa, inóspita, quase desabitada (Gallo encontra mais cães e outros animais que seres humanos). Além do frio e do exército que o persegue, o fugitivo, permanentemente acossado, tem que lutar contra a fome e contra quem se lhe atravessa, não hesitando em ir deixando um rasto de sangue pelo caminho.

Não obstante a premissa politica, ‘Essential Killing’ é muito mais um filme de ‘ambiente’, até de suspense, do que de argumento. E muito menos de ‘diálogos’: Gallo não tem uma única fala durante todo o filme, o que não impediu que trouxesse o prémio para o melhor actor do Festival de Veneza do ano passado. E Skolimowski trouxe o prémio especial do júri (presidido por Tarantino) para este filme minimal, mas impressivo e visualmente marcante.

 A imagem de Gallo avançando penosamente por uma natureza gelada e hostil fica como uma das mais fortes do ano. Assim o filme estreie por cá.

Essential Killing, Polónia, Noruega, Irlanda, Hungria, 2010. Realização: Jerzy Skolimowski. Com: Vincent Gallo, Emmanuelle Seigner, Klaudia Kaca.

3.3.11

Rabbit Hole


Passaram 8 meses desde que Becca e Howie perderam o filho de 4 anos, atropelado, e ainda não conseguem lidar com o facto. Ele persiste em ver vídeos do filho no telemóvel, quer permanecer numa associação de apoio, quer tentar outro filho. Ela tem mais dificuldade em exteriorizar a dor e está como que bloqueada. Escusado será dizer que o casamento não vai bem.

John Cameron Michell, agora num registo ('formal', que não temático) totalmente antagónico de Shortbus, filma com sensibilidade e talento esta história, excelentemente adaptada por David Lindsay-Abaire da sua peça vencedora de um Pulitzer, e luminosamente fotografada por Frank G. Demarco. Mas o que verdadeiramente eleva o filme é a magnífica interpretação de Nicole Kidman, a mãe severamente magoada por uma perda irreparável e inexprimivel, mas que ainda assim vai mantendo o sentido de humor e a força, e nos transmite uma personalidade dorida mas cativante.

Kidman, à beira dos 44 anos, continua belíssima, e não obstante ter perdido o Óscar para a inevitável Natalie Portman, mostra uma vez mais porque é uma das grandes actrizes da sua geração. Eis um filme que valia a pena estrear por cá.

Rabbit Hole, E.U.A., 2010. Realização:John Cameron Mitchell. Com: Nicole Kidman, Aaron Eckhart, Dianne Wiest, Tammy Blanchard, Sandra Oh, Sandra Oh, Miles Teller.

4.2.11

Noites Bravas


A morte de Maria Schneider trouxe-me à memória 'Noites Bravas' ('Les Nuits Feuves'), filme realizado e interpretado por Cyril Collard, em 1992. Em 1993 Collard morreria de SIDA, depois de o filme ter gerado uma enorme polémica... pelo modo como o 'tema SIDA' era tratado.

Em 1993 era também lançado 'Filadélfia', realizado por um Jonathan Demme vindo do enorme sucesso 'O Silêncio dos inocentes', e a SIDA deixava de ser tabu em Hollywood e entrava, por assim dizer, no mainstream.

Na altura gostei muito de 'Noites Bravas', vi-o duas ou três vezes algures nos anos 90, e nunca mais o revi. Ao contrário de 'Filadélfia' (de que também gosto muito, e que muito por culpa da prestação de Denzel Washington entrou rapidamente no imaginário popular), parece-me ser um filme bastante esquecido hoje em dia.

Se o arranjar, será o filme que verei em homenagem a Maria Schneider.

19.1.11

Encontro



Concordando com cada uma destas palavras, há que acrescentar que miraculosamente o filme sobrevive a isto e ao canastrão Lambert Wilson (que melhorou bastante com a idade: está muito bem em 'Corações'), não tendo eu tido vontade de fugir a sete pés ao fim de 10 minutos, como no caso do horrendo 'Anticristo', oportunamente citado pelo Capitão. Pelo contrário, mantive-me religiosamente colado ao ecrã.

E a razão é só uma: uma incrivelmente novinha (21 primaveras) Juliette Binoche, a mostrar logo ali porque se iria tornar uma das mais luminosas actrizes do actual panorama cinematográfico (também eu tenho direito aos meus clichés). É assim o cinema. Um rosto pode salvar um filme.

Rendez-Vous, França, 1985. Realização: André Téchiné. Com: Juliette Binoche, Lambert Wilson, Wadeck Stanczak, Jean-Louis Trintignant, Dominique Lavanant, Anne Wiasemsky, Jean-Louis Vitrac.

12.1.11

Enter The Void


Deste filme disse Tarantino, com o habitual entusiasmo tarantiniano, "Hands down best credit scene of the year … Maybe best credit scene of the decade. One of the greatest in cinema history". Basicamente o dito genérico passa em fast forward, com uma música tecno-videogame, e não apanhamos nada... Mas depois tudo acalma. E de que maneira.

Supostamente vemos 'Enter The Void' inteiramente do ponto de vista de uma das personagens, Oscar, um adolescente que é dealer em Tóquio. O procedimento não é inteiramente original: 'A Dama do lago', um noir de Robert Montegomery, de 1947, é inteiramente filmado através dos olhos de uma personagem. A diferença aqui é que durante meio filme Oscar está completamente mocado e no restante está morto. Mas continua a vigiar o que se passa cá em baixo, nomeadamente com a sua amada irmã (Paz de la Huerta), que é dançarina num clube de strip também em Tóquio.

E o que vemos é uma Tóquio fluorescente, psicadélica, desfocada, ao som de uma banda sonora abafada, etérea, filmada com imagens lentas, intercaladas com devaneios visuais hipnotizantes, a um ritmo vagaroso, onde não se passa quase nada . Ou seja, o mais próximo possível de estarmos a ver tudo, também nós, ligeiramente mocados, numa trip sem efeitos secundários proporcionada pelo realizador Gaspar Noé. Que, uma vez mais, depois de 'Irreversível', nos dá um filme para dividir as águas, muito 'ame ou odeie'.

Eu achei-o excessivamente longo (poderia facilmente ter menos uma hora), com vaivéns escusados e cenas desnecessárias, ora fastidiosas ora irritantes,  mas não há que negar a Noé a ousadia, nem o risco, nem o talento. Kubrick disse que “A film is – or should be – more like music than fiction. It should be a progression of moods and feelings. The theme, what’s behind the emotion, the meaning, all that comes later.” Noé, neste filme, tentou seguir esta máxima. Se o conseguiu ou não decida o leitor.

Enter The Void, França, Alemanha, Itália, 2010. Realização:  Gaspar Noé. Com: Nathaniel Brown, Paz de la Huerta, Cyril Roy, Olly Alexander, Masato Tanno.

22.9.10

The Killer Inside Me


'The Killer Inside Me' provocou polémica na última Berlinale devido às cenas de violência que contém. E a ausência das suas principais estrelas (Casey Affleck, Jessica Alba e Kate Hudson) para o apresentar, supostamente por estarem desagradadas com essas tais cenas, apenas deitou mais gasolina na fogueira.

Parece absurdo num mundo repleto de (imagens de) violência ainda alguém se chocar com um filme, e de facto não penso que este seja mais violento do que muita coisa que para aí anda. Talvez o choque causado provenha do facto de a violência mais gráfica do filme ser exercida sobre mulheres e num filme que não é propriamente um slasher movie.

'The Killer Inside Me' é baseado num romance do argumentista (de Kubrick, por exemplo) e autor de pulp fiction Jim Thompson (que Stephen Frears também levou à tela no magnífico ‘The Grifters’), e segue o trajecto alucinado de Lou Ford (excelente Casey Affleck), aparentemente um pacato agente da lei, mas na verdade um psicopata com traumas de infância.

O filme pode ser descrito como uma espécie de cruzamento entre ‘Este país não é para velhos’ e ‘9 canções’ (substituindo o sexo explicito por violência explicita). Filma bem a América profunda dos anos 50 (bela fotografia límpida de Marcel Zyskind), com a sua violência por trás da aparente normalidade, que vai alternando com flash backs etéreos saídos das recordações de Affleck, tudo em tons estilizados.

Quanto a mim, no entanto, o filme padece de dois defeitos: a banda sonora musical é omnipresente, e se funciona bem em meia dúzia de cenas, é no geral demasiado intrusiva, ocupa ‘espaço’ de mais (sem ter a óbvia função que tinha em ‘9 canções’). E o argumento parece que está cheio de buracos. Certamente que adaptar pulp fiction é sempre complicado, e não são poucos os argumentos deste género que são pouco mais do que ininteligíveis, mas neste caso parece que houve a preocupação de escrever um argumento ‘direitinho’ - mas de que depois na hora de filmar se perderam algumas páginas.

Estes dois pecados, a que podemos acrescentar um lamento por realização e montagem não serem um pouco mais secas (a cena final, por exemplo, merecia um realizador muito mais discreto), impedem que o filme seja o que a espaços mostra que poderia ser: se não uma obra-prima, um modern classic como ‘Este país não é para velhos’.

Ainda assim proporciona-nos um elenco de luxo, incluindo um actor raro -  Casey Affleck - e é mais arriscado e tem mais cinema do que praticamente tudo o que está em exibição nas salas portuguesas. Merecia que fosse por cá estreado.

The Killer Inside Me, E.U.A., Suécia, Reino Unido, Canada, 2010. Realização: Michael Winterbottom. Com: Casey Affleck, Kate Hudson, Jessica Alba, Ned Beatty, Tom Bower, Elias Koteas, Simon Baker, Bill Pullman, Brent Briscoe.

15.4.10

Tokyo-Ga


[Yuuharu Atsuta]

23.3.10

Los cronocrímenes


'Los cronocrímenes', realizado por tuta e meia pelo espanhol Nacho Vigalondo, ganhou uma série de prémios em festivais de cinema fantástico e tornou-se um pequeno fenómeno de culto.

O argumento, também escrito pelo realizador, parte dum tema clássico – a viagem no tempo – mas com uma variante curiosa: o seu protagonista anda para trás no tempo… uma hora.

'Los cronocrímenes' enreda-se nos habituais paradoxos que os saltos temporais suscitam, e o espectador avisado não se preocupa demasiadamente com alguns buracos que apareçam no argumento nem quebra demasiadamente a cabeça à procura deles.

Posto isto, a partir de meio filme o argumento é razoavelmente previsível e não trás nada de novo. O realizador, no entanto, tem um estilo despachado, faz das fraquezas (o filme tem 4 actores - e um é o próprio realizador; o cenário não é mais do que uma casa e os seus arredores; a máquina do tempo parece saída dum filme dos anos 50) forças (tudo tem um saudável ar ‘série B’, não um ar ‘pobrezinho’) e não está ali para engonhar (a fita não chega à hora e meia).

Em suma, não sendo mais do que um divertimento, é ainda assim um muito razoável divertimento para os fãs do género (não vou ao ponto de o aconselhar à população em geral, não vá algum amigo mais sério me trepanar depois de o ver) – o tipo de filme que seria espectável ver no Fantasporto, se o Fantas não atraísse cada vez menos este tipo de filmes.

Los cronocrímenes , Espanha, 2007. Realização: Nacho Vigalondo. Com: Karra Elejalde, Candela Fernández, Bárbara Goenaga, Nacho Vigalondo.

17.3.10

Fantastic Mr.Fox


Ao que parece 'Fantastic Mr.Fox', último filme de Wes Anderson, estreado o ano passado nos países civilizados, não vai mesmo estrear nas salas portuguesas. É uma má notícia. Muito má. Mas também há uma boa notícia e chama-se internet. Quer seja via Amazons, quer seja via torrents, hoje em dia não precisamos dos distribuidores portugueses para ver seja o que for. Não há nada como ver um filme no grande ecrã? É verdade, mas uma pessoa habitua-se a tudo e já me custou mais - bem mais - ter que ver um filme em casa em vez de me deslocar para o ir ver rodeado de adolescentes pipoqueiros. Depois queixem-se.

'Fantastic Mr.Fox' é a primeira animação (é uma stop-motion) de Wes Anderson e é baseada num clássico da literatura infantil de Roald Dahl (o autor de 'James e o Pessego Gigante' e 'Charlie e a fábrica de chocolate', ambos adaptados por Tim Burton). Mas é, do princípio ao fim, um filme de Wes Anderson (que adaptou o livro para o grande ecrã com Noah Baumbach).

O Sr. Raposo assentou, casou e tem filhos, mas não consegue deixar de roubar galinhas ("'sou um animal selvagem", justifica-se). Mas há 3 fazendeiros que não gostam nada disso e vão fazer tudo, mesmo tudo, para o capturar - metendo toda a bicharada num grande sarilho. Entretanto chegou um sobrinho, adolescente perfeito, que sai mesmo ao tio, contribuindo ainda mais para os problemas de afirmação do filho do Sr. Raposo, uma raposita 'diferente' (como lhe lembram constantemente), que debalde os seus esforços não consegue competir com a proezas atléticas do seu pai. E cá estamos nós com as famílias às voltas, ou não estivéssemos a falar de um filme de Wes Anderson...

'Fantastic Mr.Fox' é um prodígio de ritmo, de vivacidade, de musicalidade. E visualmente é tão espantoso como todos os filmes de Anderson. O habitual tom melancómico dos filmes do realizador é aqui menos melancólico e mais acelerado, muito por 'culpa' do fantástico Sr. Raposo que está sempre cheio 'de gás', todo ele é convicção e acção, características bem expressas na sua voz poderosa e musical, fabulosamente emprestada por George Clooney (que depois do decepcionante 'Nas nuvens' e do descartável 'Cabras que matam...', tem aqui o seu melhor 'papel' do ano).

A Senhora Raposo "'é" Meryl Streep, o seu filho Ash, Jason Schwartzman, o bom amigo Badger, Bill Murray e em papeis mais ou menos secundários encontramos outros membros da 'família Anderson' como Owen Wilson, Willem Dafoe (que entrou em 'The Life Aquatic…’), Adrien Brody (entrou em 'The Darjeeling Limited’), Roman Coppola (co-agumentista e realizador assistente de 'The Darjeeling…’)… além do próprio Wes e do seu irmão Eric Anderson. Ah!, e Jarvis Cocker tem uma espécie de cameo cantando uma musica (esperemos que também tenha sido adoptado para futuros projectos). E por falar nisso, ainda não falei na fantástica banda sonora, que além da partitura original composta por Alexandre Desplat inclui temas que vão dos Beach Boys aos Rolling Stones.

Os fãs da Pixar ou da Disney que me desculpem, mas esta é a melhor animação que vejo desde 'The Nightmare Before Christmas'. É um filme maravilhoso. Mais um, do fantástico Mr. Anderson.

Fantastic Mr.Fox, E.U.A., 2009. Realização: Wes Anderson. Longa metragem de animação.

20.2.10

La piscine
















Reparei neste filme graças a um post do Cine-Australopitecus, e uma recente visita a uma exposição sobre Romy Schneider, lembrou-me que a actriz foi muito mais que a célebre Sissi.

Em 'La piscine' ela é Marianne, uma bela mulher (e que bela era Romy Schneider) que passa umas férias de Verão em França, preguiçando-se com o seu namorado (Alain Delon) pela magnífica piscina da casa emprestada por uns amigos, até que a chegada de um antigo amante (Maurice Ronet) e da sua filha adolescente (Jane Birkin) cria uma série de tensões a quatro de mau augúrio.

'La piscine' começa em ambiente vagamente Antonioniano ou Zurliniano, em que prevalece um erotismo discreto e belo, mas às tantas passa, algo desconcertantemente, para uma espécie de policial trágico, onde domina o ciúme, essa força poderosa e destruidora entre todas.

Aliás, o policial foi o género onde se distinguiu o realizador Jacques Deray (incluindo vários filmes com Delon), que foi contemporâneo da Nouvelle Vague, mas que se via a si próprio como um mero realizador de filmes de entretenimento (apesar de ter sido assistente de nomes como Luis Buñuel ou Jules Dassin). Teve diversos filmes muito populares (incluindo este), mas hoje está indubitavelmente mais esquecido que os realizadores da Nouvelle Vague. Não obstante, a julgar por este excelente 'La piscine', vale bem a pena descobri-lo.

La Piscine, França, 1969. Realização: Jacques Deray. Com: Romy Schneider, Alain Delon, Maurice Ronet), Jane Birkin, Paul Crauchet.

3.1.10

À l'Aventure




















''À L'Aventure' é a última parte da trilogia de Brisseau dedicada à 'sexualidade feminina' e, seguramente, a menos interessante de todas.

Brisseau mantém todas as obsessões e fantasias sexuais dos filmes anteriores e acrescenta à festa um psiquiatra, como pretexto para tecer ligações entre sexualidade e inconsciente, entre o orgasmo e estados místicos, com sessões de hipnose pelo meio, êxtases provocados por regressões a vidas anteriores e coisas no género. Como se não bastasse acrescenta um plot paralelo em que um taxista (ex-professor de física e ex-aluno de meditação na Índia) nos vai explicando a teoria da relatividade e tecendo comparações entre a imensidão do universo e a insignificância e pequenez do homem...

Escusado será dizer quanto todo este misticismo soa a cliché, a psicologia de pacotilha, a filosofia de... taxista. Parece tudo um pretexto requentado para o voyeurismo do cineasta, que desta vez é salvo apenas in extremis dum erotismo softcore a la 'Orquídea Selvagem' pelo seu grande rigor na mise en scéne. Brisseau é um cineasta e isso salva qualquer coisa (este argumento nas mãos de um tarefeiro daria sem dúvida origem a um desastre de proporções calamitosas), mas não muito. Eu cheguei a duvidar se não me estaria a escapar qualquer tipo de ironia, mas infelizmente penso que o realizador se leva mesmo a sério. Tudo espremido, no final só me ficou a imagem da bela Carole Brana.

P.S.: Como se nota, este blog inicia o ano sob o signo francês. É provável que assim continue por mais uns posts, mas agora com filmes estreados por cá, pode o caro leitor estar descansado.

À l'Aventure, França, 2009. Realização: Jean-Claude Bisseau. Com: Carole Brana, Arnaud Binard, Nadia Chibani, Lise Bellinck.

1.1.10

Tokyo!
















M.Merde!


Parece que os filmes em segmentos voltaram a estar na moda, nomeadamente os que levam uma cidade por título e pretexto.
'Tokyo!' é sem dúvida um dos mais interessantes, desde logo por ter 3 segmentos muito equilibrados, não havendo qualquer elo fraco.

Começamos com o de Michel Gondry, baseado numa graphic novel de Gabrielle Bell, que começa em tons realistas (um jovem casal procura casa e emprego em Tóquio) e acaba em tons surreais. Muito interessante.

A seguir entra Leos Carax, que não deixa os seus créditos por mãos alheias e nos dá o episódio mais bizarro do trio: um lunático que fala uma linguagem esquisita, emerge dos esgotos para aterrorizar a população de Tóquio. O seu nome é, nem mais nem menos que Merde, e diz que obedece ao seu Deus, que o envia para os países que mais detesta. No final é-nos prometida uma sequela em Nova Iorque ("Merde in USA")...

Para o final fica o melhor segmento deste filme em crescendo. É realizado pelo coreano Joon-ho Bong (o realizador de 'The Host/A criatura') e o seu protagonista é um hikikomori, termo que se refere uma daquelas especificidades japonesas, neste caso a pessoas que se recusam a sair de casa e se isolam totalmente da sociedade. É todo um retrato do Japão que nos é dado através de um melancólico homem que se aventura a sair de casa pela primeira vez em 10 anos, depois de se ter apaixonado por uma entregadora de pizza que desmaia à porta de sua casa aquando de um terramoto...

No final, ficamos surpreendidos com dois aspectos raros neste tipo de filmes: a curiosa unidade formal dos três segmentos, e o papel efectivo que o 'elemento Japonês' tem em todos eles, não se limitando nenhum a tomar Tóquio como mera paisagem.

Tokyo!, França, Japão, Alemanha, Coreia do Sul, 2008. Realização: Michel Gondry ('Interior Design'), Leos Carax ('Merde'), Joon-ho-Bong ('Shaking Tokyo').

13.11.09

I'm still unemployed

Did you bang her?
- No
What, hum job? Hand job?
-Man, no. No jobs. I'm still unemployed.

[(500) Days of Summer ]

22.10.09

Battle Royale
















Quarenta estudantes de uma turma do secundário são enviados para uma ilha onde têm que se entregar a um curioso jogo: têm que se matar uns aos outros em três dias. Das duas, uma: ou há um sobrevivente ou morrerão todos. O sádico professor Kitano (himself) vai anunciando diariamente, através de um altifalante, as mortes ocorridas.

É claro que o pior de cada um vem ao de cima, e a partir de uma certa altura (para alguns a partir do primeiro segundo) o único pensamento é a sobrevivência, o que implica despachar o maior número de colegas possível. Um tema clássico, portanto.

'Battle Royale' é um 'Deus das moscas' em versão videogame. Tem aquela mistura de violência, algum erotismo juvenil (colegiais de mini-saia, um must nipónico) e palermice de que só os japoneses têm o segredo. É também conhecido por ser o filme preferido de Tarantino dos últimos 17 anos.

Classificação: 7/10

Batoru rowaiaru, Japão, 2000. Realização: Kinji Fukasaku. Com: Takeshi Kitano, etc.

29.9.09

The Bad Seed

Borges disse que a censura é a mãe da metáfora, e na Hollywood clássica há inúmeros exemplos que o ilustram: basta pensarmos como cineastas como Billy Wilder ou Cuckor, Lubich ou Hitchcock, entre tantos outros, se refinaram em contornar os censores, sendo os resultados obtidos pela mera sugestão em geral mais perversos do que se a coisa tivesse sido mostrada, como não se cansou de nos ensinar João Bénard da Costa.


Mas casos houve em que os argumentistas e cineastas resolveram pegar o touro pelos cornos e, regra geral, a tesoura imposta pelo célebre código Hayes era impiedosa.


 ( eu vou ignorar este apelo, pelo que os leitores  que não gostam de 'spoilers' são aconselhados a não passarem daqui)

Um dos casos mais flagrantes que se me deparou é o final deste ‘The Bad Seed’, obra de 1956 do veterano da Warner Bros. Mervyn LeRoy. O filme, adaptado de uma peça da Broadway, trata de uma encantadora miúda de 8 anos, Rhoda Penmark (excelente Patty McCormack) que é assim uma espécie de assassina em série, eliminando tranquilamente quem se atravessa no seu caminho.

No argumento original, Rhoda acabava pacatamente a tocar o seu "Claire de Lune" ao piano, depois de ter enviado desta para melhor metade do elenco. Mas, no final imposto ao realizador - que parece claramente um excrescência aposta no filme e que deixa o espectador moderno boquiaberto – a cativante Rhoda é, nem mais nem menos, que fulminada por um raio! Mas as coisas não se ficam por aqui... É que mesmo sendo uma assassina, que diabo, Rhoda é uma miudinha de 8 anos - há de ter pensado alguém - pelo que não fica bem morrer! Assim, num assomo pós moderno, no final do filme uma voz off apresenta-nos os actores (procedimento roubado a Orson Welles), momento aproveitado por Nancy Kelly (a mãe) para dar umas boas palmadas a Patty Penmark, ao que se segue o insólito fotograma final acima mostrado!



E assim um simpático filme de bom travo clássico, que hesita entre o terror e a análise sociológica (tema: será o 'mal' hereditário?), é instantaneamente transformado num filme de culto, um verdadeiro camp classic.

The Bad Seed, E.U.A., 1956. Realização: Mervyn LeRoy. Com: Nancy Kelly, Patty McCormack, Henry Jones,Eileen Heckart, Evelyn Varden, William Hopper.