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26.3.13

3 Westerns Spaghetti

Graças ao grande Chico, do agora My TwoThousand Movies, tenho andado novamente metido nos western spaghetti. Depois de já ter explorado alguns dos clássicos do género, nomeadamente os realizados por Sergio Corbucci, agora aventurei-me em territórios ainda mais ignotos. E saí de lá vivo e de boa saúde. Eis 3 exemplares que merecem ser vistos:
 
God Does Not Pay on Saturday (1967)
 
Tem meia dúzia de personagens, practicamente um só cenário, e foi obviamente feito com meia dúzia de tostões, mas é um filme muito interessante e até original, principalmente devido ao ambiente fantasmático que consegue criar, parecendo durante muitas das cenas que estamos num filme de terror. É realizado por Tanio Boccia, uma figura quase lendária dos filmes série B italianos pelos poucos meios com que conseguia trabalhar, e que segundo consta fez alguns filmes muitíssimo maus. Não é, de forma alguma, o caso deste.
 
Tepepa (1969)
 
É um dos spaghetti mais famosos entre os amantes do género, em parte, sem dúvida,  por nele actuar nem mais nem menos que Orson Welles (é, por assim dizer, a principal personagem secundária).
 
A primeira parte do filme é muito politizada ("Viva a reforma agrária!" é o slogan de ordem) e por isso mesmo algo rígida, mas à medida que o filme avança vai-se tornando mais 'spaghetti' e, como é habitual nos 'westerns zapata', no final a distinção revolucionário/bandido é mais do que ténue.
Além de Welles, algo apático no papel de chefe da polícia, o filme tem mais trunfos: Giulio Petroni, um dos realizadores mais conceituados do género ao comando; Tomas Milián, uma das suas estrelas, que compõe um excelente Tepepa; e, last but not the least, uma bela banda sonora do mestre Ennio Morricone.
 
Blindman (1971)

Inspirado nos zaitochi (samurais cegos), também aqui o nosso cowboy-pistoleiro é, como o titulo indica, um cego. Realizado por Fernando Baldi, homem com vários spaghetti no currículo, 'Blindman' é sem dúvida um dos mais bizarros exemplares de um género pródigo neles. O argumento é machista que se farta (o nosso herói tenta recuperar um grupo de 50 mulheres que lhe 'pertence' - "tenho um contrato" é uma das suas deixas mais repetidas - grupo esse  que é tratado pura e simplesmente como uma manada de gado) e o filme está pejado de cenas violentas e de torturas e crueldades várias, algumas das quais no domínio do surreal, como uma sequência em que as tais 50 mulheres, semi-vestidas, fogem espavoridas pelo deserto enquanto vão sendo abatidas e maltratadas pelo grupo de bandidos.

A favor da fita podemos salientar que nunca se perde o sentido de humor no  meio desta barafunda (há tantas voltas e reviravoltas no argumento que por vezes parece que estamos num desenho animado), e a grande interpretação do também argumentista Tony Anthony (!), como o cego meio filósofo resignado, meio ingénuo tonto, obcecado até ao fim por dinheiro.

Como cereja em cimo do bolo, pasme o estimado leitor, temos num papel secundário (um psicopata chamado Candy!) o Beatle Ringo Starr...

2 comments:

My One Thousand Movies said...

Obrigado pela citação :)
Eu recomendava também o "And God Said to Cain".

harry madox said...

Ainda não vi esse, está na lista de espera :)