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4.9.16

Top 10 - Filmes do Século XXI

A propósito disto, o meu top neste momento seria algo como isto:


Lost in Translation, Sofia Coppola
Shame, Steve McQueen
A History of Violence, David Cronemberg
Match Point, Woody Allen
Kill Bill/The Hateful Eight, Quentin Tarantino
Saraband, Ingmar Bergman
The Royal Tanenbaums/The Life Aquatic with Steve Zissou/The Darjeeling Limited/Hotel Chevalier/The Grand Budapest Hotel, Wes Anderson
Happy-Go-Lucky/One More Year, Mike Leigh
Copie Conforme/Like Someone in Love, Abbas Kiarostami

28.12.14

2014

Do pouco que vi em 2014, não obstante ter gostado bastante do Scorsese e do Jarmush, é isto que destaco:

Falando de estreias, claro. Mas uma pessoa está sempre a descobrir outras coisas, e este ano tocou-me este filmaço, de 1962, que sabe-se lá porquê nunca tinha calhado ver:

Foi o meu filme do ano.

3.4.14

Dirty Harry - Os 5 filmes

"Go ahead, make may day". Se alguém não reconhecer esta frase, então pode deitar fora o seu cartão de cinéfilo.
Don Siegel deu o tiro de partida em 1971, e até 1988 houve ainda mais 4 filmes em que Clint Eastwood deu vida a 'Dirty' Harry Callahan. Recentemente resolvi fazer uma revisão da matéria, por ordem cronológica.

Dirty Harry
A Fúria da Razão Don Siegel, 1971

Brilhantemente filmado por Don Siegel, quase sempre em exteriores, por entre os altos e baixos de S.Francisco, 'Dirty Harry' tornou-se um clássico com tanto de influente como de polémico. O seu famoso protagonista, que prefere fazer justiça pelas próprias mãos e não tem paciência para políticos nem para subtilezas legais, foi rapidamente rotulado de fascista e outros mimos semelhantes.
A verdade é que ainda hoje, a sua personagem de justiceiro implacável, sempre com o dedo no gatilho, é altamente perturbadora para qualquer pessoa com meia costela democrática. Ao que consta, o próprio Eastwood se mostrou relutante em filmar a cena final em que deita o distintivo fora, tendo que ser pacientemente convencido por Siegel...

Magnum Force
Harry - O Detective em Acção, Ted Post, 1973

Realizado pot Ted Post, um homem da televisão (mas que já tinha dirigido Eastwood em "Hang 'Em High"), talvez este 'segundo episódio' tente limpar um pouco a imagem de Dirty Harry. Aqui ele desmascara (leia-se: acaba por os matar todos) um grupo de polícias que se dedica a assassinar  criminosos conhecidos. Estes 'vigilantes 'admiram Harry, mas ele apesar de tudo tem as suas regras, e ao contrário deles move-se sempre dentro de uma certa legalidade.
É um filme algo lento (falta a economia narrativa de Don Siegel), mas é ainda assim um bom policial, novamente com a bela cidade de S.Francisco em grande destaque.

The Enforcer
Harry - O Implacável, James Fargo, 1976

A novidade neste 3º filme é que o parceiro de Dirty Harry é agora uma mulher, pois os tempos são outros e as autoridades querem ver mulheres na policia para suavizar a imagem das forças da lei. (Pequeno aparte: acho que ainda não o referi, mas o destino dos parceiros de Harry é invariavelmente a morgue, pelo que não saiu propriamente a sorte grande à senhora).
Desta vez são os políticos, fracos e corruptos, que são alvo do desprezo cínico de Dirty Harry, que se recusa a ceder à chantagem de um grupo que raptou o mayor de S.Francisco, ao contrário das autoridades, prontas a negociar.
É a estreia na realização do desconhecido James Fargo, e não desmerece do resto da série, estando até talvez um furo acima do seu antecessor.

Sudden Impact
Impacto Súbito, Clint Eastwood, 1983

É o único filme da 'série' em que Eastwood assume a realização, e na minha opinião é o melhor de todos. É um óptimo thriller, com inesperados rasgos de humor, e com um forte toque hitchcockiano, que nos proporciona ainda um final ao nível do do filme de Siegel (e que dificilmente seria permitido no tempo de Hitch). Ah!, e é aqui que é dita a famosa frase que abre este post.

The Dead Pool
Na Lista do Assassino, Buddy Van Horn, 1988

Se 'Sudden Impact' é muito hitchcockiano, este 'The Dead Pool' fez-me lembrar muito Dario Argento.
O grande destaque do filme é uma fabulosa perseguição feita a Eastwood pelas ruas de S.Francisco por um carro... de brincar telecomandado (armadilhado com uma bomba).
Buddy Van Horn só tem 3 créditos de realização no IMDB (todos com Eastwood como protagonista), sendo practicamente toda a sua carreia feita nos stunts, mas na minha opinião termina de uma bela forma esta série de Dirty Harry.

26.12.12

2012

 
 
 
 

23.8.12

Os tops dos realizadores

Tem-se falado muito do top dos críticos convidados pelo BFI/Sight & Sound, principalmente por 'Vertigo' ter destronado o eterno 'Citizen Kane', mas tem-se falado menos no top paralelo eleito pelos realizadores convidados, em que o primeiro lugar coube ao também magnífico 'Tokyo Story', de Ozu.
 
Este top interessa-me mais, não tanto pelo resultado colectivo, mas por me dar a conhecer o top 10 de alguns dos meus realizadores preferidos.

Deixo aqui o top de Woody Allen como amostra, mas pode ver aqui os outros (de Scorsese, Coppola, Mike Leigh, etc., etc., incluindo -tal como no top dos críticos - vários votantes portugueses).
 

Woody Allen

Annie Hall; Manhattan
US
Voted in the directors poll

Voted for:

1959
François Truffaut
1963
Federico Fellini
1972
Federico Fellini
1948
Vittorio de Sica
1941
Orson Welles
1972
Luis Buñuel
1937
Jean Renoir
1957
Stanley Kubrick
1950
Akira Kurosawa
1957
Ingmar Bergman

7.8.12

O meu Top 10

Se eu fizesse agora o meu top 10 seria algo assim. Claro que ao contrário de quem vota para a poll da Sight & Sound eu não tenho a preocupação de escolher os 'melhores de sempre', apenas a de escolher os 10 de que mais gosto (neste momento pelo menos). Ficam de fora alguns dos meus realizadores preferidos (Antonioni, Lang, Ozu, Renoir, Tarantino) porque escolher apenas 10 filmes é uma barbaridade. Talvez com 20 eu conseguisse dar uma amostra do que é o meu 'cânone pessoal', mas não boicotemos a regra dos 10:


North by Northwest , Alfred Hitchcock (1959)
The Apartment, Billy Wilder (1960)
The Hustler, Robert Rossen (1961)
The Man Who Shot Liberty Valance, John Ford (1962)
2001: A Space Odyssey, Stanley Kubrick (1968)
Cet obscur objet du désir, Luis Buñuel (1977)
Manhattan, Woody Allen (1979)
Dead Ringers, David Cronenberg (1988)
Casino, Martin Scorsese (1995)
Lost in Translation, Sofia Coppola (2003)

2.8.12

'Vertigo' eleito o melhor filme de sempre


Pela 1ª vez em 50 anos, 'Citizen Kane' não encabeça a lista do BFI dos melhores filmes de sempre. 'Vertigo' (Hitchcock, 1958) foi o mais votado pelos 846 críticos e outros profissionais convidados a votar este ano (a votação realiza-se de 10 em 10 anos).

O filme de Welles ficou desta vez em 2º lugar, sendo o top 10 completado com 'Tokyo Story' (Ozu), 'A regra do Jogo' (Renoir), 'Aurora' (Murnau), '2001' (Kubrick), 'A desaparecida' (Ford), 'O homem da câmara de filmar' (Vertov), 'A paixão de Joana D´Arc' (Dreyer) e '8 1/2' (Fellini).

Será interessante verificar quem votou em quê, quando (esperemos) à semelhança das votações anteriores for divulgada a votação individual de cada convidado.

29.6.12

Woody Allen - Top 10

Há mais de 4 décadas que praticamente todos os anos estreia um filme de Woody Allen em sala, o que é garantidamente caso único. Em todos eles podemos encontrar alguns dos melhores diálogos de Hollywood -  e algumas das melhores piadas.
Enquanto esperamos pela colheita de 2012 (To Rome With Love),  cá vai o meu top 10, por ordem crescente:

10.
Annie Hall
(1977)
Ponto de viragem na carreira de Allen, após uma primeira fase de comédias puras e duras, este romance entre o neurótico comediante Alvyn Singer (adivinhem representado por quem) e a excêntrica Annie Hall (Diane Keaton), com muitos tons autobiográficos, dá o mote para o que viria ser a obra de Allen que hoje conhecemos.

9.
Vicky Cristina Barcelona
(2008)
Na minha opinião o último grande filme de Allen (até à data!): uma dupla de fazer suspirar, Scarlett Johansson e Rebecca Hall  e, uma vez mais, uma combinação imbatível de leveza e gravidade. Allen destila charme e faz-nos rir com um filme em que ninguém é verdadeiramente feliz e que não acaba bem para uma única personagem.

8.
Balas sobre a Broadway
Bullets over Broadway (1994)

Uma bela meditação sobre o talento artístico (há quem nasça um génio e há quem não nasça. Ponto final.), a partir duma daquelas ideias que só podiam sair da cabeça de Allen: o gorila que vigia a bimba candidata a actriz, amante-do-chefe-da-máfia-que-paga-a-peça, é infinitamente mais talentoso que o pretensioso dramaturgo e encenador que se acha um artista incompreendido (John Cusack, em grande).

7.
O agente da Broadway
Broadway Danny Rose (1984)
Danny Rose (Woody Allen) é o agente que faz tudo pelos seus artistas, do sapateador perneta ao cantor de charme italiano alcoólico, mas que é abandonado por estes mal têm algum sucesso. Danny é uma das grandes criações de Allen, que obviamente trata este looser com grande admiração e carinho, dando-lhe o merecido final feliz que a sua azarada sina ao longo do filme (um dos mais tristes de Allen, embora cheio de humor) não previa.

6.
Zelig
(1983)
Não podia faltar aqui este famoso falso documentário sobre o homem-camaleão Leonard Zelig, que se transforma de acordo com o meio que o rodeia. Um prodigio técnico e de imaginação.

5.
Maridos e mulheres
Husbands and Wives (1992)
As voltas e reviravoltas matrimoniais de dois casais amigos. Gabe (Woody Allen) tenta-se por uma aluna sobredotada (Juliette Lewis) e Jack (Sydney Polack) fica obcecado pela sua professora de aérobica. Judy, mulher de Gabe (Mia Farrow) apaixona-se por um colega (Liam Neeson) e apenas a exigente e intelectualmente brilhante Sally, mulher de Jack (magnífica Judy Davies), descobre que é mulher de um só homem.
É um filme mais sisudo que a maioria dos aqui citados (não obstante a jeitosa mas tonta professora de aeróbica ser massacrada por Allen), mas é dos mais brilhantes e eu diria mesmo 'allennianos' na análise das relações humanas. Tem ainda uma estrutura muito original - Allen é tão bom argumentista que por vezes até nos esquecemos de quão grande realizador também é.

4.
Match Point
(2005)
O único Allen consensual dos anos '00 é quase um remake de 'Crimes e escapadelas', agora ambientado numa Inglaterra dos muito ricos, que nos fascina tanto quanto a habitual Manhattan dos intelectuais endinheirados. Scarlett Johansson faz de Angelica Huston, a amante que se torna caprichosa, e Jonathan Rhys Myers de Martin Landau, o homem que vê a sua vida priviligiada em risco.

3.
Ana e as suas irmãs
Hannah and her Sisters (1986)
Um dos filmes de Allen com mais sucesso, é também dos mais optimistas - dificilmente me lembro de outro com final feliz para todas as personagens. Mais uma vez o elenco é soberbo: Michael Caine, Mia Farrow, Barbara Hershey, Dianne Wiest, Maureen O'Sullivan, Max Von Sydow. O próprio Allen tem um papel mais secundário que o habitual, mas protagoniza uma daquelas cenas que se tornaram sua marca registada: é quando a sua personagem, num momento mais negro, desiste de se suicidar após um filme dos irmãos Marx lhe trazer de novo a alegria de viver.

2.
Crimes e escapadelas
Crimes and Misdmeanours (1989)
'Crime sem castigo' poderia ser o título desta obra-prima. Não há justiça e a vida corre bem a quem não tem escrúpulos, é o que descobre o eminente cirurgião Dr.Judah Rosenthal (Martin Landau), após se desenvencilhar da sua inoportuna amante.
Allen transmite-nos uma mais que negra visão da vida, combinando gravidade com a elegância, sofisticação e humor habituais.

1.
Manhattan
(1979)
Ele anda pelos quarenta, é hiper-racional, inseguro, não sabe o que quer da vida - é Woody Allen em suma. Ela tem 16, é calma, querida, e sabe que o ama.
Sempre achei este tributo a Nova Iorque (belamente filmada a preto e branco por Gordon Willis) o mais terno dos filmes de Allen, talvez inspirado pelo belo e franco rosto de Mariel Hemingway, que não esqueci desde que pela primeira vez o vi e que nunca mais vi assim.

12.3.12

Westerns - Top 10

Quem me lê sabe que eu sou viciado em listas - e faze-las é uma mania comum a quase todos os cinéfilos. Assim sendo, não podia faltar aqui uma lista de um género que nasceu praticamente com o próprio cinema e é o meu preferido.

1.
O homem que matou Liberty Valance
The man who shot Liberty Valance,  John Ford (1962)
O  rude cowboy Tom Doniphon (John Wayne) perde a cidade e  a mulher que ama para o idealista advogado Ramsom Stoddard (James Stewart). O nostálgico adeus ao Velho Oeste de John Ford é um dos meus dois ou três filmes favoritos em qualquer género.

2.
Rio Bravo
Rio Bravo, Howard Hawks (1959)
Um xerife (John Wayne) tem que defender a prisão de um grupo de bandidos a soldo do senhor da cidade, contando apenas com a ajuda de um bêbado (Dean Martin), um velho (Walter Brennan) e um rapaz (Ricky Nelson).  Western clássico entre os clássicos, cujo tema daria origem a inúmeras variantes (como o excelente 'Assalto à 13ª esquadra', de Carpenter) também pode ser visto como um filme sobre a redenção de um homem (Martin, só aparentemente uma personagem secundária).
O crítico Robin Wood disse que se tivesse que escolher um filme que justificasse  a existência da Hollywood clássica, esse filme seria Rio Bravo.

3.
A desaparecida
The Searchers, John Ford (1956)
John Wayne persegue durante anos um bando de índios que massacrou a família do irmão e raptou a sua sobrinha (Natalie Wood). Quando finalmente a encontra, ela já é uma squaw, e ele hesita entre matá-la ou levá-la de volta.
Nunca Monument Valley foi tão belo e nunca Wayne foi tão violento como nesta obra-prima do cinema, que Godard não hesitou em comparar a Homero.

4.
Imperdoável
Unforgiven, Clint Eastwood (1992)
Ao 16º filme atrás da câmara, Clint Eastwood recebe a consagração dos seus pares (Óscar para melhor filme e melhor realizador), ao desconstruir o seu próprio mito. A vaga dos westerns 'revisionistas' começou ainda nos anos 50, mas é aqui que atinge o seu ponto mais alto.

5.
Duelo ao Sol
Duel in the Sun, King Vidor (1946)
Scorsese começa o magnífico 'Uma viagem pelo cinema americano' a falar deste filme, que viu com a sua mãe quando tinha 4 anos e que o fascinou até hoje. Foi assinado por um dos grandes pioneiros de Hollywood, King Vidor, mas era um projecto pessoal do produtor, David O. Selznick, que se fartou de interferir até ao ponto de Vidor bater com a porta (e o filme passou, em maior ou menor grau,  pelas mãos de cinco outros realizadores, incluindo William Dieterle e Joseph Von Sternberg).
Melodramático, de forte pendor erótico e filmado em exuberante Technicolor, foi a tentativa de Selznick repetir o êxito de 'E tudo o vento levou' agora com Jennifer Jones, isto é, a futura Mrs.Selznick.

6.
Johnny Guitar
Johnny Guitar, Nicholas Ray (1954)
Não há cinéfilo português que não conheça a lenda de João Bénard da Costa à volta deste filme, o filme da sua vida, que segundo o próprio viu 68 vezes entre 1957 e 1988. (e, se não me falham as contas, um dos 3 westerns que programou para o ciclo 'Como o cinema era belo', 50 filmes para comemorar 50 anos da Gulbenkian). Quem já o viu, não esquece um dos diálogos mais memoráveis da história do cinema.

7.
Emboscada Fatal
Comanche Station, Budd Boeticher (1960)
Sétimo e último western protagonizado por Randolph Scott sob direcção de Budd Boeticher, um antigo toureiro convertido em grande realizador de westerns série B.
Aqui Scott é um antigo oficial, um solitário que passa a vida em território Comanche resgatando mulheres raptadas pelos índios, em troca de bens. A sua persona lacónica e desencantada esconde a esperança de encontrar a sua própria mulher, raptada 10 anos antes.
Um belíssimo filme, enésima prova que em cinema os orçamentos têm pouco a ver com o resultado final.

 8.
Os abutres têm fome
Two mules for sister Sarah, Don Siegel (1970)

Sem dúvida o filme mais divertido desta lista, juntando uma dupla mais que improvável: Shirley MacLaine e Clint Eastwood. O argumento é de Budd Boeticher, muito longe do ambiente dos seus próprios  filmes, e está também nos antípodas do que se esperaria de um filme de Don Siegel. Eu  quando o vi lembrei-me de... Billy Wilder (que nunca filmou um western)!

9.
O mercenário
A Bullet for the General /El Chucho, quién sabe?, Damiano Damiani (1966)
Obviamente a ausência mais notória deste top é Sergio Leone, mas o pai do western spaghetti é um realizador que eu admiro mas não amo. Devo ser caso único à face da terra, mas a verdade é que prefiro os western zapata, em que bandos de revolucionários/salteadores espalham o terror pela paisagem Mexicana. Este, assinado por Damiano Damiani, com Gian Maria Volonté, Klaus Kinski e Lou Castel, é uma verdadeira pérola desse subgénero de subgénero.

10.
Esporas de aço
The Naked Spur, Anthony Mann (1953)
James Stewart persegue um conterrâneo, procurado por assassinato (grande papel de Robert Ryan), para com o dinheiro da recompensa recuperar o rancho que perdeu por causa de uma mulher. Mas vai ter que escolher entre recomeçar com dinheiro ou com recomeçar com outra mulher (Janet Leigh).
Todo filmado em exteriores, sendo a paisagem uma personagem por direito próprio, Esporas de Aço é  o meu preferido dos famosos westerns que Super Mann filmou com Jimmy Stewart nos anos 50.

15.2.12

François Truffaut - Top 10

1.
Os 400 golpes
Les quatre cents coups, 1959
O início de uma aventura sem paralelo na história do cinema: a vida em cinco 'episódios' de Antoine Doinel (Jean-Pierre Leaud, o alter ego de Truffaut). Um filme de começos, que encerra com o plano fixo mais famoso de sempre.

2.
 Duas Inglesas e o continente
Les deux anglaises et le continent, 1971
Uma obra-prima pouco citada, que tem aquela que é talvez a maior personagem feminina de Truffaut, Muriel, 'a puritana enamorada' como se auto-define.

3.
Angústia
La peau douce, 1964
Um magnífico drama negro, que tem a curiosidade de se passar parcialmente em Lisboa.

4.
Noite Americana
La nuit américaine, 1973
A maior declaração de amor ao cinema jamais filmada, perfeita antítese das cáusticas visões de Hollywood sobre si própria (de que é paradigma 'Crepúsculo dos Deuses' de outro grande, Billy Wilder).

5.
Beijos roubados
Baisers volés, 1968
A terceira aventura de Doinel (a segunda é a curta-metragem 'Antoine e Colette'). Um filme de uma leveza bela como nunca mais ninguém (nem eventualmente Truffaut) filmou.

6.
Jules e Jim
Jules et Jim, 1962
Talvez o único filme de Truffaut que toda a gente é capaz de nomear para além de 'Os 400 golpes'. Tem outra das grandes personagens femininas do realizador, Catherine (Jeanne Moreau), indubitavelmente mais intensa e perturbante do que Jules e do que Jim, o que levaria por si só a uma longa discussão acerca do título do filme. 

7.
 Disparem sobre o pianista
Tirez sur le pianiste, 1960
O segundo filme de Truffaut adapta- e subverte-  um pulp thriller americano, proporcionando ao popularíssimo cantor Charles Aznavour um papelaço. 'Disparem...' é provavelmente o filme mais atípico e experimental de Truffaut. Foi também um fracasso de bilheteira, e não falta quem pense, justa ou injustamente, que nunca mais Truffaut (que queria genuinamente fazer um cinema que comunicasse com o público) arriscou tanto.

8.
Domicílio conjugal
Domicile conjugal, 1970
Quarto episódio do 'ciclo Doinel'. As cores começam a ser mais sombrias.

9.
O amor em fuga
L'Amour en fuite, 1979
O fecho do ciclo Doinel é um filme estranho, original, e que deixa no espectador um rasto de melancolia  e até tristeza. Curiosamente foi um êxito de bilheteira, o que mostra a profunda ligação do público da época com Antoine Doinel. Se 'A noite americana' é um filme para cinéfilos, este, tão auto-referencial, é um filme para amantes de Truffaut.

10.
O homem que amava as mulheres
L'Homme qui amait les femmes, 1977

Bertrand Morane, um mulherengo inveterado - com um fetiche pelas pernas delas -  escreve as suas mémórias. Truffaut, várias vezes acusado de chauvinismo, disse que este era "um filme feminista, ao estilo de Truffaut". Na enésima prova de que a vida imita a arte, no funeral do realizador, à semelhança do de Morane, estiveram presentes muitas das mulheres da sua vida.

18.1.12

Dario Argento - Top 9

Inspirado por Enrique Vila-Matas, que se revoltou contra o 'absurdo prestígio' dos 'números redondos', resolvi desta vez fugir ao habitual e redondo número 10.
Cá vai então o meu top 9 do mestre do giallo:

1.
 O pássaro com plumas de cristal (1970)

Logo no seu primeiro filme Argento (re)inventa um género. Citando-me a mim próprio, se quiser ver um giallo veja este, que já está aqui tudo.

2.
 Profondo rosso- O mistério da casa assombrada (1975)

Argento refina a sua arte, e dá-nos aquele que é talvez o seu 'policial' mais perfeito. David Hastings é o protagonista, e não é só por ele que nos lembramos do 'Blow-Up' de Antonioni.

3.
 Ópera (1987)

Uma cantora substituta torna-se uma estrela ao substituir a diva que é atropelada na véspera da estreia de 'Macbeth' de Verdi. Mas um psicopata não a larga... 
'Ópera' é o meu preferido dos filmes de 'terror' de Argento e, para muitos fãs mais radicais, o último grande filme do mestre. A cena em que o assassino é desmascarado é puro surrealismo.

4.
 Suspiria (1977)

Depois da famosa 'trilogia dos animais' e de 'Profondo Rosso', Argento deu uma guinada e virou-se para o terror e para o sobrenatural, iniciando uma nova trilogia, conhecida por 'Três Mães'.
'Suspiria' tornar-se-ia (com 'Profondo Rosso') o seu filme mais famoso. É um festival de cor, som e mortes espectaculares. E provavelmente o filme de Argento em que o espectador mais perde em não o ver num grande ecrã (como infelizmente foi o meu caso).

5.
Tenebrae (1982)

Um escritor americano de visita a Roma descobre que um misterioso serial killer anda a usar o seu último livro como inspiração. O mistério tem uma solução muito engenhosa, que Argento usou mais que uma vez com variações.

6.
 O gato das sete vidas (1971)


Uma dupla improvável - um jornalista e um cego (Karl Malden) - investiga uma série de crimes ocorridos num instituto onde se fazem experiências genéticas. O argumento deste segundo filme de Argento é um bocado estrambólico, mas o grande Karl Malden e um realizador em grande forma fazem com que seja um
dos grandes 'policiais' do mestre.

7. 
A síndrome de Stendhal (1996)

Cena de abertura com Asia na Galeria Uffizi: Argento teve uma autorização única para lá filmar.

Uma jovem comissária da polícia investiga os crimes cometidos por um violador assassino e acaba ela própria por cair nas garras do psicopata. Ser violada por ele repetidas vezes é apenas parte do que lhe acontece no filme. Se pensarmos que para este papel Argento escolheu nem mais nem menos que a sua filha Asia...

8.
 Phenomena (1985)

Uma teenager americana (Jennifer Connelly, com 14 anos), é enviada pelo seu pai, um actor famoso, para um selecto colégio interno suiço. Mas, adivinhe o leitor, anda por lá um psicopata à solta. E acontece que Jenniffer não é uma rapariga normal: tem o poder de 'comunicar' com os insectos.
Eu ia escrever que este é o filme mais bizarro de Argento, mas talvez seja 'Inferno' que mereça esse título. Fica para 'Phenomena' o de mais macabro. Nada aconselhável a almas impressionáveis.

9.
Giallo (2009)

O último filme de Argento (até à data) foi um fracasso de crítica e de bilheteira, e o próprio realizador se queixou da forte interferência dos produtores, demarcando-se do resultado final. Mas é, ainda assim, um belo thriller com sabor démodé. E Adrien Brody, em claro overacting,  deve ter-se divertido bastante a compor quer o polícia, quer o assassino (aqui irreconhecível e creditado com o anagramático pseudónimo de Byron Deidra).


 
P.S.:  Poucas obras darão tanto sentido à afirmação que postula que os grandes realizadores fazem sempre o mesmo filme, como a de Argento. Filme após filme repetem-se situações, motivos, obsessões.
Basicamente eu dividiria a sua filmografia em dois subgrupos: aqueles a que chamarei os gialli mais 'policiais' (em que o protagonista - quase sempre um homem - investiga os crimes cometidos por um serial killer) e os gialli mais de 'terror' (em que o protagonista - quase sempre uma jovem - sofre os desmandos do serial killer). Isto para avisar que eu tenho uma especial predilecção pelos primeiros; mas há exemplares magníficos em ambos os lados e, claro, nem sempre a distinção é clara.