GRANDE PRÉMIO MELHOR FILME FANTASPORTO 2008: REC – Jaume Balagueró, Paco Plaza (Esp)
PRÉMIO MELHOR FILME SEMANA DOS REALIZADORES: OPIUM, DIARY OF MADWOMAN – Janos Szasz (Hun)
PRÉMIO MELHOR FILME ORIENT EXPRESS: TRIANGLE - Ringo Lam, Johnnie To, Tsui Hark (HK)
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9.3.08
6.3.08
Amadorismo no Fantas
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Unknown

Ao fim de quase 30 anos de existência, o Fantasporto ainda continua a dar alguns exemplos de um amadorismo gritante.
Exemplo 1) Está o escriba no passado dia 1 na fila para comprar bilhete para ‘One missed call Final’ (3ª sequela de um filme de Miike), quando repara num aviso em que se diz que o ‘filme chegou sem legendas’ pelo que foi substituído pela ‘antestreia Europeia do filme ‘The Eye 10’ dos irmãos Pang’. Assim, sem mais nada. Quem quiser que arrisque! (se bem que às vezes ter uma sinopse ou não ter vai dar ao mesmo, tal a (falta de) qualidade das mesmas...)
Exemplo 2) Uma conhecida marca de cerveja e patrocinadora do Fantasporto, promove uma campanha em que por cada cerveja bebida nos espaços do Fantas o bebedor-cinéfilo tem direito a um carimbo num ‘passaporte’. Sendo que três carimbos dão direito a dois bilhetes para o Fantas.
Domingo, dia 2, o escriba dirige-se com o dito passaporte devidamente carimbado à ‘Cidade do cinema’, um barracão em frente ao Rivoli, para proceder à respectiva troca. É informado que só abre às 15h. Ok, o escriba vai dar uma volta e regressa às 15h (com mais um carimbo, entretanto!). A dita ‘Cidade' continua fechada. O escriba hesita em ir ver a sessão das 15h e voltar, mas acaba por se decidir esperar. Passado um bom quarto de hora, lá abrem as portas (ou melhor, a lona). Um simpático rapaz da Super-Bock (ok, adivinharam a marca) explica-nos que não tem bilhetes para trocar, que não estão lá… Depois de um telefonema descobre que a colega ‘que deve estar a chegar’ é que os tem. Entretanto já se tinha juntado um pequeno grupo e o rapaz, fica nervoso… é que só têm 16 bilhetes por dia para oferecer! Sendo que cada pessoa ali tem direito pelo menos a 2, já estão à justa. Pede-nos para fazermos uma fila, para se saber quem chegou primeiro, e diz-nos algo timidamente que só pode trocar 2 bilhetes por pessoa, e quem estiver para trás do oitavo lugar da fila é melhor voltar no dia seguinte, conselho que vai repetindo a quem vai chegando.
Entretanto uma pessoa ali na fila, sem saber bem porquê, lá vai perguntando pela ‘colega que deve estar a chegar’. ‘Nós entramos às 15h, por isso deve estar mesmo a vir…’. Entretanto vão-se contando histórias semelhantes do dia anterior, em que passados 5 minutos da abertura do barraco já não havia bilhetes.
Passa das 15h30 e chega a ‘colega’ com toda a calma. Nem se digna olhar para a fila, nem bom dia nem boa tarde, limita-se a entregar com ar superior os bilhetes/convites ao colega que esteve a aturar as pessoas (muito pacificas, como é apanágio dos portugueses). E pronto, nós lá saímos todos contentes com 2 bilhetezinhos que a Super Bock numa espectacular colaboração com o Fantasporto teve a extrema amabilidade de oferecer a 8 dos seus clientes…
Exemplo 3) Segunda-feira às 23h15 acumula-se uma pequena multidão à porta do grande auditório para assistir a ‘I’m a Cyborg but that’s ok’, de Chan-wook Park, provavelmente o filme mais aguardado deste Fantas. Passada a hora marcada, sem as portas se abrirem, percebe-se que se passa algo de errado. Alguém na fila comunica ao escriba que houve problemas técnicos com o filme da sessão anterior, pelo que este ainda decorre. A malta, animada por aquele ‘espírito Fantas’, lá vai aguardando ordeiramente. Lá para 23h45, já com meia hora de atraso e sem ninguém da organização dar qualquer explicação, o escriba resolve indagar junto a um dos porteiros. ‘Está atrasado uns 45 minutos, no mínimo…’ informa simpaticamente. Ainda bem que avisam, pensa o escriba dirigindo-se para a bilheteira, que no dia seguinte é dia de trabalho e ainda há 1 hora de caminho pela frente: ‘informaram-nos que tal e tal’, ao que é respondido que um membro da organização estava a tentar saber qual o atraso real e ainda não havia nada ‘oficial’. Mas pode devolver-nos o dinheiro dos bilhetes? Posso. Obrigado.
E pronto, dos 4 filmes que pretendia ver em 2 dias, consegui ver 2.
Já falei no ‘espirito Fantas’, que se estenderá a outros festivais, que implica uma certa tolerância que não se teria num cinema ‘comercial’, enfim, somos todos cinéfilos, estamos gratos à organização por nos proporcionar o festival, compreendemos que é difícil levar tudo a bom porto, etc., etc.
Mas quando na sessão de abertura, temos um membro da organização a perorar longamente sobre o prestígio do Fantas, o facto de ser um ‘festival internacional’, que ao contrário de outros não é um ‘festival que passa dvds’, que tem que ter subsídios compatíveis com a sua competência, etc., etc., aí já temos mais dificuldade em compreender estes amadorismos e, mais grave, falta de respeito para com os espectadores.
Para o ano há mais.
Exemplo 1) Está o escriba no passado dia 1 na fila para comprar bilhete para ‘One missed call Final’ (3ª sequela de um filme de Miike), quando repara num aviso em que se diz que o ‘filme chegou sem legendas’ pelo que foi substituído pela ‘antestreia Europeia do filme ‘The Eye 10’ dos irmãos Pang’. Assim, sem mais nada. Quem quiser que arrisque! (se bem que às vezes ter uma sinopse ou não ter vai dar ao mesmo, tal a (falta de) qualidade das mesmas...)
Exemplo 2) Uma conhecida marca de cerveja e patrocinadora do Fantasporto, promove uma campanha em que por cada cerveja bebida nos espaços do Fantas o bebedor-cinéfilo tem direito a um carimbo num ‘passaporte’. Sendo que três carimbos dão direito a dois bilhetes para o Fantas.
Domingo, dia 2, o escriba dirige-se com o dito passaporte devidamente carimbado à ‘Cidade do cinema’, um barracão em frente ao Rivoli, para proceder à respectiva troca. É informado que só abre às 15h. Ok, o escriba vai dar uma volta e regressa às 15h (com mais um carimbo, entretanto!). A dita ‘Cidade' continua fechada. O escriba hesita em ir ver a sessão das 15h e voltar, mas acaba por se decidir esperar. Passado um bom quarto de hora, lá abrem as portas (ou melhor, a lona). Um simpático rapaz da Super-Bock (ok, adivinharam a marca) explica-nos que não tem bilhetes para trocar, que não estão lá… Depois de um telefonema descobre que a colega ‘que deve estar a chegar’ é que os tem. Entretanto já se tinha juntado um pequeno grupo e o rapaz, fica nervoso… é que só têm 16 bilhetes por dia para oferecer! Sendo que cada pessoa ali tem direito pelo menos a 2, já estão à justa. Pede-nos para fazermos uma fila, para se saber quem chegou primeiro, e diz-nos algo timidamente que só pode trocar 2 bilhetes por pessoa, e quem estiver para trás do oitavo lugar da fila é melhor voltar no dia seguinte, conselho que vai repetindo a quem vai chegando.
Entretanto uma pessoa ali na fila, sem saber bem porquê, lá vai perguntando pela ‘colega que deve estar a chegar’. ‘Nós entramos às 15h, por isso deve estar mesmo a vir…’. Entretanto vão-se contando histórias semelhantes do dia anterior, em que passados 5 minutos da abertura do barraco já não havia bilhetes.
Passa das 15h30 e chega a ‘colega’ com toda a calma. Nem se digna olhar para a fila, nem bom dia nem boa tarde, limita-se a entregar com ar superior os bilhetes/convites ao colega que esteve a aturar as pessoas (muito pacificas, como é apanágio dos portugueses). E pronto, nós lá saímos todos contentes com 2 bilhetezinhos que a Super Bock numa espectacular colaboração com o Fantasporto teve a extrema amabilidade de oferecer a 8 dos seus clientes…
Exemplo 3) Segunda-feira às 23h15 acumula-se uma pequena multidão à porta do grande auditório para assistir a ‘I’m a Cyborg but that’s ok’, de Chan-wook Park, provavelmente o filme mais aguardado deste Fantas. Passada a hora marcada, sem as portas se abrirem, percebe-se que se passa algo de errado. Alguém na fila comunica ao escriba que houve problemas técnicos com o filme da sessão anterior, pelo que este ainda decorre. A malta, animada por aquele ‘espírito Fantas’, lá vai aguardando ordeiramente. Lá para 23h45, já com meia hora de atraso e sem ninguém da organização dar qualquer explicação, o escriba resolve indagar junto a um dos porteiros. ‘Está atrasado uns 45 minutos, no mínimo…’ informa simpaticamente. Ainda bem que avisam, pensa o escriba dirigindo-se para a bilheteira, que no dia seguinte é dia de trabalho e ainda há 1 hora de caminho pela frente: ‘informaram-nos que tal e tal’, ao que é respondido que um membro da organização estava a tentar saber qual o atraso real e ainda não havia nada ‘oficial’. Mas pode devolver-nos o dinheiro dos bilhetes? Posso. Obrigado.
E pronto, dos 4 filmes que pretendia ver em 2 dias, consegui ver 2.
Já falei no ‘espirito Fantas’, que se estenderá a outros festivais, que implica uma certa tolerância que não se teria num cinema ‘comercial’, enfim, somos todos cinéfilos, estamos gratos à organização por nos proporcionar o festival, compreendemos que é difícil levar tudo a bom porto, etc., etc.
Mas quando na sessão de abertura, temos um membro da organização a perorar longamente sobre o prestígio do Fantas, o facto de ser um ‘festival internacional’, que ao contrário de outros não é um ‘festival que passa dvds’, que tem que ter subsídios compatíveis com a sua competência, etc., etc., aí já temos mais dificuldade em compreender estes amadorismos e, mais grave, falta de respeito para com os espectadores.
Para o ano há mais.
26.2.08
Este país não é para velhos
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A primeira coisa que me surpreendeu neste filme foi ser muito um filme ‘à irmãos Coen’. A sua violência estilizada e um pouco absurda, o seu sentido de humor, todo o seu universo remetem para filmes como ‘Fargo’ ou ‘História de Gangsters’. Eu confesso que estava à espera de algo mais ‘à Cormac McCarthy’.
Ou seja, eu diverti-me imenso a ver este filme, achei magnifica esta perseguição do tresloucado Chigurh (Óscar de caras para Bardem) ao condenado Moss (e o excelente Brolin também merecia estar nos Óscares), mas diverti-me da mesma maneira que me diverti a ver a perseguição das meninas a Kurt Russell em ‘Death Proof’. Nada contra ‘Death Proof’, bem entendido, mas penso que aqui os irmãos Coen deram tanta importância a estas personagens que se esqueceram do resto. Nem falo da personagem de Woody Harrelson que aparece e desaparece num ápice (fruto da sua arrogância), mas sim da personagem de Tommy Lee Jones, algo abandonada pelos realizadores, sendo que aqui me parece que se perde muito. É do desalento desta estranha personagem que vem o título do filme, não nos esqueçamos, mas não nos é dado a compreender exactamente porquê. Senti sempre que havia algo por trás deste (excelente) divertimento que não me estava a chegar, algo mais transcendental, ou religioso, ou simbólico (sobre a ‘natureza humana’, sobre ‘o mal’), que se intui que estará no livro mas que passa algo ao lado do filme. A intenção de Tarantino é mostrar-nos assassinatos estilosos e perseguições de carros. A dos Coen seria apenas mostrar-nos uma perseguição sanguinolenta? A de quem escreveu a história (McCarthy) não era certamente. E isso faz a diferença entre sentir que falta algo aqui (no ‘No Country...’) que não falta lá (em Tarantino - e peço desculpa pela insistência, mas lembrei-me mesmo de Tarantino ao ver este filme). Basta ver a sequência final, que parece deslocada, como se o filme já tivesse acabado antes.
Passei tanto tempo a tentar explicar porque não considero o filme uma obra-prima, que nem disse que o que lá está é mais do que suficiente para ele ser muito bom. Mas é-o. Já referi os actores, já referi que todo o subplot Barden/Brolim é estupendamente filmado, gostaria também de acrescentar as belas elipses que não nos deixam ver as duas mortes mais esperadas.
No Country For Old Men, E.U.A., 2007. Realização: Ethan Coen e Joel Coen. Com: Tommy Lee Jones, Javier Bardem, Josh Brolin, Woody Harrelson, Kelly Macdonald.