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28.4.13

Jack Reacher

 
O que impressiona até um veterano nestas andanças como eu, que já pouco espera destes thrillers a metro, é a absoluta falta de originalidade deste 'Jack Reacher', o previsível novo franchise de acção de Tom Cruise. Argumento, realização, actores principais, a respeito de tudo neste filme se poderia citar as imortais palavras de Octávio Machado sobre João Loureiro: "é uma fotocópia de má qualidade de um original já muito gasto".
 
Para quê, pois, perder tempo com tão ruim defunto? É que há por aqui duas ou três cenas que não posso deixar de referir: aquelas em que entra Werner Herzog, que com o seu inglês de sotaque carregadíssimo compõe uma grande personagem secundária, Zec, o vilão de leste disposto a tudo para sobreviver. Só é pena é Herzog não estar também atrás da câmara...

28.2.13

Ted

 
Depois de ver o ‘compacto’ dos Oscares fiquei em interessado em Seth MacFarlane e resolvi espreitar a sua estreia como realizador fora do mundo da animação (é o criador das séries ‘Family Guy’ e ‘American Dad’, como o caro leitor saberá melhor que eu).
 
Então é assim. Há um tema recorrente na 'nova comédia' americana, a saber, o do trintão que se recusa a crescer e a assumir as suas responsabilidades de adulto. O seu ideal é passar o dia no sofá com os seus amigalhaços a emborrachar-se e a ver desenhos animados do seu tempo de adolescente. Miraculosamente tem sempre uma namorada giraça e compreensiva, mas obviamente ele não lhe liga nada (até perto do final do filme) prezando mais o ‘companheirismo’ macho. Acho que já aqui perorei sobre quanto abomino estes filmes (a última vez que saí de uma sala de cinema a meio foi nisto).
 
‘Ted’ é uma variação inteligente e irónica deste tema, levando Seth MacFarlane a premissa ao extremo do inverosímil: o tal companheirão do protagonista, que passa os dias a emborrachar-se com ele é… o seu urso de peluche de infância, que incrivelmente ganhou vida era ele petiz e entretanto se tornou num peluche adulto, cheio de maus hábitos, e que é uma péssima influência.
 
 A boa notícia aqui é que MacFarlene nunca abandona a (auto-) ironia nem se leva muito a sério (ao contrário dos filmes acima citados) e vai disparando um número impressionante de piadas e gags mesmo muito bons. Além disso o urso Ted (voz de MacFarlane) é um verdadeiro achado cómico e tem mais vida que a maior parte das personagens de carne e osso das comédias que por aí andam. Claro que Marc Wahlberg não é o actor mais expressivo do mundo (mas só o alivio de não andar por ali Seth Rogen…) e Mila Kunis apenas cumpre os mínimos, mas o filme é mesmo do urso Ted e o restante acaba por ser secundário.
 
Uma bela surpresa.

25.2.13

Argo

 
Quando num momento de grande ansiedade (neste caso durante a invasão por manifestantes locais da embaixada americana em Teerão) uma personagem se vira para outra e declara 'I love you', sabemos: a) que estamos num filme americano; b) que não vamos ser poupados aos lugares comuns.
 
Ou seja: gostei bem mais da realização de 'Argo', que mantém o espectador sob uma tensão constante como num bom thriller (espectacularmente Affleck nem nomeado foi neste campo), do que do argumento, taão americano ou, se preferirem, taão hollywoodiano (que consequentemente levou o respectivo Oscar).
 
Resumindo: havia filmes bem melhores a concorrer ao Oscar de melhor do ano (desde logo o Django), mas também é verdade que já houve fitas bem piores a levar a estatueta para casa.

19.1.13

Notas breves #6

 
O legado de Bourne
Tomara a equipa do Sporting ter a regularidade da saga Bourne: nem a troca de realizador (Tony Gilroy é o terceiro homem atrás das câmaras em 4 filmes), nem a ausência de ‘material de base’ (Robert Ludlum só escreveu 3 romances com Bourne… ), nem mesmo a debandada do protagonista  (Matt Damon abandonou o barco e entrou Jeremy Renner) abalaram seriamente a qualidade média da coisa.  

O ‘Legado Bourne’ não chegará ao nível dos episódios anteriores, mas é ainda um thriller bastante competente e que proporciona 2 horas de acção bastante razoável. Claro que tem um trunfo com que Godinho Lopes não pode nem sonhar (Rachel Weiz), mas ainda assim é um bom exemplo de estabilidade na mudança, que bem poderia servir de exemplo para os lados de Alvalade.

The Bourne Legacy, Tony Gilroy, 2012

Arbitrage - A fraude
Se Richard Gere está longe de ser o melhor actor do mundo, em compensação Tim Roth e Susan Sarandon estão lá perto; se o  argumento de 'Arbitrage' está longe de ser muito original (entre outras coisas, lembrei-me logo da 'Fogueira das vaidades'...), ainda assim o realizador Nicholas Jarecki defende-o com bravura. Ou seja: vale a pena ver este 'Arbitrage'. Não está ao nível do muito bom 'Margin Call', mas é mais uma bicada que Hollywood dá em Wall Street.

Arbitrage, Nicholas Jarecki, 2012

3
Ela é jornalista, opinativa, com uma personalidade forte (grande papel de Sophie Rois); ele tem uma empresa ligada às artes, é mais discreto, frágil, e combate com sucesso um cancro. Eles estão juntos à 20 anos, e resolvem casar-se. E ela arranja um amante; e ele arranja um amante. Que é a mesma pessoa, um cientista, especialista em fertilização. O muito irregular Tom Tykwer filma com vagar e frieza nórdica estas relações cruzadas numa Berlim gélida e cosmopolita, e não obstante um final algo decepcionante, proporciona-nos um filme melancólico e interessante, seguramente o seu melhor desde 'Corre, Lola corre'.

3, Tom Tykwer, 2010

13.1.13

Entre irmãs

 
O argumento deste filme é uma versão algo arrevesada do filme da loirinha redentora. Aqui o protagonista não regressa à terrinha natal mas vai para uma casa isolada numa ilhota, e há duas loirinhas ao barulho. Mas a ideia é a mesma: um fulano que está a ter um mau ano isola-se na parvónia e cai-lhe uma miúda em cima. Nada de muito original, portanto.
 
Posto isto, diga-se que a fita até se aguenta. Nem sempre é credível - qualquer pessoa que já se tenha emborrachado em companhia de alguém torcerá o nariz à clareza dos diálogos na cena da bebedeira de tequila - e tem mesmo um happy end atroz.  Mas a verdade é que a realizadora e argumentista Lynn Shelton consegue manter-nos interessados na coisa, no que certamente terá algum mérito, mas para o que conta com o contributo decisivo do seu trio de actores, especialmente das suas belas actrizes, a doce Emily Blunt e a frágil mas luminosa Rosemarie Dewitt. São elas que resgatam o filme da nossa indiferença.
 
Your Sister`s Sister, E.U.A., 2012. Realização: Lynn Shelton. Com: Emily Blunt, Mark Duplass, Rosemarie DeWitt.

5.1.13

Notas breves #5


Killer Joe
O filme que mais dificuldade tive em classificar no passado ano.  É assim uma espécie de cruzamento entre Tenessee Williams e 'The Killer Inside Me'. Mas se é muito impressivo (certamente não deixará nenhum espectador indiferente), também não me convenceu inteiramente: nem a sua composição deliberadamente teatral (adivinha-se que é baseado numa peça), nem o seu final aberto, nem mesmo a actuação de Matthew McConaughey, a que me pareceu faltar carisma para uma personagem destas.
Killer Joe, William Friedkin, 2011

Holly Motors
O Ovni do ano. Há muito tempo que não via um filme baralhar tanto as expectativas do espectador.
Holly Motors, Leo Carax, 2012

Bellamy
Não gostei tanto do último Chabrol como gostaria de ter gostado. Mas é ainda assim um bom thriller, que proporcionou um encontro in extremis entre o mestre e o agora muito nas bocas do mundo Depardieu.
Bellamy, Claude Chabrol, 2009

César deve morrer
Tinha tudo para ser um grande filme, mas falta-lhe algo. Nunca chegamos nem a principiar a conhecer aqueles presidiários que se prestaram a ser actores de Shakespeare.
Cesare deve morire, Paolo Taviani e Vittorio Taviani, 2012.

Taken - A vingança
Hora e meia de entretenimento razoável, mas a milhas do primeiro 'Taken'. Olivier Megaton, que substitui Pierre Morel atrás da câmara, não escapa à maldição das sequelas.
Taken 2, Olivier Megaton, 2012

As voltas da vida
Um filme muito, muito previsível que vale apenas por nos trazer de volta o Clint Eastwood resmungão e irascível que andava desaparecido desde 'Gran Torino'. Lamentavelmente Robert Lorenz é um realizador banal e nem de longe consegue fazer os milagres de Clint, que é capaz de pegar num argumento cheio de clichés ('Million Dollar Baby') e transformá-lo num grande filme.
Trouble With the Curve, Robert Lorenz, 2012

26.12.12

2012

 
 
 
 

3.12.12

2 Dias em Nova Iorque

 
Não tenho conta no facebook, mas se tivesse eis o que diria sobre este filme:

25.9.12

Crime e Pecado


Dificilmente um fã de de 'Brighton Rock', o livro, ficará muito satisfeito com esta adaptação do estreante Rowan Joffe: o heterodoxo catolicismo de Greene (um 'homem medieval', chamou-lhe uma vez um crítico, obcecado com conceitos como o Bem, o Mal, a Graça ou a Redenção), que enforma a visão do amor que aparece nos seus romances (veja-se também 'O fim da Aventura'), é aqui amplamente mitigado, para não dizer descartado.

Mas talvez o cinéfilo que chegue aqui 'em branco' não dê o seu tempo por mal entregue, se encarar a coisa como um elegante filme de gangsters, sobriamente filmado em tons de noir, e que proporciona uma grande interpretação a Sam Riley (o Ian Curtis de 'Control'), como o psicopata Pinkie que desposa uma rapariga apenas para que esta não possa testemunhar contra ele. Mesmo com pouco Greene, o filme aguenta-se.

Brighton Rock, Grã-Bretanha, 2012. Realização: Rowan Joffe. Com: Sam Riley, Andrea Riseborough, Helen Mirren, John Hurt, Philip Davis, Andy Serkis.
 
 

23.9.12

Para Roma com amor


Este até pode ser um Woody menor, mas é um dos (muito) bons. É um filme leve, mas é um divertimento culto e inteligente, com uma ponta de melancolia, outra de absurdo, recheado de grandes actores e de mulheres belas. Saúde-se o regresso do actor Woody Allen aos ecrãs seis anos depois de 'Scoop', e com ele o regresso do realizador/argumentista Woody Allen à boa forma depois de três filmes algo desapontantes.

To Rome With Love,  E.U.A./Itália/Espanha, 2012. Realização: Woody Allen. Com: Woody Allen, Judy Davis, Roberto Benigni, Flavio Parenti, Fabio Armiliato, Penélope Cruz, Alessandra Mastronardi, Jesse Eisenberg, Ellen Page, Greta Gerwig, Alec Baldwin.


10.9.12

Os Mercenários 2


Este segundo capítulo de 'Os Mercenários' leva-se um pouco mais a sério do que o primeiro, mas ainda nada que seja preocupante. O argumento é saudavelmente desmiolado, o humor continua em grande e o elenco é alargado com reforços de luxo como Van Damme (que é o vilão - chamado Vilain - naquele que é garantidamente o seu melhor papel de sempre) ou Chuck Norris (que tem uma entrada triunfal ao som da música de 'O bom, o mau e o vilão'...).

Ao que consta está a caminho 'Os Mercenários 3', o que me parece que já é esticar um bocado a corda, mas para já este episódio continua a ser hora e meia de bom entretenimento old fashioned.

The Expendables 2, E.U.A., 2012. Realização: Simon West. Com: Sylvester Stallone, Jason Statham, Dolph Lundgren, Jean-Claude Van Damme, Nan Yu, Liam Hemsworth, Bruce Willis, Arnold Schwarzenegger, Randy Couture, Terry Crews, Scott Adkins, Jet Li, Chuck Norris.

4.9.12

Oslo, 31 de Agosto


Anders, quase a acabar um programa de reabilitação de toxicodependência na parvónia, vai um dia a Oslo para uma entrevista de emprego e reencontra os seus amigos e, por assim dizer, a vida que deixou para trás.

Há amigos que estão casados e são pais, há outros que levam uma vida boémia, há quem não queira estar com ele (a irmã, a ex-namorada), mas todos parecem (pelo menos ao olhar desencantado de Anders) levar uma vida mais ou menos infeliz e vazia. Logo ao primeiro encontro, um amigo a quem ele gaba a felicidade doméstica, diz-lhe que vai andando, nada mais.

Joachim Trier filma esta geração perdida com melancolia e frieza nórdica e encontrou em Anders Danielsen Lie um actor perfeito. Grande filme.

Oslo, 31. august, Noruega, 2012. Realização: Joachim Trier. Com: Anders Danielsen Lie, Hans Olav Brenner, Ingrid Olava.

1.9.12

360


'360' tem um argumentista de 'prestígio' (Peter Morgan), um realizador em fase de carreira internacional depois de um sucesso local (Fernando Meirelles, realizador de 'A Cidade de Deus'), um casting multinacional (incluindo algumas vedetas como Rachel Weisz, Jude Law e Anthony Hopkins), e a já tão batida estrutura em mosaico, em que situações e personagens se vão cruzando e influenciando. Embora aparentemente adapte Arthur Schnitzler, está cheio de 'actualidade': mafiosos russos, prostitutas (de leste) contratadas em sites da net, 'predadores sexuais', etc., etc., . Em suma, é o tipo de filme que a crítica adora detestar (como 'Babel', por exemplo). E está mesmo a pedi-las: não há aqui ponta de originalidade e é tudo tratado muito pela rama.

Mas, apesar de tudo Meirelles não me parece um realizador descartável (e note-se que eu não gostei nada de 'Cidade de Deus'), e o filme, dentro do género mastiga e deita fora, vê-se melhor do que seria talvez expectável. Garantidamente que daqui a um ano nem me lembrarei que o vi, mas também não posso dizer que tenha dado o tempo que gastei com ele totalmente por mal empregue (só a cena com a rapariga brasileira e Ben Foster me conseguiu irritar verdadeiramente). Seria melhor ter gasto duas horas a ver uma qualquer série de TV dessas elogiadas, mas como eu não gosto de ver televisão...

360, Grã-Bretanha, 2012. Realização: Fernando Meirelles. Com: Rachel Weisz, Jude Law, Anthony Hopkins, Ben Foster, Juliano Cazarré, Maria Flor, Danica Jurcová, Jamel Debbouze.

31.8.12

Bonsai


Gosto muito de filmes e gosto muito - se calhar ainda mais -  de livros, mas não gostei lá muito deste filme sobre livros, leitores e escritores (adaptado de uma novela do chileno Alejandro Zambra que nunca li). E tinha tudo para gostar: os livros, as leitoras, um certo tom lânguido com que é contado. 

Mas falta aqui vida. O filme, que se desenrola em dois planos, separados por oito anos mas que mal se distinguem, é demasiadamente plano, chato, igual. E isto estende-se aos actores, indistintos. E a tal languidez - no sentido de sensualidade - muda rapidamente para um outro sentido que pode ser dado à palavra - de frouxidão, de falta de energia. É pena.

Bonsái, Chile/Argentina/Portugal/França, 2012. Realização: Cristián Jiménez. Com: Diego Noguera, Nathalia Galgani, Trinidad Gonzalez, Gabriela Arancibia.

20.8.12

O Futuro


Depois da excelente estreia da artista plástica Miranda July atrás das câmaras ('Eu, tu e todos os que conhecemos', 2006), não se esperaria um segundo filme tão ensimesmado e contumazmente aborrecido como este 'O Futuro'.
As personagens são bocejantemente irritantes (só apetece agarrar nelas e abaná-las!), o ritmo é pífio, e até alguns dos achados da primeira obra - como o uso da voz off da realizadora e alguma teatralidade deliberada - parecem aqui artificialismos sem sentido. Nada funciona, em suma. Para esquecer.

The Future, E.U.A./Alemanha, 2012. Realização: Miranda July. Com: Hamish Linklater, Miranda July, David Warshofsky, Isabella Acres, Joe Putterlik.

11.8.12

4:44 Último Dia na Terra


Vi com interesse algo distante este 4:44.  Ambiente é algo que nunca falta ao cinema de Ferrara, e talento para escolher actores também lhe sobra (lembremos os papelaços que proporcionou a Harvey Keitel ou a Matthew Modine). Dois actores e uma câmara bastam-lhe para fazer um filme, um bom filme até. Mas a verdade verdadinha é que desde o longínquo "Polícia sem lei" que nenhum filme seu me consegue entusiasmar. E ainda não foi desta.

4:44 Last Day on Earth, Estados Unidos/França/Suiça, 2012. Realização: Abel Ferrara. Com: Willem Dafoe, Shanyn Leigh, Natasha Lyonne.

16.7.12

Moonrise Kingdom


Quem achava que Wes Anderson se tinha 'normalizado' um pouco após "The Life Aquatic..." (porventura o filme mais bizarro da Andersonlandia) pode tirar o cavalinho da chuva. 'Moonrise Kingdom' (que o distribuidor português se dispensou de traduzir) tem chapados todos os temas (a família, basicamente) e idiossincrasias (não vale a pena repetir mais nada sobre os uniformes das suas personagens e os cenários em que se movem) de Anderson, mas elevados ao quadrado.

Quem inicialmente achou Anderson apenas uma curiosidade, há muito que se terá cansado dele; quem ficou seu fã, de certeza que não se queixará deste novo episódio - certamente um dos mais extravagantes -  da sua obra, pessoal como poucas.

Tivesse este blog estrelinhas, eu não daria as 5 a este filme (reservadas para os Tenenbaums, para o Hotel Chevalier e para o Mr.Fox), mas levava 4. E aliás não daria nota inferior a nenhum Anderson.

Moonrise Kingdom, E.U.A., 2012. Realização: Wes Anderson. Com: Bruce Willis, Edward Norton, Bill Murray, Kara Hayward, Jason Schwartzman, Jared Gilman, Frances McDormand, Tilda Swinton, Harvey Keitel, Bob Balaban.

5.6.12

Cosmopolis


Li há uns anos 'Cosmopolis' mas confesso que mal me lembrava do seu conteúdo. E temo que também a sua adaptação por Cronenberg se esfume sem deixar rasto na minha memória: achei o filme imensamente entediante.

Quase nada me atraiu: nem os actores principais (o ensosso Pattinson não me convenceu e a narcoléptica Sarah Gadon menos ainda), nem o argumento (achei-o, no mínimo, pouco subtil), nem o ambiente geral da coisa. Vejamos: eu também achei o argumento de 'Shame' banal e não me pareceu um grande filme, mas ficou-me um grande actor, um rosto,  e aí uma mão cheia de cenas de que não me esqueço. Aqui só me ficou uma cena na cabeça e até já a tinha visto no trailer. E isso é um péssimo sinal.

'Cosmopolis' é um filme elegante, não há aqui ponta de mau gosto, mas claro que isso é pouco. Eu não gosto de todos os filmes de Cronenberg (embora goste muitíssimo de alguns), mas arrisco dizer que este é o mais vulgar de todos.

Cosmopolis, França/Canadá/Portugal/Itália, 2012. Realização: David Cronenberg. Com: Robert Pattinson, Paul Giamatti, Kevin Durand, Sarah Gadon, Samantha Morton, Jay Baruchel, Juliette Binoche, Emily Hampshire, K`Naan, Mathieu Amalric.

18.5.12

Sombras da escuridão


Já por mais de uma vez manifestei aqui a minha preferência pelos filmes mais ‘negros’ de Tim Burton (‘Eduardo mãos de tesoura’,  ‘A lenda do cavaleiro sem cabeça’, ‘Sweeney Todd’, as suas animações) em detrimento dos mais ‘coloridos’ ('The Big Fish’ ou ‘Charlie e a fábrica de chocolate’, por exemplo).

‘Sombras da escuridão’ poderia à partida encaixar-se na 1ª categoria (afinal as personagens principais são um vampiro e uma bruxa), mas na verdade a sua principal característica é uma leveza bem-humorada que o torna muito, muito divertido – tem mesmo algumas das melhores piadas do ano cinematográfico (a cena com os hippies no bosque é imbatível).

Confesso que quando vi o cartaz deste filme pensei, ‘oh não, outra vez o Johnny Depp maquilhado’, mas a verdade é que o homem é bom (melhor que muitos dos filmes em que entra) e saca outro papelaço, liderando aliás um grande elenco, com Michelle Pfeiffer em grande como sempre. A nível de cenários e guarda-roupa, algo andersonianos, também é tudo muito bom, e se o filme não é perfeito (Victoria/Bella Heathcote parece que é esquecida durante grande parte do filme e Roger/Jonny Lee Miller – o vilão da 5ª série de ‘Dexter’ - nunca chega a entrar nele), é um divertimento muito inteligente e bem manufacturado - o que, e nem vale a pena bater mais no ceguinho de Hollywood, é algo raro e precioso hoje em dia.

Dark Shadows, E.U.A., 2012. Realização: Tim Burton. Com: Johnny Depp, Michelle Pfeiffer, Eva Green, Helena Bonham Carter, Chloë Grace Moretz Jackie Earle Haley, Christopher Lee.

9.5.12

Margin Call — O Dia Antes do Fim


Devido a coisas que não vêm ao caso tenho andado completamente dessincronizado com o que tem estreado. Espero sintonizar-me a curto prazo, mas entretanto aproveito para elogiar vivamente este filme estreado há um par de meses, que nos dá um belo insight sobre o actual mundo da finança, em que um chefe intermédio de uma correctora daquelas que levaram o mundo ao estado em que está ganha uns míseros 2,5 milhões /ano (que voam ‘rapidamente: do que sobra dos impostos vão 150.000 para um carro, 75.000 para restaurantes, 50.000 para roupas e o resto fica para um dia chuvoso’) e um chefão amealha, huumm, 86 milhões. Jeremy Irons e Kevin Spacey comandam um elenco luxuoso e o estreante J.C.Chandor merece ficar debaixo de olho: a realização é mesmo muito boa.
Margin Call, E.U.A., 2012. Realização: J.C. Chandor. Com: Zachary Quinto, Kevin Spacey, Paul Bettany, Jeremy Irons, Penn Badgley, Simon Baker, Demi Moore, Stanley Tucci.