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11.4.13

Notas breves #7

Terra Prometida
 
 
Não sendo um mau filme, nem nada que se pareça,  talvez seja o mais convencional de Gus Van Sant. Nem Rosemarie DeWitt lhe consegue acrescentar uma pitada de sal.
 
Ferrugem e osso

Já Jacques Audiard nunca me desilude. Ao ver este filme, com a excelente Marion Cottiard,  ocorreu-me logo citar um bom slogan do Indie Lisboa: Hollywood está a ficar sem ideias. Venha aqui ver algo diferente. 

19.1.13

Notas breves #6

 
O legado de Bourne
Tomara a equipa do Sporting ter a regularidade da saga Bourne: nem a troca de realizador (Tony Gilroy é o terceiro homem atrás das câmaras em 4 filmes), nem a ausência de ‘material de base’ (Robert Ludlum só escreveu 3 romances com Bourne… ), nem mesmo a debandada do protagonista  (Matt Damon abandonou o barco e entrou Jeremy Renner) abalaram seriamente a qualidade média da coisa.  

O ‘Legado Bourne’ não chegará ao nível dos episódios anteriores, mas é ainda um thriller bastante competente e que proporciona 2 horas de acção bastante razoável. Claro que tem um trunfo com que Godinho Lopes não pode nem sonhar (Rachel Weiz), mas ainda assim é um bom exemplo de estabilidade na mudança, que bem poderia servir de exemplo para os lados de Alvalade.

The Bourne Legacy, Tony Gilroy, 2012

Arbitrage - A fraude
Se Richard Gere está longe de ser o melhor actor do mundo, em compensação Tim Roth e Susan Sarandon estão lá perto; se o  argumento de 'Arbitrage' está longe de ser muito original (entre outras coisas, lembrei-me logo da 'Fogueira das vaidades'...), ainda assim o realizador Nicholas Jarecki defende-o com bravura. Ou seja: vale a pena ver este 'Arbitrage'. Não está ao nível do muito bom 'Margin Call', mas é mais uma bicada que Hollywood dá em Wall Street.

Arbitrage, Nicholas Jarecki, 2012

3
Ela é jornalista, opinativa, com uma personalidade forte (grande papel de Sophie Rois); ele tem uma empresa ligada às artes, é mais discreto, frágil, e combate com sucesso um cancro. Eles estão juntos à 20 anos, e resolvem casar-se. E ela arranja um amante; e ele arranja um amante. Que é a mesma pessoa, um cientista, especialista em fertilização. O muito irregular Tom Tykwer filma com vagar e frieza nórdica estas relações cruzadas numa Berlim gélida e cosmopolita, e não obstante um final algo decepcionante, proporciona-nos um filme melancólico e interessante, seguramente o seu melhor desde 'Corre, Lola corre'.

3, Tom Tykwer, 2010

5.1.13

Notas breves #5


Killer Joe
O filme que mais dificuldade tive em classificar no passado ano.  É assim uma espécie de cruzamento entre Tenessee Williams e 'The Killer Inside Me'. Mas se é muito impressivo (certamente não deixará nenhum espectador indiferente), também não me convenceu inteiramente: nem a sua composição deliberadamente teatral (adivinha-se que é baseado numa peça), nem o seu final aberto, nem mesmo a actuação de Matthew McConaughey, a que me pareceu faltar carisma para uma personagem destas.
Killer Joe, William Friedkin, 2011

Holly Motors
O Ovni do ano. Há muito tempo que não via um filme baralhar tanto as expectativas do espectador.
Holly Motors, Leo Carax, 2012

Bellamy
Não gostei tanto do último Chabrol como gostaria de ter gostado. Mas é ainda assim um bom thriller, que proporcionou um encontro in extremis entre o mestre e o agora muito nas bocas do mundo Depardieu.
Bellamy, Claude Chabrol, 2009

César deve morrer
Tinha tudo para ser um grande filme, mas falta-lhe algo. Nunca chegamos nem a principiar a conhecer aqueles presidiários que se prestaram a ser actores de Shakespeare.
Cesare deve morire, Paolo Taviani e Vittorio Taviani, 2012.

Taken - A vingança
Hora e meia de entretenimento razoável, mas a milhas do primeiro 'Taken'. Olivier Megaton, que substitui Pierre Morel atrás da câmara, não escapa à maldição das sequelas.
Taken 2, Olivier Megaton, 2012

As voltas da vida
Um filme muito, muito previsível que vale apenas por nos trazer de volta o Clint Eastwood resmungão e irascível que andava desaparecido desde 'Gran Torino'. Lamentavelmente Robert Lorenz é um realizador banal e nem de longe consegue fazer os milagres de Clint, que é capaz de pegar num argumento cheio de clichés ('Million Dollar Baby') e transformá-lo num grande filme.
Trouble With the Curve, Robert Lorenz, 2012

24.1.09

Notas breves #4



A rapariga da mala
Tal como em ‘Verão violento’, há aqui uma paixão impossível, neste caso de um adolescente (Lorenzo, o excelente Jacques Perrin) por uma mulher mais velha (Aida, a bela Claudia Cardinale), que foi abandonada pelo irmão mais velho daquele, e anda a fazer pela vida. É mais ‘leve’ que os outros Zurlinis que vi, pois é um amor impossível a priori, uma paixão juvenil, meio desinteressada, mas ainda assim tem momentos terríveis, como o da conversa de Cardinale com o padre. Aliás, se virmos o filme pelo lado dela, há uma sombra trágica sempre presente.
Mas, se tanto Aida como Lorenzo são personagens imperdíveis, o simpático e disponível menino rico Lorenzo Fainardi fica mesmo na nossa memória e vemos muito o filme pelos seus olhos.
De resto, a discreta mise en scene de Zurlini é o primor habitual.
La ragazza con la valigia, Valerio Zurini, 1961 (9/10)

Outono escaldante
Terceiro filme de Zurlini que vejo, terceira história de amor (impossível) entre pessoas de idades muito diferentes. A diferença é que, neste caso, o mais velho é o homem (a situação mais vulgar). E o homem é Alain Delon, o Samurai, com trinta e muitos e barba por fazer, que tem uma relação complicada em casa (e a que, como saberemos, está irremediavelmente preso), mas que não se coíbe de se atirar a uma sua aluna, de 19 anos, em plena sala de aula, em frente aos colegas.
Ela namora com o playboy local, sendo que o local é Rimini, uma Rimini muito diferente da de Fellini, uma Rimini de jovens abastados, do jogo, das seduções, das festas, dos segredos, da pequenez, do ambiente irrespirável. Ela não é feliz e gosta da atenção que ele lhe dá. Ela é complicada e ele é complicado, num mundo superficial ou que faz por o ser. E não há hipótese do seu amor, ou o que quer que lhe chamemos, dar certo.
‘Outono escaldante’, fraca ‘tradução’ de ‘La Prima notte di quiete’ (sendo que essa prima notte é a morte), é uma obra-prima absoluta, um daqueles filmes que criam um universo completo, de onde não escapamos sem marcas.
La Prima notte di quiete, Valerio Zurlini, 1972 (10/10)

15.12.08

Notas Breves #3



Verão violento
Comecei a atacar a caixa Valerio Zurlini por aqui (e vou seguir a ordem cronológica). Não sei porquê, do que li sobre Zurlini (pouquíssimo), estava à espera de algo na onda de Antonioni, mas ‘Verão violento’ tem pouco de Antonioni.

Roberta (Eleonora Rossi Drago), a jovem viúva que descobre pela primeira vez o amor na pessoa de um rapaz dez anos mais novo (Carlo/Jean-Louis Trintignant), poderia ser a priori uma personagem de Antonioni, mas o modo como esse amor é tratado e retratado, um amor excessivo, violento, exposto, tem mais a ver, parece-me, com a tradição melodramática americana. De resto, o tempo do filme, a sua fotografia, o mostrar o Verão, a juventude, a vida fácil desta com a guerra ao lado, os ciúmes de Rosanna por Roberta e a sua antipatia por tabela por Maddalena, tudo me pareceu extraordinário, belo, original.

Pensei em ver restantes filmes da caixa de enfiada, mas depois achei que precisava de ter calma, de dar tempo - não é todos os dias que se descobre um cineasta deste tamanho.
Estate Violenta, Valério Zurlini, 1959 (9,5/10)

21.11.08

Notas breves #2



Jogo fraudulento
É um dos primeiros filmes sonoros de Hitchcock e algo atípico no seu universo. Baseado numa peça de John Galsworthy, anda à volta de uma disputa de terras entre uma família aristocrata e um novo-rico, que acaba em tragédia. Era dos filmes de que Hitch menos se orgulhava, mas a verdade é que a mise en scene é primorosa e nos agarra por completo. Nem a mocinha (Phyllis Konstam) a representar como se ainda estivesse no tempo do mudo lhe retira o brilho.
The Skin Game, Alfred Hitchcock, 1931 (8/10)

Undead or Alive
Por incrível que pareça ao comum dos mortais, continua a haver um mercado florescente de filmes de zombies. Embora raramente cheguem às nossas salas, há duas hipóteses de chegar ao seu contacto: em festivais especializados (este ano em Sitges assisti mesmo a uma maratona zombie, que começou à 1 da matina e, entre curtas e longas, acabou depois do nascer dos sol - eu aterrei lá para as 5) ou procurar naqueles caixotes nos hipermercados com dvds ao preço da uva mijona.
Este 'Undead or Alive' é uma auto denominada zombedie (uma comédia zombie) e ainda um western (esse sim, um género moribundo). Ou seja, faz parte dum subgénero muito vulgar que é a comédia mais ou menos idiota feita por tuta e meia. Esta destaca-se apenas por uma originalidade do argumento: os zombies foram criados… pelo chefe Índio Jerónimo! Esta verdadeiramente não lembrava nem a um careca. Só aconselhável aos mais fanáticos de entre os fanáticos do género.
Undead or Alive, Glasgow Phillips, 2007 (4/10)

A irmã da minha noiva
Dois anos antes do sucesso de ‘The Philadelphia Story/Casamento escandaloso’, o mesmo quarteto responsável (realizador Cukor, argumentista Ogden Stewart adaptando Philip Barry, estrelas Grant e Hepburn) experimentou com este ‘Holiday/A irmã da minha noiva’ um grande fiasco, que muito contribuiu para o rótulo de box-office poison se colar a Katherine Hepburn. Mas, uma vez mais, o público é que estava errado. ‘Holiday’ é um filme infinitamente inteligente e divertido, uma obra-prima absoluta da Screwball Comedy, esse género que se encontra – nunca é demais lamentá-lo – mais que morto e enterrado.
Holiday, George Cukor, 1938 (10/10)

Vamo-nos amar
Outro Cukor pouco citado, excepto pelo romance extra-tela que proporcionou entre os seus protagonistas – Marylin Monroe e Yves Montand, nada mais, nada menos. Mas não se deixe o leitor enganar: é um Cukor vintage, e tem a que é por muitos considerada a melhor performance de Marylin no cinema, no seu penúltimo filme, aos trinta e três anos, dois antes da sua morte.
Let’s Make Love, George Cukor, 1960 (10/10)

14.11.08

Notas breves #1



Ascenseur pour l'échafaud
Louis Malle tinha apenas 25 anos (e somente a co-direcção com Jacques-Yves Cousteau dum documentário deste no curriculum), quando realizou esta estilizada versão dos noir americanos. Costumam ser elencadas as suas seguintes várias virtudes, com que eu concordo em absoluto: uma bela Jeanne Moreau no papel de uma - apesar de tudo - simpática femme fatale, um dominar impecável das regras do género, uma espantosa fotografia de Henri Decae e uma soberba banda sonora de Miles Davis (na primeira e das raras vezes em que compôs para cinema). Acrescente-se um engenhoso argumento (o protagonista passa quase todo o tempo preso num elevador) e temos um muito interessante filme deste contemporâneo - mas não companheiro - da Nouvelle Vague, que hoje em dia porventura só é recordado por um filme: o autobiográfico ‘Au revoir les enfants’.
Ascenseur pour l'échafaud, Louis Malle, 1958 (8/10)

Um lobisomem Americano em Londres
Dois jovens americanos de mochila às costas passeiam-se pela Inglaterra profunda até que vão dar a um bar chamado ‘The Slaughtered Lamb’! Desconfiam um pouco dos seus antipáticos clientes, mas não seguem o seu conselho: não atravessar as charnecas. E aí começam os seus problemas, ao serem atacados por... adivinhem... um lobisomem. Claro que ninguém acredita nisso, mas um dos rapazes, que viu o clássico ‘The Wolf Man’ com Lon Chaney Jr., percebe logo o que lhes aconteceu.
Algum suspense e muito humor, que inclui umas fantásticas cenas passadas com um disparatado filme porno em fundo (chamado ‘See You Next Wednesday’) tornaram – justamente –este filme um fenómeno de culto.
An American Werewolf in London, John Landis, 1981 (8/10)

Caçador branco, coração negro
Um realizador com uma persona bigger than life (personagem baseada em John Huston, interpretada por Eastwood himself), vai para África realizar um filme, mas só está interessado em caçar um elefante.
‘Caçador branco, coração negro’, que começa em tom ligeiro e acaba em tom trágico, é uma subtil meditação sobre Hollywood e mais uma data de coisas. Um belo Eastwood pré-canonização.
White Hunter, Black Heart, Clint Eastwood, 1990 (8/10)

As asas do amor
Uma realização algo convencional, mas que sabe transmitir toda a força do romance de Henry James. E como penso que este não está traduzido em português, esta é uma boa maneira de o conhecer. Além de que dá direito a uma extraordinária interpretação de Helena Bonham Carter.
The Wings of the Dove, Iain Softley, 1997 (7/10)
Para combater uma certa inércia que se tem apoderado deste blogue ultimamente, resolvi dar o necessário passo em frente... A partir de agora, vou escrever qualquer coisa (nem que seja só uma linha), sobre todos os filmes que for vendo. A ver vamos até quando dura esta promessa.