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1.1.12

O Deus da carnificina


Gostei mais do magnífico quarteto de actores - destaco Jodie Foster - e da impecável realização de Polanski (nunca me pareceu estar a ver teatro filmado) do que propriamente do argumento do realizador e de Yasmina Reza, baseado numa peça desta, que não obstante a sua inteligência e mordacidade me pareceu várias vezes forçado. Que basta um pouco de stress para o verniz civilizacional da pessoa mais insuspeita estalar é uma constatação óbvia, e às tantas dei por mim a pensar, a meio do filme, que já estava tudo dito e só faltaria acumular mais umas quantas situações, tantas quantas aos argumentistas aprouvesse.

Uma palavra final para os cinemas Zon Lusomundo: quebrar um filme de 79 minutos, filmado em 'tempo real', com um intervalo de 7 minutos é de uma estupidez inqualificável.

Carnage, França/Alemanha/Polónia, 2011. Realização: Roman Polanski. Com: Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz, John C. Reilly.

26.12.11

Inquietos


Vi pela primeira vez um filme de Gus Van Sant aí há vinte anos, era 'Drugstore Cowboy', com Matt Dillon que eu já conhecia de 'Rumble Fish' e 'Os marginais' e com Kelly Lynch que eu não conhecia de lado nenhum. Gostei tanto que nunca mais deixei de acompanhar Van Sant. Vi o belo 'A caminho de Idaho' com River Phoenix dois anos antes de morrer, o estrambólico 'Até as vaqueiras ficam tristes' com Uma Thurman, o gélido 'Disposta a tudo' que faria as pessoas olharem para Nicole Kidman como sendo mais do que Mrs.Cruise, assisti à fase em que a crítica o deu como morto, em 'O  Bom rebelde', no dispensável remake de 'Psycho', no subestimado 'Descobrir Forrester', assisti numa sala vazia ao verdadeiro massacre para o espectador que é 'Gerry', Matt Damon e Casey Affleck duas horas a deambularem perdidos no deserto, prenuncio do que aí viria, que seria a ressuceição crítica com 'Elephant', seguida de dois filmes no mesmo comprimento de onda melancólico, 'Últimos dias' (de Kurt Cobain) e 'Paranoid Park' (o meu preferido dos três), assisti ao regresso a terrenos mais 'narrativos' em 'Milk' (Oscar para Sean Penn) e andei para trás no tempo para ver o que não vi quando saiu, 'Mala Noche', a sua estreia.

E cheguei agora a 'Inquietos'. Não é um filme perfeito: não gostei de duas ou três cenas que me pareceram escusadas (como a do médico a combinar o "golfe às cinco") e demorei algum tempo a livrar-me dum certo tom de 'artificialidade' do argumento (um rapaz que 'penetra' em funerais e tem um amigo imaginário que é um kamikaze envolve-se com uma miúda apaixonada por Darwin e com um cancro terminal soa assim um bocado a argumento de finalista de curso de escrita criativa ou de aspirante a argumentista de filmes indie). Mas quando  chegou ao plano em que ele a 'apresenta aos pais', logo me rendi. É que 'Inquietos' tem dos momentos mais tocantes que vi em muito tempo numa sala de cinema. E tem uma actriz - Mia Wasikowska - que merece o céu. E um grande realizador, com um talento especial para escolher os seus actores e actrizes. É um dos filmes do ano, pois claro.

Restless, E.U.A., 2011. Realização: Gus Van Sant. Com: Henry Hopper, Mia Wasikowska, Ryo Kase, Schuyler Fisk, Lusia Strus, Jane Adams.

15.12.11

Drive - Duplo risco


O júri de Cannes 2011 (presidido por Robert De Niro) que deu a Palma de Ouro a 'A árvore da vida' de Terence Malick, deu o prémio de realização a Nicolas Winding Refn por este 'Drive'. Quase todas as pessoas de bom gosto que eu conheço gostaram muito do primeiro e não gostaram nada do segundo. Pois comigo sucedeu precisamente o contrário.

Dou desde já de barato que o lado 'videoclip' do filme pode irritar muito boa gente, mas se há um ou outro momento mais exibicionista (nomeadamente na banda sonora), a aposta é ganha, pois o estilo é aqui o que mais conta. Não se chega ao extremo de um Gaspar Noe em 'Enter the Void', mas percebem a ideia. Aliás há uma data de outros realizadores de que me fui lembrando ao longo da fita: Tarantino (na cena do abalroamento do carro de Nino), os irmãos Cohen (na conversa entre Nino e Bernie na pizzaria) e até Guy Ritchie, no final (eu não disse que o filme é perfeito). Mas Refn embrulha todas estas referências e dá-nos algo que bate. É estranho mas bate.

E os actores, é impossível falar deste filme sem falar na sua dupla de protagonistas: confesso que estranhei durante um bom bocado o lacónico driver de Ryan Gosling, algures entre Steve McQueen e Alain Delon, mas o certo é que acabou por se entranhar (e certamente aquele sorriso melancólico apelará mais ao sexo feminino). E para Carey Mulligan não tenho adjectivos suficientes: não tendo mais do que meia dúzia de deixas em todo o filme, a sua beleza tranquila contribui tanto como a câmara ensonada de Refn e a banda sonora retro de Cliff Martinez para o peculiar ambiente do filme.

E mesmo não tendo Refn a subtileza de Michael Man, desde 'Miami Vice' que eu não via um filme que combinasse tão bem acção (não muita, mas ainda assim com dois pontos altos, uma bela perseguição de carros e um assassinato de uma violência inaudita) com romantismo (é muito bonita a relação do par).

Volto atrás. 'Drive' não é um filme que pretenda transmitir-nos qualquer lição filosófica (ao contrário de 'A árvore da vida', as pretensões aqui estão todas no estilo) e percebo perfeitamente quem não goste dele - bem visto, muito do que eu aqui disse poderia servir para fundamentar uma opinião negativa -  mas a verdade, verdadinha é que só aqui e em 'O Cisne Negro' eu senti algo a mexer comigo este ano nas salas de cinema.

Drive, E.U.A., 2011. Realização: Nicolas Winding Refn. Com: Ryan Gosling, Carey Mulligan, Bryan Cranston, Albert Brooks, Oscar Isaac, Christina Hendricks, Ron Perlman.

25.11.11

Habemus Papam - Temos Papa


Uma hora e meia muito, muito divertida - e como Moretti se deve ter divertido a filmar as pequenas maldades que fez a todos aqueles cardeais (as maldades grandes estão reservadas para os psicanalistas) - e dez minutos finais muito bizarros. Depois de um Almodóvar inesperado, um Moretti desconcertante. Já nem sei o que espere do Cronemberg.

Habemus Papam, Itália/França, 2011. Realização: Nanni Moretti. Com: Michel Piccoli, Nanni Moretti, Renato Scarpa, Jerzy Stuhr.

22.11.11

A pele onde eu vivo


Um 'cientista louco' à 'Les yeux sans visage', uma vingança à Chan-wook Park e um final melodramático... eis muito resumidamente o último Almodóvar.

As duas primeiras sentenças não batem bem com o realizador espanhol? Pois no filme as coisas também não batem lá muito bem. Acima de tudo, parece-me que a maior crítica que se pode fazer a 'A pele onde eu vivo' é - passe o trocadilho - que é um bocado descosido. As coisas parecem não encaixar totalmente, há muitas pontas soltas (como a aparição do bizarro 'Zeca' que não dá em nada), e nunca se percebe totalmente o que Almodóvar pretende com este filme.

Dizer que é estranho (no sentido em que se pode dizer que os últimos filmes de Coppola são estranhos) não explica a coisa. Parece-me mais que é um passo em falso do espanhol, que tentou fugir (embora não tanto como possa parecer) ao seu universo habitual e só não se espetou completamente dado o seu enorme talento como realizador. Porque este argumento...

La piel Que habito, Espanha, 2011. Realização: Pedro Almodóvar. Com: Antonio Banderas, Elena Anaya, Marisa Paredes, Jan Cornet, Roberto Álamo.

12.11.11

As Aventuras de Tintim - O Segredo do Licorne


Este Tintim da firma Spielberg/Jackson é um entretenimento levezinho, que pelo que pude constatar não desiludiu a miudagem que estava na sala, mas que, não obstante uma ou outra sequência mais exuberantemente coreografada - a invasão dos piratas ao navio do antepassado do Capitão Haddock; a perseguição em Marrocos - dificilmente entusiasmará quem vá à espera de algo mais do que competência técnica e utilização de tecnologia de ponta. Custa-me mesmo perceber que alguém com mais de 18 anos possa sentir mais do que uma indiferença mais ou menos bocejante pela coisa...

The Adventures of Tintin, E.U.A./Nova Zelândia, 2011. Realização: Steven Spielberg. Longa-metragem de animação. Vozes (versão original): Jamie Bell, Andy Serkis, Daniel Craig, Simon Pegg, Nick Frost

7.11.11

Crazy Horse


‘Crazy Horse’ pode ser visto como um filme gémeo de 'Dança - Le Ballet de L´Opera de Paris'. Depois de deambular por uma das companhias de ballet mais prestigiadas do mundo, Wiseman vira-se agora para o auto-intitulado melhor espectáculo de dança de nus do mundo.

E o mínimo que se pode dizer é que no Crazy Horse se levam tão a sério como no Ballet de l’Opera. O coreógrafo queixa-se da pressão dos accionistas sobre datas de estreia, mas ele responde que não acorda genial todos os dias, e que não se podem impor prazos a artistas. E o director artístico fala mesmo em Fassbinder e Michael Powell para explicar as suas criações. E todos têm teorias próprias sobre a mulher, a feminilidade, o desejo.

Este filme tem sido criticado, no entanto, por Wiseman se deter mais no espectáculo, mostrando-nos inúmeros ‘números’, do que naquilo que se passa à volta, ou no que está por trás. E penso que as críticas têm alguma razão de ser, não obstante alguns momentos magníficos de humor e subtileza (como quando o realizador nos mostra as bailarinas num momento de descontracção a verem um vídeo de ‘apanhados’ de dançarinas famosas, do Bolshoi, etc., a caírem, ou em situações cómicas provocadas por falhas; ou quando nos dá uma panorâmica do público da casa meramente mostrando-nos a impressão das fotografias que os espectadores tiram para recordação).

Mas de facto (a montagem de) Wiseman centrou-se essencialmente nos números do Crazy Horse, o que às tantas, paradoxalmente, torna o filme um pouco aborrecido. Mas talvez Wiseman tenha tentado captar assim o que desde à décadas tanto atrai milhares e milhares de pessoas (uma boa fatia das quais mulheres, é-nos dito por uma responsável) para este espectáculo.

Seja como for, se não é um Wiseman de 5 estrelas, é um Wiseman de 4 estrelas. A não perder, portanto.

Crazy Horse, Estados Unidos/França, 2011. Realização: Frederick Wiseman. Documentário.

13.10.11

Submarino


Sempre estreou. Escrevi sobre ele aqui.

26.9.11

Meia-Noite em Paris


Eu sei que a ideia de Woody Allen era mesmo simplificar: mostrar uma Paris de postal, idealizada, de sonho, o mais contrastante possível com os States. Mas o problema é que nada neste filme de fantasia ganha espessura, e não há uma única personagem de carne e osso, nem nas ‘actuais’, nem nas ‘históricas’ (Hemingway é mesmo caricaturizado até ao ridículo). E, embora Allen não saiba escrever maus diálogos, a verdade é que aqui são menos memoráveis do que o habitual, e mais do que uma sensação de ‘leveza’ deliberada que sentimos em alguns dos seus filmes, aqui pareceu-me que faltava mesmo alguma coisa.

Se é certo que o Allen touch não se perdeu de todo e estão presentes em ‘Meia-noite em Paris’ algumas das suas imagens de marca (uma das características perenes dos seus filmes que mais me encanta é a capacidade dos seus idiossincráticos avatares – aqui Owen Wilson – arranjarem belas mulheres), não posso deixar de pensar que não obstante este ser um dos filmes de maior sucesso comercial nos 45 anos de carreira do realizador, é também um filme menoríssimo na sua (grandiosa) obra.

Midnight in Paris, Espanha/E.U.A., 2011. Realização: Woody Allen. Com: Owen Wilson, Rachel McAdams, Marion Cotillard, Carla Bruni, Kathy Bates, Léa Seydoux.



12.9.11

Colombiana


Fosse o assassino 'justiceiro' deste filme protagonizado por um qualquer Jason Statham e o filme não valeria um chavo. Sendo-o por Zoe Saldana, enfim, como o dizer, continua a não valer um chavo, mas... percebem onde eu quero chegar.

Colombiana, E.U.A./França, 2011. Realização: Olivier Megaton. Com: Zoe Saldana.

25.8.11

Cowboys & Aliens


Eis a última ideia genial que saiu dos crânios de Hollywood: juntar cowboys e aliens. Dito de outra maneira: fazer um filme de cóbóis em que os inimigos não são peles-vermelhas mas sim E.T.s (peles-cinzentas, no caso); ou, se o caro leitor preferir, um filme de ficção cientifica em que os malévolos extra-terrestres aterram no velho Oeste.

O resultado, previsivelmente, é desastroso. Como sci-fi fica infinitamente aquém de qualquer série Z de há 40 anos; como western está tão, mas tão afogado em clichés desde os primeiros minutos, que não há Daniel Craig (que poderia ser um digno sucessor de Eastwood à frente da câmara), nem plano das belas paisagens de Plaza Blanca (mas que falta me fez um ecrã maior que o dos shoppings) que o salve da ruína.

E assim vai Hollywood: infantilizada, sem memória, sem aprender nada, sem respeitar os seus géneros clássicos. Patética. Triste. Deprimente.

Cowboys & Aliens, E.U.A., 2011. Realização: Jon Favreau. Com: Daniel Craig, Harrison Ford, Olivia Wilde, Sam Rockwell, Clancy Brown, Adam Beach, Paul Dano, Keith Carradine.

17.8.11

Super 8


É verdade que os miúdos são estupendos e que há aqui vontade de "contar uma história com pessoas", mais do que exibir efeitos especiais e milhões, o que vai sendo raro hoje em dia em Hollywood, mas também é verdade que o argumento é um bocado esquemático, as personagens são assim para o estereotipado (aqueles pais!), a realização é spielbergiana de mais (até nalguma lamechice) e é preciso uma boa dose de 'suspension of disbelief' para engolir todas as façanhas do nosso jovem herói.

Mas talvez tenha sido essa vontade de Abrams de fazer um filme 'à moda antiga' em tempos de Super-heróis em 3D, ainda por cima pondo como protagonistas uns jovenzinhos que estão eles próprios a rodar um filme (de zombies!), que levou tanto crítico parcimonioso a pôr esta fita nos píncaros. A mim não me aborreceu excessivamente, mas daí a ser um 'Conta comigo' vai uma distância daqui a Marte.

Super 8, E.U.A., 2011. Realização: J.J. Abrams. Com: Joel Courtney, Elle Fanning, Kyle Chandler, Riley Griffiths, Ryan Lee, Gabriel Basso, Zach Mills, Ron Eldard.

25.7.11

Gianni e as mulheres


‘Gianni e as mulheres’ vê-se como uma continuação de ‘Almoço de 15 de Agosto’, não obstante Gianni, a persona que o realizador criou no filme anterior, nos aparecer casado e com uma filha.

Mas agora, além de continuar a ser atormentado pela sua formidável mãe, Gianni tem outra inquietação: para lá dos omnipresentes velhos com que se cruza, está também rodeado de belas e jovens mulheres por todo o lado (a vizinha de baixo, a enfermeira que cuida da mãe, umas gémeas clientes do seu amigo advogado, etc., etc.), mas elas vêm-no apenas como um avozinho, não como um homem desejável. Gianni está em plena crise dos 60: é invisível para as mulheres, não compreende os mais novos (a começar pela sua filha e o palerma do namorado), nem os novos tempos (uma ex quer que ele cozinhe sem azeite nem cebola).

À semelhança de Gianni também este filme é, de certa forma, um filme fora de moda. É um filme caloroso, de um realizador que filma o seu bairro, a sua família, as suas peripécias mais ou menos cómicas, mais ou menos patéticas. Que nos faz lembrar que este tipo de cinema quase desapareceu: um cinema despretensioso, simples, popular - e inteligente, cómico, pertinente, próximo. É o tipo de filme que me reconforta: por muito que me digam que é 'coisa do passado', a sua simples existência dá-me alguma esperança para o futuro.

Gianni e le Donne, Itália, 2011. Realização: Gianni Di Gregorio. Com: Gianni Di Gregorio, Valeria De Franciscis, Alfonso Santagata, Elisabetta Piccolomini, Valeria Cavalli.

22.7.11

A Melhor Despedida de Solteira


A minha ideia, quase no final de uma semana de muito trabalho, era por uma vez escapulir-me a horas decentes e meter-me numa sessão de fim de tarde (a melhor hora para ver um filme em sossego) e escolher uma coisa palerma e divertida. Devo dizer que não achei 'A melhor despedida de solteira' assim tão divertido. Mas a boa notícia é que está longe de ser palerma. Pelo contrário, achei-o de uma maturidade assinalável (claro que no actual estado infantilizado de Hollywood as expectativas são sempre baixas, mas ainda assim).

Desde logo tem uma actriz imensa - Kristen Wiig - de quem eu nunca tinha ouvido falar, mas que mete todos os Seth Rogen deste mundo num bolso. Depois, tem uma realização sóbria, o que nestes casos é um elogio e não um chavão (há duas ou três cenas que eu teria dispensado, mas até aí a escatologia é contida e são mesmo só duas ou três). Finalmente, e aqui está o espanto maior, tem um belo argumento, que dá vida às suas personagens (Annie/Wiig na primeiríssima linha) e que, como quem não quer a coisa, à sua maneira, simples e directa, critica muito mais implacavelmente um certo tipo de vida americano, de aparências & dinheiro, do que qualquer 'Girlfriend Experience', para ficarmos por outra estreia recente.

É verdade que não me ri às gargalhadas. Mas estive sempre com um sorriso na boca e tive o prazer, cada vez mais raro numa sala de cinema, de ser agradavelmente surpreendido.

Bridesmaids, E.U.A., 2011. Realização: Paul Feig. Com: Kristen Wiig, Rose Byrne, Maya Rudolph, Melissa McCarthy, Chris O`Dowd, Ellie Kemper, Wendi McLendon-Covey, Jon Hamm.

21.7.11

Confissões de uma Namorada de Serviço


Desde a sua estreia com o marcante 'Sex, Lies and Videotape' que Soderbergh tem deambulado entre o mainstream com grande vedetas, e os filmes experimentais de pequeno orçamento. E em ambos os casos tem sido capaz do melhor e do pior.

'The Girlfriend Experience' (de 2009 mas que só agora por cá estreia), insere-se nos tais filmes de pequeno orçamento e, se não tem uma grande estrela de Hollywood, tem uma (ex-) estrela...porno: Sasha Grey (uma actriz sofrível, sempre com aquele ar narcotizado que as porn stars têm, mas ainda assim não desinteressante; já os restantes actores são todos péssimos).

O filme vai acompanhando uma escort girl, e os relatos distantes e profissionais dos seus encontros (e muitas vezes os clientes só querem conversar) são o mais interessante que o filme tem para dar. O resto, a relação com o seu namorado (que tem um emprego 'normal' num ginásio), os 'desafios' do seu negócio (a net, os árabes, as concorrentes, etc, etc) é assim para o bocejante (mas percebe-se que uma das intenções do filme será mostrar esta mulher como uma 'vulgar' mulher de negócios).

Para dar um toque mais 'filme experimental' há ainda umas cenas paralelas, relacionadas com o tal namorado, que contextualizam o filme nos tempos da campanha de Obama e do crash financeiro, montadas mais ou menos aleatóriamente, e que me fizeram lembrar o pior Soderbergh (o do muito pretencioso e  intelectual-chic 'Full Frontal'). Tudo somado, fica uma fita francamente esquecível.

The Girlfriend Experience, E.U.A., 2009. Realização: Steven Soderbergh. Com: Sasha Grey, Chris Santos, Philip Eytan, T. Colby Trane, Peter Zizzo.

16.7.11

A Minha Versão do Amor


A escritora Esi Edugyan justifica a inclusão de 'Barney's Version' no seu Top 10 de 'melhores histórias de americanos na Europa' por, apesar de a maior parte do livro se passar em Montreal, as 'passagens mais engraçadas decorrerem em Paris', onde o jovem Barney leva uma vida de boémia com os seus amigos artistas.

No filme não se passa nada disto: esta primeira parte 'europeia' (que se passa em Roma) é apenas um leve divertimento. Só quando Barney já está bem instalado na vida, como produtor de TV no seu Canadá natal, e especificamente quando se apaixona pela que será a sua 3ª mulher (o que acontece durante a cerimónia do seu 2º casamento!) é que o filme ganha alguma profundidade. Só aí sentimos a espessura desta personagem, que não consegue largar o álcool nem quando tem um casamento feliz, uma mulher que ama, e uma vida boa. Só aí entrevemos o homem com sentido de humor, excessivo, impulsivo, mas auto-destrutivo, que irá abaixo quando a mulher o deixa e a doença (Alzheimer) o ataca, conseguindo aqui, ser mesmo comovente.

Mas nem esta progressão à medida que o filme avança, nem um casting perfeito (com natural destaque para Giamatti, cujo processo de envelhecimento é perfeito, mas também para a luminosa Rosamund Pike e para o delicioso secundário Dustin Hoffman), nos consegue livrar da sensação de estarmos apenas a assistir a uma 'adaptação de qualidade'. Falta ao filme alma, ou se quisermos ser mais prosaicos, um Alexander Payne atrás das câmaras.

Barney`s Version, Canadá/Itália, 2010. Realização: Richard J. Lewis. Com: Paul Giamatti, Dustin Hoffman, Minnie Driver, Rosamund Pike, Rachelle Lefevre, Scott Speedman.

24.6.11

O Castor


Um homem, dono de uma companhia de brinquedos, casado e pai de dois filhos, está com uma depressão profunda, e resolve começar a comunicar exclusivamente através de um castor de peluche, que não larga.

Assim à partida é de temer o pior de um argumento destes, mas a coisa é levada a bom porto por dois motivos. O primeiro é o savoir faire da realizadora Jodie Foster, que encena com sobriedade esta história e ainda resolve bem os subplots, mais ou menos desenvolvidos (o filho pequeno com dificuldades de relacionamento; o mais velho que é um pequeno génio à deriva e se envolve com a rapariga mais gira - mas também mais complicada - do liceu). O segundo motivo chama-se Mel Gibson, que tem aqui um verdadeiro papelaço e dá credibilidade e dignidade a uma personagem quase impossível (uma pessoa arrepia-se só de pensar no que um Tom Hanks, digamos, faria com um papel destes).

Temos assim um actor em estado de graça, um tema dificílimo (a depressão) tratado da maneira menos óbvia mas com uma sensibilidade à prova de qualquer ridículo, e uma actriz que se torna uma senhora realizadora. Em suma, um filme que tem tudo para se tornar um pequeno clássico. 

The Beaver, E.U.A., 2011. Realização: Jodie Foster. Com: Mel Gibson, Jodie Foster, Anton Yelchin, Jennifer Lawrence, Cherry Jones.

22.6.11

Matar para viver


Num ano cinematográfico muito fraquinho até à data, estreia amanhã um dos raros filmes que vale a pena ver.

7.6.11

A árvore da vida


O início de 'A árvore da vida' pareceu-me um '2001' de 2ª categoria. Depois, bom, depois pareceu-me que o filme não tinha personagens de carne e osso. E nem é só Sean Penn , que de facto não existe, são todas as outras, pouco mais que lugares comuns: o pai autoritário que persegue e falha o sonho americano (Brad Pitt sempre com ar de pacóvio), o filho revoltado (e o miúdo é fantástico), a mãe aluada (a muito bela Jessica Chastain). E não é a insistência em pôr banalidades a serem - sempre - sussurradas, com música clássica em fundo, e sobre grandes planos, que dá profundidade à coisa.

'A árvore da vida' pareceu-me alternadamente fastidioso, pedante e irritante. E a parte final, estilo New Age, a que só faltam as pan pipes, pareceu-me mesmo pavorosa (Aronofsky foi crucificado por menos aquando de 'The Fountain', mas Malick tem outro estatuto perante a generalidade da crítica). Definitivamente, este cinema não é para mim.

The Tree of Life, E.U.A., 2011. Realização: Terence Malick. Com: Brad Pitt, Jessica Chastain, Sean Penn, Dalip Singh, Joanna Going, Tye Sheridan.

24.5.11

Alucinação


'Kaboom' é uma espécie de mistura entre 'Shortbus' (há bastante sexo, homo e heterossexual), 'Donnie Darko' (profecias de fim de mundo, visões) e 'Scream' (adolescentes, mascarados), embrulhada num argumento inverosímil sobre seitas e o holocausto nuclear, com piscadelas de olho várias (há uma Lorelei, mas também umas misteriosas gémeas Rebecca e Madeleine...Novak),  e em que a fronteira entre sonho e realidade está sempre esbatida (o tradutor português resolveu mesmo chamar ao filme 'Alucinação'!) .

'Kaboom' ora é terno, ora é angustiante, ora é intrigante, ora é desconexo, mas Gregg Araki (realizador do muito bom Mysterious Skin) nunca o deixa descambar e mantém sempre um reconfortante ar de 'ovni indie', para o que também contribuem a bela banda sonora (que inclui o habitual colaborador Robin 'Cocteau Twins' Guthrie) e a simpática duração de 86 minutos.

Kaboom, França, 2010. Realização: Gregg Araki. Com: Thomas Dekker, Haley Bennett, Chris Zylka, Roxane Mesquida, Juno Temple, Andy Fischer-Price, Kelly Lynch