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17.2.09

Revolutionary Road



'Revolutionary Road' fez-me pensar muitas vezes quão bom deve ser o livro de Richard Yates em que se baseia, e isto não é um elogio. Sente-se a força da tragédia do casalinho burguês insatisfeito, por trás do espartilho que Sam Mendes lhe impôs. Que começa na banda sonora incrivelmente mal escolhida e irritante; na realização apenas convencional e bonitinha, sem as arestas nem as asperezas que o tema requeria; e até, pasme-se, na direcção de actores que parece frouxa, vezes de mais parecendo que estes estão a representar num palco.

Por vezes há algo que escapa deste colete-de-forças e nos deixa entrever toda a tensão (que deveria estar) presente: alguns planos de Kate Winslet; todas as terríveis cenas com Michael Shannon, o maluquinho que funciona como voz da 'verdade', do inconsciente do casal; uma aterradora cena dum pequeno-almoço de aparente reconciliação, em que o glaciar ar simpático de Kate Winslet é mais mortífero que qualquer dos ataques de fúria que tivera. Mas estes momentos apenas nos fazem lamentar a oportunidade perdida por Sam Mendes - realizador até agora bastante estimável - de dar o melhor seguimento à excelente matéria-prima que tinha em mão.

Revolutionary Road, E.U.A./Grã-Bretanha, 2008. Realização: Sam Mendes. Com: Leonardo DiCaprio, Kate Winslet, Kathy Bates, Michael Shannon, David Harbour, Kathryn Hahn, Dylan Baker.

3 comments:

Bruno Faria Lopes said...

O livro do Yates é maravilhoso - na versão original a escrita é imaculada. Não vi ainda o filme, mas pareceu-me desde ogo de bom tom ir buscar estes dois (o casalinho Titanic) para representar o Frank e a April Wheeler...

No The New Republic há um crítica interessante ao livro.

Harry_Madox said...

raramente um filme me leva a ir ler o livro, mas este está na lista de espera das leituras.

O Puto said...

Também concordo que o livro deve ser muito bom. Em relação ao filme, o "algo que escapa deste colete-de-forças" já me bastou para gostar bastante e concluir que foi um dos melhores filmes que vi nos últimos tempos.