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7.4.09

Vicky Cristina Barcelona (2)



'Vicky Cristina Barcelona' poder-se-ia chamar sem prejuízo (excepto o da musicalidade do titulo) 'Vicky Cristina Espanha'. Porque são essas as personagens do filme: Vicky, Cristina e Espanha, sendo que Espanha é representada, mais que pelas paisagens barcelonesas, pelas personagens arquetípicas de Javier Barden e principalmente Penelope Cruz. Ele é o artista boémio, galã, mas não machista e ainda nostálgico da ex-mulher. De certa forma, podia ser de outra nacionalidade qualquer. Ela não. Ela representa o cliché da mulher latina de sangue quente, de coração na boca, exaltada, sexy, fervilhante. Só podia ser espanhola.

Eu acho que Woody Allen se deve ter divertido bastante a criar esta personagem estereotipada, que é uma espécie de McGuffin: permite complicar e impossibilitar as relações amorosas entre Bardem/Juan Antonio e Vicky e Cristina, as que verdadeiramente interessam a Woody.


Vicky (que viu abrir-se e fechar-se uma nesga na sua vida pré-programada) e Cristina (a eterna insatisfeita) poderiam ter saído de qualquer outro filme de Allen, fazem parte do seu universo e é a sua história, como o próprio título indicia, que ele quer contar, analisando a sua personalidade fora do seu habitat natural (NY), em Barcelona, neste caso. E para isso serve-se de Barden e de Penelope. Compreendendo isto, a personagem de Penelope Cruz já não me irritou como da primeira vez que vi o filme e vi com outros olhos o desempenho da actriz (que cumpre o que lhe foi pedido: fazer de mulher à beira dum ataque de nervos).

Volto a isto após a revisão do filme, aquele de que mais gostei do que leva até agora 2009, porque aquando do meu primeiro post estas duas meninas chamaram-me simpaticamente de maluco para cima (ou para baixo) por ter menorizado Maria Elena e Penelope. De certa forma mantenho a opinião, mas espero ter-me explicado melhor desta vez.

6 comments:

Cláudia said...

Logo 2 Cláudias de uma vez, não tiveste tarefa fácil :)

LN said...

Acho-o Fraquinho. Muito fraquinho. O Vicky do Allen, aliás, como praticamente toda a filmografia. Existem alguns picos, nada de relevante. É a coisinha mais sobrevalorizada no mainstream que existe.
Nice blog.

menina limão said...

eu identifiquei-me demasiado com a personagem Maria Elena para aceitar que "só possa ser espanhola" e que apenas represente um cliché.

a tua análise daquilo que a caracteriza é, em parte, acertada - ela é de facto "mulher (...) de sangue quente, de coração na boca" - mas falha quando diz que é assim porque é espanhola. Desculpa, mas isso não é uma característica das espanholas (nem concordo que seja esse o objectivo da representação) - são características humanas universais e têm de ser vistas à luz daquele relacionamento. Aquilo que interessa é o modo como ela vive aquela relação: de uma forma tempestuosa, incontrolada, ciumenta, possessiva, conflituosa. Com uma certa incapacidade de manter uma harmonia desejável e estável. São tão intensos os sentimentos bons como os maus. E ela não consegue escondê-lo perante os outros. Quem se prejudica mais ali é ela, mesmo quando tenta atingir o(s) outro(s) - um contínuo auto-boicote.

Ao dizeres isto, estás a diminuir um grande papel, que não é mais fácil por ser mais explosivo em vez de contido. Tampouco é óbvio. Que ninguém me diga que é fácil conseguir o que ela conseguiu.

menina limão said...

o meu comentário revela apenas uma opinião discordante - se parecer tau-tau é tudo mentira. Ainda interpretas mal expressões como "não aceito" e frases como "estás a diminuir um grande papel" - relendo, soam-me a acusações, mas não são, ok? Parece que estou a dizer-te "tu não tens o direito!" - eu levo as discussões muito a sério, mas não estou assim tão inflamada. ;)

Harry_Madox said...

Hehe, duas Cláudias... se fossem duas Marias Helenas era pior ;)

Claro que 'são características humanas universais'. Só me pareceu - e aqui a nossa discordância [nada mais do que isso :)] - que o Woody Allen, óptimo argumentista, não as atribuiu a uma mulher espanhola, no seu primeiro filme filmado em Espanha, por acaso...

De resto não é bem diminuir um grande papel, apenas me parece que ela terá feito aquilo com uma perna às costas, não me parece mesmo um papel muito exigente para uma actriz como ela. Mas se calhar estou a ter a mesma atitude que muita gente tem em relação à Scarlett, e que me deixa danado, que faz sempre o mesmo papel fácil de 'americana tonta', etc.

Ivo said...

Eu gostei bastante do filme principalmente pela inesquecivel interpretação da Penélope Cruz.

E é mais um excelente argumento do Woody Allen em que é analisada de uma maneira muito peculiar a bigamia.